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Vasco da Gama

O CRAQUE DO BRASIL EM 1997

por Luis Filipe Chateaubriand


Em 1997, o melhor jogador do Brasil foi Edmundo.

Edmundo que fazia gol atrás de gol.

Edmundo que driblava como gente grande.

Edmundo que passava a bola com perfeição.

Edmundo que fazia tabelas e triangulações geniais.

Edmundo que executava lançamentos com maestria.

Edmundo que liderava o time do Vasco da Gama com soberba capacidade.

Pensando bem, Edmundo não foi o melhor jogador do Brasil de 1997.

Edmundo foi o melhor jogador do mundo de 1997.

E estamos conversados!

Luis Filipe Chateaubriand é Museu da Pelada!

NENHUM MAR DE HISTÓRIAS E GLÓRIAS FOI NAVEGADO SEM QUE NELE HOUVESSE O VASCO

Por André Felipe de Lima


Todo mar tem o azul, mas o meu mar, em especial, tem o negro e o branco. Um mar de todos, sem distinção

Assim se fez o meu Vasco, assim se faz o meu mar, assim se faz a minha memória ainda tenra e feliz

Por desde criança ostentar na alma uma cruz

Nunca a da sofreguidão ou mesmo a da dor. Mas a da fé, a da paciência e confiança no mar, o de águas brancas e negras, que na poesia apaixonada cabe, livre e desimpedido das amarras da lógica e das gramáticas. Livre dos chatos de plantão

A pressa única é ver o Vasco no dia seguinte a estampar em cores nos jornais a retumbante vitória.

A malta. A cruz de malta vermelha como o fogo

A nos aquecer de amor

Nem mesmo a fugaz e passageira derrota atormenta o meu mar

Aqui, nas águas jamais turvas, o brilho é eterno

Pois vamos a cantar todos de coração, que o pendão tremula e o navio segue, pois navegar é preciso

E o Vasco nunca omisso ou alheio ao meu amor, corresponde a cada grito, a cada canção

O Vasco é o meu primeiro amigo.

O Vasco é o meu irmão querido.

O TÍTALO É DO VASCÃO

por Luis Filipe Chateaubriand


Mílton Queiroz da Paixão, o Tita, despontou para o Futebol no Flamengo.

Formado na Gávea, chegou ao time principal e, ali, cumpriu jornadas espetaculares e, em alguns momentos, jogou futebol digno de Zico – em, por exemplo, 1979, quando Zico se machucou e Tita assumiu sua posição e a camisa 10, Tita jogou por ele e por Zico, um espetáculo.

O sucesso mexeu com a cabeça do garoto, que exigia ou que o Flamengo vendesse Zico para ele ocupar a camisa 10, ou que o vendesse para que ele fosse o camisa 10 em outro clube.

Certa vez, indagado sobre qual seria um bom clube para jogar com a camisa 10, não hesitou: respondeu Vasco da Gama.

Ganhou, ali, a antipatia dos rubro negros.

Anos depois, mais precisamente em 1987, lá estava Tita, jogando no… Vasco da Gama.

Era decisão do título estadual, Flamengo x Vasco da Gama.

Romário intercepta uma bola passada por Leandro no lado esquerdo do meio de campo, passa a Luiz Carlos Martins à esquerda da grande área.

Luis Carlos Martins, de pé trocado, o direito, cruza a bola para a área, mais precisamente para a pequena área, na direção de Roberto Dinamite.

Dinamite, como um bom pivô e de forma genial, vira o corpo da frente para o gol para de costas para o gol, ajeita a pelota no peito, deixa a dita cuja descer e, quando esta chega ao chão, rola para trás, onde Tita vem na corrida.

Tita fuzila a esfera e esta bate na rede no alto, forte, indefensável para o goleiro rubro negro Zé Carlos.

Enlouquecido, Tita corre em direção ao banco vascaíno, na comemoração.

O jogo terminou, mesmo, 1 x 0 para o Vasco da Gama, e o título foi parar em São Januário.

Tita, criado no Flamengo, teve uma das maiores glórias de sua carreira no Vasco da Gama!

Luis Filipe Chateaubriand é Museu da Pelada!

A ÉPICA LUTA DO VASCO CONTRA O RACISMO NO FUTEBOL

por André Luiz Pereira Nunes


Camisas Negras: o time do Vasco, campeão carioca em 1923

Camisas Negras: o time do Vasco, campeão carioca em 1923

Durante vários anos, não podiam ser inscritos na Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT) elementos que exercessem trabalhos braçais remunerados, tais como, garçons, vendedores, entregadores de embrulhos, condutores de bondes e guardas, estes últimos chamados à época de praças de pré.

O futebol, cuja origem sempre foi aristocrática, era praticado pelos chamados “filhinhos de mamãe”, pertencentes às classes mais abastadas. No tempo do amadorismo era proibido ao jogador receber qualquer tipo de rendimento dentro ou fora das quatro linhas.

A partir de 1914, foram criadas centenas de associações esportivas de âmbito popular filiadas às ligas independentes, entre as quais, a Liga Suburbana, uma das mais prestigiadas, fundada a 2 de março de 1915. Tamanha efervescência ensejou a Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT) a formular, em 1915, a segunda divisão e, em 1916, a terceira.

Em 1921, graças à profusão de clubes populares, a LMDT passou a organizar o Campeonato Carioca em duas séries: A e B. As sete agremiações mais abastadas integravam a Série A, enquanto as menores foram incluídas na B, com direito a acesso do campeão, por meio de repescagem, contra o último colocado da A.

No mesmo ano o lanterninha da Série A foi o Fluminense. Em 1922, o São Cristóvão e, em 1923, o Botafogo. O primeiro e o terceiro disputaram eliminatórias contra o Vila Isabel e o segundo contra o Vasco da Gama.

O Vasco, em 1923, ascendeu à Série A, disputando de forma inédita a elite do Campeonato Carioca. Já o Vila Isabel não obteve a mesma sorte, capitulando nas duas repescagens.


Torcida do Vasco relembra as origens do clube em São Januário.

Torcida do Vasco relembra as origens do clube em São Januário.

O Gigante da Colina, por conseguinte, escreveu páginas honrosas em sua história, sagrando-se campeão carioca em seu primeiro ano na divisão máxima. Tal feito provocou uma imediata reação nas hostes adversárias, que ante à conquista cruzmaltina, temeram ter que disputar a Série B.

Os chamados grandes clubes promoveram então um projeto diabólico por intermédio de Mário Pólo, do Fluminense, Antônio Avelar, do America, e Samuel de Oliveira, do Botafogo, que consistia em considerar profissionais os humildes jogadores dos pequenos clubes, cujos pecados eram apenas o de ganhar a vida fora do âmbito futebolístico. A medida, na verdade, visava atingir o Vasco da Gama, o qual tivera a ousadia de derrotar os chamados grandes clubes em sua primeira participação entre eles.

Coube a Samuel de Oliveira, em sindicância, apontar os supostos jogadores profissionais, todos pertencentes ao Vasco e às pequenas agremiações. Do America, Fluminense, Botafogo e Flamengo não apareceu sequer um nome. E eram justamente esses que a partir de 1913 mais profissionais introduziram ilegalmente no futebol.

A famigerada lista foi, portanto, apresentada por Mário Pólo em assembléia da Liga Metropolitana. Coincidentemente, não havia nenhum branco entre os indicados, apenas os chamados homens de cor. Ficou, então, comprovado o caráter racista da denúncia.

Os chamados grandes clubes, através de Mário Pólo, conclamaram os pequenos a afastar de seus elencos os supostos profissionais. Caso contrário, os grandes se retirariam da Liga Metropolitana para fundar outra entidade.

A decisão final foi tomada em assembléia geral e é tida até os dias de hoje como uma das mais emblemáticas e memoráveis. Mário Pólo era o líder dos chamados grandes clubes enquanto Barbosa Júnior, do Mackenzie, representava os pequenos. Pólo era um homem culto e se notabilizava pela excelente oratória. Já Barbosa Júnior, alto funcionário da Central do Brasil, era um político habituado a comícios em praça pública.

Para taquigrafar a ata da assembléia, Pólo trouxe uma funcionária da Câmara dos Deputados. Barbosa Júnior levou grande vantagem oratória sobre seu oponente, alegando que o propósito dos grandes clubes nada tinha de esportivo, era puramente racista.

A confusão foi tremenda. Mário Pólo pediu a suspensão da reunião por dez minutos na tentativa de acalmar os ânimos. Durante esse intervalo, chamou o então jovem Ari Franco, do Bangu, e ambos confabularam a sós.

Reabertos os trabalhos, Pólo, para salvar a situação, exclamou:

– O nosso propósito nada tem de racista. Tanto isso é certo que o Bangu tem jogadores de cor e acaba de aderir à nossa causa”, exclamou.

Tudo, porém, houvera sido combinado no momento, pois o Bangu fora um dos clubes mais atingidos pela nova ordem.


Ao ser posta em votação, a proposta dos grandes foi amplamente derrotada e rejeitada pela maioria. Os pequenos clubes, consequentemente, permaneceram na Liga Metropolitana, enquanto os grandes fundaram a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA).

Curiosamente, a ata dessa assembléia, realizada em 1924, não existe porque a tarquígrafa da Câmara dos Deputados nunca a transcreveu. No ano seguinte, Álvaro do Nascimento e o benemérito vascaíno Aníbal Artur Peixoto, em vão, tentaram obtê-la, mas a mesma desapareceu completamente por conveniência do astuto Mário Pólo.

O Campeonato Carioca da Liga Metropolitana passou a ser constituído por Vasco, Andaraí, Ríver, Vila Isabel, Carioca, Mackenzie, Mangueira e Palmeiras.

Os clubes nobres, conforme mencionado, criaram a AMEA, na qual alinharam Fluminense, Flamengo, São Cristóvão, Botafogo, Bangu, America, Helênico e Brasil.

A extinção da prática de racismo, em 1925, se deve, exclusivamente, ao presidente do Vasco, José Augusto Prestes, José da Silva Rocha, Barbosa Júnior e ao jornalista Álvaro Nascimento, com o apoio do jornal “A Pátria”, do notório cronista João do Rio.

LELÉ, O CANHÃO DA COLINA

por Walter Duarte


Muito me impressiona a dificuldade de tantos atacantes da atualidade em fazer gols e definir jogadas. Não canso de recordar artilheiros natos como: Roberto Dinamite, Romário e Ademir Menezes, que não vi jogar, entre outros. Se hoje o Vasco se sustenta com o Gérman Cano, no passado também teve o Lelé, o nono maior goleador da história vascaína com 147 gols. Essa lembrança ocorreu no bar do querido Seu Lenílson, vascaíno apaixonado, e também apelidado Lelé.

De forma incisiva, Seu Lenílson me chamou atenção pelo fato do Lelé ser natural de Campos RJ e ter sido seu companheiro de ótimas conversas. Rasgou elogios ao “Canhão da Colina”, adjetivo dado pelo potente chute de perna direita, sua maior virtude, além do oportunismo. Nascido em 23 de fevereiro de 1918, com o nome Manuel Pessanha, faleceu em 16 de agosto de 2003, aos 85 anos anos, na Cidade de Campinas SP.

Lelé começou no Madureira, clube revelador de talentos como muitos jogadores promissores do interior. Pelo tricolor suburbano do Rio de Janeiro, atuou de 1939 a 1943, juntamente com Isaías e Jair da Rosa Pinto. O cobiçado trio foi apelidado de “Os Três patetas”,  pela alegria de jogar, uma alusão à série humorística norte americana, sucesso no Brasil nas décadas de 40 e 50.


Com o desempenho arrasador destes atacantes, o técnico Ondino Vieira não titubeou e trouxe os três para São Januário, para compor o inesquecível Expresso da Vitória (1945 a 1952). O incômodo período sem títulos do Vasco desencadeou uma política de investimentos no chamado ” nfanto juvenil”, além da mescla com jogadores consolidados. Logo em 1945 Lelé emplacou a artilharia do Campeonato Carioca (13 gols), ratificando a sua fama de matador com um apetite insaciável de balançar as redes. Ao seu lado, ídolos eternos como Ademir Menezes, Barbosa, Friaça, Chico e Maneca construiram vitórias épicas, como na decisão do Campeonato Sul Americano de 1948 (precursor da Libertadores), contra o River Plate “La máquina”, de Di Stefano. Antes de sair do Vasco da Gama, Lelé conquistou os títulos Cariocas de 1945 e 1947, este último sem o mestre Ademir Menezes.

Outros clubes que defendeu foram:  Flamengo em 1948, Ponte Preta e São Paulo da capital (1950). Pela Seleção Brasileira, jogou nos anos de 1940 e 1945, iniciando a base da seleção vice-campeã em 1950, com presença marcante também na seleção metropolitana Carioca. Não atuou na Copa do Mundo, capitaneada por Flavio Costa,  seu técnico no Vasco, porém viveu todos os contornos de sofrimento da fatídica derrota para o Uruguai. Tínhamos na época o início da consolidação do Brasil como potência futebolística mundial. Uma substancial oferta de jogadores clássicos como o Heleno de Freitas, Danilo Alvim e Zizinho deram suporte para triunfos futuros.


Lelé vivenciou todo esse contexto, festejado pelos torcedores como jogador da “moda”, servindo até de inspiração para a famosa marchinha de carnaval “No boteco do José”, interpretada pela cantora Linda Batista, com composiçao de Wilson Batista, seu conterrâneo e também rubro-negro, curiosamente. Foi-se o tempo do romantismo do futebol e com ele a triste realidade da carência de artilheiros, no sentido amplo da palavra. Retornarei ao Bar do Seu Lenílson, para realimentar a saudade do bom futebol, junto aos parceiros Rogério Gama, Edno, Rodrigo Rios, Adir, Alex, Thiago e Raimundo. Nos embriagaremos de sonhos e nostalgia, neste mundo de plástico, e reviveremos histórias bonitas e originais como a do Saudoso Lelé. O homem que simplificava a arte de fazer gols.

 

No boteco do José.

 

“Vamos lá

Que hoje é de graça

No boteco do José

Entra homem, entra menino

Entra velho, entra mulher

É só dizer que é vascaíno

E que é amigo do Lelé…

 

Marchinha Carnaval de 1946.