Escolha uma Página

Wendell Pivetta

TUPAN F.C.

por Wendell Pivetta


O Tupan Futebol Clube celebrou 72 anos de existência no último mês. Uma das maiores equipes da região central do Rio Grande do Sul, conquistou inúmeros títulos, mas a história do Tupan vai além desse mérito, ela alcança a formação de atletas e cidadãos tupanciretanenses com base no respeito e dedicação para alcançar os objetivos na vida.

Repleto de nostalgia, a página oficial do clube no Facebook celebrou seu aniversário com mais de 20 fotos dos elencos que atuaram com a camisa do rubro-negro tupanciretanense. No acervo, atletas da nova geração, como Roaldo, Luis Henrique, Cleumir, Jean Ramos que hoje atuam pelo Figueira na Série Prata da Federação Gaúcha de Futebol de Salão foram relembrados. Também foi visualizada a presença do técnico Diogo Tassinari Cancian, hoje na casamata do SPORT F.C, equipe de futsal feminino e nas categorias de base do Gaúcho E.C, personagens da história recente do clube, quando em 2015 atuaram na segunda divisão do estado pela Federação Gaúcha de Futebol de Salão.

Emerson Barcelos, consagrado atleta que atuou no clube nos anos 90, e depois passou pelo Vasco, Inter, futsal espanhol e atual coordenador de esportes da Terra da Mãe De Deus e o ala Alcides Ribas, hoje atuando em clubes de primeira divisão do Estado, aparecem no acervo, assim como outros inúmeros jogadores.

O presidente do clube, Jairo Ramos, nos anos 80 atuou com a camisa, anos após foi técnico do clube, e recentemente celebrou a data:

“Quero parabenizar essa equipe que muito orgulho deu e vai continuar dando para a população e para todas as pessoas de Tupanciretã. Uma equipe esta que através dos tempos teve grandes conquistas nos campeonatos que participou e que o orgulho maior é a formação que teve de vários atletas que hoje brilham nas quadras de futsal pelo Estado do Rio Grande do Sul e formou também, grandes cidadãos. Então parabéns Tupã Futebol Clube pelos seus 72 anos de existência”.

Na atual direção do Tupan, Jairo Ramos tem o apoio de Jalma Ramos, irmã, diretora de esportes, e uma das personagens do futebol de campo feminino. Jalma foi campeã do Gauchão nos anos 2000 pelo Grêmio, também atuou no Internacional e hoje, com mais de 40 anos, irá atuar no Gauchão pelo Elite, clube de Ijuí, cidade vizinha de Tupanciretã. A atleta, conhecida como Tupã Ramos no meio futebolístico, tem dois filhos com o mesmo DNA do futebol: Jean Ramos, camisa 10 do Figueira, e Júnior Ramos, atleta formado na base do Tupan e atua em outros clubes da região.

Na Terra da Mãe de Deus, famílias se uniram para construir uma das camisas mais respeitadas da região. Contando também com Luiz Eduardo Aude. Mais tarde seus dois filhos também integraram o elenco nas categorias de base, e hoje já não seguem mais o caminho do futsal, mas se tornaram cidadãos com respeito e objetivos de vida conquistados. O personagem dos relatos a seguir, é mais conhecido como Brecha. Integrante por anos do clube na direção, e também como torcedor e atleta nos anos 80, relatou importantes histórias do clube:

“O nosso glorioso Tupan Futebol Clube está completando 72 anos. A gente fez parte da história desse clube que agora está inativo, mas se Deus quiser nos próximos anos ou nesse ano, nos anos seguintes, ele vai voltar à ativa de novo. O futebol é ciclo né então a gente que já passou pelo Tupã, já passou o nosso ciclo né, vamos como diz aquela música de Elis Regina: o novo sempre vem. Então nós estamos esperando uma turma de pessoas novas, pessoas que tenham um amor pelo Tupã Futebol Clube e possam tomar conta dessa agremiação muito querida”.

Luiz Eduardo dedicou boa parte da sua vida no rubro-negro tupanciretanense:

“Eu comecei a jogar no Juvenil em 1987 e comecei a torcer pelo Tupã lá em 1985, no segundo Citadino da era do Chapetão, quando ganhou de um super time da Serrana. Uma máquina de time da Serrana: Bila, maninho, Humberto e Sebão e Orion no gol. Era um cano de time da Serrana, bem-dizer era imbatível e o Tupã FC ganhou essa final e como o Jairão (presidente do clube atualmente) era meu colega de aula, e ele fez os gols da vitória e o Jairinho com tempo ficou meu amigo, comecei a torcer para o Tupã. Nesse longo tempo depois eu comecei a fazer parte da diretoria em 1990 com o Wilmar Mingotti presidência e o saudoso Jorge na vice e eu de tesoureiro. Dali não abandonei mais as diretorias do Tupã até 2010. Foi o último ano que nós tivemos ali com uma categoria infanto juvenil para disputar o Estadual e nós saímos da diretoria, mas eu continuei sempre ajudando o time ali no que eu podia né.”


O Tupan uniu famílias, lotou o ginásio municipal, e criou também histórias com resultados marcantes no cenário principal do Futsal Estadual:

“Tem um fato marcante que durante o tempo que umas vitórias mais emblemáticos da minha era ali, foi aquela vez que nós ganhamos de 4 a 1 da Uruguaianense em casa, sendo a única equipe que ganhou do time que subiu para a Ouro e depois como treinador, uma vitória do juvenil contra o Atlântico, lá em Erechim, 3 a 2, e nós ganhamos lá em Erechim e depois escutando na rádio Tupã o empate contra a ACBF, 7×7, em Carlos Barbosa. Valeu, abraço, e feliz aniversário do Futebol Clube por esses 72 anos”.

Estes personagens solidificaram, e tornaram Tupanciretã um berço formador de cidadãos e atletas para o mercado do Futsal Gaúcho. Diferentemente do futebol de campo, o salão se tornou mais propício, e amado pelos cidadãos. O jornalista que redige este texto, atuou em vários clubes tupanciretanenses, menos no Tupan FC. Em uma tarde de verão, com meus 12 anos, me apresentei para treinar no local do clube, porém naquele dia não haveria treino para a minha categoria.

Fiquei no local um pouco, e assisti aos treinamentos comandados por Jalma Ramos. Ali entendi o porquê do Tupan ser diferente dos demais clubes, pois a rigidez da treinadora em cobrar o esforço máximo dos atletas era intenso. Tinha de se ter muita fibra e determinação em quadra, e assim os atletas entravam em quadra prontos para os feitos heróicos diante de clubes com folhas salariais altas e contratações de maior expressão.

Atualmente, a torcida tem uma incógnita se em algum dia, o Tupan F.C irá voltar com suas atividades futebolísticas, voltando a ser um dos maiores celeiros de craques do município.

FORÇA FEMININA

por Wendell Pivetta


Em Tupanciretã muitas conquistas esportivas ainda estão por vir. O município do interior do Estado do Rio Grande do Sul ainda está em evolução, e construindo campeões.

Em tempos áureos, o título de maior expressão do futebol local é a conquista da segunda divisão do Gauchão realizada pelo GEPO, nos anos 80.

No domingo, 20 de fevereiro, a equipe do SPORT F.C entrou para a história, se tornando o primeiro time a ser sede de uma competição Estadual na categoria feminina. Sim, apenas em 2022 o município conseguiu este mérito, e com uma equipe determinada a almejar o topo.

O SPORT F.C tem se tornado cada vez mais exemplo de garra e conquistas, batalhando por um espaço ainda pequeno dentro da cidade, mas unindo a família, o time está muito bem estruturado. Prova disso, a classificação da equipe na Copa de Verão Nedel organizada pela Liga Sul Rio Grandense de Futsal.

No domingo, a equipe enfrentou durante o dia, a primeira etapa da competição, envolvendo os times Industrial da cidade de Palmitinho, o Barcelona e o Bonekas F.F de Júlio de Castilhos. As gurias tupanciretanenses se classificaram em segundo, e jogam a segunda etapa da competição em São Luís Gonzaga, município com mais de 3 horas de distância.

E prova da união desta família, e dedicação tática de muito treino destas gurias, que muitas vezes treinavam a meia noite no Ginásio Municipal, foi o registro fotográfico que realizei no embate final da chave, quando o SPORT F.C precisava vencer o Bonekas F.F para garantir o acesso.

Em um jogo eletrizante, mas de goleada, a equipe de Tupanciretã batalhou, e superou suas adversárias com um belo futsal. E em um lance especial, trouxe o esplendor do dia. O time estava vencendo, porém acabava de tomar um gol, e às adversárias estavam apelando diretamente para a agressividade. Muitas faltas sendo cometidas, arbitragem com o pulso leve, e em um lance para expulsão, a ala do SPORT F.C escapa pelo setor direito, chega frente ao gol, e é parada com um carrinho de uma atleta, e por cima, um cotovelo da outra adversária. Prensada e afetada pela agressão, a jogadora não conseguiu seguir em quadra diante de tamanha dor em sua perna.


A substituição aconteceu naturalmente. Tensão e nervosismo, um clima de briga estava se instaurando na partida, então o técnico foi ágil: “Ei, gurias, elas estão só batendo. Façamos o seguinte, se soltem, troquem passes, façam 2-1 e deixem elas correrem atrás da bola, vamos cansar elas”.

Sábia dica para o atendimento rápido do time. A cobrança da falta, o 2-1 realizado e na esquina direita da área, um chute raivoso, forte, feroz, ultrapassa a linha defensiva adversária para a euforia dos torcedores do Ginásio Municipal. A atleta foi ao alambrado, vibrou, celebrou, abraçou.

Muita emoção tomou conta de um jogo, para terminar SPORT F.C 5×1 Bonekas F.F. Tupanciretã classificada, e a representação de um belo futsal com determinação, garra, dedicação e emoção pura da magia do futebol raíz, do alambrado ainda vivo.

FINAL DA COPA RS

por Wendell Pivetta


Tupanciretã é um dos tantos municípios pequenos do coração do Rio Grande do Sul, porém se tornou gigante com a camisa de um time. Em sua história recente, o Figueira conseguiu o feito inédito de alcançar duas finais, a da Copa da Federação Gaúcha de Futsal e a Copa celebrativa da federação em seus 65 anos de existência.

Hoje vou escrever sobre Figueira 5×4 BGF. A primeira partida da final da Copa RS, um campeonato importante, pois ao campeão, é permitido o acesso a Copa do Brasil de Futsal. Como jornalista, e atuando como fotógrafo na beira da quadra, definitivamente fazia alguns anos que tamanha emoção esportiva tomava conta, perdendo em alguns momentos, até mesmo o controle da lente perante façanha.

Com os olhos e a lente emaranhados, em uma final inédita para a cidade, os atletas entraram em quadra para o delírio de um ginásio lotado, empurrando o time para o seu maior embate. Alguns jogadores passaram a engolir a saliva em seco, devido ao nervosismo da decisão, outros olhavam compenetrados para o público cantando intensamente. Uma energia única, que na primeira etapa viu seu time sair derrotado pelo placar de 4×1. Mesmo com o saldo alto para o adversário, os atletas saíram se cobrando, e conversando para corrigirem os erros. No futebol de salão, 1 minuto pode se tornar 10 minutos, e em um curto espaço, um chute certeiro é razão para surpreender o adversário.

Nesta máxima do esporte, o 5×4 para os donos da casa aconteceu com os pés de Alan Negão e Jean Ramos (ambos na foto). A atual campeã da Série Ouro não conseguiu segurar um time empurrado pela torcida em busca do feito histórico. Jean a cada gol não conseguia segurar a emoção, que em um misto de riso e choro, pulava, socava o ar, não conseguia gesticular tamanha alegria.

O camisa 10 guardou belíssimos gols e seu feito seria recompensado mais tarde sendo selecionado o craque do campeonato e artilheiro. Filho de Jalma Ramos, a jogadora mais velha do Gauchão Feminino 2021, constrói seu auge no Figueira, na terra da Mãe de Deus, berço de seu aprendizado futebolístico.

Enquanto o atleta não se continha em proporção nas comemorações, Alan driblava e envolvia os adversários marcando belos gols e cruzando os braços, olhava seriamente a torcida, com marra de um verdadeiro 9 decisivo.


O time de Tupanciretã acabou não conquistando o título. O triunfo dos adversários aconteceu no jogo da volta, em Bento Gonçalves. Mas o fervor dentro da cidade do Figueira, alimentando o sonho de inúmeros tupanciretanenses que jamais viram um feito como este no Futebol de Salão, enaltece a necessidade de um título para 2022, pois provaram serem capazes.

Tanto diretoria, como comissão técnica e atletas reergueram um sonho esquecido pelo torcedor, e que deve ser recapitulado no novo ano, com uma pré-temporada ainda mais intensa, atletas focando em seus treinos pessoais em academia e corrida de rua ainda mais cedo, direção reunindo o plantel, e com os erros do passado, reerguer o futuro campeão.

A frase “deixamos a família para nos dedicar aos treinos, e chegar até aqui, já é um feito grandioso” definitivamente só deve ser repetida com o caneco na mão. A cobrança do torcedor, que é uma família, é do título conquistado por aqueles que provaram serem capazes de superarem seus próprios limites.

HISTÓRIA DE REPÓRTER NO MORRO DOS VENTOS UIVANTES

por Wendell Pivetta


Celebramos no dia 16 de fevereiro o Dia Nacional do Repórter, comemorado anualmente no Brasil. A data homenageia os profissionais responsáveis por transmitir através dos meios de comunicação fatos e informações de interesse público. Todo o repórter é jornalista, mas não são todos os jornalistas obrigatoriamente repórteres (Site: Calendarr).

No futebol, uma das figuras que deixa a jornada esportiva mais descontraída e cativante com entrevistas muitas vezes engraçadas e emocionantes é a do repórter. Seja no pré-jogo entre a torcida ou na beira do campo, este sagaz comunicador busca a informação e humaniza um belo dia de futebol.

O narrador e seu comentarista com fervor atendem à demanda dentro de campo, vislumbrando a partida em sua cabine de imprensa. O repórter na beira do gramado cria olhos para sua equipe nos mais variados detalhes. Grandes equipes de jornalismo conseguem executar com exímio estas funções, dividindo as ações, porém uma equipe reduzida transforma o jornalista em comentarista e repórter.

Este caso do jornalista se transformar em uma tartaruga ninja, com várias funções, é tradicional no interior do Rio Grande do Sul, e eu vivenciei estes momentos acompanhado do colega Vinicius Carvalho, narrador e, neste texto, também repórter. O jogo era de extrema importância: a SER Cruz Alta enfrentava o Nova Prata para conquistar a última vaga para as eliminatórias da Copinha, promovida pela Federação Gaúcha de Futebol, famosa competição por dar acesso ao campeão para a Copa do Brasil ou Série D.


Iniciamos a jornada esportiva! Naquele ano, eu estava comentando praticamente um jogo a cada final de semana, com a narração do Vinícius, uma dupla que estava muito entrosada, tanto que quase não olhávamos para as escalações, os nomes dos jogadores já estavam na ponta da língua. O estádio Morro dos Ventos Uivantes, naquela tarde de decisão, estava com o clima igual ao nome, uma tremenda ventania em pleno outono, gelando a garganta, judiando na dupla que estava na humilde cabine de imprensa, formada por tijolos que fechavam um quadrado sem porta, dois degraus normais igual ao que o torcedor se sentava, para largar ali equipamentos e sentar junto dos mesmos. Sentar no modo de dizer, a final, as vigas de proteção da cobertura dos assentos faziam com que a equipe ficasse de pé acompanhando até a ponta do degrau cada lance protagonizado pelos jogadores.

Era dia de fazer história, e os jogadores venceram a partida, protagonizando uma classificação histórica: vitória de 1×0 e muita comemoração por parte dos jogadores, e o personagem da equipe, o padeiro, gandula e presidente, Renato Chagas de Souza. Depois de 20 anos, a cidade de Cruz Alta voltaria a enfrentar um clube da primeira divisão do Estado, e foi o Pelotas, 111 anos de tradição. Mas o que comoveu mesmo naquele ano, e que ficou gravado na memória, foi o fim do jogo, quando o presidente estava celebrando assim como toda torcida, a equipe que antes era formada por narrador e comentarista, se transformou instintivamente em repórteres na beira do alambrado, entrevistando o presidente e vislumbrando o mesmo tomar o banho da vitória.

A emoção tomou conta, apenas anunciamos o apito final e descemos correndo degrau abaixo para pegar a fala do presidente e jogadores, deixamos boa parte do equipamento na cabine totalmente insegura, e nos contagiamos com aquela história nascendo em nossa frente. O frio da cabine foi deixado com a mesma, e o calor da emoção tomou conta diante de uma das principais histórias do futebol cruz-altense. Assim como o jogador, o bom repórter tem que estar em cima do lance.

E AGORA, QUEM NOS SALVA?

por Wendell Pivetta


A Inglaterra, mãe do futebol brasileiro, que mandou por um navio Tomas Miller, com uma bola em sua bagagem, desembarcar em São Paulo, vive dias de caos fora dos gramados. Inquieta é a situação, acredito estar assim pelo impacto da morte de um jovem de 17 anos, devendo causar uma consciência maior nos segmentos esportivos da terra da rainha e pelo mundo todo.

A Premier League, uma das ligas exemplares no combate ao racismo, se posicionou de forma veemente em apoio à campanha Black Lives Matter há alguns meses atrás, contando com a frente de Richard Matters, CEO da Premier League, comentando sobre o ato de atletas em campo estarem unidos contra o racismo no mundo: “Eu acredito que é bom que os jogadores usem suas vozes para fazer o que eu acho que são julgamentos éticos de valor, e não declarações políticas. São mensagens unificadoras, e nós (a Premier League) os apoiamos e os clubes também”.

A liga inglesa na luta contra o racismo vem desde 1990 nesta batalha, temporada após temporada, tentando coibir ações dentro da sua competição rica de culturas através de seus jogadores, de diversos cantos do mundo. Porém, como apontado pela Kick In Out, em levantamento realizado em julho do ano passado, houve aumento de 43% nos casos de racismo, em comparação com a temporada 2017/2018. Esse contexto, portanto, reitera a necessidade de seguir na busca por conscientizar e punir corretamente quem realiza esse tipo de crime.

Nesse sentido, mais recentemente, alguns casos tornaram-se emblemáticos, como por exemplo, envolvendo Raheem Sterling, estrela da seleção inglesa e do Manchester City. Em partida contra o Bournemouth, o inglês foi alvo de insultos racistas por parte do torcedor Ian Baldry. Após julgamento, ele foi condenado a cinco anos sem poder frequentar estádios no país, além de receber um banimento vitalício por parte do Manchester City.

Se tratando de Manchester City, o assunto do momento pode ser ainda mais preocupante. O zagueiro Jeremy Wisten, de 17 anos, se suicidou em um fim de semana após entrar em depressão pela demissão do clube. Esta situação agravou a uma pesquisa mostrando que menos de 1% das crianças que ingressam nos clubes ingleses, aos 9 anos, chegam aos times principais. Mais de 3/4 são descartadas entre as idades de 13 e 16 anos. Quase 98% dos meninos que recebem seu 1º contrato aos 16 anos não permanecem em nenhuma das 5 primeiras divisões.

Oito em cada 400 jogadores de futebol, que assinam um contrato profissional com uma equipe da Premier League aos 18 anos, permanecem quando completam 22 anos. No total, apenas 180 crianças dos mais de 1 milhão e meio que jogam futebol federado na Inglaterra chegam à Premier League: a taxa de sucesso é de 0,012% ( Fonte iG)

A Premier League é um dos poucos campeonatos que têm uma liga especial para os jogadores mais jovens. Assim como é na profissional, a Liga Juvenil é extremamente organizada e conta com duas divisões com o mesmo sistema das competições oficiais da FA. Mesmo assim, não consegue concretizar um futuro maior para seus jovens atletas, cada vez mais iludidos com seu sonho.

Além do fato deste mercado inteiramente escasso para quem busca oportunidades no profissionalismo, temos o agravante da COVID-19. A pandemia é causadora de depressão entre homens e mulheres que vivem de jogar futebol, e os motivos apontados pela Federação Internacional de Jogadores Profissionais (FIFPro) são o isolamento social. A entidade publicou em seu site oficial o resultado de uma pesquisa, realizada entre 22 de março a 14 de abril, com 1602 atletas em confinamento na Inglaterra, França, Austrália e Estados Unidos.

Dentro do universo pesquisado, foram ouvidas 468 jogadoras de futebol, das quais 22% responderam que apresentam sintomas de depressão. Entre os homens, 13% admitiram manifestações da doença. O transtorno de ansiedade generalizada foi apontado por 18% dos jogadores e 16% das jogadoras. Mesmo sem dados levantados, no Brasil tivemos casos de depressão não elencados, e estamos sofrendo ainda, devido a fraca valorização do futebol do interior. Por mais profissional que seja, os clubes contam com pouco investimento, e perderam inúmeros patrocinadores, deixando de participar de competições como, por exemplo, da Copinha, competição que dá o sonho do clube campeão ter acesso a série D do Brasileirão ou a Copa do Brasil, restando a outra vaga para o vice-campeão. Neste ano, no Rio Grande do Sul, a Copinha terá apenas 8 equipes participantes, competição que ano após ano sempre contava com 20 equipes participantes de todo o estado.

Um dos agravantes de depressão nacional esportiva é o número de desemprego dos atletas. No Rio de Janeiro tem em um levantamento feito pelos 12 clubes de menor expressão que disputam a Série A do Campeonato Carioca, apresentado à Federação de Futebol do Rio, que 250 jogadores estão desempregados desde o mês de abril, quando a maioria dos contratos se encerrou. O cálculo é que mil pessoas das respectivas famílias destes atletas estejam sofrendo com a paralisação dos jogos e a consequente ausência de receitas oriundas das partidas. A previsão é que ao longo do ano, o número chegue a 350 jogadores sem emprego e 1.400 parentes impactados.

Além dos direitos de televisão, os clubes também não receberam boa parte de seus patrocínios. Estes números podem ser equiparados ao país inteiro, beirando cada vez mais perto de um precipício mortal. Tendo em vista a falta de apoio a cultura e desporto neste momento tão difícil, tem se tornado natural a morte de clubes, encerrando ali, o sonho de milhares de jovens chegarem um dia, a trilhar sua jornada no futebol mundial.