Escolha uma Página

Reinaldo Rueda

MALDITO TIME MISTO

por Zé Roberto Padilha


Zé Roberto Padilha

Pior do que torcer por um time ruim é torcer por um time misto. Você não é Corinthians, nem Grêmio, a brigar pelo título, muito menos é Atlético Goianiense ou Avaí, que vão lutar toda semana para não cair. Seu time é o Avarinthians. Um misto entre o líder e o lanterna da competição que vai entrar em campo todo semana para te decepcionar. Este time, frio, misto e mal calculado, entrou ontem no Engenhão contra o Botafogo vestindo a camisa do Flamengo.

Sem o Diego e o Réver da Fiel, mas com o Rômulo e o Matheus Sávio do sul, segundo meu filho rubro-negro, nem deu para torcer. Tão apáticos e fora do lugar, mal tiveram como lutar. Porque se tem algo no futebol que não está à venda é o entrosamento. E ontem ele faltou ao Flamengo. Que escalou o entro e deixou o samento no banco de reservas. O juiz da partida poderia até autorizar que subisse a placa de 24 horas de acréscimo que Éverton Ribeiro, já entrosado com Diego e William Arão, com a proteção de Márcio Araújo, ainda pediria mais um dia para se entender com um tal de Geuvânio. Sabia que tinha um chamado assim que jogava, e muito, no Santos, mas o que o Flamengo comprou e escalou ao seu lado nem chega perto.


Mas Zé Rueda, o treinador misto de um técnico que montou o grupo e outro que chegou no fim pedindo informações ao Jayme de Almeida para conhecê-lo, embolou as figurinhas. E mandou a campo um Flamengo completamente desentrosado. Porque quando resolveu esquentá-lo no microondas com Berrio, Arão e Éverton, o Botafogo já estava aquecido. Desde o início. E aí já era tarde e o que restou foi a luta isolada do Guerrero. Este sim, já veio esquentado na embalagem, não há zaga ou companheiros ruins que conseguem esfriá-lo. E luta do começo ao fim.

Sou do tempo que as equipes tinham um time titular. E seu time reservas. Os melhores jogavam, os outros aguardavam a sua vez. Campeonato Brasileiro da Série A não é laboratório para ver o que vai dar com Cuellar, Rômulo, Matheus Sávio e Geuvânio. É algo sério, valendo vaga na Taça Libertadores, que poderia ter se aproveitado das derrotas dos líderes e até brigar pelo título. Mas preferiram, os sábios da cozinha, poupar os titulares e escalá-los em um jogo treino contra o Volta Redonda. Deve ter razão o Zé Rueda, jogando daquele jeito em breve irá mesmo enfrentá-lo valendo uma vaga no G4 da Série B.

TOCO Y ME VOY

por Mateus Ribeiro


Reinaldo Rueda

No último domingo, o Flamengo foi derrotado pelo Vitória, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. A derrota inesperada culminou na demissão do treinador Zé Ricardo.

Nada de anormal, uma vez que tal prática é uma certeza no caso de uma campanha que não satisfaça aos anseios da torcida. Some a essa já insuportável pressão todo o carnaval que a imprensa fez em cima do jovem treinador. Pronto, a bomba está feita, e o “Fora, Zé ricardo” foi atendido.

Menos de 48 horas depois do anúncio, nem esperaram o presunto esfriar, e nomes começaram a pipocar pelos programas esportivos, e pelas redes sociais. Dentre os nomes, me deparei com o nome de Reinaldo Rueda.

Além das costumeiras especulações, algo me chamou a atenção: a loucura da torcida no Twitter e no Facebook , com direito até a criação de hashtags.

Reconheço que o trabalho dele ano passado rendeu bons frutos, coisa e tal. Mas não é por isso que consigo acreditar que estão colocando o treinador em um pedestal que não é de seu merecimento. Venhamos e convenhamos, fora o título do ano passado na Libertadores, não restam muitas glórias em sua carreira. Talvez o fato de ter classificado a Seleção de Honduras para a Copa 2014. Enfim, na minha modesta opinião, um time do tamanho do Flamengo merece um treinador com muito mais casca , e menos holofotes, de preferência.

Ainda falando de Rueda, ouvi de um comentarista (que graças a Zeus já esqueci o nome) que PARTE da torcida rubro negra DESEJA um treinador estrangeiro. E aí chego no ponto que queria: o fato de que muitos torcedores brasileiros enxergam uma competência fora do comum pelo simples fato de um jogador ou treinador falar espanhol.


Defederico

O caso clássico, que todos amam falar, é o do argentino Defederico no Corinthians. Chamado por alguns mais alucinados de “Novo Messi” (realmente, era o novo Messi e só o Corinthians prestou atenção em seu futebol), chegou com toda a pompa possível no Alvinegro de Parque São Jorge. Claro que um jogador contratado por um DVD não tinha a mínima chance de dar certo. Não deu. Mesmo com muita gente insistindo por chances e mais chances. As chances vieram, o resultado não. E parte da torcida queria ver essa enganação em campo. O motivo? Acredite, muita gente imaginava que esse sem sangue tivesse a raça e a gana de alguns jogadores argentinos. Erraram feio, e o bibelô de alguns desavisados deve perambular por algum clube sem expressão.

Isso sintetiza esse fenômeno que há um bom tempo vem tomando conta do Brasil. Se fulano “hablou”, é craque. Ou um bom jogador. Dane-se a sua real qualidade, é argentino, uruguaio, ou chileno, traga pra cá que dá resultado. E numa dessas, o Brasil virou um belíssimo de um refúgio pra muito jogador que nunca sairia do continente, e ganha salário de nível europeu atuando na América (isso quando jogam).


Outro caso que merecia um pouco de reflexão é o de Juan Carlos Osório, com curta passagem pelo São Paulo. Após um bom ano dirigindo o Nacional de Medellín, Osório chegou ao São Paulo com fama de fazer o time jogar bonito. Bom, alguns torcedores ficaram iludidos e de queixo caído pelo fato do Professor Pardal fazer rodízios malucos, substituições equivocadas e entregar bilhetinhos aos jogadores. Fora isso, sinceramente, não fez absolutamente nada de revolucionário ou de novo, como alguns torcedores de arquibancada e torcedores disfarçados de jornalistas enchem o peito para falar. Sua passagem (até o momento, tenebrosa) pela Seleção Mexicana, mostrou que sua principal característica mesmo é tentar inventar e se aparecer mais que todo mundo. Mas ele é estrangeiro, então, tudo certo. Vai um Joel Santana ou um Geninho da vida inventar de fazer essas graças por aqui, pra ver o que não iria chover de críticas.


Ainda falando de treinadores, é bom a torcida do Flamengo abrir os olhos. Essa necessidade, esse desejo de ter alguém estrangeiro no comando quase botou água no chopp do Corinthians em 2005. Daniel Passarela substituiu Tite, e com seus métodos controversos, foi demitido tendo como maior marca uma bordoada dolorosa em partida contra o São Paulo.

Não estou falando que Rueda não vai dar certo. Muito menos que vai dar errado. eu realmente não sei. A única coisa que sei é que essa euforia simplesmente pelo fato de alguém ser estrangeiro já consagrou inúmeros cabeças de bagre pelo Brasil. Jogadores que não serviam em seus países, são enviados pra cá, endeusados sem entregar o mínimo do que se espera.

Isso sem contar a expectativa que alguns criam em profissionais que mal viram atuar. Caem em todo esse oba oba que alguns mais empolgados criam. E nessa onda, Escudero, Gioino, Santiago Silva, El Tigre Ramirez, Buffarini, Gareca, Maxi Biancucchi, e mais dezenas de gringos aumentaram seu pé de meia atuando por aqui. Não convenceram, e tínhamos profissionais do mesmo gabarito por aqui. Porém, a grama do vizinho é mais verde. Só se esqueceram que pode ser mais amarga também.

Hasta la vista, babes!