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Vasco da Gama

EM 1982, O FIM DE UMA ESCRITA

por Luis Filipe Chateaubriand

No final dos anos 1970 e início dos anos 1980, o Vasco da Gama vivia uma sina: era vice-campeão quase sempre.

Era muito chato, para o torcedor vascaíno, ser sempre derrotado exatamente ao final dos certames.

No Rio, o Vasco da Gama era vice de Flamengo ou, quando não era o Flamengo, era vice do Fluminense.

Ao nível nacional, o Vasco da Gama foi vice do Internacional de Porto Alegre, no Campeonato Brasileiro de 1979.

Mas, no Campeonato Carioca de 1982, essa sina chegava ao fim!

Final do Campeonato, Flamengo x Vasco da Gama.

Primeiro tempo, jogo equilibrado.

Mas, no início do segundo tempo, Pedrinho Gaúcho bate escanteio pelo lado esquerdo, Marco Antônio Rodrigues, o Marquinho, roça a cabeça na bola e esta vai “morrer” no fundo do gol do goleiro rubro negro Raul.

Vasco da Gama 1 x 0 Flamengo.

Depois do gol, a equipe vascaína se manteve firme, “segurou” o resultado e, com a vitória, veio o título.

Desde 1977, o Vasco da Gama não era campeão.

Mas, em 1982, a torcida pode dizer: “Vice é o… Flamengo!”.

ISSO AQUI NÃO É VASCO

por Marcos Eduardo Neves

No clássico entre Vasco x Sampaio Correa, deu a lógica. O Vasco não tem, hoje, equilíbrio emocional para disputar decisões. Ainda assim, o Vasco vai subir. Clube que lidera o ranking dos grandes que mais caíram, o Vasco vai voltar.

Foram – até agora, claro – quatro rebaixamentos, o que o faz superar Botafogo, Grêmio e Fluminense (este último, com direito a asteriscos). Todos, porém, vice-colocados no bizarro recorde, por terem sido rebaixados três vezes.

Mas o que importa é que o Vasco vai voltar. Para alegria dos vascaínos. E dos flamenguistas, palmeirenses, tricolores, corintianos, santistas. Acho até que de quem é Fortaleza. Se bobear, alegria até mesmo de cruzeirenses e gremistas.

Mas a volta do Vasco abalará muitos clubes. Como Botafogo, América-MG, Goiás, Bragantino, Coritiba, Ceará, Atlético Goianiense, Cuiabá. Acredito que somente Juventude e Avaí estejam mais aliviados. Por não o terem como adversário no ano que vem.

O Vasco voltará, talvez amanhã ou na próxima rodada, deixando saudades. Nos torcedores da Tombense, do Brusque, Novorizontino, Operário, CSA, Ituano, Londrina, Vila Nova e por aí vai. O próprio Sampaio Corrêa sofrerá: sua torcida amava encarar o Vasco em casa; imagina ganhando deles fora, com o país inteiro vendo. São muitas famílias felizes.

Cada vez mais, a SAF é a salvação bíblica, a âncora a que a Cruz de Malta precisa se agarrar em fé. Se o Botafogo briga pela Libertadores em seu primeiro ano após subir, por que não o Vasco em 2023?

Porquê que também questiono. Não sei a resposta. Sei que árduo será o caminho de preparação para que o Vasco volte a ser do nível de Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Corinthians, Atlético Mineiro ou o Paranaense. Clubes que não estão nem um pouco preocupados com esse mais novo retorno do clube grande ioiô.

Preocupado quem tem que ficar, desculpe ser sincero, é quem é Vasco.

VASCO DA GAMA NÃO NAVEGA NA CALMARIA

por Celso Raeder

O primeiro gol do Vasco foi o prenúncio de que algo muito estranho estava prestes a acontecer. Como virar uma partida em que o time já começa ganhando? E o que fazer diante de uma torcida que não está acostumada a explodir de alegria tão cedo, logo após o minuto de silêncio? Se Caetano Veloso tivesse assistido ao jogo contra o Sampaio Correia, diria: “Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial”.

Qualquer vascaíno que passou o ano inteiro gritando, se emocionando, empurrando o time, sabe que aquele gol do Anderson Conceição era pra ter sido marcado aos 43 do segundo tempo, incendiando o estádio até o desfecho apoteótico com o gol do Andrey, já nos acréscimos. Tem sido assim ao longo de praticamente todo o campeonato, com o Vasco reafirmando sua vocação de Time da Virada, quando o juiz já está com o apito na boca apontando para o meio de campo.

Quem mandou o Figueiredo fazer aquele cruzamento magistral na cabeça do Anderson Conceição aos quatro minutos do primeiro tempo? Só para fazer o time esquecer que o Sampaio Correia já tinha metido três gols no Tiago Rodrigues no primeiro turno? Quando veio o empate, aos 15, a torcida, o técnico Jorginho e os jogadores estavam seguros de que recuperariam a vantagem no placar no momento que quisessem. Sobrava tempo para isso.

Foi aí que o barraco desabou. Por que o Vasco só arranca vitórias nos momentos em que está sob intensa pressão psicológica. Sua força nasce da adversidade. E jogando em casa, com arquibancada lotada, com um retrospecto invejável de bons resultados em São Januário, não passava na cabeça de ninguém que algo fosse dar errado. Mas deu.

Não sei o que vai acontecer logo mais, com a combinação de resultados entre os jogos dos times que também disputam uma vaga na elite do futebol brasileiro. Talvez o Vasco se classifique por antecipação, tornando o jogo contra o Ituano mera formalidade. Mas, sinceramente, torço para que isso não aconteça.

Gabriel Pec, o menino criado no Vasco, não enxugará as lágrimas na tabela. Ele quer o suor do rosto consagrando seu trabalho. Nenê, que não precisa mostrar mais nada a ninguém, também não se acovardará diante da missão. Yuri Lara entra com uma perna só, se for necessário. Alex Teixeira, Eguinaldo, Tubarão, titulares e reservas prontos para entrar em ação. Vitória do Vascão, vitória de virada em Itu, como deve ser.

E a torcida do Vasco, ah, essa galera diferenciada que mata de inveja os outros clubes…pra que chorar? Não empurramos esse time para cima da tabela com alegria e paixão? Por que seria diferente justamente na última e decisiva partida? Da minha parte, só tenho um único pedido: Figueiredo, mete um golaço consagrador para compensar essa mudança de roteiro que você, involuntariamente, provocou com o gol do Anderson Conceição. Jogar na zona de conforto é uma calmaria que o Almirante da Colina, acostumado a tormentas, não sabe navegar.

DINAMITE, A ESPERANÇA

por Rubens Lemos

Desde criança, no sufoco que a vida me reservou e à vida dos meus pais, a minha crença chamava-se Roberto Dinamite, herói de sorriso triste e gladiador solitário na luta contra o espetacular Flamengo de Zico. Narrava gols de Roberto Dinamite sozinho no quarto, tarde da noite, com fé e orgulho. Ele foi o maior artilheiro que vi jogar com a camisa do meu Vasco.

Hoje nem chamo o Vasco de meu, porque o Vasco é uma catástrofe de falta de vergonho e futebol paupérrimo, sem qualquer jogador acima da média, apanhando de times que goleava nos meus tempos de viciado nos domingos de Gol do Fantástico.

O Vasco de hoje não desperta aquele sentimento confiante de euforia, nem pode, é um time ridículo, com jogadores desconhecidos que podem perfeitamente jogador na Série C e até mesmo na Série D.

O Vasco tirou dos seus apaixonados a confiança nas vitórias tranquilas contra adversários ruins. Sua raça acima da técnica como nas jornadas em que guardava sozinho Roberto Dinamite contra a orquestra flamenguista.

O carisma de Roberto Dinamite, buscando o gol sem qualquer temor, assumindo a escritura da grande área ou partido do meio-campo como o Quixote das conquistas impossíveis. Roberto Dinamite é o maior jogador da história do Vasco, embora meu ídolo seja, também, o genial meia Geovani.

Roberto Dinamite é um estoico, um resignado. Desde o golaço que valeu seu apelido de Dinamite em 1971(ele aos 17 anos), contra o Internacional no Maracanã.

Roberto Dinamite se entregou à massa e ela o assumiu como explosão das causas impossível. Roberto Dinamite assumiu o cetro de ídolo e fez a torcida cruzmaltina assumir uma razão de lotar o Maracanã.

Roberto Dinamite sofreu muito a vida inteira. Introspectivo, de timidez e conformismo indescritíveis, foi convocado para a seleção brasileira de 1978 porque o centroavante Nunes se machucou. Roberto Dinamite parecia um guerreiro sem lança na chuteira, esquecido e sem merecer o menor respeito do falecido técnico Cláudio Coutinho.

O Brasil, tudo bem, tinha um gênio chamado Reinaldo do Atlético(MG) que sucumbiu, não apresentou 5% do seu toque esplêndido. O Brasil seria eliminado se empatasse com a Áustria e o Almirante Heleno Nunes, presidente da Confederação de Futebol, no auge da Ditadura, agiu certo e mandou escalar Roberto de titular.

Um passe preciso do ponta-direita Gil encontrou Roberto Dinamite pronto para o tiro de sniper, bem colocado, ajeitando a bola e fulminando o goleiro Koncília. Roberto – ah, hipocrisia impossível -, passou a ser bajulado sem deixar de manter o semblante blasé e sábio. Os elogios eram oportunistas.

Roberto Dinamite jogou mal uma partida, apenas uma, contra a Tchecoslováquia no Morumbi em 1×1 nos preparativos para a Copa do Mundo e Telê Santana, brilhante e teimoso, simplesmente o ignorou.

Roberto Dinamite fez falta e teria classificado o Brasil contra a Itália em 1982 porque Serginho Chulapa não passava de um zagueiro disfarçado. Só pra lembrar, Zico e Roberto nunca perderam juntos pela seleção.

Então Roberto entregou-se ao Vasco como um libelo, silencioso, grito abafado pela multidão vascaína , liderando time espetacular com Romário, Geovani, Mazinho, Tita, Acácio, Mauricinho, uma máquina que botou no liquidificador o Flamengo de 1987.

Roberto voltou a sofrer. Em 1989, o Vasco o emprestou para a Portuguesa(SP) e ele seguiu, humilde e machucado, para o campeonato brasileiro.

Duvidaram dele e em 1990 até 1992, fez gols decisivos tabelando com o craque e sucessor Edmundo. Roberto, claro, sempre buscando a foça e a liberdade de quem respondia balançando a rede, aqueles que o menosprezavam.

Roberto Dinamite é tão bom que Zico vestiu camisa do Vasco em sua despedida. Roberto é tão bom que os vídeos dos seus gols são repetidos com emoção e o ineditismo das lágrimas que correm de saudade.

Roberto Dinamite está com câncer aos 68 anos e, a cada batalha que vence, rompendo a covardia da doença, ensina que o ser humano é resistência. Roberto Dinamite é perseverança e exemplo. Explodindo o gol da vida que vai prosseguir.

vasco da gama campeão brasileiro 1989

por Luis Filipe Chateaubriand

Vasco da Gama Campeão Brasileiro de 1989

O ano era 1989.

No Morumbi, São Paulo x Vasco da Gama jogavam pelo título de campeão brasileiro.

Havia três possibilidades:

·         Se o São Paulo vencesse o jogo, iria jogar no Maracanã, com a vantagem do empate.

·         Se o jogo ficasse empatado, haveria novo jogo no Maracanã, com o Vasco da Gama jogando pelo empate.

·         Se o Vasco da Gama vencesse o jogo, seria campeão, sem a necessidade de se jogar no Maracanã.

O São Paulo fez de tudo para vencer, ou ao menos empatar, o jogo.

Sucede que as investidas da dupla Raí – Bobô eram invariavelmente bloqueadas pelo goleiro vascaíno Acácio, em tarde inspirada.

O Vasco da Gama, por sua vez, fazia um jogo muito seguro, com o sistema defensivo sólido e um meio campo inventivo.

Eis que, no segundo tempo, Bismark “rouba” uma bola dos são paulinos, passa no meio campo para Marco Antônio Boiadeiro, que passa na direita para Luiz Carlos Wink, que faz um cruzamento “de cinema” para a área, a bola passa por Bebeto, mas não por Sorato, que desfere uma cabeçada fulminante para o gol.

Era o gol do título!

Vascaínos em festa comemoraram Brasil afora.