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GUIA EUROCOPA 2020

por Mateus Ribeiro


O que é?

A Eurocopa (também chamada de Euro) é a competição de futebol disputada pelas seleções europeias, disputada de quatro em quatro anos, desde 1960. Esta é a décima sexta edição do torneio.

Quando vai acontecer?

A nova edição da Eurocopa começará a ser disputada no dia 11 de junho e vai até 11 de julho. Vale citar que, inicialmente, a Euro seria disputada em 2020, mas foi remarcada em virtude da pandemia.

Onde vai rolar?

O jogos da Euro serão disputados em 11 sedes diferentes, espalhadas pela Europa: Amsterdam (Holanda), Baku (Azerbaijão), Bucareste (Romênia), Budapeste (Hungria), Copenhague (Dinamarca), Glasgow (Escócia), Londres (Inglaterra), Munique (Alemanha), Roma (Itália), São Petersburgo (Rússia) e Sevilha (Espanha). 

Fórmula de disputa

A fórmula de disputa da Eurocopa é quase a mesma da Copa do Mundo, exceto pelo número de participantes, já que a Copa conta com 32 seleções e a Euro, com 24.

Na fase de grupos, as 24 equipes são divididas em seis grupos, com quatro participantes cada. As duas primeiras de cada grupo passam de fase, junto com as quatro melhores equipes classificadas em terceiro lugar, totalizando 16 seleções. A partir daí, os jogos são eliminatórios. Em caso de empate, a partida vai para a prorrogação e persistindo a igualdade, a classificação para a fase seguinte é decidida na disputa de penalidades máximas.

Agora que todas as apresentações foram feitas, é hora de conferir os grupos da Euro2020. O pequeno guia a seguir traz o número de participações de cada seleção, o destaque e a sua cotação, de acordo com o “Datachute”, departamento de análises dirigido por este que vos escreve. 

Grupo A (Itália, Suíça, Turquia e País de Gales)
Sedes: Roma (Itália) e Baku (Azerbaijão)


ITÁLIA
Participações: 9 (1968, 1980, 1988, 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016)
Títulos: 1 (1968)
Destaque:  Lorenzo Insigne (atacante, Napoli-ITA)
CORRE POR FORA

SUÍÇA
Participações: 4 (1996, 2004, 2008 e 2016)
Destaque: Xerdan Shaqiri (meia, Liverpool-ING)
FIGURANTE

TURQUIA
Participações: 4 (1996, 2000, 2008 e 2016)
Destaque: Hakan Çalhanoglu (meia, Milan-ITA)
FIGURANTE

PAÍS DE GALES
Participações: 1 (2016)
Destaque: Gareth Bale (atacante, Tottenham Hotspur-ING)
FIGURANTE

Grupo B (Bélgica, Rússia, Dinamarca e Finlândia)
Sedes: São Petersburgo (Rússia) e Copenhague (Dinamarca)


BÉLGICA
Participações: 5 (1972, 1980, 1984, 2000 e 2016)
Destaque: Kevin De Bruyne (meia, Manchester City-ING)
FAVORITA

RÚSSIA
Participações: 11 (1960, 1964, 1968, 1972, 1988, 1992, 1996, 2004, 2008, 2012 e 2016)
Títulos: 1 (1960, como União Soviética)
Destaque: Aleksandr Golovin (meia, Monaco-FRA)
FIGURANTE

DINAMARCA
Participações: 8 (1964, 1984, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004 e 2012)
Títulos: 1 (1992)
Destaque: Christian Eriksen (meia, Internazionale-ITA)
FIGURANTE

FINLÂNDIA
Participações: Estreante
Destaque: Teemu Pukki (atacante, Norwich City-ING)
FIGURANTE

Grupo C (Ucrânia, Holanda, Áustria e Macedônia do Norte)
Sedes: Bucareste (Romênia) e Amsterdam (Holanda)


UCRÂNIA
Participações: 2 (2012 e 2016)
Destaque: Oleksandr Zinchenko (lateral-esquerdo/meia, Manchester City-ING)
FIGURANTE

HOLANDA
Participações: 9 (1976, 1980, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004, 2008 e 2012)
Títulos: 1 (1988)
Destaque: Frenkie de Jong (meia, Barcelona-ESP)
CORRE POR FORA

AÚSTRIA
Participações: 2 (2008 e 2016)
Destaque: David Alaba (zagueiro/lateral-esquerdo/meia, Real Madrid-ESP)
FIGURANTE

MACEDÔNIA DO NORTE
Participações: Estreante
Destaque: Goran Pandev (atacante, Genoa-ITA)
FIGURANTE

Grupo D (Inglaterra, Croácia, Escócia e República Tcheca)
Sedes: Londres (Inglaterra) e Glasgow (Escócia)


INGLATERRA
Participações: 9 (1968, 1980, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004, 2012 e 2016)
Destaque: Harry Kane (atacante, Tottenham Hotspur-ING)
CORRE POR FORA

CROÁCIA
Participações: 5 (1996, 2004, 2008, 2012 e 2016)
Destaque: Luka Modric (meia, Real Madrid-ESP)
CORRE POR FORA

ESCÓCIA
Participações: 2 (1992 e 1996)
Destaque: Andy Robertson (lateral-esquerdo, Liverpool-ING)
FIGURANTE

REPÚBLICA TCHECA
Participações: 9 (1960, 1976, 1980, 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016)
Títulos: 1 (1976, como Tchecoslováquia)
Destaque: Tomas Soucek (volante, West Ham-ING)
FIGURANTE

Grupo E (Espanha, Suécia, Polônia e Eslováquia)
Sedes: São Petersburgo (Rússia) e Sevilha (Espanha)


ESPANHA
Participações: 10 (1964, 1980, 1984, 1988, 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016)
Títulos: 3 (1964, 2008 e 2012)
Destaque:  Gerard Moreno (atacante, Villareal-ESP)
FAVORITA

SUÉCIA
Participações: 6 (1992, 2000, 2004, 2008, 2012, 2016)
Destaque: Emil Forsberg (meia, RB Leipzig-ALE)
FIGURANTE

POLÔNIA
Participações: 3 (2008, 2012 e 2016)
Destaque: Robert Lewandowski (atacante, Bayern de Munique-ALE)
FIGURANTE

ESLOVÁQUIA
Participações: 1 (2016)
Destaque: Marek Hamsik (meia, IFK Göteborg-SUE)
FIGURANTE

GRUPO F (Alemanha, França, Hungria e Portugal)
Sedes: Munique (Alemanha) e Budapeste (Hungria)


ALEMANHA
Participações: 12 (1972, 1976, 1980, 1984, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016)
Títulos: 3 (1972, 1980 e 1996, os dois primeiros como Alemanha Ocidental)
Destaque: Manuel Neuer (goleiro, Bayern de Munique-ALE)
FAVORITA

FRANÇA
Participações: 9 (1960, 1984, 1992, 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016)
Títulos: 2 (1984 e 2000)
Destaque: N’Golo Kante (volante, Chelsea-ING)
FAVORITA

HUNGRIA
Participações: 3 (1964, 1972 e 2016)
Destaque: Dominik Szoboszlai (meia, Red Bull Salzburg-AUT)
FIGURANTE

PORTUGAL
Participações: 7 (1984, 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016)
Títulos: 1 (2016)
Destaque: Cristiano Ronaldo (atacante, Juventus-ITA)
CORRE POR FORA

Lista de campeões da Eurocopa

1960 – União Soviética
1964 – Espanha 
1968 – Itália
1972 – Alemanha Ocidental
1976 – Tchecoslováquia
1980 – Alemanha Ocidental
1984 – França
1988 – Holanda
1992 – Dinamarca
1996 – Alemanha
2000 – França
2004 – Grécia
2008 – Espanha
2012 – Espanha
2016 – Portugal

Lista de maiores artilheiros

Michel Platini – França (9 gols)
Cristiano Ronaldo* – Portugal (9 gols)
Ole Madsen – Dinamarca (7 gols)
Alan Shearer – Inglaterra (7 gols)
Ruud van Nistelrooy (7 gols)
Patrick Kluivert – Holanda (6 gols)
Antoine Griezmann*– França (6 gols)
Thierry Henry – França (6  gols)
Wayne Rooney – Inglaterra (6 gols)
Nuno Gomes – Portugal (6 gols)

*jogadores que disputarão a Euro 2020

E aí, qual o seu palpite? Um abraço e até a próxima!

SAÍDA DE BOLA

por Mateus Ribeiro


Pelo amor de Deus, tirem essa bola de perto da área!

Eu não sei quem foi o ser abençoado que achou genial essa mania de goleiro ficar tocando bola com defensor perto da área. Não há beleza nenhuma nisso, muito menos eficácia. E ainda existe o risco gigantesco de se tomar gol, visto que em 99% das vezes, os jogadores de ataque são mais habilidosos e rápidos que os de defesa, ainda mais nos tempos atuais.

Sabe-se lá quando ou onde, resolveram que ficar tocando bola na zona de perigo era a melhor saída para transformar o enfadonho futebol brasileiro em algo moderno, inovador e atraente. Qualquer pessoa que tenha o mínimo de bom senso sabe que essa estratégia é extremamente perigosa, até porque já não temos mais nenhum Mauro Galvão ou Gamarra. 

Já está mais do que provado que essa nova moda de ficar desafiando a lógica não vai dar certo. Porém, toda essa patifaria disfarçada de inovação é defendida pelos entendidos, que conseguem enxergar vantagem nesta troca de passes inúteis, que quando gera algum perigo, gera unicamente para o time que resolve se arriscar com isso.

Por mais que a turma da modernidade tente defender essa aberração, não vai ser esse 1-2 que vai salvar o futebol, ainda mais com a falta de jogadores habilidosos na atualidade. E sejamos francos, se o cara tem habilidade, que use do meio pra frente, e não para ficar fazendo gracinha na zaga ou na volância, colocando em risco o resultado do time. O futebol não é lugar para brincadeira, ainda mais se for feita na zona da defesa.

A inovação é necessária. Mas inovar por inovar não faz o mínimo sentido. Não é de hoje que a cada saída errada (e são várias) que um time dá, os comentaristas falam que isso faz parte da tal “filosofia  de jogo”. Aí eu me pergunto, qual filosofia? Até hoje, eu não vi ninguém que defende essa baboseira destrinchando os conceitos da tal “ideia de jogo”. No máximo, falam que “time x gosta de ter a bola”, e que é importante o goleiro saber sair jogando. Tudo bem, é até legal um goleiro que saiba jogar com os pés, mas eu prefiro que ele seja bom  com as mãos. O grandioso e subestimado Dida, por exemplo, nunca foi um exemplo de como se jogar com os pés, mas era um monstro na sua principal função: defender. 

Eu confesso que me sinto como um peixe fora do aquário vendo tanta gente entendida defendendo o indefensável. É claro que é legal um time onde todos os atletas saibam o que fazer com a bola. Mas não é necessário EM TODA SAÍDA DE BOLA a jogada (que invariavelmente, não resulta em nada) começar dentro da área. Até porque, quanto mais longe de seu próprio gol a bola estiver, melhor para o time.

Eu prefiro ser um conservador da bola e ao invés de me maravilhar com 90% de posse de bola inútil, ou então com o goleiro que participa do jogo a toda hora, vibrar com coisas mais obsoletas, como gols, vitórias e títulos. 

Enquanto sou bombardeado por todos os adeptos do tatiquês que defendem a horrorosa saída de bola com toques entre os defensores, eu faço um apelo: PELO AMOR DE DEUS, TIREM ESSA BOLA DE PERTO DA ÁREA.

Um abraço e até a próxima!

SPORT CLUB CORINTHIANS, O MEU PRIMEIRO E MAIOR AMOR

por Mateus Ribeiro


O Sport Club Corinthians Paulista completa 110 anos neste dia 1 de setembro. Eu fiz parte de 34 anos desta historia e me orgulho muito. O Corinthians foi, é e sempre será o maior amor da minha vida, além de estar presente em todas as minhas memórias.

A minha caminhada como torcedor do Corinthians proporcionou os momentos mais intensos da minha vida. Desde que me conheço por gente, foi este clube que me fez derramar as lágrimas mais amargas, que me arrancou os sorrisos mais sinceros e me fez soltar os palavrões mais pesados possíveis. 

A cada vitória, a minha vida se torna um céu. A cada derrota, meu dia se torna um inferno. A cada título vencido, uma alegria sem tamanho. A cada título perdido, um vazio incalculável. Eu nunca encontrei o equilíbrio nessa balança. Mas nunca fiz questão de procurar também.

Eu jamais vou esquecer meus primeiros heróis, que ajudaram a moldar o meu caráter e tornaram a minha vida em algo muito mais legal. Eu agradeço muito Ronaldo, Wilson Mano, Giba, Marcelo Djian, Guinei, Dinei, Paulo Sérgio, Jacenir, Ezequiel, Tupãzinho, Fabinho, Henrique, Célio Silva, Viola, Zé Elias, Bernardo, Sylvinho, e tantos outros que ajudaram a pavimentar um caminho de vitórias. Anos depois, vieram outros monstros, como Dida, Rincón,Mirandinha, Gamarra, Luizão, Edílson, Vampeta, Cássio, Liédson, Danilo, Ralf, Paulinho, Chicão, Sheik, Alessandro e outros jogadores que conquistaram o estado, o país, o continente e o mundo.

Eu também tenho o privilégio de admirar quem eu nunca vi jogar ao vivo, como Zé Maria, Basílio (o verdadeiro e único Pé de Anjo), Gilmar dos Santos Neves, Claudio, Luizinho, Neco, Cabeção, Idário, Rivellino, Wladimir, Sócrates, Casagrande, Geraldão, Ruço, Dino Sani, e Biro-Biro, que ajudaram e muito o clube a se consolidar como um dos grandes do futebol brasileiro.

Sema existência do Corinthians, talvez eu não tivesse sofrido tanto. Por outro lado, sem o Alvinegro, a minha vida não faria o mínimo sentido. Eu fico muito feliz por fazer parte dessa historia maravilhosa, cheia de glórias e vitórias. Eu me sinto orgulhoso em fazer parte desta torcida gigantesca, que nunca abandonou e nunca vai abandonar o clube nas horas ruins.

Todos os dias do ano são especiais. Mas o 1 de setembro é diferente. Este dia marca o nascimento do meu primeiro e maior amor. E só me resta parabenizar esse clube, que me completa como ser humano. 

Parabéns, Corinthians. E obrigado por me fazer sentir o mais puro e verdadeiro amor.

VAI, CORINTHIANS!

 

O NEW FOOTBALL É UMA CHATICE SEM FIM

por Mateus Ribeiro


O bom filho a casa torna. E apesar de nunca ter abandonado o Museu da Pelada, aqui estou de volta para tocar a minha corneta sem medo de ser feliz.

Eu andei um pouco afastado do futebol, pois em meio ao caos que o mundo vive, não conseguia sentir o mínimo prazer em ver o esporte bretão. Por mim, o futebol nem voltaria neste ano, mas como querer é poder só na música do José Augusto com a Xuxa, a redonda voltou a apanhar nos gramados brasileiros.

É claro, óbvio e evidente, que eu não conseguiria ficar longe dos jogos e dos noticiários, mesmo sabendo tudo o que eu iria encontrar: aquele festival de termos rebuscados, os malabarismos para se explicar um sistema tático e toda aquela modernidade que apesar da roupa elegante e da fala bonitinha, já torrou a paciência.

Porém, o que mais me irritou nessa volta foi o que já roubava a minha paz antes da pandemia: a banalização da vitória. Tudo se tornou mais importante que os três pontos: a posse de bola, o planejamento, o mapa de calor, a movimentação e todas essas conversas pra boi dormir.  De uns tempos pra cá, tenho a impressão de que o objetivo do jogo não é mais a vitória ou a conquista de títulos, mas sim, o “legado”, a “metodologia” ou quaisquer outros termos pomposos. Os debates esportivos, que eram tão legais, se tornaram a análise de um disco de rock progressivo (com todo respeito aos simpatizantes do estilo).

Enquanto os entendidos modernos fazem malabarismo para defender a invencionice desse “new football”, eu fico com o futebol punk rock, aquele onde a simplicidade manda e a única coisa que de fato vale é a bola na rede.

Toda essa necessidade de transformar algo tão simples e gostoso em uma ciência de difícil compreensão só reforça a tese de que o  futebol moderno é uma chatice que não tem tamanho. A minha sorte é que existe o Museu da Pelada, onde eu posso acompanhar grandes feras e relembrar que futebol é gol, futebol é paixão, futebol é vitória, futebol é memória.

Obrigado pelo espaço e até a próxima!

80 ANOS DO MEU MAIOR ÍDOLO

por Mateus Ribeiro


Carlos Ribeiro é o meu amado e saudoso pai. Seu Carlos, ou Carlão, nasceu em 13 de maio de 1940. Se estivesse por aqui, estaria completando 80 anos de vida hoje.

Seu Carlos tinha cara de beque central bruto. De fato, sabia como poucos impor respeito. Por outro lado, também era um grande centroavante irreverente e arrancava muitas risadas de quem estivesse ao seu lado.

Desde que eu me conheço por gente, sempre admirei muito meu pai. E foi por conta dele que eu comecei a me interessar por futebol. Eu tenho ainda em minha cabeça algumas cenas do primeiro jogo de futebol que assistimos na vida, no Gran São João. Era uma partida de um time infantil e eu aposto todas as fichas que meu pai deveria ter achado um jogo horrível, mas estava feliz por ter conseguido um companheiro para o acompanhar em sua maior paixão. Começava ali, em um domingo qualquer, uma história repleta de bons momentos, risos, lágrimas e emoções.

O meu mestre era torcedor do Santos Futebol Clube e sempre me falava sobre as façanhas do Alvinegro da Vila Belmiro. Ele bem que tentou me convencer a torcer, mas eu, que sempre fui do contra, escolhi outro time alvinegro: o Corinthians, que ele não podia nem ouvir falar (e nunca soube a razão disso, uma vez que na juventude dele, o Santos não costumava sofrer contra o Corinthians). Ele relutou, mas como um rapaz gente fina que sempre foi, aceitou numa boa.

Eu era muito novo quando comecei a acompanhar futebol com meu pai. Acompanhei ele reclamando do jejum incômodo, já que o Santos não vencia um campeonato desde o Paulistão de 1984, conquistado em cima do Corinthians. Durante anos, vi o meu time de coração vencer Campeonato Paulista, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e até mesmo o Mundial de 2000, que ele chamava de “torneio de verão”, mas abriu um grande sorriso quando Edmundo chutou aquela bola na Lua (nota: guarde bem essa passagem). Quis o destino que esse jejum se encerrasse em cima do Corinthians, na final do Brasileiro de 2002. Chorei como criança, mas no fundo, estava feliz por ele.

O tempo passou e assistimos milhares de partidas juntos. Porém, em 2012, meu velho ficou doente e passou um longo tempo no hospital, entre a vida e a morte. Mais uma vez, o destino me reservou fortes emoções, uma vez que ele acordou praticamente no mesmo dia que o Corinthians iria disputar o Mundial 2012. Eu iria trabalhar no domingo e após meu expediente, iria para o hospital. Depois de fazer uma gambiarra e assistir o jogo em uma tela de GPS, comemorei loucamente com os parceiros de serviço e, conforme havia planejado, fui ao hospital visitar Seu Carlos. Ao chegar em seu quarto, dei o abraço mais apertado da minha vida e pedi sua benção. A TV estava ligada repercutindo a conquista do Corinthians e ele, abrindo um sorriso enorme, me disse: “Até que enfim ganharam um de verdade, hein?”

Eu não me esquecerei de nenhum momento que vivi. Eu não me esqueço dele escalando os times que viu jogar. Eu não vou me esquecer dele falando sobre o Santos de 1962, o Brasil de 1970, ou como eu não entendia nada de futebol.

Eu sempre agradecerei. Sempre agradecerei todos os ensinamentos, que inclusive, me fizeram ser um corneteiro amador, que divide espaço com tantas feras aqui no Museu da Pelada.

Eu sempre vou me lembrar do dia que chorando, o senhor chamou a nossa amada dona Diva para dizer que um dia me ensinou e que naquele momento, estava sendo ensinado. Isso sempre será o meu maior tesouro.

Hoje, para celebrar mais um aniversário, vou ficar assistindo grandes jogos de Santos e Corinthians, para celebrar a nossa história tão bela, que não acabou e nunca acabará.

Parabéns, Carlão. Uma hora ou outra a gente se vê por aí!