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NILTON SANTOS, O MAIOR LATERAL DA HISTÓRIA

13 / janeiro / 2022

por Elso Venâncio


O maior lateral-esquerdo da História do futebol mundial se chama Nilton Santos. Eleito pela FIFA, em 2000, como o melhor do Século 20 na sua posição, ele, merecidamente, tem um busto na sede de General Severiano e virou estátua, inaugurada em 2009, no estádio do Botafogo, que de “Engenhão” passou a levar seu nome.

Nilton era conhecido como a “Enciclopédia do Futebol”. Foi o primeiro lateral a atacar. Em 1958, contra a Áustria, na Copa do Mundo realizada na Suécia, saiu driblando o time adversário inteiro até fazer o gol. No banco, o técnico Vicente Feola se desesperava a cada avançada do defensor, pedindo o tempo todo para ele tocar logo a bola e voltar imediatamente. Incrédulo, de olhos arregalados, vibrou de forma contida na hora em que a bola estufou as redes. Aquele gol, definitivamente, apresentou Nilton Santos ao futebol internacional.

No Mundial seguinte, disputado em 1962 no Chile, o lateral cometeu um pênalti no atacante espanhol Enrique Collar, mas deu dois passos para frente saindo da área com a bola nos pés. O árbitro estava no meio de campo e, sem videotape e muito menos VAR, acabou não marcando a penalidade máxima que poderia mudar a história daquele jogo.

Nilton Santos vestiu somente uma camisa clubística. Além do uniforme da seleção brasileira, honrou apenas o manto da “Estrela Solitária”. Em 16 anos, conquistou 20 títulos em 718 partidas disputadas pelo Glorioso. É o atleta que mais entrou em campo defendendo o alvinegro carioca.

“Compadre” – na verdade, uma espécie de tutor de Mané Garrincha –, a amizade entre os dois só ficou de certa forma abalada quando o “Gênio das Pernas Tortas” resolveu deixar a esposa para viver com a cantora Elza Soares. Menos mal que esse distanciamento entre os amigos durou pouco.

Nilton falava sobre a pureza de Garrincha:

– Ele me perguntou após o bicampeonato mundial, em 1962, se eu iria um dia à terra dele. Disse que sim. Cheguei em Pau Grande, distrito de Magé, e ele estava descalço, de bermuda e sem camisa, jogando pelada em um campo de terra batida cheio de buracos. Falei para ele: “Mané, você é o maior jogador do mundo. Pode acabar se machucando…”. Ele nem deu bola e saiu me apresentando a seus amigos.

Morei por um tempo bem perto do ídolo, na Rua Paissandu, quando ele se casou com Maria Coeli, sua segunda esposa. Encontrava-o cedo, nas caminhadas que eu fazia pela passarela que dá acesso ao Aterro, ao lado da rua Barão do Flamengo. Um dia lhe perguntei:

– Pelé ou Garrincha?

Ele disse:

– Garrincha ia sempre pela direita. Pelé saía para os dois lados e, se a gente bobeasse, metia entre as nossas pernas. E não adiantava bater nele, pois era bravo e maldoso.

Um dia, Nilton comentou sobre isso com Zizinho:

– Você jogou como ninguém, mas ensinou o Pelé a bater. Que professor é esse, pra que isso?

– Por que se ele não se impor, quebram o garoto. Você sabe disso – retrucou.

Não vi Nilton jogar. Paulo César Caju, outro gênio da bola, me falou de uma característica do inesquecível lateral. Raramente ele usava a perna esquerda:

– Quando meu pai, o velho Marinho, o colocou na quarta zaga, na verdade como líbero, aliás o primeiro líbero do futebol, era comum Nilton Santos cobrir o Rildo e, quando a bola estava no lado esquerdo, dava passes de trivela com a perna direita. Era aplaudido até pelos torcedores adversários.

Era comum também encontrá-lo em uma academia no bairro do Flamengo. Entrava com uma toalha no pescoço e ia para a hidroginástica.

Levei-o algumas vezes ao “Enquanto a Bola Não Rola”, programa de debates que apresentei aos domingos na Rádio Globo. Ele ficava à vontade ao lado de Didi, o “Mr. Football”, Gerson, o “Canhotinha de Ouro”, aniversariante da semana, e os botafoguenses Luiz Mendes e Armando Nogueira. Aliás, Armando sempre me pedia para participar do programa quando Nilton fosse convidado. Tinham uma forte ligação. Eram amigos do peito e me lembro bem do último encontro entre os dois.

Isso se deu em março de 2001, quando Nilton aceitou ser enredo da Vila Isabel. “O Glorioso Nilton Santos. Sua Bola, Sua Vida, Nossa Vila”, era o tema da escola. Homenagem em vida, merecidíssimo!

Mestre Armando Nogueira, o “Machado de Assis” da crônica esportiva brasileira, tinha o lateral como o seu ídolo maior.

“Tu, em campo, parecia tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nilton Santos”.

E haja dito!

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