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MÃOS SÁBIAS E SEGURAS PARA NOS CONDUZIR À VITÓRIA

23 / fevereiro / 2022

por Zé Roberto Padilha


Fábio acabara de renovar seu contrato com o Cruzeiro. Na Série B, do ano passado, foi seu melhor jogador. Aos 41 anos, idade onde o goleiro alcança sua plenitude, se preparava para uma nova temporada.

Daí chegou o novo dono do clube, um ex-jogador, e no lugar de apontá-lo como exemplo de sua administração, aponta-lhe o olho da rua. Quando, na verdade, merecia uma estátua.

E rasga um contrato assinado e o coloca para treinar à parte.

De uma maneira seca, covarde, Ronaldo, o Fenômeno da imbecilidade, esquece suas origens e inicia sua gestão desrespeitando um companheiro de profissão.

Quando um goleiro não se lesiona, e treina forte, e joga todas as partidas de uma temporada, como Fábio faz há anos, não há uma bola, chutada ou cabeceada, de córner, falta ou um tiro de fora da área que lhe surpreenda.

Que não tenha vindo em sua direção e que já tenha encontrado maneiras de colocar o perigo para escanteio. Tal sabedoria acontece em toda a profissão em que a vocação, a preparação e e a seriedade vão a campo defender um patrimônio.

Em meio a tanta indignação ocorrida no mundo do futebol, protestos de todos os lados, o único que não reclamou foi ele, Fábio. Sabia que encontraria um clube à altura não apenas do seu talento, mas da sua nobreza.

Recebeu, calado, a notícia de sua liberação e desembarcou, em silêncio, no Rio. E foi para debaixo das traves tricolores trocar a voz pelas mãos. Responder com defesas e dar sequência a sua admirável trajetória com a qualidade das suas intervenções.

Sua vinda para o Fluminense não foi por acaso. Teve o de dedo de Carlos Castilho, as mãos seguras do Félix, no texto redigido por Nelson Rodrigues e encaminhado aos Deuses do Futebol.

Na terça, Fábio foi o goleiro titular em nossa estreia na Copa Libertadores. Com ele no gol, o Fluminense iniciou sua caminhada em uma competição que tem a sua cara. O seu prestígio. A sua história.

Porque com a experiência do Fábio, a juventude de Luiz Henrique, André, Calegari e uma lenda viva à sua frente, como referência, deixaremos, como dizia nosso mestre e dramaturgo, de ser grande.

Seremos ainda maiores.

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