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PRO DIA NASCER FELIZ

15 / janeiro / 2020

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::


Por mais que tente é muito difícil não comparar os dias atuais com os de minha época. Por exemplo, tenho assistido a algumas partidas da Copinha e tem uma garotada boa de bola, mas com uma soberba fora do comum. Fazem gol e correm para a câmera dizendo “eu sou fo…” e gostam de tirar onda quando pegam um time bem mais fraco. O caráter também se constrói dentro de campo e é uma das funções do treinador.

Estava gostando do Fluminense, mas foi desclassificado justamente por achar que venceria a partida quando bem entendesse. Fui conferir o nome do técnico e não conhecia. Lembrei de Pinheiro, que faria aniversário segunda-feira passada e foi uma grande referência para a meninada tricolor. Para vocês terem uma ideia, Pinheiro foi auxiliar de Didi e subiu para o time profissional nomes como Pintinho, Edinho, Zé Roberto, Erivelto, Cléber, Edevaldo e o saudoso Gílson Gênio, que mais tarde também faria um belo trabalho na base.

Também não sei quem são os treinadores de Vasco, São Paulo e Palmeiras. O do Corinthians é o Coelho, ex-jogador. Insisto que a base deva ser treinada por quem entende de bola e não por especialistas em preparação física e estatísticas, mas não vou mais uma vez bater nessa tecla. Apenas me lembrei de Pinheiro, profissional raro, talentosíssimo e querido por todos, apenas boas lembranças, podem ficar tranquilos.

Escrevo emocionado com algumas mensagens carinhosas recebidas no Face, uma delas de Anizio Machado. Ele contou que, em 1976, foi jogar no Pinheiro, de Curitiba, e ganhou o apelido de Caju justamente por imitar o meu estilo. Servir de inspiração é sempre muito bom e adorei saber mesmo anos depois.

Em seguida, me contam que Hélio Costa, botafoguense fanático que me pediu para autografar uma camisa do Glorioso, havia morrido, mas levara com ele, como parte do corpo e lembrança eterna, o manto sagrado do Fogão. A paixão dos torcedores acaricia nossa alma e acalenta nosso coração. Me deixem chorar, por favor!

Outro gesto bacana foi do cantor Frejat, que me convidou para o seu show. Garanti presença, mas não fui. À noite, em casa, me ligaram para dizer que Frejat havia falado de mim, mais do que isso, havia pedido para que me reverenciassem quando me encontrassem na rua. Agradeci e chorei, mas era felicidade. Frejat, para quem não sabe, é bom de bola, lateral direito de qualidade, e um de seus grandes parceiros musicais é Mauro Santa Cecília, botafoguense roxo. Me arrependi de não ter ido, mas sozinho, no apartamento, cantarolei “Pro dia nascer feliz” em sua homenagem, obra-prima dele e Cazuza, poeta que não se encontra mais nessa empobrecida e devastada MPB.

“Todo dia a insônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito e que a solidão é pretensão de quem fica”. Lindo demais! E a canção finaliza com uma espécie de mantra que carrego comigo e faz muita gente me considerar ranzinza e arrogante… ”nadando contra a corrente só para exercitar”. Viva Frejat! Viva a boa música! Viva o futebol-arte! E se isso é nostalgia que viva a nostalgia!

TAGS: PC Caju

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