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A INAUGURAÇÃO DO FUTEBOL MODERNO

24 / fevereiro / 2022

por Zé Roberto Padilha


O ano era de 75 e os professores da Escola de Educação Física do Exército, espalhados pelo maiores clubes do nosso futebol, começaram a nos preparar para a transição de jogadores de futebol para atletas profissionais.

Depois da arte se impor em 70, no México, quatro anos depois a Alemanha ganhou em casa o mundial, e junto a Laranja Mecânica holandesa, inaugurou o futebol moderno.

No Fluminense, o responsável para realizar tal transição foi Carlos Alberto Parreira.

Interval-training, Circuit-training, Teste de Cooper foram incorporados à preparação física. E as máquinas Apolo e Nautilus foram instaladas para aumentar a nossa força muscular.

Nos jogos, os duelos, que eram individuais, lateral versus pontas, atacantes versus zagueiros, foram se tornando coletivos. Isto é, todo mundo contra todo mundo.

Para nós, foi em um América X Fluminense, Brasileirão de 75, que tudo começou.

Flecha, ponta-direita do América, cansou de duelar com o Marco Antonio. Como cobaia do Parreira, que chegou a me escalar na lateral para aprender a marcar, e estava voando, quando o Flecha preparou seu drible eu vim por trás e lhe roubei a bola.


Irritado, inconformado, partiu atrás de mim. Não para retomar a bola, mas para tirar satisfações: “Vá se ferrar, baixinho. Sou eu contra o Marco Antonio, não tem nada que se meter!”

No vestiário, relatei para o Parreira o ocorrido. E ele achou interessante, porque o futebol moderno tinha começado, só não havia uma data de sua inauguração.

Agora, disse, ele tem. Você, Flecha e Marco Antonio inauguraram, hoje, nesse lance aqui no Maracanã, as bases do futebol moderno.

Lembrei disso, hoje, porque o Flecha, que era Guilherme, nascido em Canoas, RS, nos deixou.

Descanse em paz meu amigo.

Obs. Na foto, Marco Antonio, Edinho e eu contra Flecha e Tadeu.

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