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HENRICÃO: A LENDA VENCEU O TEMPO

15 / abril / 2023

por Mauro Ferreira

O tempo tem a estranha mania de querer apagar a memória e tentar roubar da história suas mais preciosas lembranças. Primeiro campeão brasileiro de futebol, Henricão, zagueiro da equipe do Bahia de 1959, ainda guarda retalhos dos três jogos da final contra o Santos. É o único vivo do time. Em sua casa, na bucólica Miguel Pereira, interior do Rio, um gramadinho bem tratado cuida de manter viva a tal história que o tempo insiste em dar fim: é o ESTÁDIO HENRICÃO.

“Dorval, Mangálvio, Coutinho, Pelé e Pepe”. A linha de ataque do Santos permanece viva e é citada infinitas vezes pelo senhor de 89 anos, carioca nascido no Méier e criado na Pavuna. Também não esquece os títulos de campeão baiano e vai contando nos dedos, um a um: “campeão, bicampeão, tricampeão, tetracampeão e pentacampeão”. É como se do conforto de seu sofá erguesse cada uma das taças.

Lembra pouco dos jogos, mas está gravada na memória as noitadas pelas boates, bares e casas de shows de Salvador, Santos e Rio de Janeiro junto com os jogadores do Santos. Sim! Farra com os adversários depois do jogo. Independente do resultado, havia que se celebrar o futebol. De preferência, com música e dança. Arte pura.

Aos poucos, a fala trôpega do início da entrevista dá lugar a uma voz firme, de malemolência bem carioca e passa a contar as histórias que ainda lembra: “Ganhamos do Santos lá”. “Marcar o Pelé? Impossível”. “Mas, ele gostava de uma música e de uma farra”, conta sem esconder o sorriso moleque.

É, a música trai o tempo. Com ela, revive pedaços da sua história, canta com o filho, rege o filho, pede mais volume no violão e uma lágrima desce do olho direito junto a um sorriso feliz. Expande o olhar para além da sala de sua casa. Reconta, pra si mesmo através da música, sua própria história. Volta a lembrar dos três jogos finais – final que só acabou no ano seguinte, em 29 de março de 1960. Três a dois Bahia, na Vila Belmiro, dois a zero Santos, na Fonte Nova (ambos os jogos em dezembro de 1959) e três a um pro Bahia, em pleno Maracanã com público superior a 20 mil pessoas.

Era uma terça-feira, aniversário da cidade de Salvador.

Ali, no templo do futebol, há 63 anos, o tempo perdia mais um jogo. Mais uma lenda nascia naquele dia. Atende pelo apelido de Henricão, o Madeirada.

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2 Comentários

  1. Fátima Marcelino

    Parabéns a todos os envolvidos!
    Emocionante e necessário!

    Responder
  2. Gerson S. Junior

    Linda homenagem ao grande Henricão!

    Responder

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