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Walter Duarte

FESTA DE GRANDES ALVINEGROS

por Walter Duarte


Tenho muito orgulho de ter visto grandes craques jogarem nos áureos tempos do futebol Brasileiro, e devo reconhecer que os clubes de Campos RJ me deram essa oportunidade, independente do viés da rivalidade do extinto e saudoso Campeonato Campista. O Americano FC foi o primeiro clube do interior do RJ a participar do Campeonato Brasileiro, e isso ocorreu com a “FUSÃO” do Estado da Guanabara ano de 1975.

A estreia foi no dia 24/08/1975, uma vitória de 2×1 (Gols de Paulo Roberto e Rangel) no Godofredo Cruz sobre o Santos FC, que contava com Oberdam, Clodoaldo, Claudio Adão e Edu. Podemos citar alguns títulos relevantes do CANO tais como: 27 Campeonatos Campistas e o Módulo Azul do Campeonato Brasileiro de 1987. No Campeonato CARIOCA, destacam-se as campanhas do vice Campeonato de Série A de 2002 e os vice da Taça Guanabara de 1980 e 2005. Incontáveis confrontos ocorreram contra os grandes clubes Cariocas, com vitórias muito expressivas do Americano, consolidando o time Campista como pedreira em seus domínios.

Essas e outras lembranças maravilhosas foram a tônica, do encontro do grupo denominado AEXCANO (Associação dos ex Atletas do Americano FC), capitaneado pelo amigo e grande apaixonado pelo clube, Jaílton. Com grande satisfação, fui convidado a participar dessa festivaresenha, na ASSETEC (Associação de Funcionários da Escola técnica Federal), dirigida pelo Prof. Carlos Boynard, representando o Museu da Pelada, revendo essas feras depois de muitos anos. 


Grandes nomes das ótimas fases da história alvinegra estiveram presentes, inclusive o preparador físico Raul Arenari e o parceiro das resenhas César Avelar. Vários deles deslocaram-se de cidades distantes, como Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, Itaperuna, Cachoeiro do Itapemirim…, ávidos de relembrar as histórias e conquistas em épocas tão difíceis.

Um expressivo número de ex-jogadores das déc. 70, 80 e 90 marcaram presença, tais como: Sérgio Pedro (ponta esquerda), Totonho (Lateral), Luciano “Buchecha”(Zagueiro), o lendário Gato Félix (Goleiro), Branco (meio-campo), Rogério Colombiano (meio-campo), Marcinho (Ponta-esquerda), Amarildo (ponta-direita), Marcelo Almeida (meia-atacante), Geraldo (Goleiro), Eduardo Orçai (atacante), Oliveira (Zagueiro ex-Bangu), Índio (cabeça de área), Souza (Meia-direita) Paulo Marcos (Zagueiro ex-Goytacaz , Internacional RS), René (atacante), Giovani (Zagueiro), Neneca (zagueiro), Amauri (Goleiro), Kleber (zagueiro), Silvano (zagueiro ex-Cruzeiro), Fabinho (atacante), Jerfinho (lateral) e muitos atletas da base. 

Importante ressaltar a participação  de torcedores que fizeram a sua parte, homenageando todos pelo desempenho e respeito ao Clube. Um dia de felicidade e reencontro, como deve ser cultivado entre amigos de fé. Nós do Museu da Pelada sempre estaremos na expectativa de rever os melhores tempos do futebol Campista, e do interior Fluminense, na sua grandeza como celeiro de craques, além de rebuscar o legado desses jogadores. Que haja de fato uma recuperação financeira e profissional que dê a sustentação às instituições, inclusive no apoio ao futebol de base.


Parabéns aos ex-atletas do Americano e ao incansável relações públicas Jaílton. Que esses belos encontros de respeito a instituição se reproduzam, e sirvam de impulso e inspiração para as novas gerações. Conceber a ideia da associação de ex-jogadores, foi um “golaço”, e que bons frutos sejam produzidos, cientes que a união entre vocês é a base de tudo isso.

Avante AEXCANO.

LELÉ, O CANHÃO DA COLINA

por Walter Duarte


Muito me impressiona a dificuldade de tantos atacantes da atualidade em fazer gols e definir jogadas. Não canso de recordar artilheiros natos como: Roberto Dinamite, Romário e Ademir Menezes, que não vi jogar, entre outros. Se hoje o Vasco se sustenta com o Gérman Cano, no passado também teve o Lelé, o nono maior goleador da história vascaína com 147 gols. Essa lembrança ocorreu no bar do querido Seu Lenílson, vascaíno apaixonado, e também apelidado Lelé.

De forma incisiva, Seu Lenílson me chamou atenção pelo fato do Lelé ser natural de Campos RJ e ter sido seu companheiro de ótimas conversas. Rasgou elogios ao “Canhão da Colina”, adjetivo dado pelo potente chute de perna direita, sua maior virtude, além do oportunismo. Nascido em 23 de fevereiro de 1918, com o nome Manuel Pessanha, faleceu em 16 de agosto de 2003, aos 85 anos anos, na Cidade de Campinas SP.

Lelé começou no Madureira, clube revelador de talentos como muitos jogadores promissores do interior. Pelo tricolor suburbano do Rio de Janeiro, atuou de 1939 a 1943, juntamente com Isaías e Jair da Rosa Pinto. O cobiçado trio foi apelidado de “Os Três patetas”,  pela alegria de jogar, uma alusão à série humorística norte americana, sucesso no Brasil nas décadas de 40 e 50.


Com o desempenho arrasador destes atacantes, o técnico Ondino Vieira não titubeou e trouxe os três para São Januário, para compor o inesquecível Expresso da Vitória (1945 a 1952). O incômodo período sem títulos do Vasco desencadeou uma política de investimentos no chamado ” nfanto juvenil”, além da mescla com jogadores consolidados. Logo em 1945 Lelé emplacou a artilharia do Campeonato Carioca (13 gols), ratificando a sua fama de matador com um apetite insaciável de balançar as redes. Ao seu lado, ídolos eternos como Ademir Menezes, Barbosa, Friaça, Chico e Maneca construiram vitórias épicas, como na decisão do Campeonato Sul Americano de 1948 (precursor da Libertadores), contra o River Plate “La máquina”, de Di Stefano. Antes de sair do Vasco da Gama, Lelé conquistou os títulos Cariocas de 1945 e 1947, este último sem o mestre Ademir Menezes.

Outros clubes que defendeu foram:  Flamengo em 1948, Ponte Preta e São Paulo da capital (1950). Pela Seleção Brasileira, jogou nos anos de 1940 e 1945, iniciando a base da seleção vice-campeã em 1950, com presença marcante também na seleção metropolitana Carioca. Não atuou na Copa do Mundo, capitaneada por Flavio Costa,  seu técnico no Vasco, porém viveu todos os contornos de sofrimento da fatídica derrota para o Uruguai. Tínhamos na época o início da consolidação do Brasil como potência futebolística mundial. Uma substancial oferta de jogadores clássicos como o Heleno de Freitas, Danilo Alvim e Zizinho deram suporte para triunfos futuros.


Lelé vivenciou todo esse contexto, festejado pelos torcedores como jogador da “moda”, servindo até de inspiração para a famosa marchinha de carnaval “No boteco do José”, interpretada pela cantora Linda Batista, com composiçao de Wilson Batista, seu conterrâneo e também rubro-negro, curiosamente. Foi-se o tempo do romantismo do futebol e com ele a triste realidade da carência de artilheiros, no sentido amplo da palavra. Retornarei ao Bar do Seu Lenílson, para realimentar a saudade do bom futebol, junto aos parceiros Rogério Gama, Edno, Rodrigo Rios, Adir, Alex, Thiago e Raimundo. Nos embriagaremos de sonhos e nostalgia, neste mundo de plástico, e reviveremos histórias bonitas e originais como a do Saudoso Lelé. O homem que simplificava a arte de fazer gols.

 

No boteco do José.

 

“Vamos lá

Que hoje é de graça

No boteco do José

Entra homem, entra menino

Entra velho, entra mulher

É só dizer que é vascaíno

E que é amigo do Lelé…

 

Marchinha Carnaval de 1946.

VICENTE ARENARI, O LATERAL DE AÇO

por Walter Duarte


Em 1959 o Bahia EC sagrou-se o primeiro Campeão da Taça Brasil, com equivalência ao Campeonato Brasileiro, em cima do Santos FC de Pelé e Cia. Algo fantástico para o “Tricolor de Aço” e motivo de grande orgulho para a torcida, diante das circunstâncias dos jogos dessa decisão e da inversão do prognóstico inicial a favor do time Santista, base da seleção.

Foram três jogos memoráveis, tendo o Bahia vencido dois deles. Na decisão no Maracanã (3×1), um tal Vicentinho, impetuoso lateral-esquerdo, marca um lindo gol de falta. Natural de Natividade RJ (23/03/1935), no Noroeste Fluminense, filho do Italiano Vicente Arenari e Edith Braga, mudou-se com os pais para Campos RJ, junto com mais oito irmãos (Capistrano, Lenita, Ada, Edith, Cleber, José Clauder, Clóvis e Raul Arenari).


Ainda na infância demonstrava suas qualidades nos gramados Campistas, celeiro de craques, iniciando no Americano FC, e logo seguindo para Flamengo em 1954. Fazia parte dos juvenis no ano do Campeonato Carioca de 1955, convivendo no grupo que tinha Dida, Evaristo, Dequinha e Zagalo.  A marcante conquista pelo Bahia na sequência de carreira fez Vicente Arenari entrar para galeria dos grandes heróis do clube, a exemplo dos seus companheiros de campanha: Nadinho, Nenzinho, Leone, Ari, Flávio, Léo, Henrique, Mario, Alencar, Beto, Bombeiro, Marito, Careca e Biriba.

Com a credencial de vencedor e imponente defensor na boa terra, chamou atenção do Palmeiras, que arquitetava sua primeira academia, com a contratação do ainda jovem craque do Bangu, Ademir da Guia. Com esse esquadrão, sagrou- se campeão paulista em 1963, vencendo o Noroeste no Pacaembu por 3×0, com uma rodada de antecedência, compondo equipe com os lendários: Julinho Botelho,  Djalma Santos e Vavá, campeões mundiais de 1958.


Pelo Palestra jogou por três anos, até 1965, identificando-se muito com o clube e suas tradições. Como profissional, encerrou sua carreira pelo Nacional SP, no ano de 1967, diante de grave contusão no joelho, mantendo residência na capital paulista. Confira alguns dos títulos do Vicente:

– Flamengo: Torneiro Internacional do Rio de Janeiro (torneio Gilberto Cardoso);

– Bahia: Taça Brasil de 1959, Copa norte-nordeste de 1959 e 1961.

– Campeão Baiano: 1956, 1958, 1959, 1960, 1961 e 1962;

– Palmeiras: Paulista de 1963, Torneio Rio-São Paulo de 1965, além de diversos torneios, inclusive no exterior. 

Por conta da sua notável liderança e experiência junto a grandes esquadrões, seguiu seu rumo futebolístico como treinador. Trabalhou em clubes como: Nacional SP,  Botafogo SP,  Mogi Mirim SP, Ferroviária SP, Saad SP, Juventude RS, Santo André SP, Caxias do Sul RS, Americano RJ, Goytacaz RJ, Itaperuna RJ, entre outros. No Palmeiras, treinou a base nas décadas de 70 e 80, sendo promovido a treinador dos profissionais em 1985, uma fase complicada do Clube Alviverde.


O trabalho de base sempre foi umas das preocupações do Vicente Arenari. Sem dúvidas que a fabulosa oportunidade de ser contemporâneo de jogadores diferenciados marcou muito sua filosofia de técnico. Época de uma atmosfera lúdica e inspiradora, porém com embates duríssimos, como nos jogos ” ardidos” da Libertadores da América.

Formou gerações de jogadores com a pretensão de não somente revelar, mas também forjar uma postura do indivíduo, perante os desafios da vida. Sua grandeza, como jogador e cidadão, sedimentaram o orgulho e respeito pelos clubes e profissionais com quem trabalhou. No dia 14/07/2013, tivemos a triste notícia do seu falecimento, aos 78 anos, com sepultamento em sua terra natal. Seguimos assim, com a nossa missão de reverenciar aqueles que nos deixaram ensinamentos e representatividade. O futebol agradece! Máximo respeito ao eterno “Lateral de Aço”, Vicente Arenari. 

** Meus agradecimentos a família Arenari pelas informações e a honra do texto, em especial ao parceiro das resenhas Júlio Arenari (sobrinho) e os filhos Vinícius e Vicente Neto.

TOTONHO: IMPÁVIDO ALVI ANIL

por Walter Duarte


Nascido em Campos dos Goytacazes-RJ em 12/04/1957, filho da terra de origens mestiças, de origens míticas como o guerreiro indígena goitacá, Júlio César Ventura Berto, apelidado Totonho, teria a aura dos nossos antepassados que povoaram a planície extensa, na qual foram os primeiros habitantes. Sangue de índio, da raça que vendeu caro a desgraça imposta pelos colonos das Capitanias hereditárias Portuguesas do século 18. Exímios nadadores, corredores e conhecidos também como impiedosos combatentes. 

Iniciou sua carreira nos juvenis e se profissionalizou do Americano FC, clube pelo qual tem respeito e gratidão, porém no Goytacaz FC que se destacou por maior período se identificando como poucos junto ao torcedor Alvi anil. Quem o viu jogar saberá da sua grande valentia e da sua empatia com o clube que defendeu por oito anos, além de dedicado treinador da base do clube. 

Sua reconhecida técnica e disciplina são recordadas até hoje, com destaque histórico entre os jogadores, a exemplo de outro craque Wilson Bispo, volante clássico, companheiro em partidas memoráveis na rua do Gás. Revelou-se um personagem imortal de uma massa de torcedores na defesa do clube que tem como símbolo os intrépidos nativos.

Quem conhece o Totonho sabe da sua generosidade e simplicidade, construindo amizades marcantes ao longo da carreira, onde cita o ponta da máquina tricolor Zé Roberto Padilha, os zagueiros Folha e Abel Braga e nosso baluarte das grandes peladas, Claudio Graça. Atributos importantes que são fielmente reconhecidos até pelos adversários, como o ponta esquerda Sergio Pedro, amigo de fé, do rival Americano, outro ícone dos gramados Campistas. Muitos foram as disputas entre os dois, nos clássicos Goyta x Cano, dos áureos tempos, como nos combates pela primazia das terras e da sobrevivência dos fortes, mas com a lealdade dos nobres.

A regularidade e apoio ao ataque foram algumas de suas virtudes, que chamaram a atenção do Técnico Osvaldo Brandão, conhecido estrategista da época e ex-treinador da Seleção canarinho. Sabia como poucos arremessar a bola no lateral, projetando-a na grande área. Há quem diga que ele foi o precursor deste recurso, que tinha o efeito prático de uma cobrança de corner, talvez pelo ímpeto natural do improviso, como um disparo de uma Flecha certeira, mirando um alvo distante. Foi contemporâneo de grandes jogadores e laterais das década de 70 e 80 que o fez destacar-se e mostrar suas virtudes nos campeonatos Carioca e Brasileiro.

Esteve entre melhores de sua posição de lateral direito nos anos de 1977/78 em várias enquetes da Bola de Prata da revista Placar do “Brasileirão”, como seu fiel escudeiro, o aguerrido central Paulo Marcos. Tempos românticos de um futebol bonito e “estiloso”, que forjaram a sua boa técnica com a amálgama da miscigenação, características antropológicas dos nossos jogadores, frutos da civilização Brasileira. Não eram tempos fartos no aspecto financeiro, eram tempos mágicos, de muita dedicação e concorrência de grandes nomes de sua posição, como: Zé Maria, Toninho Baiano, Nelinho, Orlando “Léle”, entre outras feras. 


Encerrou sua carreira em 1991, deixando saudade a seus fãs, seguindo a vida com a certeza do dever cumprido. A extinção da tribo Goitacá, nossos temidos e lendários ancestrais, ainda ressaltam, séculos depois as transformações ocorridas na ocupação das nossas terras, das tradições culturais e sociais, convergindo para o martírio indígena nos tempos atuais. O futebol de certa forma, também reflete essas transformações na sua essência e originalidade que agonizam com passar dotempo. Ficaram os seus descendentes na alma, no espírito de luta, eternizando a sua lenda.

Em nossos gramados os“discípulos curumins” ainda correm com a camisa azul e branca, tendo o querido Totonho a sua mais pura instância e influência para as novas gerações. Não caberia um resumo definitivo da sua carreira, dos seus jogos, das vitórias e suas derrotas, cabendo sim o nosso reconhecimento pela entrega, pela fibra e dignidade.

Obrigado impávido doce Guerreiro. Obrigado Totonho!!

“Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante/ De uma estrela que virá numa velocidade estonteante/ E pousará no coração do hemisfério sul/ Na América, num claro instante/ Depois de exterminada a última nação indígena. E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida. Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias …”Virá

 

Música “ Um índio “ de Caetano Veloso

O “EL GATO” CAMPISTA

por Walter Duarte

Jorge Luís Sousa Barros Azevedo ou simplesmente “Cebolinha” para os amigos e torcedores. Começou na base do Goytacaz em 1971 até 1978, onde aos 17 anos ascendeu aos quadros  profissionais, estreando contra o Mixto de MT no Brasileirão. Foi um goleiro ágil e aguerrido que compensava muito bem a relativa baixa estatura, a exemplo do Argentino “EL GATO” Andrada e o Paulo Sérgio do Botafogo.

Ídolo da exigente torcida do Azulão por vários anos, atuou também no rival Americano-RJ, Vitória-BA e encerrou a carreira de jogador no Estrela do Norte do ES. No seu currículo, existem atuações memoráveis no Carioca e Brasileiro, como nas vitórias em Campos contra o Palmeiras em 78, que tinha o Benitez como goleiro, Flamengo em 83 e o inesquecível jogo do “troco”, o sonoro 4×0 em 1986, contra o Flu de Assis, Washington e Romerito. Jogo este que fui testemunha ocular e amenizou um pouco a “ressaca” dos 9×0 contra de 76, com atuação impecável do Goyta e defesas milagrosas do nosso goleirão. 

Jorge Luís confessou que nunca foi tarefa fácil defender a cidadela contra grandes jogadores do passado, como Zico, Mendonça, Roberto Dinamite, Cláudio Adão, Nilson Dias, Luizinho “tombo” e tantos outros craques “impiedosos”. Após o iminente encerramento de carreira de jogador que ocorreu 1991, precisava pensar seu futuro e a manutenção da família, situação comum a grande maioria dos jogadores do Brasil. O destino ainda reservava novas experiências para o Cebolinha. 


A opção de conduzir a carreira como treinador de goleiros era natural e também necessária para defender o “pão de cada dia”. E de fato acabou ocorrendo com o convite do treinador Eron Ricardo nos clubes Al Alain (Emirados Árabes), Bragantino, União São João e Ituano-SP. Essa participação ativa nos clubes chamou atenção do atual técnico da seleção Tite, em 2000, iniciando uma grande amizade e confiança, sendo Campeão Gaúcho de 2000 no Caxias do Sul. 

A partir daí sua carreira deslanchou fazendo parte da comissão técnica do Internacional RS, sendo Campeão em 2009, Palmeiras, Corinthians e Atlético Mineiro. Antecipou o encerramento da carreira em 2017 no sub 20 do Corinthians, devido a graves problemas na coluna. 

Há algum tempo tínhamos planejado uma bate papo com ele através do amigo e artista plástico João Oliveira, mas faltava uma oportunidade. Recentemente a lembrança de seus feitos como goleiro foi de certa forma revivida em uma foto junto com o lendário repórter Deni Menezes, publicada no Museu da Pelada dias atrás. Esse registro inusitado o flagrava sendo gravado em áudio para a rádio, na formação de barreira no Maracanã em 1980 em um jogo contra o Fluminense, que acabou empatado em 1×1, com gols de Índio para o Goyta e Cláudio Adão para o Flu, de pênalti.

Através da entrevista rápida e improvisada, revelamos a identidade do Jorge Luís para os amigos do MP, com o sentimento que ele ainda tem muita coisa bacana para contar. Entre essas histórias, tem o seu primeiro título nas categorias de base, um Torneio na FUNABEM no bairro de Quintino, organizado pelo Narrador da TV TUPI Carlos Lima, nos idos de 1975. 

Aquela foto com o Deni poderia ser com qualquer um dos incontáveis goleiros anônimos do futebol brasileiro, que passaram horrores na carreira e uma vida de peregrinação, longe de familiares e “grana” curta. Muitas lembranças e momentos bons e ruins foram compartilhados naquela resenha com o Cebolinha, incluindo a perda recente de seu maior Fã, seu irmão Luís Marcelo.  

Fica aqui então a minha singela homenagem a dois grandes personagens do futebol que gosto muito. Quem sabe em mais uma dessas coincidências da vida ocorrerá um reencontro do Deni e o Jorge Luís, 39 anos depois. Aquela foto em preto em branco ficou marcada no tempo e ainda sugere uma nostalgia do futebol que precisamos cultivar.

VALEU, Jorge Luís!