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O FOLCLÓRICO BILL

3 / setembro / 2020

por Valdir Appel


O lendário centroavante Bill reintegrou-se ao elenco do Goiânia em 1978, após uma passagem bem sucedida por empréstimo ao Internacional de Porto Alegre, depois de atuar também pelo Vasco Da Gama. 

Vários clubes disputavam o seu passe, até o Grêmio, arqui-rival colorado.

Eu havia sido contratado e estava escalado para disputar uma partida amistosa com os juniores no fim de semana, para adquirir ritmo de jogo, na cidade de Porangatu, interior de Goiás.

Bill quis saber o que a cidade tinha de interessante e pediu a sua inclusão na delegação. 

Fez questão de jogar os 90 minutos e voltou todo faceiro abraçado ao prêmio pela vitória, um enorme saco de deliciosas jabuticabas.

Bill tinha vários apelidos: “Fio Maravilha Goiano” e “Billythe Kid”, eram os principais. 

O primeiro em função de seus causos e o segundo obviamente por ser um matador implacável, sempre artilheiro dos clubes onde atuou.

Há uma tendência de atribuir aos jogadores folclóricos as mesmas trapalhadas e tiradas insólitas.

Assim, são protagonistas das mesmas histórias: O Peu do Flamengo, o Dedeu do Náutico, Claudiomiro do Internacional e o Bill do Goiânia.

Todos os citados são apontados pelas seguintes passagens:

“É um orgulho jogar na cidade onde Jesus nasceu”. (Entrevista a uma rádio de Belém do Pará).

“Agradeço a caixa de cerveja Antártica que a Brahma me presenteou”. (Recebendo prêmio de melhor jogador em campo)

“Comigo ou sem migo, o time vai vencer”.. (Vetado pelo departamento médico para o jogo).

“Eu não achei nada, o meu colega Zé, achou um cordãozinho de ouro”.  (Repórter perguntando: “o que você achou do jogo?)”.

“Dá uma rézinha de R$ 5,00 que eu só tenho R$ 10,00”. (Pagando uma corrida de táxi). 

“Ta tudo Gê-Gê”. (Abreviatura de joinha-joinha).

“Agora só falta comprar os azulejos, senão, compro vermelejo ou amarelejo”. (Construindo uma casa).

“Fiz que fui mais não fui e acabei fondo”. (explicando um drible sobre o adversário).

Bill tinha os seus casos exclusivos:

Queria a todo custo que o seu amigo Canhoto, dono de uma fábrica de carimbos, fizesse um com o seu nome para assinar cheques.

O Goiânia foi ao interior jogar contra o Rio Verde e perdeu de 1 x 0. Na volta, Bill foi multado. Perguntou ao guarda como é que ele sabia que o seu carro excedera os limites de velocidade.

– Foi o radar! – respondeu o guarda

– Radar, filho da mãe, mete gol na gente e ainda dedura pro guarda! (Radar, nome do jogador que depois teve passagem pelo Flamengo)”.

No México: seu novo time, o América, promoveu uma coletiva com a imprensa.

Um fotógrafo chama a atenção do jogador, apontando para a sua máquina, tentando fotografá-lo.

– Bill! Bill! “Yashica”!

– Ficou no Brasil! Chega semana que vem. (Chica é o apelido da mulher do Bill).

O negro, alto e forte jamais se contundiu e graças ao seu preparo físico, encerrou a carreira com mais de 40 anos de idade.

Afinal era tudo o que sabia fazer. E bem.

Nota:

(Bill foi campeão goiano em 1985 pelo Atlético de Goiás e maior artilheiro estadual naquele ano com mais de 30 gols. Morreu atropelado no dia 22 de setembro de 2002).  

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