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PELÉ, RIVELLINO E ZICO NA SELEÇÃO: O MUNDIALITO DE MASTERS

1 / julho / 2020

por André Luiz Pereira Nunes


O falecimento de Luciano do Valle, histórico narrador televisivo, significou a perda de um dos maiores incentivadores do esporte no nosso país. Para quem não sabe, Luciano detém uma coleção imensa de grandes narrações, como a Copa do Mundo de 1982, os títulos de Emerson Fittipaldi na Fórmula 1, as 500 Milhas de Indianápolis de 1989 e o Mundial de Clubes de 2000. Era o narrador principal da TV Globo até o começo da década de 1980, quando saiu para transformar a Bandeirantes no Canal do Esporte. 

Graças aos seus esforços, algumas modalidades como vôlei, sinuca, boxe, futebol americano e a Fórmula Indy ganhariam destaque nas tardes de domingo. Como promotor, conseguiu lotar o Maracanã para uma partida de vôlei entre Brasil e União Soviética. Trouxe para o país as transmissões da NBA e da NFL e ainda ajudou a popularizar o futebol feminino. Luciano do Valle tem ainda bastante influência nos primeiros campeonatos europeus veiculados pela televisão brasileira. Vale recordar as memoráveis transmissões do campeonato italiano nas manhãs de domingo.

Porém, uma outra grande sacada do locutor foi a de promover a Seleção Brasileira de Masters, inicialmente concebida como de Seniors. A ideia teria surgido no início dos anos 80 quando ele e alguns amigos discutiam acerca do baixo nível do futebol brasileiro. Junto a empresários, o locutor lançou, em 1987, a Copa Pelé, que contava com ex-craques de cinco seleções campeãs do mundo até então: Brasil, Argentina, Uruguai, Alemanha Ocidental e Itália. 

Mas não só seriam ídolos brasileiros que topariam participar do torneio, realizado em São Paulo. Uwe Seeler, Paul Breitner, Gerd Müller, Giacinto Facchetti e Roberto Boninsegna estiveram entre os convidados para o deleite de milhares de espectadores que lotaram as arquibancadas. O Rei do Futebol, entretanto, só atuou na primeira partida contra a Itália. Na decisão do torneio, a Seleção, comandada por Luciano, acabou sendo derrotada por 1 a 0 pela Argentina, de Babington, Brindisi e Oscar Más. O carrasco naquele ‘pequeno Pacaembunazo’ foi Darío Felman, atacante que havia acabado de encerrar a carreira após ser ídolo de Boca Júniors, Gimnasia e Valência.

A edição seguinte contou também com a participação da Inglaterra, passando a ter todos os seis campeões mundiais. O Brasil finalmente conseguiu levantar a taça ao bater na decisão o Uruguai por 4 a 2, com três gols de Claudio Adão e outro de Rivelino. Já em 1990, uma edição especial foi nomeada ‘Copa do Craque’ ou ‘Copa Zico’. Mais uma vez a Seleção venceu com sobras o torneio com direito a show do Galinho de Quintino, Rivelino, Serginho e Éder na final contra a Holanda: 5 a 0, no placar.

Em 1991, Luciano do Valle conduziria o escrete canarinho ao tricampeonato. Luís Pereira, Vladimir, Batista, Mário Sérgio, Zenon, Rivelino, Roberto Dinamite, Rocha e Jaime de Almeida eram alguns dos destaques da equipe. O Brasil derrotou, na decisão, a Argentina, de Mário Kempes e Hugo Gatti, por 2 a 1, com um gol decisivo de Zico, aos 42 minutos do segundo tempo. Posteriormente, a International Federation of  Master Football se encarregaria de organizar mais duas edições do torneio, nos Estados Unidos, sem o mesmo apelo, embora com mais um título da Seleção. 

Se o projeto fosse reativado, poderíamos, quem sabe, ver em campo craques como Bebeto, Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho trazendo mais alegrias para os torcedores brasileiros. Quem pôde assistir a algum momento da Seleção Brasileira de Masters, jamais se esquecerá da magia a qual cada vez menos encontramos nos dias de hoje.

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