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Alex Kamianecky

28 / maio / 2017

XERIFÃO DO BEM

entrevista: Sergio Pugliese |  texto: André Mendonça | fotos e vídeo: Guillermo Planel | edição de vídeo: Daniel Planel

No último sábado, a equipe do Museu da Pelada levantou cedo! Embora o compromisso fosse apenas à tarde, a ansiedade pelo encontro era tanta que fomos os primeiros a chegar ao evento, na verdade ao bar vizinho da Livraria Folha Seca, onde “Alex Coração Americano – O Campeão do Jogo Limpo”, biografia de Alex Kamianecy, o maior e mais leal zagueiro da história do América-RJ, seria lançada. E o dono do bar se deu bem porque quando o autor chegou, o americano roxo Silvio Kohler, eu, Sergio Pugliese, Guillermo Planel e Alexandre Niemeyer já estávamos na décima gelada.


O escritor Silvio Kohler e o zagueirão Alex

– Sou do Sul e adoro uma loura. Desce mais uma! – já chegou avisando Silvio enquanto puxava uma cadeira e juntava-se a nós e a Rodrigo Ferrari, dono da Folha Seca, a mais carioca das livrarias.  

Aos poucos a Rua do Ouvidor foi tomada pelo vermelho das camisas dos torcedores. E eram muitos!!! Quem diz que essa torcida é pequena engana-se. É grande e fiel às tradições. Por isso, os gritos de “Sangue” na chegada do grande ídolo. Aos 71 anos, bronzeado e malhadão, chegou caminhando lentamente, elegante e discreto, da mesma forma como atuava, apesar da força física. Rapidamente o cercamos para a esperada entrevista e mandamos na lata, talvez inspirados por tantas Originais.

– Zagueiro que se preza recebe Belfort Duarte?

O troféu era destinado aos jogadores mais leais do campeonato e ironizado por zagueiros-zagueiros como Moises, do Vasco.

– Acho que segui o caminho certo, era o meu estilo.


(Foto: Reprodução)

E seguiu mesmo. Pelo América, foram mais de 600 jogos e o título da Taça Guanabara de 74. Em 77, recebeu o prêmio Belfort Duarte e figurou entre os 40 pré-convocados para a Copa de 70, mas não fez parte da lista final, assim como seu parceiro Eduzinho, que prestigiou o evento e, assim como Alex, considera essa ausência de 70 o momento mais triste da carreira.

Para lhe arrancar um sorriso, no entanto, basta falar do América. Se alguém ainda tem dúvidas da paixão de Alex pelo clube saiba que quando o xerifão do bem se transferiu para o Sport, após mais de 10 anos no Mecão, exigiu uma cláusula no contrato para não entrar em campo contra a ex-equipe.

– O América sempre fez parte da minha vida.

Por tanta dedicação e lealdade com os companheiros, Alex se tornou um ídolo incontestável do clube. Por isso, a onda vermelha e branca ia tomando cada vez mais conta da Rua do Ouvidor para conseguir um livro autografado do craque. Uma forma, talvez, dos saudosos torcedores relembrarem os anos gloriosos do Mecão, que hoje está na Série B do Carioca e não disputa nenhuma das divisões do Brasileirão.


Alex e Tia Ruth.

– O América é fora de série!! – ironizou um torcedor.

Torcedora símbolo do alvirrubro, Tia Ruth, de 92 anos, precisou segurar a emoção ao abraçar seu maior ídolo, entregar duas rosas – uma branca e outra vermelha – e cantarolar em seu ouvido uma música de Roberto Carlos:

Eu tenho tanto pra lhe falar / Mas com palavras não sei dizer / Como é grande o meu amor por você!

Alex chorou e retribuiu o carinho da torcedora com sorrisos sinceros e uma longa dedicatória em sua biografia. A fila de autógrafos já dobrava a esquina. Álvaro Canhoto, lenda do futebol de salão, era um desses fãs. Eduzinho Coimbra, outro. A torcida entoava ”Hei de torcer, torcer, torcer, hei de torcer até morrer…”. Guillermo Planel registrava tudo com sua câmera, Pugliese comentou comigo sobre o belíssimo hino do América, composto por Lamartine Babo, “o mais bonito de todos”, segundo ele, em seguida chamou o garçom e em homenagem ao Mecão brindamos mais uma.

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