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O VITORIOSO E ABNEGADO MANOEL DE ALMEIDA

20 / maio / 2020

por André Luiz Pereira Nunes


Em 15 de outubro de 1988 faleceu Manoel Ferreira de Almeida. Foi enterrado no Cemitério Jardim da Saudade. Sua ausência abriu uma grande lacuna, pois fôra a maior liderança e a maior prestação de serviços a qual o futebol amador carioca poderia legar. O seu atual anonimato é uma das muitas injustiças que o esporte por vezes proporciona. Homem realizado profissionalmente, além de desportista nato, sempre esteve presente aos estádios para fazer o que mais gostava: comandar times. Contudo, a sua paixão jamais enveredou pelo profissionalismo. Gostava do futebol amador e, qualquer que fosse o clube, vestia a camisa com honradez e dignidade como se fosse a sua segunda pele.

De fácil comunicação, sabia cativar os jogadores e transmitir as suas recomendações. Formava equipes sempre com o intuito de vencer, pois jamais se contentava em ser um mero partícipe. Ainda chegou a cartola, no bom sentido, quando em 9 de março de 1972 assumiu a presidência do Atlético Clube Nacional, levando o clube de Ricardo de Albuquerque às maiores conquistas do extinto Departamento Autônomo, este tornado posteriormente Departamento de Futebol Amador da Capital e vinculado à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.

Quando resolveu presidir o Nacional, descobriu que a agremiação da Estrada do Camboatá não dispunha de água, luz, esgoto, vestiários e tampouco da escritura do terreno. Para piorar, havia uma dívida de 18 milhões de cruzeiros. Sem nenhum esmorecimento, resolveu arregaçar as mangas e criar um grupo de trabalho composto por 38 fiéis colaboradores. Após nove meses, tudo estava sanado e o caixa ainda contava com 25 mil cruzeiros. Em fevereiro de 1983, lançou a pedra fundamental do ginásio contando com a colaboração do então presidente do Vasco, Agathyrno da Silva Gomes. Sete meses depois, o conjunto The Fiver’s abrilhantou a festa de inauguração. Ainda em 1972, dirigiu o time em um torneio de clubes profissionais, o Otávio Pinto Guimarães, conquistando a segunda colocação e ainda incluindo o clube na loteria esportiva, um feito inédito e notório. Também ganhou os títulos de campeão de juvenis, amadores e da Taça Disciplina e Eficiência.

Tendo levado o Nacional às grandes vitórias, lamentava-se da decadência causada pelas posteriores gestões. Sempre enumerava os chamados coveiros e essa foi a principal tônica levantada em várias rodas de conversa formadas em seu enterro.

Após a experiência fora dos gramados, voltaria a atuar como técnico, alcançando sempre êxito no comando das equipes. Entre os inúmeros títulos, vale ressaltar o de 1977, pelo Nacional, quando bateu na final o glorioso Oriente, no campo do America. Já em 1982, após ser vice no ano anterior, foi campeão amador pelo Pavunense, em antológica decisão, em Moça Bonita contra o Oriente, transmitida de forma inédita pela Rádio Nacional. Em 1986, à frente do Francisco Xavier Imóveis, já bem idoso, apossou-se de seu último troféu no futebol amador da capital.

Manoel de Almeida nunca viveu do futebol. Pelo contrário, viveu para o futebol. Por 48 anos foi funcionário de primeiro escalão do Laboratório Schering, criando ainda um time da empresa, o qual se sagrou bicampeão de um certame classista.

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