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NEY RIO: A PEÇA QUE FALTAVA

17 / novembro / 2020

por Jonas Santana


O conjunto estava em polvorosa. Todo mundo na expectativa do anúncio da mais nova contratação do time da rua A. Tratava-se nada mais, nada menos do Nego Jordan, um jogador com experiência internacional e que, por motivos pessoais, tinha deixado o futebol profissional para desfilar seu talento naquele clube.

E não se falava noutra coisa a não ser no jogo do domingo, jogo de estreia daquele que estava sendo cotado como o Neymar daquelas plagas. Tanto que queriam mudar seu nome para Ney Rio, numa comparação com o camisa dez da seleção brasileira e do Paris Saint Germain – time francês de futebol. Tal acontecimento dava uma ideia da proporcionalidade entre os dois atletas, sendo um do rio (não o de janeiro) e o outro do mar, mas todos dois eram Ney. Pelo menos na cabeça da torcida.

Mesmo com os mais afoitos torcedores, dos quais Galego era o mais barulhento, a gritar “Jordan, Jordan,  Jordan”, cujo nome era igual ao do grande volante e lateral esquerdo que brilhou na década de 50 no time do Flamengo e na seleção brasileira, nosso astro também jogava naquela posições, mas atuando como segundo volante (daí o Ney Rio) ao lado do grande Saulo Ceroula. 

Como sói acontecer, sempre acontecia algum fato inusitado naquele time formado por Raimundo Quiabo no gol, Léo Bolinha, Todo-Duro, Lila, Pedro Preto, Dirran, Nerrôda, Vevé, Saulo Ceroula, Zé Rosca e agora o Jordan, digo, Ney Rio. Iria acontecer algo, era só questão de tempo.

E a estreia do Ney Rio foi discreta, embora esperassem os torcedores uma apresentação de gala. Mas eles sabiam que ainda iria surgir o inusitado. E assim foi.    

No quarto jogo nosso craque mostrou a que veio. Inteligente e já em sintonia com Vevé e Zé Rosca deixava a cada jogada um ou dois adversários para trás, imprimindo ritmo e velocidade ao jogo, fazendo com que o time jogasse como “por música”. E foi nesse jogar com harmonia quase orquestral que Ney Rio recebeu uma bola açucarada, como se dizia antigamente, de Zé Rosca. Realmente, o lançamento havia sido milimétrico e encontrou o peito do nosso jogador que, mesmo antes de ela cair (a bola) alçou-a a um ponto mais alto, o que fez com que dois dos seus adversários viessem como piratas ou zumbis ensandecidos em busca de suas canelas. Ato contínuo, Ney deixa seus algozes no chão com um drible de corpo e lança a bola que, não se sabe se premeditadamente ou não, bate na cabeça do juiz, e sobra para Nerrôda que descreveu a cabeçada como um passe magistral para ele, sendo seu apenas o trabalho de enfiar para as redes. Enquanto o time comemorava mais um tento, o outro time estava mais preocupado em desfazer a trança em que se transformara as pernas dos zagueiros e do goleiro.

Ocorreu que ao dar seu drible genial, nosso craque conseguiu que se enredassem os dois jogadores e mais o goleiro, num verdadeiro desafio às leis da Física. O fato é que a jogada ficou conhecida como as tranças da bola e muitos tentaram realizá-la, sem sucesso.

Pouco tempo depois nosso atleta abandonou os campos e se tornou surfista. Se cuida, Medina. 

Jonas Santana Filho é escrito, funcionário público, Gestor esportivo amante e apaixonado por futebol e marketing.

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