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BRAHMA NA JOGADA!

29 / setembro / 2020

por Zé Roberto Padilha


Foi muito gratificante ter jogado futebol durante os anos 70, onde predominava o futebol-arte. Os maiores gênios do nosso futebol desfilaram seu talento na década tricampeã mundial. O único senão para os coadjuvantes da arte, como eu e os que se propunham a dar suas primeiras pinceladas nas telas verdes do Maracanã, era que toda  partida era transmitida pelo rádio. Apenas os grandes clássicos eram reproduzidos à noite, em vídeo-tape.

E no rádio não tem como a gente se defender, estamos na boca do narrador, à mercê dos comentaristas e eles é que decidem, não os torcedores, se te mantém no time titular ou volta para o banco de reservas. Se gostarem de você, vai fazer carreira. Caso contrário, desaparecem com seu nome.

Eles que decidiam se seu chute passou raspando à trave ou se perdeu pelas nuvens. O torcedor era levado pelo seu imaginário.

Como a bola era bem tratada, não tinha chutões para as laterais para dar tempo do Waldir Amaral falar dos patrocinadores da Rádio Globo, e ninguém fazia cera, porque quem gosta e sabe quer jogar, não atrasar a vida dos outros, a bola não deixava de rolar um só instante para Jorge Curi justificar e exaltar quem ajudava a pagar o seu salário.

Desse jeito, sem poder parar a transmissão quando a bola caia nos pés do Rivelino, “a patada atômica”, muito menos nos pés do Gérson, “o canhotinha de ouro!”, quando ela  caia nos nossos pés eles imediatamente chamavam : “Brahma na jogada!”.

Lá em casa era um desespero! “Mas cadê o Robertinho, não está jogando!”. “Deve estar, só não pega na bola!”.

Daí o Marco Antônio tocava a bola para mim e passava em velocidade. Segundo meu irmão Mauro, o que tomava conta das transmissões, o Garotinho, ainda começando, era obrigado a narrar assim: Toca Marco Antônio para…”

Brahma na jogada! Em Bangu, Marinho marca o primeiro gol do Bangu contra o..

Olha a bola cruzada da linha de fundo para Manfrine e goooolllll do Fluminense.

Passe de quem? Brahma na jogada.

À noite a TV mostrava que eu tinha feito a assistência, mas a massa acompanhava mesmo o futebol era pelo radinho de pilha. Pelo menos lá em casa meu apelido passou a ser “Brahma na jogada!”.

Melhor, então, era abrir uma bem gelada com qualquer resultado.

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