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O FALECIDO BIRA BURRO E DADÁ MARAVILHA: NOS TEMPOS DO FUTEBOL IRREVERENTE

16 / setembro / 2021

Por Pedro Tomaz de Oliveira Neto


Essa semana fez um ano que o futebol brasileiro perdeu um de seus grandes personagens. Em 14 de setembro de 2020, morria Ubiratã Silva do Espírito Santo, o Bira Burro.

Antes de mais nada, vale ressaltar que de burro este macapaense não tinha nada. O apelido surgiu quando Bira decidiu se transferir para o Internacional de Porto Alegre. A opção foi classificada por muitos como burrice, já que o clube da Beira-Rio passava por uma forte crise e havia um suposto interesse pelo seu passe por parte do Flamengo de Zico, Adílio e Carpegiani, que começava a despontar para uma era de glórias.

O fato é que a “burrice” de Bira lhe rendeu o título de campeão brasileiro em 1979 e a admiração eterna do torcedor colorado pelo seu futebol. No Inter, não chegou a fazer muitos gols, mas foi peça fundamental no esquema do técnico Ênio Andrade, com boas assistências e fazendo o pivô para a chegada em condições de concluir de Falcão, Jair e Cia.

Além de goleador, Bira também era um marqueteiro. Espirituoso, sempre dava asa àquela rivalidade sadia entre jogadores e torcidas. E quando do lado do maior adversário tinha um especialista em marketing de si como Dadá Maravilha, o futebol se tornava mais interessante, delicioso, alegre e festivo.


Antes de Bira se mudar para o Sul, ambos se confrontaram num dos mais disputados clássicos do Brasil, Remo e Paysandu, o RE-PA. Dadá passou a semana provocando e prometendo o gol Sossega Leão, numa referência ao mascote do Remo. Sem deixar barato, Bira, que ainda não era “burro”, garantia fazer outro gol como resposta a cada gol do consagrado e fanfarrão artilheiro, além de lhe aprontar uma boa surpresa.

No domingo, o Mangueirão lotado foi palco de um jogaço de bola, com os dois artilheiros sendo o centro das atenções. Ao abrir o placar, ainda no primeiro tempo, Bira protagonizou uma das comemorações mais originais e inusitadas do futebol brasileiro. Ensandecido com o seu gol, escapou dos abraços dos companheiros e saiu na disparada até o meio de campo ao encontro de Dadá para festejar pendurado em seu colo. Era a anunciada surpresa do artilheiro azulino. No segundo tempo, Dario empatou para o Paysandu, sossegando o Leão tal como prometido e devolvendo a comemoração ao se jogar nos braços de Bira, sob aplausos das torcidas rivais, já confraternizadas num armistício que durou até o apito final do clássico.

Diante de tanta irreverência e naturalidade, desta saudável disputa nascia uma grande amizade, que seguiu firme e forte até a partida de Bira para o andar de cima.

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