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DAS CABEÇADAS CERTEIRAS À BATEÇÃO DE CABEÇA

23 / setembro / 2021

Por Pedro Tomaz de Oliveira Neto


De cabeça, Vavá marca para a Seleção

De cabeça, Vavá marca para a Seleção

Enquanto foi bem jogado e farto de excelentes lançadores e pontas habilidosos, o futebol brasileiro sempre revelou exímios cabeceadores. Pelé, Baltazar Cabecinha de Ouro, Vavá, Flávio Minuano, Dadá Maravilha, Leivinha, Serginho Chulapa e Jardel foram alguns de nossos especialistas na arte de balançar as redes com a cabeça.

Utilizando esse fundamento, o Brasil já fez 25 do total de 229 gols anotados em Copas do Mundo. O primeiro aconteceu em 1938, na França, no eletrizante duelo contra a Polônia, em que a Seleção venceu por 6 a 5, cabendo ao meia-atacante Perácio, à época jogador do Botafogo, a proeza de sua autoria.

Na Copa seguinte, em 1950, disputada em solo pátrio, o escrete brasileiro fez mais dois gols de cabeça, um contra o México, na estreia, e o outro contra a Suíça. Gols assinados por um dos melhores cabeceadores da história do futebol, Baltazar, não por acaso apelidado de Cabecinha de Ouro.

Das cinco Copas conquistadas pelo Brasil, apenas em 2002 não há registros de gols de cabeça. Em 1958, na Suécia, o inédito grito de campeão do mundo se deu logo depois de um garoto de 17 anos aproveitar o cruzamento de Zagallo para, mesmo marcado, cabecear e encobrir o goleiro sueco. Era o gol do título e o começo do reinado de Pelé, o Eterno.

Para garantir o bicampeonato mundial em 1962, no Chile, a Seleção Brasileira usou a cabeça literalmente. Dos 14 gols marcados durante a campanha, oito vieram de finalizações com essa parte do corpo. Com oportunismo e ótimo senso de colocação, Vavá fez três gols assim. Até Garrincha, o craque da Copa, acostumado a assistir seus companheiros com cruzamentos precisos, deu as suas cabeçadas, balançando as redes em duas ocasiões.


Na epopeia da conquista do tricampeonato em 1970, quase todos os gols da Seleção resultaram de jogadas bem articuladas e do excesso de genialidade em campo, tornando tudo mais simples como num passe de mágica. Nisso, o único gol de cabeça do Brasil em gramados mexicanos foi uma pintura, daqueles que não cansamos dever, rever e reviver. São impressionantes a impulsão fora dos padrões, o tempo de bola e a força com que Pelé, já do alto de seus quase 30 anos, e de olhos abertos, testou a bola para vencer o goleiro Albertosi, abrindo o placar da final contra a Itália.

Aliás, vale lembrar, que ainda na fase de grupos da Copa do México, o Rei já havia desferido contra os ingleses uma cabeçada plasticamente perfeita. Deveria ter sido um golaço, mas acabou sendo a “defesa do século” ou, para quem acredita nessas coisas do sobrenatural, num milagre do fantástico Gordon Banks.

O último gol de cabeça que se somou para mais um grito de campeão do mundo dos brasileiros foi marcado por um baixinho que se notabilizou como o rei da grande área. Na semifinal da Copa de 1994, nos Estados Unidos, Romário não se intimidou diante dos grandalhões suecos, subindo mais alto para cabecear a bola cruzada na medida por Jorginho e garantir o Brasil em mais uma final contra os italianos.

Pelo meio do caminho, algumas cabeçadas poderiam ter mudado a história da Seleção Brasileira em Copas. Uma aconteceu em 1978, na Argentina. Até hoje ninguém entendeu o que levou o árbitro galês Clive Thomas a encerrar o jogo Brasil e Suécia com a bola viajando pelo alto entre a bandeirinha do escanteio e a grande área, antes que Zico a cabeceasse para o gol. Com uma vitória na estreia, dificilmente o Brasil deixaria escapar a liderança do seu grupo, jogando a segunda fase da Copa sem cruzar com os donos da casa.

Outro lamento da torcida brasileira que, 43 anos depois, ainda se escuta, lembra a cabeçada do zagueiro Oscar nos momentos finais da batalha do Sarriá. A finalização não foi assim tão violenta, mas se deu com firmeza e bem colocada. Ah! Se essa bola entrasse… Mérito para o veterano goleiro Dino Zoff que, como um gato, fez uma defesaça sem chance de rebote, evitando o empate que eliminaria a Azurra.

Nas Copas posteriores a 1994, excetuando a jornada gloriosa de 2002, os atacantes brasileiros ainda marcaram sete gols de cabeça, porém, nada que alterasse o curso das fracas atuações da Seleção. De lá para cá, o Brasil tem se esmerado mais na bateção de cabeça dentro e fora de campo, sendo sistematicamente eliminado por seleções europeias, inclusive, com cabeçadas fatais, como as de Zidane para a França na final de 1998 e a de Sneijder para a Holanda em 2010.

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