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LEMBRANÇAS DO MARACA SETENTÃO

8 / janeiro / 2020

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::


Na semana passada, lembrei que em 2020 comemora-se os 50 anos da conquista do Tri, uma data especialíssima. Assim que a coluna foi publicada várias pessoas me enviaram zaps alertando sobre o aniversário de 70 anos do Maracanã.

Mas, peraí, como me esqueceria disso se eu e o ex maior estádio do mundo temos algo em comum? Eu e o Maraca nascemos no mesmo dia, 16 de junho!!! Por isso, amo tanto esse lugar e me revoltei com a plástica de quinta categoria que o submeteram. Virou uma arena como outra qualquer, bonitinha mas ordinária.

Os estádios precisam ter alma, devem nos arrepiar da cabeça aos pés e despertar a emoção dos cronistas. A magia deve prevalecer. A arquibancada pode ser de cimento desde que seu coração esteja confortável. Quando eu corria pela ponta-esquerda (beirinha é o…..) e o geraldino me xingava a resposta vinha com um drible desconcertante, um balão, uma caneta. A ira transformava-se em idolatria e eu virava rei. Radinhos de pilha eram arremessados no campo, mas no fim do jogo eu ganhava um motorádio e tirava onda. Ganhei mais de 20!

Na minha estreia, no Maracanã, pelo meu Botafogo, guardei três contra o América e saí campeão! Perdi as contas de quantos gols fiz no Andrada e de quantos pisões levei do Moisés. Quando Francisco Horta me trouxe de volta ao Brasil e troquei o Olympique de Marselha pela Máquina Tricolor, a diretoria do clube preparou uma grande festa no Maraca e vencemos o poderoso Bayern de Munique, 1×0.

Esse estádio meu deu muitas alegrias, mas também sofri. E não foi pouco. Estava naquele desastroso 6×0 do Flamengo contra o Botafogo e na dura derrota do Botafogo contra o Fluminense na final do Carioca de 71. Nesta última, fomos prejudicados pela arbitragem e fiquei dez minutos chorando no campo sem conseguir levantar, após o apito final. Waldir Amaral narrava um tempo e Jorge Curi o outro. Mário Vianna comentava e Armando Marques distribuía cartões. Quanta saudade, meu Deus!

O Maracanã, patrimônio do futebol, jamais poderia ter sido modificado. Era um templo, virou boutique. Pelo Flamengo, ganhei um Torneio de Verão contra o Santos, de Pelé, e o Benfica, de Eusébio. Ouviram bem isso? Pelé e Eusébio! Também no Maraca, participei de um treino aberto da seleção brasileira, preparatório para 70. No intervalo, Zagallo me chamou e disse que colocaria Arílson no meu lugar. Na frente de Arílson, avisei ao Velho Lobo que não sairia, que ele escolhesse outro, Kkkk!!! Me dava muito bem com Zagallo e para evitar confusões ele pediu para Arilson dar mais um tempinho no banco.

No Vasco, formei meio-campo com Guina e Pintinho, tá ruim? As charangas nos injetavam emoção, bandeiras gigantes coloriam o velho Maraca e os camisas 7, 8, 10 e 11 davam seus shows particulares. Os cinegrafistas do Canal 100 à beira do campo flagrando as pernas bailando, o povão extasiado, Brito dando uma espanada na área, Eduzinho furando as defesas e Fio Maravilha inspirando Jorge Ben…”Fio Maravilha faz mais um pra gente ver…”.

Ele fazia e o Maraca tremia como tremiam nossos corações.

TAGS: PC Caju

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