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AI, JESUS

1 / novembro / 2019

por Luis Filipe Chateaubriand


Com a desenvoltura espetacular que o Flamengo vem tendo no segundo semestre de 2019 – virtual campeão brasileiro e provável campeão da Taça Libertadores da América – a pergunta que não quer calar é: seria o seu técnico, o português Jorge Jesus, um técnico de ponta ao nível mundial?

A resposta é não.

Antes do Flamengo, Jorge Jesus foi muito vitorioso, campeão diversas vezes, em Portugal, seu país de origem. Este escriba vive há muitos anos no Brasil, mas nasceu em Portugal. Adora as terras e as gentes lusas, tem uma sensação de pertencimento forte a respeito. 

A despeito disso, o futebol português é, ao nível interno, relativamente fraco. Apenas três clubes são acostumados a ganhar títulos, de expressão local. Assim, ser campeão por Sporting e Benfica não é das tarefas mais difíceis.

Antes do Flamengo, Jorge Jesus não treinou nenhum clube de expressão ao nível mundial, fora de Portugal. Não há Real Madrid, Manchester United, Bayern de Munique, Liverpool, Barcelona, Juventus, etc, para contar a história.

Portanto, Jorge Jesus não está no nível dos técnicos de ponta ao nível mundial, como Ancelotti, Klopp, Guardiola, Mourinho (este mais pelo passado que pelo presente), Pochettino, Zidane ou Sampaoli (este, o único deste nível a atuar no Brasil).

Mas, se o português não é técnico de ponta ao nível mundial, como explicar o seu sucesso no futebol brasileiro?

Porque, independentemente, de ser mediano (o que eu acredito) ou bom (o que muitos acreditam), tem duas virtudes que são admiráveis: é extremamente trabalhador, envolvido com o que faz, comprometido com os grupos que dirige e com os resultados que almeja; gosta de ver seus times atuarem de forma ofensiva, impondo-se ao adversário, propondo o jogo, ocupando os espaços para atacar.

Como se sabe, os técnicos brasileiros são, fora pouquíssimas exceções, defensivistas, retranqueiros, adeptos do futebol covarde, jogam de uma forma padrão sem variações táticas, não têm planos de jogo alternativos (por jogo e durante os jogos), não sabem instruir jogadores para serem multifuncionais. 

O atraso dos locais faz do forasteiro, muito mais competente que eles e contando com excelente elenco, se destacar. 

Em resumo: sem querer desmerecer meu patrício português, que tem virtudes, a expressão “em terra de cego, quem tem um olho é rei” nunca foi tão verdadeira! 

Luis Filipe Chateaubriand acompanha o futebol há 40 anos e é autor da obra “O Calendário dos 256 Principais Clubes do Futebol Brasileiro”. Email: luisfilipechateaubriand@gmail.com.

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