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‘POPÓ ERA DANADO NA BOLA’. ASSIM FALAVA SANTA DULCE

9 / fevereiro / 2020

por André Felipe de Lima


Lá pelos idos de 1920 havia, em São Paulo, Friedenreich. No Rio, então capital federal, havia Russinho. E na Bahia o maior de todos os jogadores do Brasil — pelo menos para fãs ilustres como Jorge Amado e Irmã Dulce, nossa Santa Dulce dos Pobres. Havia na boa terra Apolinário Santana, popularmente conhecido como Popó, um mítico craque do Botafogo de Salvador e, sobretudo, do Ypiranga, clube cuja charmosa camisa aurinegra era a mais amada na cidade até a popularização do Esporte Clube Bahia e do Vitória nos anos de 1930 e fins de 1940, respectivamente.

Aos 13 anos, Irmã Dulce, antes de se tornar a grande religiosa de Salvador, sempre ia ao Campo da Graça somente para ver Popó. “Se ele fosse vivo hoje eu acho que era Pelé. Era danado na bola”, disse ela, em entrevista dos anos de 1980.

Há alguns anos tive o imenso prazer — mesmo que por telefone — de bater um longo papo com o biógrafo de Popó, o professor e historiador Aloildo Gomes Pires, autor do livro “Popó: O craque do povo”, lançado em 1999 e, hoje, uma obra rara de se encontrar, inclusive em sebos. “Em meados dos anos de 1970, quase duas décadas depois da morte do jogador, lembro de minha sogra jogando futebol com minha filha, de apenas 2 anos. E gritava: Chuta, Popó! Chuta!”, disse-me Aloildo, descrevendo a cena também mencionada na biografia do ídolo.

Hoje, dia 9 de fevereiro, Popó nasceu em Salvador, mais precisamente no bairro Rio Vermelho. Lamentavelmente, as gerações mais recentes ignoram quem foi Popó, ídolo e orgulho da Bahia em passado remoto, sobretudo por comandar com genialidade e coragem a seleção baiana campeã brasileira interestadual em 1934, até então a principal competição nacional de futebol, derrotando na final o temido escrete paulista.


Em Salvador, os transeuntes que passam pela principal via do bairro Engenho Velho da Federação, a “Apolinário Santana”, sequer imaginam que o camarada que emprestou o nome para aquela rua foi um dia o mágico da bola Popó, que tanta cobiça despertou nos clubes cariocas, principalmente o Fluminense, que até uma excursão a Salvador incrementou para tentar seduzi-lo.

No dia 15 de abril de 1923, no inesquecível Campo da Graça, Popó, defendendo o escrete baiano, destruiu o poderoso Tricolor das Laranjeiras. Após o jogo, um cartola do Fluminense enviara ao Rio de Janeiro o seguinte telegrama que, laconicamente, dizia: Fluminense 4 x Popó 5”. Ou seja, os cinco gols foram dele, que foi um dos jogadores mais versáteis de seu tempo. Jogou de zagueiro, centroavante, mas brilhou mesmo como um elegante centromédio (hoje, volante).

Popó foi o gênio em “melar” (antigo significado para drible em Salvador). Diz a antiga quadrinha: “Chuta, chuta/ Popó chuta/Chuta, por favor/Mela, mela, mela, mela/Mela e lá vai gol”. Como bem o descreveu o cordelista Edosn Bulos, também citado por Aloildo na biografia do craque, Popó “foi Botafogo e Ypiranga/ não brigava ou tinha zanga/ era um Deus enaltecido”. 

Considerando a paixão nos depoimentos, Popó deve ter sido mesmo tudo o que escreveram e falaram sobre ele.

NO VÍDEO ABAIXO, IRMÃ DULCE CONFESSA O AMOR PELO YPIRANGA E POR POPÓ:

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