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BARCELONA X SANTOS

17 / dezembro / 2019

por Serginho 5Bocas


Antes do jogo…


já havia uma “quase” certeza de que o Barcelona venceria o Santos, até com uma certa facilidade. Só não podíamos acreditar cegamente no óbvio porque o futebol vive nos pregando peças, é um dos poucos esportes em que o mais fraco pode vencer o mais forte. O Barcelona tem uma equipe fortíssima e tem no banco de reservas outros talentos que não deixam a “peteca” cair, já o Santos se agarra em dois ou três talentos individuais para resolverem tudo, é muito pouco. Infelizmente não deu a zebra que recentemente fez o Inter vencer o próprio Barcelona e o São Paulo vencer o Liverpool. O futebol não mudou, continua a ser um esporte simples e belo, o que mudou foi o ator principal, o protagonista, agora quem dá as cartas, são os espanhóis, não mais os brasileiros. 

O jogo…

foi a vitória de um time sobre outro, não do talento individual de Messi ou de outro jogador, foi a vitória de um conjunto das individualidades. O Messi não consegue conduzir a Argentina ao topo não porque “amarela”, mas porque não tem tão boa companhia dos hermanos e os técnicos argentinos não conseguem formar uma grande equipe, apesar de possuir bons jogadores. Xavi e Iniesta sozinhos são bons jogadores, não são craques fabulosos, mas quando estão juntos ficam fortíssimos. Puyol, Abidal, Mascherano e todos os outros jogam na defesa azul e grená não são objetos de desejo de outros clubes, se saem bem porque existe um sistema de jogo que facilita e potencializa suas virtudes e mitigam seus defeitos, existem muitos zagueiros melhores do que eles. Acho que o mérito foi do futebol (ainda bem), pois dá uma tristeza muito grande quando equipes medíocres vencem as que jogam bola, perpetuando o futebol de resultados.

O estilo…


do Barcelona é tocar a bola com calma e qualidade, mantendo a posse dela em primeiro lugar, quando perde a posse, sai em bloco em busca de recuperá-la encurralando quem está com ela, assim, o adversário dificilmente dará seqüência de jogo e a bola fatalmente voltará a seus pés, num circulo vicioso, virtuoso e vital para atingir seus objetivos, pois só cria oportunidade quem está com a bola. Quando o ataque adversário supera sua linha de sete jogadores de “blitz”, os três que jogam de zagueiro não possuem o menor escrúpulo em fazer falta simples com o intuito de parar a jogada e dar tempo da equipe voltar por completo. Eles descansam quando estão com a bola e se esforçam muito, correndo demais para tê-la de volta quando a perdem, assim conseguem imprimir um ritmo forte até o final do jogo. Sempre que estão com a bola, os que não estão com ela no pé, se deslocam constantemente facilitando recebê-la, nada de novo, só que muito difícil de reproduzir, ou alguém esqueceu da velha máxima: “quem desloca recebe, quem pede tem preferência”, velho como amarrar cachorro com lingüiça. 

Messi x Neymar

é até covardia comparar um com o outro por apenas este jogo. O Messi joga no melhor time do mundo e o Neymar joga num time que hoje não é nem o melhor do Brasil. Sem contar que Messi já tem mais de 24 anos, tendo ido a duas Copas do Mundi e vencido vários títulos que ainda faltam a Neymar. Hoje Messi é indiscutivelmente o melhor, se alguém ainda tinha dúvidas, neste domingo foram dirimidas. Neymar tem apenas 19 anos e já é um dos grandes, é uma grande promessa sem dúvida e quem sabe poderá suceder Messi no trono. Mas a estrada é longa. 

Os times

Barcelona é um time rico que oferece a seu treinador o que há de melhor para jogar e o Santos é um time pobre que tem feito engenharias financeiras para tentar manter seu melhor jogador. Há um enorme abismo entre as duas equipes. O Santos poderia ter vencido por sorte num contra-ataque bem encaixado, assim como o São Paulo e o Inter de Porto Alegre fizeram recentemente, mas não mudaria a verdade óbvia de quem é o melhor time do mundo neste momento. Vimos que a cada ano fica mais difícil para os times do Brasil e da America do Sul vencerem a final do mundial, daí a virada dos europeus em número de conquistas mundiais. Infelizmente a tendência é a de que esses números se ampliem mais ainda com o tempo. No Brasil falta mais talento fora de campo do que dentro, infelizmente.

Os treinadores

Muricy ficou imobilizado, não sei se encantado ou apavorado com o que estava presenciando. Tudo que ele aprendeu durante estes anos foi pouco perante o time que enfrentou. Não dá para comparar as estruturas que ele e Guardiola possuem, mas ficou claro que o time catalão tem a cara do treinador. Um futebol simples e objetivo em que prevalece a qualidade técnica dos jogadores e muita movimentação. Reparem que no meio de campo deles, não tem nenhum daqueles cabeças-de-área (argh!) ou volantes de contenção, que estamos acostumados a ver desfilarem pontapés por aqui e acharmos normal e no ataque fiquei procurando o centroavante paradão esperando aqueles cruzamentos que dificilmente os encontram e não encontrei-o até o fim da partida. São vários jogadores chegando ao ataque e voltando rapidamente para defender. Volto a repetir que isso não é novo, estava esquecido, enterrado pelos grandes mestres do apocalipse do futebol romântico. Agora o melhor disso tudo é que não vimos aquela gritaria de beira de campo dos técnicos tão comum no campeonato brasileiro. Guardiola dava algumas instruções de vez em quando ao jogador mais próximo à linha lateral e Muricy ficou estático dentro do seu boné sem expressar aqueles palavrões que costuma proferir a beira do gramado. Ficou provado que técnico não ganha jogo esperneando a beira do campo, mas muito antes da partida começar, isso me deu saudades do mestre Telê, que durante a semana orientava bastante e durante o jogo, ficava quieto e estático no banco de reservas. 

A lição


que bom que aconteceu em 2011, assim teremos tempo de refletir sobre o que temos jogado ou o que não temos jogado e pensamos que jogamos. O futebol brasileiro estava presente, só que do outro lado do campo. Agora é reaprender a andar. 

A escola

O Barcelona não trouxe algo totalmente novo, exceto pela forte marcação que imprime o jogo todo e a doação de seus jogadores na mesma proporção. Fazer questão de ter mais posse de bola é uma característica antiga, que foi resgatada (graças a Deus) pelos catalães com muita propriedade. A Espanha depois de tantos “quases” em copas do mundo e competições européias, enfim iniciou uma fase de vitórias, vencendo uma Copa Européia de seleções e a última Copa do Mundo, sem contar os títulos do Barcelona. Eles vêm tentando criar uma escola de futebol, não que seja uma inovação, mas sim uma evolução de conceitos que estavam esquecidos por nós brasileiros e que nós torcedores tanto apreciamos, o tão propalado de forma ás vezes até jocosa, futebol arte, um viva aos espanhóis que ajudou a resgatar este conceito que muitos jovens não acreditavam que existiu, o futebol arte, OLÉ!

Um forte abraço do

Serginho 5bocas

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