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O ARTICULADOR SOBERANO

23 / setembro / 2019

por Eliezer Cunha


Competições, aonde elas não existem nós as inventamos. Fazem parte de nossas vidas competirmos; com os nossos vizinhos, um amigo de classe ou um namorado de uma ex. Desta forma é uma das molas que movimentam e fazem parte de nossas rotinas.                

Durante a minha adolescência no pacato subúrbio, nos reuníamos, amigos de pelada, nas esquinas, nas beiras dos campos, nas quadras de salão de futsal, para discutirmos, sobre as inúmeras vitorias do Flamengo nos finais de semana (70/80), mas, sobretudo, discussões que tendiam a igualar jogadores, quanto a forma de atuar e/ou como sendo quem seria o melhor, ou seja, quem é mais importante jogador dentro do elenco? Evidentemente, nosso Galinho ficava de fora das discussões, mas tinham dois que sempre vinham à roda para as comparações, sendo eles: Adílio e Tita. Confesso que minha simpatia era enorme sempre pelo Tita, porém também existiam aqueles outros torcedores que eram pró e evocavam por Adílio.

Não venho aqui como também não possuo competência para tal, em dissecar sobre a carreira deste grande atleta chamado Adílio. Outros já o fizeram com maior maestria. Vim, sim, me retratar a um craque e reparar minhas opiniões que tinha no passado.

Hoje consigo enxergar o Flamengo sem os seus maiores ídolos. Hoje consigo enxergar substitutos para Andrade, Tita, o grande Zico, os laterais e os vários centroavante que tivemos, mas, hoje não enxergo e não vejo um substituto para Adílio. A sua conexão com o ataque não tinha preferência de lados, a sua visão era 180º do meio de campo pra frente, poucas bolas perdidas e muito poucos passes errados.

Eram tão poucos afastamentos por contusão que sinceramente não me lembro de um sequer. Na decisão do mundial no Japão, foi ovacionado por um jogador do time inglês, classificado como liso, ágil, vibrador, visão de jogo, etc. Talvez tenha sido uma das maiores injustiças do futebol brasileiro não ter sido titular da seleção do Brasil da época, mas, para um menino franzino, pobre, que um dia saiu da comunidade de uma certa ‘Cruzada’ para conquistar um lugar ao sol daquele grande e elitista time já o satisfazia. Talvez tenha o faltado os olhos azuis, a cor amarelada da pele e os belos cachos louros bem vistos da época.

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