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Vasco da Gama

GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA

por Marcos Vinicius Cabral


O Vasco da Gama vai disputar pela quinta vez a série B do Campeonato Brasileiro de 2022. A primeira queda foi em 2008, a segunda em 2013, terceira em 2015, em 2020 a quarta e neste ano de 2021 não conseguiu acesso. Mas o clube tem provado ao longo de sua história, que mesmo assim é diferente.

De pequeno ou médio, não tem nada, pois é GIGANTE na acepção da palavra. Definitivamente é.

Dos muros imponentes à fachada neocolonial portuguesa da sede, o Estádio de São Januário foi erguido em 1927 com a força braçal e o suor de muitos operários vascaínos.

Não é de se estranhar que, passados 94 anos, o GIGANTE da Colina, de muitas histórias, inúmeros títulos e grandes ídolos, se mobilize e conte mais uma vez com o apoio de sua imensa torcida.

Só ela pode ajudar. E ela responde.

Com um elenco limitadíssimo, uma folha salarial modesta e um planejamento de sair da série B, o Vasco hoje é uma dor que não desatina na alma e faz um estrago enorme do coração não só vascaíno, mas no do carioca.

Ser vascaíno dói, mas não ter um adversário à altura para disputar pau a pau as decisões de Campeonatos Cariocas como no passado, clássicos equilibrados nos Campeonatos Brasileiros da vida, dói mais ainda.

O torcedor do Club de Regatas Vasco da Gama foi o que ajudou na construção do novo CT e na estátua de Roberto Dinamite, maior jogador da história do Cruzmaltino e fez despertar um GIGANTE adormecido e preso pelas algemas do passado.

E esse despertar fez o clube de 123 anos, dar um salto que representou a maior adesão em massa a um programa de sócio-torcedor na história desse país, quando surgiu o programa na gestão de Fernando Carvalho, então presidente do Internacional, clube pioneiro nesta forma de contribuição em 2003.

Isso mostra o resgate do orgulho do vascaíno e, principalmente, demonstra para o mercado o potencial de mobilização, engajamento e impacto que só uma grande torcida como a do Vasco da Gama tem, que com seus 57.368 torcedores ocupa a 5ª colocação, ficando atrás dos 66.336 rubro-negros, 64 mil gremistas, 73.241 atleticanos e 75 mil torcedores do Internacional, líder.

Clube produtor de talentos como Barbosa, Acácio, Carlos Germano, Bellini, Ademir Menezes, Roberto Dinamite, Romário, Edmundo, Bismarck, Mazinho, Sorato, Felipe, Pedrinho, Philippe Coutinho e tantos outros, é preciso respirar ares menos poluídos que gestões passadas respiraram e olhar com seriedade para o futuro.

Nesta quarta-feira (1º), Ricardo Gomes disse não para o cargo de diretor-técnico, e é quase certo que o treinador seja o já conhecido Zé Ricardo, segundo palavras do mandatário do clube Jorge Salgado.

Mas desejo que o Vascão volte a ser o time temido pelos adversários e respeitado dentro de campo. A história não nos permite aceitar o encolhimento deste GIGANTE.

Afinal de contas, o Vasco merece estar na parte de cima da prateleira dos maiores clubes de futebol do mundo.

VASCO, TEMPO DAS CAMISAS

por Rubens Lemos


Tenho um saco imenso cheio de camisas oficiais do Vasco, duas delas, de uso em jogo, pelo maestro Geovani no bicampeonato carioca de 1987/88. Geovani é meu amigo, veio para o lançamento do meu livro Memórias Póstumas do Estádio Assassinado, em 2017 e dispensou hotel: ficou em minha casa, humildade transversa à pose dos pernas de pau que estão levando o cruz-maltino ao caminho da Série D.

Olhei cada camisa e nelas, senti o frescor da classe, da habilidade e da raça, três componentes fundamentais de um time que já se foi há pelo menos 21 anos, depois daquela decisão que Romário ganhou contra o São Caetano valendo o Campeonato Brasileiro de 2000.

De lá pra cá, apenas uma Copa do Brasil em 2011 com craques envelhecidos e competentes do naipe de Felipe, Juninho Pernambucano (hoje insuportável militante) e Diego Souza, que chutou nas mãos do corintiano Cássio, o título da Libertadores que, se fosse nosso, mudaria o curso do destino.

O pior da decadência é quando se torna banalizada. O Vasco se acostumou a ser um timeco. Faz tempo, afinal 21 anos é a maioridade absoluta de um ser humano no Brasil. Nunca mais surgiu um cracão, o máximo que saiu das bases foi Philippe Coutinho, bonzinho, habilidosinho, razoável. Dispensado pelo Barcelona.

Ao observar camisa a camisa, me revi no improvável título de 1982 sobre o Flamengo de Zico, no mencionado bicampeonato no qual jogou o melhor time que acompanhei: Acácio; Paulo Roberto, Donato, Fernando e Mazinho; Dunga (Henrique), Geovani e Tita (Bismarck); Mauricinho, Roberto Dinamite e Romário.

Em 1994, o Vasco venceu o único tricampeonato carioca de sua história, cinco anos depois de Bebeto levar o clube ao terceiro título nacional, tirado em lusitana malandragem do impoluto Flamengo.

Veio o Brasileiro de 1997, com Edmundo estraçalhando, a Libertadores do ano seguinte, de Donizete e Luizão, o Rio-São Paulo de 1999 e, finalmente, o Brasileiro de Romário em 2000. Camisas guardadas, foi-se o Vasco.

PENTA VICE É O …

por Luis Filipe Chateaubriand


Os vascaínos das antigas, como eu, estavam acostumados a ser “zoados” pelos rivais, sobretudo os rubro-negros.

Penta vices!

Não era verdade.

Nos dois Campeonatos Cariocas de 1979, fomos vice em um deles, no outro não fomos.

Tínhamos, então, quatro vices em cinco Campeonatos Cariocas disputados: 1978, 1979 (um dos dois), 1980 e 1981.

Eram, de qualquer forma, muitos vices.

Era insuportável a zoação dos vermelhos e pretos.

Só que a hora deles estava chegando…

Em 1982, foram à final o Vasco da Gama, o Flamengo e o América. 

Como Vasco da Gama e Flamengo venceram o América, os dois primeiros foram fazer o jogo decisivo.

Primeiro tempo morno e equilibrado.

Mas eis que, aos três minutos do segundo tempo, Pedrinho Gaúcho bateu escanteio pela esquerda, a bola veio fechada, e Marquinho raspou nela para fazer o gol, frente a um embasbacado Raul.

Era o gol do título, pois, dali para a frente, o Vascão segurou o jogo com força e galhardia.

Então, responde aí:

Quem é vice?

O CRAQUE DO BRASIL EM 1997

por Luis Filipe Chateaubriand


Em 1997, o melhor jogador do Brasil foi Edmundo.

Edmundo que fazia gol atrás de gol.

Edmundo que driblava como gente grande.

Edmundo que passava a bola com perfeição.

Edmundo que fazia tabelas e triangulações geniais.

Edmundo que executava lançamentos com maestria.

Edmundo que liderava o time do Vasco da Gama com soberba capacidade.

Pensando bem, Edmundo não foi o melhor jogador do Brasil de 1997.

Edmundo foi o melhor jogador do mundo de 1997.

E estamos conversados!

Luis Filipe Chateaubriand é Museu da Pelada!

NENHUM MAR DE HISTÓRIAS E GLÓRIAS FOI NAVEGADO SEM QUE NELE HOUVESSE O VASCO

Por André Felipe de Lima


Todo mar tem o azul, mas o meu mar, em especial, tem o negro e o branco. Um mar de todos, sem distinção

Assim se fez o meu Vasco, assim se faz o meu mar, assim se faz a minha memória ainda tenra e feliz

Por desde criança ostentar na alma uma cruz

Nunca a da sofreguidão ou mesmo a da dor. Mas a da fé, a da paciência e confiança no mar, o de águas brancas e negras, que na poesia apaixonada cabe, livre e desimpedido das amarras da lógica e das gramáticas. Livre dos chatos de plantão

A pressa única é ver o Vasco no dia seguinte a estampar em cores nos jornais a retumbante vitória.

A malta. A cruz de malta vermelha como o fogo

A nos aquecer de amor

Nem mesmo a fugaz e passageira derrota atormenta o meu mar

Aqui, nas águas jamais turvas, o brilho é eterno

Pois vamos a cantar todos de coração, que o pendão tremula e o navio segue, pois navegar é preciso

E o Vasco nunca omisso ou alheio ao meu amor, corresponde a cada grito, a cada canção

O Vasco é o meu primeiro amigo.

O Vasco é o meu irmão querido.