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DIDI, O “MISTER FOOTBALL”

5 / outubro / 2021

por Elso Venâncio


Um dos maiores jogadores da História, Waldir Pereira, o genial Didi, completaria 93 anos na próxima sexta-feira. Aliás, em outubro nasceu a Santíssima Trindade da Bola: Didi, dia 8; Pelé, dia 23; e Garrincha, dia 28.

A primeira escolha do “Melhor Jogador do Mundo” ocorreu em 1958. Didi foi eleito com longa margem, tendo recebido 1.350 votos e deixando para trás, como vice, o francês Raymond Kopa, com 456, e o sueco Lennart Skoglund, terceiro colocado, com 436 votos.

Péris Ribeiro, o biógrafo do “Gênio das Folhas Secas”, me disse que o francês Gabriel Habot, “Papa da Crônica Esportiva”, sempre falava que o torcedor deveria pagar dois ingressos para ter o privilégio de ver Didi jogar. Segundo ele, Didi executou 52 passes – curtos e longos – na final da Copa do Mundo, contra a Suécia, sem errar um sequer. Vale dizer que Hanot – que, dentre outros empreendimentos, criou em sua época, ainda que com outros nomes, a Champions League, a Eurocopa e a “Bola de Ouro”, da revista France Football, com o intuito de premiar o melhor jogador da temporada – foi quem batizou Didi como “Mister Football”.

Convivi de perto com meu conterrâneo Didi no final dos anos 90 e no comecinho do novo milênio. Ele vinha tendo problemas na coluna e estava recluso ao lado da esposa, Dona Guiomar, na Ilha do Governador. Fernando Calazans costumava lembrar que Didi e Guiomar, durante anos, foram o casal mais famoso do país.

Certa vez liguei para Didi, a pedido do amigo Carlos de Souza, o Biro-Biro. O que ele me disse ao telefone não dá para esquecer:

– Poxa, lá fora me chamam de ‘Mestre’, mas aqui já fui esquecido.

Imediatamente o convidei para participar do “Enquanto a Bola Não Rola”, programa de debates que eu apresentava aos domingos na Rádio Globo. E foi lá que o ‘Mestre’ nos brindou com verdadeiras lições de futebol. Didi e Gerson eram atrações fixas do programa, que contava ainda com outros seis convidados que se revezavam a cada semana.

Um dia fomos almoçar após a rádio e Didi me falou da primeira vez que pisou no gramado do Maracanã. Olhou para cima e pensou: “Esse Gigante nunca vai encher”.

Era 16 de julho de 1950 e o Estádio Mário Filho, construído para a Copa do Mundo, estava sendo inaugurado após dois anos de obras. Seleção Carioca x Seleção Paulista. Na ocasião, nossa competição nacional era um torneio de seleções estaduais, enquanto os clubes disputavam os campeonatos de cada Estado. O jogo festivo inaugurou o novo monumento do país, o “Maior Estádio do Mundo”. Aos 10 minutos, Didi cobrou falta com sua famosa “folha seca” e fez 1 a 0.

– Eu cortava a bola, pegava no meio dela e a fazia subir e cair, mudando de direção no ar..

O chute lembrava folhas secas que caem das árvores no outono e mudam a esmo de direção.

Didi defendeu a seleção brasileira em três Copas do Mundo (1954, 1958 e 1962), sendo campeão das duas últimas. Fez história no Fluminense, no Botafogo e no Real Madrid. É considerado o sétimo maior jogador brasileiro do século XX, baseado em votação de jornalistas do Brasil e do exterior.

Lamento não cultuarmos os nossos ídolos eternos. Campos dos Goytacazes deveria ter, em plena Praça São Salvador, uma estátua do Mestre Didi. É o mínimo. Aliás, foi também na minha cidade que nasceu Nilo Peçanha, o único Presidente negro do país. Que memória fraca nós temos. Impressionante!

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