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A TRAGÉDIA DE SARRIÁ

5 / julho / 2020

por Serginho 5Bocas


INTRODUÇÃO

Se você é um daqueles caras chatos que vão ao cinema para ver filme “pipoca” de super-herói e ao final do filme, sai reclamando que viu muita mentira, pare agora e não prossiga! Nas próximas linhas você vai ler o retrato de uma partida histórica sob o ponto de vista de um sonhador. Com certeza não vai ter a menor graça para você, porque aqui você vai encontrar muita fantasia.

Me desculpem os céticos extremistas, os pessimistas de plantão, os cavaleiros  do apocalipse e os especialistas de jogos já encerrados, mas naquele dia o Brasil jogou para karaiu. Perdeu, é verdade, mas não vergonhosamente como nos 7×1 da semifinal de 2014 para os alemães ou dos 3×0 na final de 1998 para os franceses ou até mesmo no 1×0 para a mesma França nas quartas de 2006, ocasiões em que não vimos a cor da bola. E é por isso que aquela partida é conhecida como “tragédia”. Aquelas cinco partidas foram de ejetar da cadeira, como diria Nick Hornby e foram o maior tesão da minha vida no futebol e posso afirmar que nunca fui tão feliz antes nem depois com a seleção canarinho.

Antes de mais nada, quero parafrasear o grande craque da bola e da pena Tostão, que em seu livro “A perfeição não existe”, propôs que queimassemos todas as fitas de vídeo e dvds dos jogos da fantástica seleção brasileira da copa de 1970, para não apagar a fantasia e para que permaneça a lenda de que existiu um time perfeito, já que ele mesmo ao rever os jogos, percebeu muitos erros. Sigo o “relator” e digo o mesmo para a seleção de 1982.

NA ÉPOCA…

“Ninguém vence o Brasil”

Jock Stein, técnico da Escócia após perder de 4×1

“Mama mia, que toque”

Di Stefano, depois da vitória sobre a Nova Zelândia

“O Brasil foi perfeito”

Enzo Bearzot, após a vitória sobre a Argentina

“Só existe um campeão. É o Brasil.”

Johann Cruyff, depois da eliminação para a Itália

“Acabou-se o samba e os amantes do bom futebol podem ir para casa”

Título do “POLITIKA” de Belgrado, após a derrota brasileira

“Parte o Brasil, parte o futebol”

Manchete do “CORREO DA ANDALUZIA”


ANOS DEPOIS…

“Foram anos, porque tivemos eliminatórias de puro encantamento de um futebol inigualável. Não aceito e jamais aceitarei que a tragédia de Sarriá possa ter transformado essa fantástica seleção em um grupo de perdedores. Perderam um título, mas ganharam um lugar na história”

Galvão Bueno

“No dia em que nós quisermos entrar em campo para dar pontapé, para jogar com violência, nós vamos perder tudo, porque o futebol brasileiro é de outra origem, nós sabemos jogar e muito bem. Nós temos habilidade e técnica”

Telê Santana

“Sabíamos estar diante de um dos melhores times de todos os tempos, eu os havia visto disputando as partidas anteriores e eles me pareciam marcianos, jogavam de memória, podiam jogar com os olhos vendados de tão perfeito o entendimento entre eles. Jogadores extraordinários e talentosos, como Zico, Falcão, Sócrates, Junior, Cerezo e Eder…”

Paolo Rossi

“O jogo contra o Brasil nos deu a convicção de que poderíamos vencer a copa. Porque eles eram maravilhosos”

Dino Zoff,

“Um time é bom quando passar vinte, trinta, quarenta anos e ainda falam dele”

Pep Guardiola

“Ganhamos um prêmio mais importante do que o título, que é o reconhecimento do mundo para o nosso jogo bonito, para nossa arte, para o nosso futebol coletivo, para nossa disposição de encantar o público e tornar aquele time inesquecível. Aquele Brasil de 82 foi um campeão de encantamento”

Paulo Roberto Falcão

O PRELÚDIO DO FATÍDICO 5 DE JULHO

Segunda-feira, 5 de julho de 1982. O Brasil vai entrar em campo como franco favorito contra a irregular Itália. Sob o comando de Telê Santana, não perdíamos desde janeiro de 1981, ainda pela final do “Mundialito” no Uruguai, quando os anfitriões nos venceram na final por 2×1 (sem Zico, Falcão e Leandro). Desde aquela derrota, foram sete partidas sem derrotas para europeus e até aquela partida, 24 jogos invictos. Na copa já havíamos jogado quatro partidas sem nem ao menos empatar, derrotando os fortes soviéticos, os escoceses, a fraca Nova Zelândia e os campeões mundiais de 1978, os Argentinos, por sonoros 3×1, com Maradona e tudo. Saldo de 4 vitórias em quatro jogos, 13 gols feitos e 3 gols sofridos.

Já os italianos estavam em baixa, brigados com a imprensa de seu País e com Paolo Rossi, o seu centroavante e maior esperança de gols, completamente sem ritmo de jogo, pois ficara sem jogar profissionalmente por quase dois anos, cumprindo punição por envolvimento com a máfia da loteria italiana, a “totonero” e que em quatro partidas, não fizera um mísero golzinho e seu último gol com a camisa “azzura” fazia mais de três anos, na derrota de 4×1 para a Iugoslávia. Os italianos sofreram horrores para se classificar na primeira fase, com três empates diante das seleções do Peru, Camarões e Polônia, classificando-se pelo saldo de gols. Depois venceram os Argentinos por 2×1 sem problemas, demonstrando recuperação na segunda fase. Saldo de 1 vitória e 3 empates em quatro jogos, 4 gols prós e 3 gols sofridos. Pronto! Um prato fácil de degustar, em quem você apostaria?

OS OBSERVADORES


Por trás daquela derrota haviam detalhes relevantes que não demos a devida atenção. Antes do jogo, Zezé Moreira, nosso observador, já havia informado Telê sobre os perigos que os italianos representavam, seus progressos e seus pontos fortes. Puskas o grande craque da Hungria e do Real Madrid também foi um dos poucos que em uma mesa redonda comandada por Armando Nogueira destoou do favoritismo excessivo dos presentes, apontando que apesar da Itália ser mais fraca, poderia representar muito perigo. Talvez porque ele já ter provado o gosto amargo de ter perdido para a Alemanha na final da copa de 1954, quase da mesma forma. Por último, o craque Falcão também tentou avisar na preleção da equipe antes da partida, mas talvez não tenham dado muita atenção as suas palavras.  

Talvez não tenhamos levado tão a sério essas informações, afinal, o que seria tão perigoso para nossos gênios da bola? Paolo Rossi sem marcação especial, ia aproveitando os espaços que teve, e marcou 3 gols em nossa defesa. Para quem não sabe, Rossi não era um craque, mas também não era nenhum perna-de-pau, o “Bambino D´ouro”, garoto de ouro italiano, na copa anterior havia marcado 3 gols, e recebido o prêmio de segundo melhor jogador daquela copa.

A PARTIDA

O Brasil jogou sem fugir de seu estilo e como sempre havia jogado naquela copa, priorizando o toque de primeira, a rápida transição da defesa para o ataque, a posse da bola e em vários momentos, marcando no campo do adversário. A Itália fez o de sempre na copa, recuada e nos atraindo para seu campo, onde exercia forte marcação individual em alguns jogadores chaves do nosso time, e preparando o seu contra-ataque mortal com Graziani, Conti e Rossi nas costas dos laterais, além das subidas de Cabrini e do apoio de Antognoni, seu mais cerebral jogador.

Colovati, Scirea e Oriali exerciam dura marcação homem-a-homem em Sócrates, Serginho e Edér, e Gentile grudou implacavelmente em Zico, numa das mais sufocantes marcações já vistas em uma partida de futebol em copas do mundo, da mesma forma que fez contra Maradona, quando enfrentaram a Argentina e tivera êxito, apesar da distribuição de porrada.

O Brasil sabia de sua superioridade e tentou exercer seu maior trunfo que era manter a posse de bola, e mesmo estando praticamente todo o jogo em desvantagem no marcador, mantinha a calma e um aparente controle da situação.

A Itália, por mais difícil que pudesse parecer a missão para eles, vinha obtendo êxito em seu propósito, abriram o marcador muito cedo e cada vez que o Brasil conseguia empatar o jogo, eles faziam um novo gol, e voltavam a frente no placar, e com isto acontecendo amiúde, eles foram ganhando confiança e sentindo que poderiam vencer-nos, como de fato aconteceu.

Na maior parte do tempo estivemos em desvantagem no placar, assim éramos obrigados a sair para o jogo e nos expor e apesar de criarmos uma grande quantidade de situações de perigo real, ficávamos expostos constantemente aos rápidos contra-ataques italianos, que nesse jogo não foi fundamental nos gols que ocorreram muito mais por falhas individuais.


Mostramos nossa classe e toque de bola durante toda a partida, até nos últimos minutos quando Zoff defendeu uma cabeçada de Oscar e um corner olímpico de Éder, pena que não foi suficiente para vencê-los. Possuíamos uma equipe fantástica, mas os italianos tiveram o mérito de não se intimidarem e jogaram acreditando que a vitória era possível, apesar de tudo.

Isso é Copa do Mundo, são noventa minutos onde tudo pode acontecer, como diria Teixeira Heizer: “o jogo é bruto” e não tem jogo de volta. A Itália fez três gols, e somente no primeiro houve construção, nos dois últimos foram falhas individuais e sorte, nada mais. Já o Brasil, teve que trabalhar muito para construir seus dois gols que foram verdadeiras pinturas, o que se há de fazer?

Tínhamos a sensação de que a partida poderia ser decidida quando quiséssemos, mas naquele dia se fizéssemos o terceiro gol de empate, acho que eles fariam o quarto. Além de termos enfrentado uma seleção briosa e disposta a tudo para vencer, o árbitro israelense Abraham Klein deu uma mãozinha para os italianos, quando não marcou um pênalti claro de Gentile em Zico, no final do primeiro tempo, quando o jogo estava 2×1 para os italianos, Gentile ficou atônito com um pedaço de pano na mão. Talvez ir para o intervalo com o empate, trouxesse a tranquilidade e a confiança necessária para mudar a história do jogo, mas não aconteceu.

Outro lance capital, foi logo após Falcão ter marcado o gol do segundo empate na partida, Eder carrega a bola no ataque, com Sócrates bem perto como opção contra um zagueiro e não passa a bola para o magrão, tentando uma jogada individual e perde, ali poderia ser o gol que definiria a partida, logo em seguida, a Itália faria o terceiro.

O jogo todo, a Itália esteve na frente do marcador, Paolo Rossi fez os seus três primeiros gols “libertadores” de um toque só, de um total de 6 em toda a copa, depois, ainda seria considerado o melhor jogador e artilheiro da Copa.

Os italianos catimbaram a partida fazendo o tempo passar, se adiantando nas faltas contra a sua meta, atrasando bolas para seu goleiro constantemente quando eram apertados na saída de bola (recurso possível naquela época) e parando as jogadas com faltas duríssimas, sob o olhar complacente do árbitro. Assim o jogo se arrastou até o fim, preparando os italianos para o título, já que depois de vencer-nos, ninguém mais poderia ganha-los.

O “SCOUT” DA PARTIDA

A superioridade brasileira pode ser observada ao saber que nos 90 minutos:

O Brasil teve mais posse de bola;

O Brasil criou 26 jogadas próximas ao gol contra 7 da Itália;

O Brasil teve 12 jogadas de real perigo de gol contra 5 da Itália.

O Brasil teve 32 roubadas de bolas contra 28 da Itália.

Mas infelizmente eles fizeram 3 gols e nos apenas 2.


OS JOGADORES

Valdir Perez, que esteve em 3 copas, que jogou mais de 25 partidas pela seleção e que só perdeu uma, teve uma falha no gol da URSS, no jogo de estreia, que acabou com a sua copa e fama, faltou uma defesa sensacional para virar o jogo.

Leandro, recebeu a ingrata missão de jogar sozinho pelo lado direito e fez um ótimo papel, parecia um veterano logo em sua primeira e única copa, deu gosto ver sua habilidade e postura, gastou a bola.

Oscar, que não perdeu uma por cima e não levou drible de ninguém, fez um gol de cabeça e quase fez o gol da vida dele naquele dia, mas proporcionou a Zoff, a defesa da vida dele.

Luisinho, esbanjou categoria em sua primeira copa e foi eleito para a seleção da competição na opinião dos jornalistas do mundo todo, por aqui, dizem que amarelou, por um possível pênalti em schengelia no jogo de estreia. Coisa de país complexado.

Junior, ofensivamente jogou muita bola e já dava mostras que não ficaria limitado a uma lateral do campo. Foi eleito para a seleção da copa e na copa seguinte voltou como meia.

Cerezo, jogou muita bola nas quatro partidas que esteve presente, mas um passe equivocado, que ainda podia ter salvação, fez grande parte da torcida e dos jornalistas brasileiros o condenarem a pena máxima do futebol brasileiro. Na Itália,  a opinião foi outra, foi comprado e jogou por lá por muitos anos depois da copa.

Falcão é um caso para estudo, como um jogador deste naipe só jogou uma copa como titular? Só no Brasil mesmo. Foi o segundo melhor jogador da Copa,  apesar de só ter jogado 5 partidas e também fez parte da seleção da copa. Fez o gol mais espetacular e emocionante do Brasil em copas do mundo.

Sócrates, fez o sacrifico de parar de fumar por seis meses para chegar bem na copa e deu resultado. Nosso capitão gastou a bola, fez dois golaços, mas não foi suficiente para trazer o caneco.

Zico, fez uma bela copa, marcou quatro gols em cinco jogos, deu quatro assistências e participou de nove dos quinze gols do Brasil na Copa. Foi um dos quatro brasileiros eleitos na seleção da Copa. Faltou ganha-la, por isso que até hoje, muita gente não compreende o seu verdadeiro tamanho.

Serginho, não fez uma bela copa apesar de ter jogado ao lado de um monte de feras, fugiu de seu estilo para se adaptar a Telê e como lhe custou caro, ainda assim, deixou a sua marca duas vezes e entrou para a história com aquele grupo.

Edér, jogou muito e fez belos gols, jogava como o mestre Telê mais apreciava, fera nos fundamentos e na técnica, sem contar o chute potente e venenoso. Seus dois gols contra a U.R.S.S. e Escócia entraram para a história.

Paulo Isidoro, foi o décimo segundo jogador, entrou numa fogueira contra a U.R.S.S. e melhorou o time, depois entrou em outra fogueira maior ainda contra a Itália e mostrou a mesma qualidade. Uma pena que o Tiziu não convenceu o mestre Telê de sua titularidade.

APÓS O APITO FINAL

Ao término do jogo, apesar da injustiça e da grande tristeza, ficou em nós brasileiros e no mundo da bola, um bonito sentimento. Italianos corriam feito loucos pelo campo, correndo atrás dos brasileiros para trocar as camisas e guarda-las como troféus, se abraçando ainda sem acreditar no que tinham acabado de realizar, e brasileiros, atônitos, sem rumo, não conseguiam achar a saída do campo, talvez pensando que ainda haveria um terceiro tempo, e aí ganharíamos.


A equipe do Brasil recebeu todas as homenagens possíveis por parte da imprensa, de torcedores brasileiros e espanhóis, de ex-craques como Di stefano, Puskas, Cruyff, Krol, entre outros, mas nenhuma destas manifestações conseguiram estancar a dor que sentíamos. Até mesmo após o jogo, na sala de imprensa, o técnico italiano Bearzort havia sido bem recebido, porém, quando Telê entrou na sala, foi um verdadeiro clamor, todos se levantaram e aplaudiram o técnico brasileiro, como se ele tivesse vencido a partida.

A copa, a partir daquele momento já tinha um campeão. Os italianos ficaram fortes e confiantes após baterem os brasileiros e aí foi só ganhar dos “fracos” poloneses, desfalcados da fera Boniek e depois vencer os pragmáticos e fregueses alemães na final. Depois de vencer os brasileiros, foi mais do que justo a copa ficar com os italianos.

AS LIÇÕES APRENDIDAS

Impossível esquecer aquela tarde por tudo que aconteceu. Chorei convulsivamente, levei 5 pontos no queixo e vi meus heróis derrotados por uma “kripitonita” italiana. Contudo, aprendi que devemos saber perder, desde que com luta. A vitória é o objetivo a atingir, mas perder faz parte do jogo, e não é vergonha, se houver entrega, e isso eles fizeram até o último minuto e a torcida brasileira soube reconhecer.

Vi este jogo aos 14 anos, no dia 5 de julho de 1982, prestes a completar 15, que aconteceria uma semana depois, vi novamente umas cinco ou seis vezes em intervalos de anos entre cada uma das vezes, e o tempo e a racionalidade que adquiri, não mudaram minha opinião sobre o que aconteceu naquele dia, o Brasil jogou mais bola do que os italianos e não era o dia de vencermos. O futebol é simples e apaixonante assim, nem sempre vence o melhor, não adianta buscar explicações mirabolantes, é esporte, é só perder ou ganhar.

AS CURIOSIDADES

No local onde ficava o estádio de Sarriá, foi construído um shopping center, assim, hoje não existe mais nem poeira de onde jogamos a épica partida.

Para se ter uma ideia da qualidade do futebol da seleção de 1982, e da plástica de suas jogadas e gols, na eleição da FIFA para o gol do século XX de todas as copas do mundo, estivemos presentes com vários gols de várias de nossas seleções entre os 50 melhores, sendo que a seleção de 1982, carimbou seis deles ou mais de 10% do total. Para se ter uma pequena noção do material, aí vai: Os dois gols contra a União Soviética e os dois contra a Itália, o de Junior contra a Argentina e o de Éder contra a Escócia, não que os outro fossem feios, vide os dois do galinho contra a Nova Zelândia e o do Serginho contra a Argentina, que poderiam constar em qualquer relação dos mais belos, pois todos sem exceção foram de extremo bom gosto.

PRORROGAÇÕES


Nesses anos todos, escutei muita gente opinando contrariamente, afirmando que o time de 82 era uma farsa. Recentemente os jogos foram reprisados na TV a cabo e novamente ouvi muitas críticas ao futebol daquela seleção. Sinceramente, não consigo entender porque fazem isso com aqueles jogadores.

Eles eram temidos, respeitados pelo que jogavam, deram uma aula ao mundo de como se joga futebol com beleza e qualidade, criaram uma legião de fãs pelo mundo, inovaram em muitos aspectos e não receberam o devido reconhecimento.

Jogavam compactados, muito próximos uns dos outros, em todos os jogos chutaram e desarmaram mais do que os adversários e sem fazer faltas, ganharam o prêmio ‘fair play” por isso. Acho que o grande lance daquele time é que se preocupavam em jogar bola e como não trouxeram o título, ficaram marcados, ainda bem.

Muitos falam que não marcavam, mas os números não mentem, a revista placar na época trouxe em sua edição, que desarmaram mais do que os italianos, quando empatamos o jogo, Telê tirou Serginho e colocou Paulo Isidoro fechando mais o meio de campo e ajudando Leandro pelo lado direito. No último gol da Itália, todos os 11 jogadores do Brasil estavam dentro da área, mas uma bola mal chutada por Tardelli, passou por todo mundo e foi achar Paolo Rossi na pequena área,

A Itália só criou no seu primeiro gol, os outros dois gols italianos foram por conta de falhas individuais de nossa seleção, realmente não era dia de Brasil. Prefiro acompanhar a opinião de quem aprecia bom futebol e estes nunca me decepcionaram, todos são categóricos em afirmar que aquele foi um time de sonhos.

Que fique claro, o Brasil não perdeu o jogo porque jogou mal ou porque foi soberbo como muitos afirmam e como grande parte da imprensa nos tentam fazer acreditar, mas sim porque mesmo mantendo nossas convicções e estilo, do outro lado havia uma Itália valente e muito determinada e principalmente, porque as bruxas espanholas e os deuses do futebol não quiseram dar aos torcedores e a aqueles jogadores a tão sonhada glória, preferiram que aquela geração entrasse para a história justamente pela trágica derrota e assim se fez, por isso a alcunha daquele jogo é tragédia.

CINEMA

No dia, e eu mais alguns milhões de brasileiros choramos lágrimas de esguicho, como diria Nelson Rodrigues e até hoje quando vejo de novo o gol de Falcão, empatando o jogo em 2×2, correndo feito um louco com as veias do braço quase explodindo de emoção, me arrepio e me emociono, chego a acreditar que ainda vamos vencer e que aquela foto será a capa de todas as revistas e jornais do dia seguinte, mas sempre acordo me beliscando, pois nunca aconteceu, parece um drama sem fim.

Lembram que comecei a crônica falando de cinema?


Foi um filme inesquecível com um elenco fora de série. Não que a gente nunca mais tenha visto bons filmes, talvez até tenhamos visto alguns, mas não com toda a qualidade e quantidade de atores daquele porte na mesma película, foi um verdadeiro “outlier”.

Então podemos afirmar que foi um daqueles filmes tristes que o mocinho morre no final? De jeito nenhum, pois de lá pra cá, o fenômeno se ampliou e apesar da tristeza quase sem fim, as lembranças das feras não se apagaram. Na verdade eles se eternizaram, pois renascem a cada bola bem chutada, a cada gol bem trabalhado, a cada passe milimétrico, a cada drible sensacional e sempre, sempre serão lembrados…

 

 

Forte abraço

Serginho 5Bocas

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