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VOZES DA BOLA: ENTREVISTA DADÁ MARAVILHA

30 / março / 2021


Dá, dá, se deu! E se deu em maravilha, de corpo e alma, por completo, e nos 15 clubes em que jogou foi amado, exaltado, reverenciado, idolatrado, e por incrível que pareça, foi convocado para uma Copa do Mundo pelo general Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), presidente do Brasil em 1970 nos tempos de regime militar.

Mas, se Dario José dos Santos não fosse jogador de futebol, seria um frasista. Não um qualquer, mas um feitor de frases antológicas como os tantos gols que fez em 20 anos de relacionamento com a pelota.”Bola, flor e mulher, só com carinho”, diria certa vez ao ser alçado ao posto de primeiro romântico no futebol brasileiro. Mas o camisa 9, ídolo no Atlético Mineiro de 1971 e Internacional de 1976, amou a bola de uma forma intensa, genuína, sincera.

Alguns artistas, sejam do cinema, da música, da TV, das artes cênicas ou plásticas, da literatura, ou até mesmo os de rua, populares e impopulares brasileiros até a medula, conseguem transformar a própria precariedade numa chama divina da invenção. Assim foi Dario, ou Dadá, como gosta de se chamado toda vez que escuta seu nome visitando seus ouvidos e retribui com um sorriso largo de orelha a orelha.

Mas se Dadá foi generoso, foi um químico quando inventou minuciosamente a fórmula P=gat2, onde P = persistência, gat2 = gols, artilharia e títulos elevado ao quadrado, fórmula tão eficiente quanto a E=mc2, considerada a mais célebre equação científica do século 20 que fora desenvolvida pelo cientista alemão Albert Einstein (1879-1955).

Foi se reinventando que o camisa 9 do Campo Grande-RJ, em início de carreira, travou duelos sofridos e romanescas com o destino. Desde muito cedo teve uma infância difícil e muito pobre. Foi criado na rua Frei Sampaio, em Marechal Hermes, subúrbio carioca.

Acostumado a incendiar as torcidas com seus 926 gols marcados pelo Brasil afora, foi por meio de uma tragédia familiar que quase lhe custou a vida. Dadá, com apenas cinco anos de idade, se abraçou a mãe com o corpo embebecido de querosene e em chamas querendo morrer com sua progenitora. A mãe, que sofria sérios problemas mentais, num rompante em sã consciência, e em favor do futebol, se desvencilhou do filho e, num ato (im)pensado salvou a vida dele lhe atirando na lama.

Daquela matéria orgânica viscosa e pegajosa, e com o coração partido em mil pedaços, ressurgiu das cinzas para encarar os marcadores implacáveis que o senhor destino colocava em sua vida. Enfrentou todos como os tantos zagueiros que o marcaram. A começar pelo pai, que sem condições de cuidar dos filhos sozinho, colocou ele e seus dois irmãos na Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor (Febem), instituto responsável pela reabilitação de menores infratores no Rio de Janeiro.

Os irmãos não moldaram sua personalidade, no entanto, a convivência com outras crianças e jovens que cometiam crimes não foi das melhores. O Exercito Brasileiro foi o subterfúgio para sair da bandidagem, e aos 18 anos, era considerado “ruim” pelos recrutas, mas conseguia fazer gols compensando a falta de técnica aliada com sua velocidade que compartilhava força e impulsão, qualidades herdadas das ruas em tempos sombrios.

Chegou ao Campo Grande, clube modesto do Rio, se tornou profissional e aos poucos, foi tirando da cabeça os traumas da infância e a vida bandida na adolescência. Mas foi contra o Botafogo, no Maracanã, naquele 19 de dezembro de 1971, que Dario, o Peito de Aço, usou essa mesma cabeça para dar ao Clube Atlético Mineiro o seu primeiro e único título do Campeonato Brasileiro.

“Nunca aprendi a jogar futebol, pois perdi muito tempo fazendo gols”, disse certa vez o irreverente, goleador, frasista, folclórico e campeão Dadá Maravilha, nosso 31° personagem da série Vozes da Bola.

Por Marcos Vinicius Cabral e Gabriel Gontijo

Edição: Fabio Lacerda


Dadá, muitos pensam que você é mineiro, mas na verdade você é carioca nascido em Marechal Hermes. E na tua infância você passou por muitas dificuldades e ainda perdeu tua mãe com o corpo literalmente em chamas. Como foi essa situação para você como criança?

Em primeiro lugar agradeço a Deus e digo a todos que me acompanham que ganhei experiência por ter vivido tantos percalços na vida. Vida difícil, diga-se de passagem, como o triste episódio em que a minha mãe, que era doente mental, se suicidou ateando querosene no corpo. Mas mesmo com o corpo em chamas conseguiu me salvar, pois quando vi aquela cena trágica me agarrei a ela com todas as minhas forças e com meu corpo também em chamas ela me empurrou na vala. O gesto salvou minha vida. Então, minha mãe é um grande exemplo que eu jamais vou esquecer.

Como você já falou em algumas entrevistas, a morte da tua mãe te deixou muito revoltado e foi uma espécie de “empurrão” pra você entrar na criminalidade. Apesar dessa revolta pessoal, qual era o tipo de crime que você se recusava a cometer enquanto estava trilhando um caminho errado?

Eu entrei na vida do crime sim, no entanto, muitas coisas eu me negava a fazer: estupro, botar arma na cabeça dos outros, usar da violência e desrespeitar o cidadão, fazer covardia, tirar a vida de alguém. Isso eu jamais fiz!

O que te motivou a sair do crime foi a fuga de uma tentativa de assalto a um armazém. Você conseguiu escapar vivo porque corria em ziguezague dos tiros disparados pelo dono do estabelecimento, apesar de um comparsa ter sido atingido e morrido na hora. Isso foi o ponto de partida pra você mudar de vida. Como surgiu a oportunidade de ir para o Campo Grande, clube do subúrbio do Rio?

É verdade. Minha vida era muito difícil, tenho que admitir! Quando eu realizava assaltos, eu achava que estava sendo perseguido e que havia chegado o momento de escolher um lado para que eu não fosse julgado como um bandido que eu era. Essa fato foi apenas um dentre tantos outros. Mas o futebol entrou na minha vida no Exército e foi lá nas Forças Armadas que eu coloquei em prática a velocidade louca de correr da polícia, a impulsão de pular muros e subir em árvores. No Exército despertou a vontade de ser alguém respeitado na vida mesmo com estudos defasados – estudei até a oitava série. O Campo Grande foi a porta de entrada no futebol que acabou sendo a solução que o Dadá encontrou para salvar sua vida.

Durante seu período como interno na Escola XV, em Quintino, Zona Norte do Rio, você conheceu Zico e seus irmãos, de quem se tornou próximo. O que a família Antunes representou na sua vida?

Bem, eu era um cara muito confuso ainda. Foi quando dei a sorte no colégio em fazer um jogo contra um time que tinha o Antunes, o Edu e o Zico, três cracaços fabulosos de bola. O Antunes era um centroavante goleador e não tendo um zagueiro, me colocaram de beque-central para marcá-lo. Basta dizer que ele deitou e rolou em cima de mim. Lembro que eles venceram por 4 a 0 e eu bati muito no Antunes nesse dia. E quando acabou o jogo eu me dirigi para falar com o Antunes para pedir desculpa pelos pontapés que eu dei e ele virou e falou: “Garoto, posso te dar um conselho? Você de zagueiro não vai arrumar nada, você é horroroso. Agora você tem uma velocidade boa e uma impulsão melhor ainda. Se treinar, um dia poderá ser um grande jogador!”. E o Zico, que era pequenininho, ficava fazendo embaixadinhas e eu corri para dar uns cascudos nele. Aí o Antunes e Edu me juraram e disse que se eu encostasse no Zico eu apanharia dos dois Aí eu pipoquei, né? (risos). O Antunes me deu uns conselhos que eu segui e virei um jogador de futebol.

Verdade que você só foi aprovado pra jogar no Campo Grande depois do 7° teste e porque o treinador disse que iria te aprovar pela tua insistência, já que você era “muito ruim”?

Foi verdade. Quando eu cheguei na sétima vez para treinar o cara lá que fazia as peneiras torceu o nariz, coçou a cabeça e falou: “Meu Deus, lá vem esse negão de novo, esse garoto é ruim demais”. Aí eu pedi para ele: “Poxa, me dá mais uma chance e que seja a última. Eu preciso dessa chance”, implorei. Aí o treinador chamado Gradim viu e disse: “Traz o menino”. Eu entrei no segundo tempo no time reserva que perdia por 2 a 0 para o titular, e o treinador me deu a chance. Fiz os três gol da nossa vitória de virada. O Gradim ficou impressionado com a minha velocidade e a minha impulsão. Aí, ele foi no presidente e falou assim na minha frente: “Seu presidente, ele é ruim, ou melhor, ele é péssimo,mas com essa velocidade e impulsão, se eu treinar esse garoto eu tenho certeza que ele vai dar resultado. O senhor pode fazer um contrato de curto prazo”, disse acreditando em mim. Aí o Nílson, centroavante titular se machucou e eu entrei no time e comecei a danar de fazer gols. Foi assim.


Como foi sair do modesto Campo Grande e ir jogar no Atlético Mineiro? Quem o descobriu?

O Campo Grande foi fazer uma preliminar no Maracanã de um Fla-Flu e o nosso centroavante Nílson estava machucado. O Gradim, nosso treinador, não tinha quem colocar e esse Nílson pediu para me dar uma chance. Entrei como titular no jogo e o Maracanã tinha mais de 150 mil pessoas. Eu dei a maior sorte porque o Gradim falou na preleção: “Olha, vamos explorar esse menino e cruzar na área para ele. A velocidade e a altura são as qualidades que ele tem de melhor. Vamos aproveitar isso”. Eu fui muito feliz porque o Campo Grande ganhou de 4 a 2 o Bonsucesso, que estava com o moral elevada, pois havia vencido o Flamengo e o Fluminense. Era a zebra do campeonato. E lembro que nesse jogo eu fiz os quatro gols do Campo Grande, e em cada gol marcado, eu saía correndo igual um louco para comemorar com a torcida do Flamengo e com a torcida do Fluminense. E os torcedores não sabiam o meu nome, mas sabiam que eu fazia gols e começaram a gritar: “Dá no 9, dá no 9, dá no 9!”, e aquilo me motivou bastante no jogo. O Campo Grande ganhou. Para minha surpresa quando terminou o jogo, indo para o vestiário, um senhor me cutucou e disse na frente do Gradim, nosso treinador: “O 9, eu acabei de te contratar para jogar no Atlético Mineiro”. Eu olhei assim e tomei um susto, pois naquela mesma semana Atlético Mineiro e Cruzeiro decidiam o título e a Raposa se tornou campeã. Eu lembro que fiz a seguinte pergunta para aquele dirigente: “Esse Atlético Mineiro é aquele time em que a torcida fica igual a uma maluca gritando Galo, Galo, Galo? Ele respondeu: “É. É para lá que você está indo”. Quando cheguei no Clube Atlético Mineiro o treinador Yustrich me contou que o Gradim, nosso treinador no Campo Grande, havia ligado para ele e dado as minhas características. Ele me disse que seríamos campeões e me utilizaria. E foi o que o Telê Santana muito sabiamente fez.

O torcedor atleticano, até hoje, não esquece do gol de cabeça que você fez em cima do Botafogo em 1971 dando o primeiro Campeonato Brasileiro para o Atlético Mineiro (num triangular final disputado por São Paulo, Atlético e Botafogo). Além desses gols, eles não se esquecem do seu retorno, já veterano, em 1979, para suprir a falta de Reinaldo contundido, e conquistar o bicampeonato mineiro que terminaria só em 1983 com o hexacampeonato, maior seqüência em Minas Gerais na era profissional. Como foram esses dois momentos?

Inesquecíveis, posso assim dizer. Eu fico feliz em falar que, em 1971, quando foi a glória maior do Clube Atlético Mineiro na sua história, ou seja, campeão Brasileiro numa época em que os melhores jogadores jogavam no país. Com isso, a responsabilidade de cada jogador aumentava, e eu com esse aumento de responsabilidade, achei que o Atlético Mineiro seria campeão. Tanto que eu dei uma entrevista dizendo que o Galo seria campeão brasileiro, eu o artilheiro, e faria o gol de título. E aí? Tudo isso aconteceu! Eu nunca deixei de ser um profissional e aproveitando a entrevista para o Vozes da Bola do site esportivo Museu da Pelada, eu queria falar de 1978. Naquele ano foi uma campanha maravilhosa para mim, pois o Atlético foi surpreendido pelo Cruzeiro um ano antes, em 1977, e ganhou o título. O Dadá veio para substituir o brilhante Reinado, que estava machucado e já coloquei na imprensa aquela frase. Lembro perfeitamente que me reuni com o Procópio e os jogadores e falei que a gente ganharia aquele campeonato de qualquer maneira. E ganhanos do Cruzeiro que era favorito. Eu quero deixar bem claro para cada um dos leitores que vão ler essa entrevista, que eu sou um homem realizado e muito agradecido ao Clube Atlético Mineiro, onde cheguei sem moral. Mas eu e meus companheiros batalhamos e conseguimos reverter esse cenário. Algumas pessoas se tornaram importantes como o Lola, um amigo pessoal. As duas conquistas colocaram o Dadá no coração dos atleticanos.

Dadá, em toda a entrevista que fazem contigo, falam da convocação para a Copa de 70 após a demissão do João Saldanha. Vou tocar nesse assunto, mas de uma forma diferente. Qual foi a notícia na imprensa sobre isso que mais te machucou e de que forma você conseguiu superar esse assunto consigo?

Numa boa. A minha convocação para a Seleção Brasileira de 1970 aconteceu pelos inúmeros gols que fazia na época. Lembro que era o jogador que mais fazia gols no mundo. Mas teve uma discussão que envolveu o Presidente da República Emílio Garrastazu Médici, queria ver os gols de Dadá na Seleção e repercutiu isso na imprensa. Houve um mal-entendido, pois o presidente expressou a opinião dele como um torcedor e não como um político. Mas a população toda do Brasil queria ver Dadá em gramados mexicanos e que problema há nisso? Eu fui um jogador que dei alegria a todos os brasileiros que gostam de ver o gol que é a parte mais importante desse esporte no qual somos apaixonados. Mas eu penso que tudo aconteceu e me deu experiência para novas conquistas. Depois desse episódio eu me tornei o jogador mais artilheiro do futebol brasileiro.


O bicampeonato do Internacional foi em 1976 com um gol de cabeça e o outro de Valdomiro em cobrança de falta contra o Corinthians. O que lembra desse jogo?

Foi um gol que eu subi e parei no ar. Tive oportunidade de ver os meus filhos e naquele momento disse para mim mesmo: “Eu tenho que defender o leite das minhas crianças”. Dei uma cabeçada de 800 megatons e depois corri, desenfreadamente, uns 100 metros em 10 segundos até o goleiro Manga para comemorar. Mas era preciso tamanho esforço para comemorar um golaço daquele. Eu gostaria de citar o Internacional de 1976 que marcou muito a minha vida. Marcou tanto que acabou sendo considerado o melhor time da década, e nós fomos campeões em cima do fortíssimo Corinthians numa partida sensacional. E o Dadá, sempre ele, fez o gol inicial de cabeça. Depois o Valdomiro fez o segundo e ficamos administrando os minutos tensos daquele jogo e nos sagramos campeões. Agora o Campeonato Brasileiro que terminou recentemente, haviam dois disputando o título: o Internacional e o Flamengo. Em cada rodada a competição se desenhava de uma maneira diferente e quem ganha com isso é o torcedor, pois nesses últimos jogos que a gente tá vendo na TV está havendo um futebol de primeira classe e de uma categoria que merecem aplausos. Uma pena o Colorado não ter saído da fila. Uma pena mesmo!

Em uma partida válida pelo Campeonato Pernambucano de 1976, você marcou 10 dos 14 gols do Sport na vitória sobre o Santo Amaro. A marca histórica superou os feitos de Pelé e Jorge Mendonça, que marcaram oito gols em uma mesma partida. Quais as lembranças dessa partida memorável?

As lembranças são as melhores possíveis. Se lembrar um gol do Dadá é bom, imagine você lembrar de 10? Mas essa história começou seis anos antes, para ser mais exato. Um bate-papo informal com o Pelé na Copa do Mundo de 1970, o Rei, este que é ídolo do Dadá e de todo mundo. Eu fiquei sabendo de um recorde dele em ter marcado oito gols numa partida e não me contive. “Vou bater teu recorde de gols numa partida, que valer”? Ele riu. E eu gostei desse riso dele, porque o Dadá sempre falou as coisas e quando as pessoas riam, o Dadá ia lá e cumpria. Então eu falei assim: “Negão, e se eu fizer mais gols que você em 90 minutos, você me manda um telegrama”? Ele não titubeou: “Lógico que mando”. O tempo passou e aquilo ficou marcado no coração e na mente de Dadá. Em 1976, no Campeonato Pernambucano, numa partida contra o Santo Amaro, me deu um estalo: “Vai ser hoje”, prometi, e dos 14 gols eu fiz 10. No outro dia liguei para o Pelé e falei: “Negão, aqui é o Dadá, lembra que te falei na Copa do Mundo de 1970, que marcaria mais gols que você numa partida e você disse que me enviaria um telegrama? Pois é, fiz 10 contra o Santo Amaro pelo Campeonato Pernambucano, no dia 07 de abril, na Ilha do Retiro. E agora, vai me enviar o telegrama”? Ele respondeu: “Dadá, eu prometi e vou cumprir”. Dito e feito. O telegrama está no meu livro “Dadá Maravilha”, que foi escrito por Lúcio Flávio Machado, da editora Dele Rey, em 1999, e por ser amigo do Pelé, isso valorizou a história, o recorde dele que foi batido por mim. Hoje me dá um imenso orgulho em afirmar que sou recordista e o jogador que mais gols fez numa partida de futebol.

De todo o grupo de 70 com quem você cultiva uma relação de amizade e mantém contatos até hoje? E, por ventura, com quem você se decepcionou e prefere se manter distante?

Sou amigo de todos e todos são amigos do Dadá. Em 1970, não era só um time, era uma família. A CBF mantém até hoje essa amizade viva entre nós, fazendo reuniões semanais com os jogadores e estamos sempre juntos. A nossa amizade é muito grande e que isso sirva de exemplo para essa juventude.

Você nunca escondeu de ninguém que torce pelo Atlético Mineiro. Mas na tua infância no Rio qual era o time que fazia teu coração bater mais forte?

Eu tenho um carinho muito grande pelo Atlético Mineiro por ter me colocado na prateleira de cima dos grandes artilheiros do futebol brasileiro. Mas em Marechal Hermes, Zona Norte do Rio, eu torcia para o Club de Regatas Vasco da Gama.


E ter jogado no Flamengo, como foi?

A ida do Dadá para o Flamengo foi um momento muito importante da minha vida pessoal e na carreira. Eu havia saído do Campo Grande para o Atlético Mineiro como um desconhecido e quando fui para a equipe Rubro-Negra, eu era tricampeão mundial, campeão brasileiro e cheguei na Gávea com muita fome de gols. Aí, depois joguei com Zico, com Paulo César Caju, com Júnior e outros jogadores extraordinários. Só tenho a agradecer a Deus por tudo que o Senhor fez na minha vida.

Qual a sensação de ser o quarto maior artilheiro do futebol brasileiro com 926 gols, ficando atrás apenas de Romário com 1002 gols, Pelé com 1284 e Arthur Friedenreich, 1329?

Uma sensação maravilhosa, pois ficar entre os quatro maiores goleadores do futebol pentacampeão mundial é muita honra para o Dadá, que foi o máximo como jogador!

Mesmo com uma carreira vitoriosa, com inúmeros títulos, você confessou uma frustração profissional: nunca ter jogado no Corinthians. Teve algum momento em que isso quase aconteceu? E se teve, por que não foi adiante?

Verdade. Joguei nas grandes forças do futebol brasileiro, no entanto, em São Paulo, faltou o Corinthians. Em 1976, eu estava no Internacional e o Corinthians tentou me contratar, mas a torcida Colorada não permitiu. Uma pena!

Dos mais de 15 clubes em que jogou qual é o que você guarda com carinho e o que não gosta de lembrar?

Olha, todos moram no coração do Dadá e lembro deles com carinho. Tive a oportunidade de jogar em 15 clubes no Brasil e a felicidade de ser campeão em quase todos. Mas consegui ganhar algo mais importante do que títulos, vitórias e gols, que foi o respeito do torcedor. Os times merecem que o jogador dê tudo de si, e o Dadá deu o seu máximo por onde passou. Estou feliz!

Quem foi o grande treinador de Dadá?

Na minha carreira esportiva, tive bons treinadores que fizeram a diferença e melhoraram o desempenho do Dadá. Posso citar alguns deles, como: Telê Santana, Zagallo, Yustrich, Procópio Cardoso, Rubens Minelli. Todos deixaram suas marcas no futebol brasileiro.

E o grande ídolo?

Ídolo não, grandes ídolos: Pelé, Falcão, Zico, entre outros.

Como tem enfrentado o isolamento social do Covid-19?

Estamos passando por um momento muito delicado, mas eu confio na vacina. Espero que a gente possa voltar a se abraçar, se aglomerar, se amar e dar e receber carinho, pois é o mínimo que eu desejo a todos. A família está em primeiro lugar e a gente tem que saber que dias melhores virão, porque Deus é Pai.

Como você definiria Dadá Maravilha em uma única palavra?

Máximo (risos).

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