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ANDREAS: UMA BOLA NA TRAVE DO FLAMENGO

30 / junho / 2022

por Marcos Eduardo Neves

Andreas foi uma bola na trave no Flamengo. Chegou no momento certo, do Manchester United, num time que tinha tudo pra ganhar tudo. Só que não ganhou nada.

E foi Andreas quem quis destino assim. Largou a reserva de um gigante da Europa pra mostrar no maior do Brasil quem era. Mostrou. Com personalidade. E alguns chutes que – Nossa Senhora! –,… bola na trave do Andreas!

Porque foi isso. Andreas foi uma bola na trave no Flamengo.
Bom jogador, dedicado, talentoso, organiza, limpa, arrisca forte, sem medo, de qualquer distância. No Brasileirão, hoje mesmo, pode checar, tem apenas um gol a menos que Gabigol.

Mas na hora errada e na partida mais do que errada, na prorrogação, simplesmente, da decisão da Libertadores que selaria o tri do Flamengo, Andreas nem trave foi. Foi gol. Só que contra. Gol do Palmeiras.

Ah, ocasos do futebol! Márcio Theodoro entregou pra Romário a Taça Guanabara de 1995 e acabou para o futebol. Gonçalves deu mole num Flamengo x Botafogo, foi contratado pelo rival e virou ídolo, vai entender, brilhou intensamente, entrou para a História do Glorioso. Andreas, no Flamengo, deu – não tem como negar: simplesmente, DEU – a Libertadores pro Palmeiras, no ano passado.
DEU. Mas ao escorregar. Infelicidade total. Nada por vontade, lógico, longe disso. Só que foi como ter explodido as torres trigêmeas, mesmo sem querer. Nisso, implodiu junto com o avião.

Se já não era, Andreas quis muito ser Flamengo. Aceitou menos que ganhava. Queria ficar. Errou, ok, mas errar é humano. O cara é baita jogador. 25 anos! Um pecado ter se despedido ontem. Vai para o Fulham, da Inglaterra. Que siga seu caminho e, na fé, arrebente. Mas, por favor, só não me volte, de empréstimo, para um Palmeiras, um Fluminense, um Corinthians, um Botafogo da vida ou sei lá quem.

Em qualquer fim de relacionamento a gente sente alívio ou saudade. Ontem foi 1 a 0, gol de Andreas. Cadê o alívio? Já sinto saudades. Ontem Andreas mostrou, provou para todos nós, nos deixando, graças a seu gol, praticamente nas quartas da Libertadores, que ele não – que ele não era uma bola na trave. É um gol. Que entregamos.

Tipo Tita, em 87. Cocada, 88.

Ainda vamos lamentar muito essa saída. O menino tinha tudo pra dar a volta por cima e luzir por anos.

De toda forma, obrigado, Andreas. ‘Cést la vie.’ Mas saiba, portas abertas.

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