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A REVIRAVOLTA VASCAÍNA NOS ANOS 80

3 / setembro / 2020

por André Luiz Pereira Nunes


Durante boa parte dos anos 80 o Vasco vivenciou um magro período de títulos. Em âmbito estadual, Flamengo e Fluminense se alternavam nas conquistas, enquanto o Gigante da Colina era rotulado como freguês. Em 1982, houve uma rara exceção. O Vasco foi campeão de forma inusitada e surpreendente, pois o Flamengo, então campeão mundial, era considerado favorito. Em 1984, os vascaínos chegaram à decisão do Campeonato Brasileiro, mas capitularam diante do Tricolor das Laranjeiras. Era, portanto, inegável que a dupla Fla-Flu prevalecia sobre o time de São Januário. Contudo, em 1986, a situação começou a mudar a partir do título da Taça Guanabara. Aquele seria o ponto de partida, o divisor de águas, para que ocorresse uma mudança radical que levaria o clube cruzmaltino a um patamar bem superior nos anos seguintes.

Até então era latente a ansiedade que norteava a torcida por levantar um título, sobretudo de caráter nacional, após mais de uma década de jejum.  Em 1974, sob o comando de Mário Travaglini, o Vasco se sagrara campeão brasileiro diante do Cruzeiro em uma polêmica decisão. Entre 1977 e 1979, aconteceram três decepções seguidas. Na primeira, em São Januário, a equipe foi batida pelo surpreendente Londrina por 2 a 0 e ficou de fora das semifinais. Na segunda, chegou entre os quatro finalistas, mas terminou superada nos dois jogos das semifinais pelo futuro campeão Guarani. E na última, alcançou a decisão, mas foi facilmente batida pelo fortíssimo Internacional.

Conforme mencionado, o Vasco chegaria a outra decisão nacional, dessa vez sob o comando de Edu Coimbra. Mas nos dois jogos finais contra o Fluminense, de Carlos Alberto Parreira, o ataque passaria totalmente em branco. Já em 1986, a dupla Roberto e Romário, coadjuvada pelo talentoso ponta-direita Mauricinho, passou a fazer a diferença. A conquista da Taça Guanabara em uma memorável decisão contra o Flamengo é recordada com carinho, embora a equipe tenha capitulado diante do mesmo adversário nos jogos finais do certame. 

Nos dois anos seguintes, o Vasco reinaria absoluto no Rio de Janeiro. A sua apaixonada torcida até apelidou o time de SeleVasco. No primeiro ano, Tita fôra um dos protagonistas da memorável campanha. No ano seguinte foi a vez do o lateral-direito reserva Cocada se consagrar com um golaço digno de uma decisão.

No segundo semestre de 1988, após se destacar pela Seleção Brasileira nas Olimpíadas de Seul, Romário foi vendido ao PSV Eindhoven. Mesmo apontado como favorito naquele Brasileiro, o Vasco foi, contudo, eliminado nas quartas de final pelo Fluminense, de Romerito, Jandir e Washington.

No ano seguinte, finalmente a escrita seria quebrada. No comando, após experiências, no Estadual, com o ex-lateral Orlando Lelé e Sérgio Cosme, o Vasco apostou em Nelsinho Rosa. Ex-meia revelado pelo Madureira, formara uma dupla marcante, nos anos 60, com Carlinhos, no Flamengo. Como treinador, já era experiente, pois levantara dois estaduais, em 1980 e 1985, pelo Fluminense. Além disso, tivera passagens por seleções de base e era o auxiliar de Sebastião Lazaroni na Seleção principal.

Reforçados por Bebeto, simplesmente no auge da carreira, os cruzmaltinos desbancaram na final o então favorito São Paulo e levantaram a almejada taça de campeão brasileiro. Ainda ecoa na memória dos vascaínos o cruzamento de Luiz Carlos Winck e a consequente cabeçada certeira de Sorato que pôs a bola no fundo da rede. 

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