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Riquelme

PARABÉNS, RIQUELME!

por Israel Cayo Campos


O tempo passa…

No dia de hoje, o craque argentino Juan Roman Riquelme completa 41 anos. 

Um jogador que deu trabalho a Seleção Brasileira, embora tenham sido jogos parelhos. 

Mas principalmente foi um “carma” para os clubes nacionais quando defendia o Boca Juniors.  

Mas antes de tudo isso, um absurdo de jogador!  

Quando o Brasil de Luxemburgo enfrentava a Argentina que tinha poupado a maioria de seus títulares na Copa América do Paraguai em 1999, a mesma que revelou para o mundo Ronaldinho Gaúcho, os jogadores brasileiros já reclamavam no intervalo ao Tino Marcos que estava difícil marcar o garoto de 20 anos que atuava pela meia direita. Era o primeiro indício de que ouviríamos falar muito do nome Riquelme no futebol. 

Com o passar do tempo não deu outra…

Além de três campeonatos argentinos, duas Libertadores. Somente antes da Copa de 2002 que seria disputada na Coréia do Sul e no Japão. Um desses torneios continentais vencido em cima do Palmeiras de Felipão em 2000. 

Em 2001, a final foi contra o Cruz Azul do México. Mas no meio do caminho o Boca de Riquelme mandou para casa Vasco e novamente o Palmeiras. 

Apesar de ser o destaque do maior clube argentino, com dribles desconcertantes e gols espetaculares, Riquelme ficou de fora da lista de Marcelo Bielsa para a Copa do Mundo de 2002. Aquela mesma Copa em que a Argentina foi um fiasco, não passando da primeira fase, mesmo sendo favorita ao título!  

Retornou a albiceleste logo no pós-Copa. O objetivo era substituir Ortega e até Verón, que não vinha muito bem no Manchester United. Riquelme nesse período também fora jogar fora! No Barcelona, onde teve uma passagem apagada! O esquema tático não o ajudou! E ele ficou no banco a maior parte do tempo que atuou pelo clube da Catalunha! 

Ás vezes era acusado de ser um jogador lento. Que não dava prosseguimento ás jogadas. Quem vê seus dribles, passes e arremates ao gol sabe bem que tal acusação não é verdadeira! Era um falso lento!

Já em 2003 fora vendido ao pequeno Villarreal da Espanha, e aí reencontrou seu futebol.


Embora não tenha vencido nenhum torneio importante, ao lado do Uruguaio Forlán e de uma legião Sul-americana comandadas pelo técnico chileno Manuel Pellegrini, conseguiu os melhores desempenhos da história do clube. 

Inclusive o levando a uma semifinal de Champions League, onde acabou perdendo um pênalti contra o Arsenal em 2006 que poderia ter levado o time espanhol a uma final inédita e inacreditável contra o Barcelona! 

O pênalti perdido por Riquelme fora defendido pelo goleiro alemão Lehmann. Não seria a última vez que eles iriam se enfrentar em 2006. 

Mesmo assim, Riquelme ganhou status de ídolo do “Submarino Amarelo”. Onde jogou até 2007.  

Nesse interim, Riquelme perdeu a final da Copa das Confederações de 2005, levando um chocolate brasileiro. Mas “deu o troco” em Buenos Aires, com uma atuação de gala pelas eliminatórias Sul-americanas, onde com passes precisos e um golaço do camisa 10 a Argentina venceu o Brasil por três a um. 

Na Copa do Mundo da Alemanha era o maestro de uma fortíssima Seleção argentina que disputou aquele torneio. Para mim, o melhor elenco que a equipe albiceleste montou desde 1986. 

Mas nas quartas de final contra a Alemanha, Riquelme que havia dado uma assistência para gol de Ayala fora substituído. E do banco viu a Alemanha empatar com Klose e nos pênaltis seus companheiros tremerem diante do goleiro Lehmann, novamente ele no caminho do camisa 10. 

Mais um fracasso argentino em Copas do Mundo! 

Em 2007 voltou ao Boca. Mais maduro, novamente ganhou a Libertadores. Dessa vez, numa fácil final contra o Grêmio. Onde novamente marcou um gol espetacular. Do “meio da rua” em um belo giro! 

No mesmo ano, com a Seleção principal, uma derrota para o time misto do Brasil por três a zero na final da Copa América da Venezuela. O time com Mascherano, Cambiasso, Verón, Ele, Tévez e Messi fora arrasado por Júlio Baptista, Elano, Robinho e Vágner Love. 

Em 2008, uma espécie de troco.

Foi campeão olímpico pela Argentina como um dos três jogadores acima de vinte e três anos. Com o gosto especial de eliminar o Brasil “devolvendo” os três a zero do ano anterior nas semifinais. Com direito a assistência e gol de pênalti. 

O sonho do ouro olímpico brasileiro era adiado, enquanto os argentinos partiam para o bicampeonato. 


Foi o único título de Riquelme com a Seleção. Excetuando-se claro os títulos da base, como o mundial sub-20 de 1997. Mesmo assim, não é considerado um troféu oficial. Já que os Jogos Olímpicos não são reconhecidos pela FIFA como tal. 

Acabou por viver parte do maior período de “seca” de títulos da Seleção argentina. Que mesmo montando time recheados de craques, não vence um torneio há 25 anos! 

Ainda pelo seu querido Boca, venceu mais dois campeonatos argentinos, uma Recopa Sul-Americana e uma Copa Argentina antes de migrar para o Argentino Juniors, onde encerrou sua carreira em 2014.

Antes de se aposentar, marcou gols antológicos, como o contra o Corinthians na Libertadores de 2013… 

Era o exemplo do bom futebol argentino. Dribles rápidos, toque de bola e passes precisos (por cima e por baixo!) e chutes precisos! Geralmente lá onde a “coruja dorme”.

Poderia ter disputado a Copa de 2010. Mas problemas com o técnico Maradona o fizeram pedir pra não ser mais convocado para seleção. 

Os dois não se bicavam desde que surgiu a disputa pra ver quem fora o maior camisa 10 da história do Boca. E passaram a trocar farpas na imprensa! Quando Maradona assumiu a Seleção, Riquelme achou melhor encerrar sua participação na mesma. 

Uma das atitudes mais bonitas do atleta veio após ele encerrar a carreira! 

Após a tragédia da queda do avião da LaMia em novembro de 2016, que vitimou a delegação da Chapecoense, Riquelme, já aposentado dos gramados fazia quase dois anos, mas ainda em forma, se ofereceu para jogar no time de Chapecó! De graça! Até que o clube se reestruturasse! 

O auto-convite foi recusado pelos dirigentes da “Chape” mas só a atitude mostra o grande atleta e ser humano que é Juan Roman Riquelme! 

Parabéns pelo seu aniversário!

CRAQUES INESQUECÍVEIS

#01- Romário

por Mateus Ribeiro

Romário de Souza Faria, mas pode chamar apenas de Romário. Um dos maiores atacantes de todos os tempos.

O Baixinho fez (muitos) gols por onde passou. E olha que ele passou em muitos lugares mundo afora. E nem foram só os gols que chamaram a atenção durante sua vitoriosa carreira. Romário era autêntico, não fazia média para agradar ninguém, tampouco vivia um personagem, algo tão comum para jogador de futebol atualmente.

Romário não tinha medo de nada, não tinha medo de ninguém.

Romário era um carrasco da grande área. Talvez, o jogador mais letal que eu já tenha visto na vida. Imagino que também tenha sido o motivo da insônia de muitos zagueiros que o marcaram (foram muitos, e dos bons).


Não contente em ser marcante nos clubes por onde passou, Romário marcou seu lugar na Seleção Brasileira. A camisa amarela com o número 11 foi, é, e será eternamente sinônimo de Romário. A azul também. Afinal, alguém se esquece daquele domingo que o baixinho, depois de muita birra de Parreira, voltou em cima da hora e simplesmente DESTRUIU o Uruguai? Talvez essa tenha sido a primeira grande exibição individual que eu tenha visto na vida.

Depois daquele dia, Romário poderia se aposentar da Seleção, que todos lembrariam da sua exibição de gala no Maracanã. Mas faltava completar a obra. E ele, na companhia de muita gente boa (e muita gente contestada também), terminou o quadro nos Estados Unidos. Alguns consideram essa obra, denominada Copa de 1994, um tanto pragmática. Outros, se pudessem, a deixariam para ser contemplada nos maiores museus do planeta.


Não importa, obras são obras, e Romário pintou cada detalhe ali da melhor forma possível: com o bico da chuteira, crescendo no meio dos gigantes suecos, saltando contra a Holanda, recebendo declaração de amor de Bebeto (e do resto do Brasil), batendo pênalti chorado, ajudando seu fiel parceiro de ataque a embalar Mattheus .E tudo isso sob um sol escaldante.

Romário jogava pela sombra. Não era muito chegado aos treinamentos. Talvez fosse pra mostrar que era humano, afinal, sem treinar como os demais, era um monstro, imagina se treinasse?

Romário foi vencedor. Ganhou taças por onde passou. Desde Teresa Herrera até Copa do Mundo, passando por Campeonato Carioca e Copa da Holanda. Sempre fazendo gols.

Romário é rei. Seja no Rio, na Catalunha, em Eindhoven.

Romário é inesquecível. Inesquecível para amantes do futebol. Inesquecível para torcedores de vários clubes do Brasil e do mundo. Ah, é inesquecível para o Amaral também. E para muitos outros que já tiveram o (des)prazer de ter que marcar um dos maiores atacantes da historia do futebol mundial.

Por ser tudo isso, e muito mais, Romário abre a mais nova série do Museu da Pelada: Craques Inesquecíveis!

Divirtam se com os lances dessa lenda!

QUEM ME DERA TER SIDO ROMAN

por Paulo Escobar


O tempo parou naquele momento, por um toque divino o vi e nunca mais me esqueci daquele cara com um olhar de tristeza e um sorriso alegre. Talvez por ser reflexo da sua vida uma mistura de alegrias e tristezas, e por assim ser o futebol que era real e vivo dentro dele.

Tinha a mesma idade dele, nós dois de 78, quando com a bola nos pés deslizando pelo meio de campo, protegendo-a com seu corpo, te vi Roman. “El torero” vinha carregando cheio de talento de um 10 clássico, abençoado nos pés batia de uma maneira que só ele sabia, fazia chorar os narradores argentinos e eram verdadeiras odes que eram feitas a cada lance e a cada gol que ele nos fornecia.

Jogador dos jogos grandes, parecia que a pressão não penetrava nele, naquelas finais de Libertadores que parecia que ainda eram os jogos dos bairros nas quais rolavam apostas e porradas. Roman queria estar ali, e como podia tremer se não teve medo nos jogos das favelas?


Como se esquecer daqueles jogos contra Palmeiras, aonde Arce e Galeano se revezavam para ver quem dava nele, ou no Olímpico contra o Grêmio. Aquelas disputas de Libertadores contra o River aonde Roman insistia em fazer pinturas em telas nas quais os pés de muitos tremeriam.

Roman era um corpo estranho no futebol moderno, conseguia ser clássico num futebol que quer a cada dia extinguir os que jogam da maneira como Riquelme jogava. A beleza parece não ter lugar neste futebol atual, e toda beleza dentro de campo hoje parece merecer castigo.

Tinha 18 anos a primeira vez que o vi, eu ficava desde pequeno chutando a bola contra os muros da escola, treinava nos fim de tarde bola parada, tentava na base e na várzea fazer algumas coisas. Mas quando vi Roman, naquele momento que o tempo parou, pensei: “como gostaria de ser Riquelme”.


Como gostaria de ter vestido a 10 do Boca e ter jogado contra o River, como gostaria de ter cobrado escanteios tocando minhas costas nas grades da bombonera. Como gostaria de ter visto sorrir depois de um gol aqueles moleques pobres do forte Apache, que por um momento poderiam esquecer a vida que a sociedade os destinou.

Desejaria ter a mesma calma e frieza nos momentos decisivos, ou então no meio da pressão jogar como se estivesse no meio da rua e ter aqueles momentos de felicidade que pareciam eternos no campo de jogo. Pois jogando em campos de várzeas muitas vezes tentei imitá-lo e as vezes olhando pra ele como num misto de alegria e louvor pensei comigo mesmo:

“Como Gustaria haber sido Roman”.

Paulo Escobar

Maloqueiro, Varzeano, corre com o povo de rua e Sociólogo.

CRAQUE DA SEMANA

De lavada!! No duelo de laterais, Roberto Carlos superou Marcelo com facilidade e foi eleito o craque da semana!! Além da força física e a facilidade para cobrar faltas, pesou o fato do ex-jogador ter disputado três Copas do Mundo, tendo vencido uma!