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PC Caju

de mal a pior

::::::::: por Paulo Cézar Caju ::::::::

Se quem viu os áureos tempos do futebol brasileiro sofre com o nível técnico atual, imagina quem esteve dentro de campo fazendo a torcida sorrir os 90 minutos? Pois é, amigos! Clodoaldo, Lima, Mengálvio, Edu, Abel e Manoel Maria honraram a camisa do Santos e devem sofrer com o time atual do Peixe, lanterna do Grupo A do Campeonato Paulista, atrás de Bragantino, Inter de Limeira e Botafogo-SP. Para se ter noção, o alvinegro empatou com São Bernardo, Ferroviária, Água Santa e perdeu para o Palmeiras no último fim de semana. Peguei o Santos como exemplo, muito pela minha relação com o clube. Embora nunca tenha atuado por lá, sempre gostei muito do Peixe e, na infância, cansei de torcer por Pelé e cia. Mas a verdade é que esse “vírus” ataca o futebol brasileiro como um todo. Se antes cada clube tinha pelo menos três craques fora de série, hoje não temos mais nenhum no Brasil. Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Vasco, Fluminense, Botafogo, Flamengo… Nenhum desses! E olha que a imprensa vive tendo emplacar um novo craque, quando surge um menino que faz duas ou três embaixadinhas. No meu Botafogo, por exemplo, bastou o Jeffinho fazer algumas boas partidas que já se transferiu para a Europa. Torço muito pelo sucesso do garoto e consigo enxergar um potencial, mas precisamos ter calma antes de taxá-lo de craque. Talvez o último jogador um pouco diferente dos demais seja o Vinicius Jr., que vem sendo alvo de ataques racistas na Espanha. Por perder as contas das inúmeras vezes que fui ofendido no Maracanã, tenho propriedade para falar que a melhor resposta dentro de campo, aplicando chapéu, caneta e metendo gol! Por falar em futebol europeu, acompanhei a rodada do Campeonato Inglês e, como um bom fã das zebras, celebrei as derrotas de Arsenal, Manchester City e Liverpool. É bom o Arsenal abrir o olho para não perder a vantagem que construiu nas primeiras rodadas. Não poderia terminar a coluna sem homenagem a querida Glória Maria, lenda da TV brasileira que nos deixou recentemente. Se Angela Davis é uma grande ativista pelos direitos dos negros e das mulheres, via a Glória Maria como a maior repórter negra, referência para muitos talentos. Deixou um legado gigantesco e um vazio enorme em nossos corações! Descanse em paz!

Pérola da semana:

“Para explorar o X1, o central aciona o jogador de beirinha através da ligação direta e espeta as linhas de quatro ou cinco com a bola viva por dentro para atacar os espaços”.

“Com intensidade e consciência, o time consegue ser explosivo na diagonal e na vertical para surpreender o adversário no último terço do campo, centralizando a segunda bola”.

Geraldinos, haja saco e paciência para entender tantas asneiras dos analistas de computadores!

DESCONTROLE EMOCIONAL

:::::::: por Paulo Cézar Caju ::::::::::

Nunca escondi minha admiração pelo trabalho de Fernando Diniz, mas acho que ele está jogando tudo por água abaixo por conta de seu temperamento. Essas caras e bocas não ajudam em nada. E o pior que ele e Abel Ferreira, do Palmeiras, são dois nomes cogitadíssimos para assumir o comando da seleção brasileira. O descontrole emocional de Abel durante a partida contra o Flamengo foi patético. Será que o departamento de psicologia do clube o convoca no dia seguinte para rever as imagens? Isso acaba influenciando no comportamento dos jogadores.

Ele, Fernando Diniz e os integrantes das duas comissões técnicas vivem sendo expulsos. Que chatice! E a estratégia de Fernando Diniz precisa ser revista. Se formos comparar o Botafogo venceu o Fluminense da mesma forma que o Palmeiras venceu o Flamengo, com uma defesa sólida e saídas rápidas no contra-ataque.

Flamengo e Palmeiras jogam de forma ofensiva, mas o Verdão me parece ser mais jovem e se recompõe muito mais rápido quando perde a bola. Dorival fazia isso muito bem, mas foi dispensado sabe-se lá por quais razões. Sem João Gomes o Fla perdeu muita força e Gerson, Arrascaeta e Everton Ribeiro não marcam ninguém.

E pela rodada na Europa nota-se que camisa já não impõe tanto respeito. A Juventus perdeu para o Monza em casa, o Milan foi goleado pelo Sassuolo, o Brighton venceu o Liverpool e o PSG empatou com o Reims. Aí vem aquela turma, assim como Gabigol falou após a derrota, dizer que é início de temporada e a filosofia do novo treinador ainda não foi incorporada. Mas a imprensa adora ser enganada, eu tô fora.

Por fim, gostaria de expressar a minha indignação com o empréstimo do garoto Jeffinho para o Lyon na véspera do fechamento do mercado. Um jovem com enorme potencial…

Pérolas da semana:

“Com o objetivo de empurrar o adversário para o precipício com intensidade, o treinador espaça seus alas pelas beiradas do campo e busca travar a bola viva, estancando a sangria do time com o jogador agudo que faz a leitura sob a linha de quatro centralizada”.

“O zagueiro espetado na transição se esparrama por dentro para destravar o jogo encaixado e quebrar a segunda bola. Assim, consegue bater um mano com o adversário incisivo na linha terminal em diagonal”.

DESCASO COM A GAROTADA

::::::: por Paulo Cézar Caju :::::::

Início de ano é uma excelente oportunidade para assistir à garotada no torneio mais tradicional do futebol de base: a Copa São Paulo de Futebol Júnior. É inegável que trata-se de uma excelente vitrine para os garotos, visto que os jogos têm transmissão para o Brasil inteiro. Perdi as contas de quantos jovens arrebentaram na competição e logo foram alçados para o time profissional, se destacando no mesmo ano.

Dito isso, é inadmissível o estado do gramado da grande maioria dos jogos. É um crime o que estão fazendo com essa garotada, colocando a integridade física deles em risco, com campos esburacados, lama, poças, areia, grama alta, capim e por aí vai. Quantas vezes já bati na tecla que é preciso investir na nossa base? Não tem mistério, é de lá que vão sair nossos futuros craques! E claro que esse investimento vale não só para os clubes, mas também para a federação. A não ser que seja do interesse deles ficar mais 20 anos sem levantar uma taça da Copa do Mundo! Kkkkk!

Temos que aplaudir esses meninos de pé por conseguirem praticar esse esporte em meio a esses pastos que são obrigados a jogar. O pior é que todo ano essa reclamação vem à tona e os dirigentes não fazem esforço algum para propor melhorias. O interesse deles está somente em colocar as joias em campo para vender o quanto antes para um clube europeu por cifras milionárias. O que eles não sabem é que, com gramados melhores, novos craques poderiam despertar o interesse das potências mundiais. A matemática é simples!

Agora, se os campos estão nesse estado, tenho até medo de imaginar como devem ser as acomodações. Vale destacar que Flamengo, Corinthians, Vasco, Fluminense, Grêmio e São Paulo já deram adeus ao torneio e estou na torcida para que uma das zebras levante o caneco.

No mais, os Estaduais começaram e é impressionante como pouco se fala da competição. Que saudade dos tempos em que o Carioca era o torneio mais charmoso, que Francisco Horta agitava trocas de jogadores para tornar ainda mais competitivo, que a Geral bombava e por aí vai! Éramos felizes demais e sabíamos!

Essa história de poupar os jogadores eu nunca vou entender, e considero uma grande falta de consideração com a torcida. O Vasco, por exemplo, empatou em 0 a 0, assim como o Palmeiras. O Botafogo perdeu para o Audax e o Corinthians para o Bragantino. Certo está o Fernando Diniz, que entrou com força máxima no sábado e tem dado a devida importância ao Carioca!

Pérolas da semana:

“A ligação direta por dentro tem dado consistência e intensidade para o time amassar o adversário e ter uma leitura de jogo que faça o falso 9 espetar a linha de 5 e chapar na orelha da bola”

“Com uma linha baixa em transgressão, o time aciona o atacante agudo no último terço do campo, que tira o zagueiro para dançar e esconde o movimento do chute. Dessa forma, consegue dar dinâmica de jogo, quebrando a intensidade do adversário e tornando o time reativo”.

Esses analistas de computadores seguem enchendo a nossa paciência! Até quando?

CADA DIA MAIS POBRES

:::::::: por Paulo Cézar Caju :::::::

Ainda nem me recuperei da partida do Pelé – se é que algum dia vou recuperar – e ontem recebi mais uma notícia que me deixou sem chão. Na verdade, tem sido tempos difíceis para os amantes do esporte, sobretudo pra mim.

Em meados de 2021, tive a perda repentina do meu irmão Fred Marinho. Quem o conheceu sabe a pessoa incrível que era e ainda sinto demais a sua partida. Penso nele todos os dias! Em novembro, a Isabel, lenda do vôlei, morreu de uma síndrome respiratória. No fim do ano, foi o nosso Rei e agora o Dinamite!

Assim como fazia com os marcadores nos gramados, o artilheiro lutou até o fim contra um tumor no intestino, um adversário implacável. Nossos ídolos, nossas referências, estão indo embora e sabe qual é o pior? Os clubes não estão extraindo a sabedoria, o conhecimento, a experiência desses que fizeram chover dentro de campo e colocaram seus nomes na história do futebol.

Respondam com sinceridade! Faz algum sentido os dirigentes optarem pelos professores de educação física ao invés de colocarem os craques do passado – aqueles que vivenciaram o futebol de verdade – comandando alguma categoria das divisões de base? A resposta é óbvia! Como vão ensinar pra garotada como se bate na bola se nunca chutarem uma? Como dizer o comportamento dentro de campo, se nunca assinaram uma súmula? Os clubes precisam mudar essa postura antes que seja tarde, e o tempo é curto!

Lembro direitinho quando Roberto Dinamite surgiu nos profissionais, em 1971, no Maracanã, e já carimbou o apelido que acompanhou durante toda a carreira. Aos 17 anos, o garoto marcou um gol contra o Internacional, no Maracanã, e no dia seguinte a capa do Jornal dos Sports estampava: “Garoto-dinamite explodiu”. É, e dificilmente será superado, o maior artilheiro da história do Vasco da Gama com 708 gols marcados e também o que mais balançou a rede na história do Campeonato Brasileiro, com 190 tentos. Precisa dizer algo mais?

Se já não fosse o bastante, era uma pessoa incrível fora de campo e quem conheceu sabe o privilégio que era estar com Bob. Brincalhão, humilde e sempre de bem com a vida, jamais se comportou como a estrela que era e fazia questão de atender todos os fãs, seja lá onde estivesse.

Em um dos últimos encontros que tivemos, num almoço na casa do Sergio Pugliese, para o Museu da Pelada, simulamos uma cobrança de falta com a barreira e o goleiro improvisados com copos e talheres, relembrando o estilo de bater na bola de cada um. Nos divertimos bastante! Eu fui um dos primeiros a bater falta no canto do goleiro, desde os tempos de futebol de praia, no Columbia. Enquanto Bob tinha aquela pancada, eu dava um toque sutil na bola. Mas a verdade é que o goleiro não pegava nenhuma das duas! Kkkk!

Antes de terminar a coluna, gostaria de lembrar de um chocolate que demos no River Plate, time base da seleção argentina que tinha conquistado a Copa de 78, quando atuávamos pelo Vasco da Gama no Troféu Joan Gamper! Lembro de ter feito dois gols no Fillol, que saiu com a cabeça quente! Kkkk! Descanse em paz, meu amigo! Você fará muita falta!

Pérolas da semana:

“Sempre brigando pela segunda bola, o time busca a saída pela beirada através do corredor lateral, que proporciona uma leitura de jogo com apetite reativo e filosófico para pular do trem em aceleração”.

“Para subir as linhas ou mantê-las baixa, o treinador liga a torneira geométrica que visa um amasso espinhoso associando o encaixe com assistência para o último homem do ataque chapar a bola com precisão”.

IDOLATRIA SEM FIM

por Paulo Cézar Caju

Quando uma pessoa fica muito tempo internada, dizem que a dor da partida é menor, pois temos um tempo para nos preparar para o pior. Não sei quem inventou essa máxima, mas ela não se adequa ao caso do Rei do Futebol. Durante os 30 dias que o craque ficou internado, eu sempre acreditei em um milagre e, talvez por isso, tenha sofrido tanto com o adeus dele na semana passada. Sou suspeito para falar, pois me considero um privilegiado por ter, não so atuado ao lado de Pelé, mas conquistado uma Copa do Mundo ao lado dele. Que vazio que ficou!

A minha mãe, Dona Esmeralda Lima, também é de Três Corações e, desde pequeno, eu já tinha uma idolatria pelo Rei. Essa eu nunca revelei para ninguém, mas quando fui adotado, vivia em um dilema. Nos anos 60, meu pai era treinador daquele timaço do Botafogo com Garrincha, Quarentinha, Zagallo, Didi, Nilton Santos e travava um dos maiores clássicos de todos os tempos com o Santos de Pelé, Mengálvio, Pepe, Coutinho e cia. O natural era eu torcer para o time do meu pai, mas a admiração por Pelé fazia com que um grande ponto de interrogação surgisse na minha cabeça!

Agora, vocês imaginam a minha felicidade quando fui convocado para as Eliminatórias da Copa de 70 e tive o privilégio de dividir a concentração com o maior de todos os tempos? Àquela altura, Pelé já era tetracampeão mundial (dois títulos com a Seleção e mais dois pelo Santos) e a minha idolatria só aumentava. No Retiro dos Padres, em São Conrado, local da nossa concentração, eu adorava ficar ao lado dele para ouvir as suas histórias. Às vezes, em tom de brincadeira, ele até falava para eu largar do pé dele! Kkkk! De tanto ouvir as resenhas, com muito orgulho, acabei virando seu secretário na concentração e fazia algumas ligações quando ele solicitava. Que saudade!

Lembro direitinho dos momentos ao lado dele! Na época com 20 anos, eu parecia estar sonhando por estar ao lado do Rei do Futebol. Inclusive, era dessa maneira que todos o chamavam. Sabem qual é o melhor? Ele nunca se comportou dessa forma e sempre foi um cara humilde, que atendia todos os fãs, dava conselhos para a garotada, um grande ser humano. Eu tinha separado para citar algumas qualidades do Rei dentro de campo, mas ficou tão extenso que prefiro dizer que Pelé era completo! Até bater ele sabia! Kkkk! Quem não se lembra da cotovelada que ele deu no uruguaio depois da agressão covarde que sofreu? Coisa linda!

Me emocionei com as diversas homenagens que fizeram para ele, mas sempre vou achar pouco por tudo que o Rei nos proporcionou. Se algum maluco voltar a dizer que Pelé não jogaria nos dias atuais, juro que vou passar direto. Para matar as saudades, recomendo que assistam o filme “Pelé Eterno”.

Fora de campo, também gostaria de ressaltar tudo que o Rei representou! Em uma época de tanto racismo, quando olhavam torto para os negros em qualquer lugar e ocasião, estendiam o tapete vermelho para o “negão” em qualquer lugar do mundo! Quando ele marcou o milésimo, deixou um recado que é válido até hoje: “Ajudem as crianças desafortunadas, que necessitam do pouco de quem tem muito. (…) Pelo amor de Deus, o povo brasileiro não pode perder mais crianças”.

Gostaria de ressaltar outra frase marcante de Pelé que também cabe nos dias atuais: “O povo brasileiro ainda não está em condições de votar por falta de prática, por falta de educação”. A terceira e última mensagem que queria relembrar foi na sua despedida do Cosmos em New York, quando o Rei pediu mais amor aos seres humanos: “Love, love, love”. Nesses gestos contra o preconceito e a desigualdade, gosto de comparar Pelé a líderes como Nelson Mandela e Martin Luther King!

No mais, obrigado por tudo, Pelé! Que você abençoe e traga luz ao nosso futebol daí de cima, Rei!

Pérolas da semana:

“Mesmo com um futebol amarrado, o jogador agudo tem a leitura de jogo para dar tapas na orelha da bola e desmanchar o terreno na transição. Dessa forma, expande o jogo e dá consistência ao encaixe”.

“Através de uma variação do 3-5-2, o treinador montou uma linha de quatro com dois pitbulls mordendo os adversários atrás da linha da segunda bola que vem no ar. Para fazer a transição, utiliza-se o jogador de beirinha para meter a chapa e pentear a bola com leitura labial”.

E aí, geraldinos! Assim como vocês, não entendo lhufas!