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Eliezer Cunha

E SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊS?

por Eliezer Cunha


Sou de uma geração em que se dizia; falta na entrada da área é pênalti. E Pênalti era sinônimo de gol certo. Bola em um dos cantos e o goleiro magicamente acertando o lado ou não, nem chances tinha. Tínhamos jogadores que não faziam mais que o óbvio, treinar, treinar e treinar. Converter em gols os fundamentos necessários para que a bola se acolhesse no fundo das redes. Goleiros, figuravam-se e os narradores já reservavam sua voz para a validação final, Gol. Os marcadores dos placares eletrônicos ou não, já se antecipavam ao novo placar da partida. Zico, Roberto, Dicá, Sócrates e companhia cumpriam o básico papel de um batedor: bola nas redes. Os tempos passaram e os fundamentos infelizmente também.

Hoje não existe mais distinção entre os times grandes e os pequenos no momento de uma decisão por pênalti. Ainda me arrisco a dizer que os times de menor expressão possuem um desempenho melhor que os demais, lógico,  pois é neste momento que tudo se igualam perante o arco e os fundamentos se sobressaem. Neste momento decisivo treinamentos e dedicação fazem a diferença. Temos aí então a chances necessárias de vitória de uma equipe de menor poderio.

Com certeza os times menores estão se aperfeiçoando cada vez mais neste quesito para se superarem frente aos times grandes. Isso se chama estratégica. Algumas cobranças são verdadeiras aberrações contra os fundamentos básicos para uma boa cobrança.

Com cada vez mais a ineficiência dos ataques perante as defesas adversárias, as decisões das partidas, de uma vaga ou até de um campeonato por pênaltis estão pesando nos resultados.

A bola continua rolando…, mas é, a bola parada que ainda pode estar decidindo.

DESCENDO A LADEIRA

por Eliezer Cunha


Na semana passada, assisti o jogo entre Brasil x Paraguai válido por uma das vagas para a participação na Copa do Mundo de 2022. Jogo nitidamente protocolar, assim como toda esta competição. Em minhas memórias, nunca tinha assistido um torneio de tal importância apresentar um nível de qualidade competitiva tão baixa. As décadas passadas de 70, 80 e 90 foram contempladas com seleções e partidas de qualidade muito superior que ora apresentada. Jogos aparentemente fáceis com seleções modestas se transformavam em verdadeiras batalhas dentro das quatro linhas. Jogadores defendiam suas Seleções com mais afinco e honradez. Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, etc. se transformavam em gigantes e se colocavam como pedra na chuteira de nossa seleção. A qualidade e competição era tão acirrada que em algumas situações a vaga só foi decidida no último jogo, perante um clima de verdadeira decisão. 

Hoje o que vemos; seleções apresentando um futebol de baixíssima qualidade, facilitando e muito nossa classificação para o maior torneio de futebol do mundo esportivo. Podemos salvaguardar hoje como concorrente, somente a seleção dos nossos Hermanos argentinos e mais nada. Temos uma equipe imatura, em constante período de tentativa e erro. Não temos uma equipe consolidada, como também, qualquer consistência no padrão de jogos. Essa competição de selecionamento das seleções em nosso continente é extremamente protocolar e não validam em nada o nível de qualidade das equipes. Apesar de um grupo de jornalista e seus colaboradores tentarem retirar leite de pedras, exaltando veementemente a importância e a qualidade da equipe, sob análises e tentativas de exposição otimistas, impondo um nível surreal de confiança nas transmissões dos jogos, sabemos que a equipe enfrentará o verdadeiro teste somente no desenrolar da competição na Copa do Mundo que se aproxima, e aí já é tarde. 

Que os Deuses do esporte nos protejam de mais uma melancólica participação na competição, e nos livre as impiedosas seleções Européias livrando-nos da inesquecível goleada ainda tão presente na memória de nós Brasileiros, vide 7×1.

MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL

por Eliezer Cunha

Democraticamente venho utilizar deste espaço proposto pelo “Museu da Pelada”. Espaço este normalmente utilizado para enaltecer grandes jogadores de nossa história, porém agora tento com sucesso ou não, de alguma forma corrigir injustiças. 


Me oriento para esta abordagem, utilizando de fatos pragmáticos e de uma abordagem sistêmica. São injustiças impostas pela história do futebol, como já ocorrido com tantos jogadores profissionais dentro das 4 linhas ou circundado por 3 troncos de madeira, o Gol. Mas hoje o momento é de se fazer justiça a um jogador que talvez tenha a função mais em risco dentro destes espaços, entre o céu e o inferno. Falo de Cantareli, arqueiro rubro negro que defendeu o famoso manto com unhas, dentes e mãos no meados dos anos 70. Recebeu de Renato o trono difícil de ser um goleiro de um dos times mais amado do Brasil. Catareli recebeu a incumbência num momento difícil da história rubro negra, time desfeito pós Campeonato Carioca 72 e 74, já sem os grandes astros e, num momento de reestruturação. O Flamengo ainda não era a potência de 1978 e dos anos a seguir, lutava pelo Campeonato Carioca com times extraordinários como: Fluminense chamada de máquina, Vasco com um elenco maravilhoso e uma zaga consistente, os anos finais do maestral Botafogo, sem falar no América que também na época lutava por títulos.

Foram anos difíceis aqueles meados da década de 70, mas se manteve titular e fez o que lhe cabia, até entregar a camisa número 01 a Raul, recém-chegado do Cruzeiro. Não pode participar daquele time que conquistou brasileiros, sul-americano e mundial, não desfrutou das glórias de uns dos melhores times formados pelo Flamengo. Apenas trabalhou em silêncio e paciência, porém, o destino não o contemplou com a foto histórica daquele fabuloso time ao lado de Zico e companhia.

Neste momento, peço mais um pouco de reflexão aos críticos que fazem de Cantareli um inexpressível e apenas simples arqueiro de futebol de um possível grande time de futebol, mas sim, um jogador que trabalhou com afinco e determinação para impedir que o Flamengo não deixasse de ser um time respeitado, que apesar dos contratempos ainda lutava pelos títulos nacionais.  

O TEMPO NÃO PARA

por Eliezer Cunha


Mais uma vez chegamos às vésperas de uma Copa do Mundo sem apresentar os elementos básicos para almejarmos chances de conquistarmos o sonhado caneco, como diziam nossos saudosos jogadores do passado. Fato este explicitamente evidenciado durante a nossa participação na recente e limitada Copa América. Finalizamos esta competição com uma participação extremamente fútil e lamentável frente aos fracos “Los Hermanos”? 

Distantes praticamente a 1 ano da maior competição futebolística do esporte, acordamos e nos deparamos com um time desorganizado em todos os sentidos, técnica e taticamente. Sabemos que para vencer uma competição deste nível, tínhamos que já estar preparados e se concordam comigo a tática pode substituir a técnica, ou vice-versa. Mas notoriamente não temos nenhuma, nem outra, quem dirá as duas juntas.

Mas o que temos então: um treinador perdido e inoperante taticamente, jogadores absurdamente voláteis e inconsistentes tecnicamente e, uma instituição desorganizada e confusa, ou seja, um país totalmente sem esperanças.

Quando voltaremos a colorir as ruas de verde e amarelo? Pintar nossos muros com as caricaturas de nossos jogadores? Ou ter uma nova canção de esperança cantada entre as vielas e ruas deste país, voando como o canarinho ou deixando a vida nos levar.

Será que nossa ressurreição ainda surgirá das cinzas de alguns jogadores? Ou será que alguma semente ainda não plantada nos dará os frutos necessários dentro das quatro linhas? Ou quem sabe teremos algum novo comandante que saberá juntar os cacos restantes formando uma bela aquarela.

Acho que a nossa única certeza e a que nos resta no momento é se preparar para o pior, pois como disse o nosso poeta imprevisível “O tempo não para”.

LAPSO

por Eliezer Cunha


Algo me soa estranho. Algo não me parece normal. Algo ficou para trás. Algo foge à regra histórica do nosso futebol. Agora me pergunto e exclamo, o que será? Já não sinto mais o clamor popular para a conquista de mais uma Copa do Mundo. Não mais percebo do povo essa necessidade de superação através do futebol, onde, no passado, era algo atenuante para os nossos problemas diários. Da mídia futebolística percebo acanhamento e conformismo, dos dirigentes uma inoperância absoluta com os atuais resultados. E lá se vão anos sem uma conquista do mundial de seleções, parece que 2002 foi ontem? É, o tempo passa muito rápido.

Quando estávamos prestes a conquistar o mundial de 94, após longos 24 anos sem título, parecia uma eternidade obscura. Haviam cobranças vindas de todas as partes, principalmente por parte da mídia pelo vácuo de 24 anos sem tal conquista. Perguntávamos sempre, por que e como?  Até que em 1994 Romário, Bebeto e CIA conquistaram o feito. Na Copa seguinte. 1998, logramos novamente a final e acabamos perdendo para a anfitriã França e para o inusitado acontecimento com nossa maior estrela. Veio 2002 e com uma equipe muito bem armada e com valores individuais culminando em seus respectivos auges da carreira conquistamos novamente a taça.

Subsequente vem à geração dos “meninos promissores” possíveis arrebatadores de nosso futebol arte, endeusados pelas mídias nacionais e, assistimos Kaká, Robinho, Luís Fabiano, etc., inoperantes frente a tal expressivo evento mundial e suas respectivas seleções, até que culminou com o escândalo maior que nosso futebol podia ter registrado, inacreditável há algumas décadas atrás, uma goleada estrondosa numa Copa, dentro de nossa própria casa.

Teria sido a pá de cal que nos faltava para percebermos que estamos muito atrás das médias seleções, teria sido a forma mais eloquente de nos mostrarmos que precisamos agir fazer algo?

Aos torcedores esperança, as tradições respeito, a mídia análise imparcial e aos comandantes a honra verde e amarela.