Escolha uma Página

Petkovic

O CRAQUE DO BRASIL EM 2009

por Luis Filipe Chateaubriand


Em 2009, Petkovic estava de volta ao Flamengo, fruto de negociações de dívidas antigas com a diretoria rubro negra.

A novidade não fez sucesso com a torcida, que achava que oito anos mais velho do que quando fez o golaço de falta do tricampeonato contra o Vasco da Gama, o gringo não era mais o mesmo.

Ademais, depois de ter saído do Flamengo, Pet jogou no Vasco da Gama e no Fluminense, e o torcedor rubro negro não perdoava.

Mas Pet veio.

E veio para fazer um Campeonato Brasileiro soberbo, com passes longos, passes curtos, lançamentos, cobranças de faltas, assistências e gols – sejam dele, mesmo, sejam os que propiciou aos colegas de time, especialmente Adriano, o Imperador.

O gringo fez barba, cabelo e bigode e, por isso, foi o grande jogador do Brasil em 2009!

Luis Filipe Chateaubriand é Museu da Pelada!

É O PET!

por Serginho 5Bocas


Hoje vou falar do “gringo” mais bom de bola que vi jogar. O cara era marrento demais, mas sua marra sempre foi diretamente proporcional à qualidade de seu futebol, e que futebol.

Cabeça erguida, passe certeiro, chute preciso, gols e inteligência acima da média, faziam parte do extenso repertório desta fera ambidestra. O sérvio mais brasileiro e carioca deste planeta bola globalizado, foi um dos grandes jogadores que vi atuar pelos nossos gramados.

Além de craque com a bola nos pés, o cara era profissional ao extremo, nunca ouvi dizer que chegara atrasado a um treino ou compromisso com o clube, talvez este comportamento “diferente” tenha até atrapalhado sua passagem pelo Brasil, tendo em vista a reconhecida falta de profissionalismo de nove em cada dez “boleiros” brasileiros, mas vamos ao que interessa.

Começou a jogar no Radnickinis com apenas 16 anos, por isso é o mais jovem jogador profissional iugoslavo a atuar em uma partida profissional. Depois foi para o Estrela Vermelha, foi campeão iugoslavo e aí a ponte para o Real Madrid estava consolidada, mas não obteve o sucesso esperado em terras espanholas.


Veio para o Brasil meio por acaso para substituir o baianinho Bebeto que fora para o Botafogo, o Vitória da Bahia, por incrível que pareça foi buscá-lo na Europa, mas a verdade é que ele veio já pensando em retornar ao Velho Continente. Só que fez um grande sucesso na equipe baiana. Lembro que era comum escutar o nome dele aos domingos nos gols do Fantástico, e eu ficava pensando quem é esse cara com nome de gringo? Será mais um daqueles brasileiros que os pais homenageiam craques lá de fora?

Em eleição da Revista Placar para os torcedores ilustres decidirem qual foi o melhor jogador de todos os tempos do Vitória, ele perdeu por pouco para Mario Sergio, o vesgo, mostrando que mesmo jogando tão pouco tempo, ficou no coração da galera baiana.

Tanto fez por aqui que acabou voltando a Europa para atuar no Venezia, mas novamente não foi bem sucedido, e foi ai que surgiu o Flamengo em sua vida pela primeira vez, comprando-o por US$ 7.000.000,00. Depois disso, venceu dois estaduais e uma Copa dos Campeões nesta sua primeira passagem pela Gávea.

No Vasco de 2002 e no Fluminense de 2005 arrebentou novamente, atuou em alguns outros clubes brasileiros sempre deixando ótima impressão por onde passou. Se tivesse ficado no Flamengo desde a sua primeira passagem em 2000, teria um lugar ainda maior na galeria dos heróis rubro-negros. Para mim, foi o melhor camisa “10”, depois do Messias (Zico), com a camisa vermelha e preta, uma fera.

Teve seus pés eternizados na calçada da fama do MARACANÃ, coisa para poucos. Além disso, fez gol em dois Maracanãs, pois na sua terra natal também tem um estádio com esse nome, em homenagem ao nosso ex-maior do mundo.

Sempre vitorioso por onde passou, além dos prêmios coletivos, recebeu três bolas de prata de melhor jogador da posição do Campeonato Brasileiro, em eleições promovidas pela conceituada revista esportiva Placar, sem contar que no ano de 2009, deveria ter levado a bola de ouro pela sua importância e decisiva colaboração no título conquistado pela Flamengo. Foi “garfado” na eleição, mas como perdeu para o Imperador Adriano, está tudo em casa. Para se ter uma ideia do seu alto nível, fez dois gols olímpicos: um contra o Palmeiras e outro contra o Atlético Mineiro, na “casa” dos adversários e em jogos decisivos daquele Brasileirão, é brincadeira?


Pet deve ter feito inimizades na Sérvia, pois só assim dá para entender como o “gringo” não foi convocado para uma Copa do Mundo pelo seu país. Era só olhar o elenco da Sérvia para não entender, que time fraquinho! Os sérvios e a Copa do Mundo é que “pagaram o pato” pelas burrices dos treinadores, vai entender! Em termos de “Olheradas” acho o futebol realmente globalizado, não somos únicos neste quesito, tem burro em tudo que é canto do planeta.

Entre inúmeras premiações vale destacar que Pet fez nove gols olímpicos em sua carreira, possivelmente detém o recorde mundial deste tipo de gol e é também o jogador estrangeiro com mais gols no Campeonato Brasileiro da era dos pontos corridos, não é fraco não, mermão!

Pet teve um jogo de despedida a sua altura no Maracanã, e nele, recebeu uma linda homenagem por parte da “magnética”, a torcida do Flamengo, que só os grandes conseguem receber em vida. Um mosaico com as cores da bandeira Sérvia e seu nome, inesquecível.


Para a torcida rubro-negra, ele entrou para história em dois momentos: um no gol do tri carioca contra o Vasco,aos 43 minutos do segundo tempo na cobrança magistral de uma falta, gol de enciclopédia, e outra, na sua decisiva participação no título brasileiro de 2009, com gols, passes e uma extraordinária liderança técnica, sensacional e inesquecível.

Dejan é o Rambo!

Rambo é o Gringo!

Gringo é o Pet!

Pet é o cara….e ele é nosso!

É o Pet, é o Pet, É o Pet…

Um forte abraço

Serginho5bocas

OS 45 ANOS ME LEMBRAM OS 43 MINUTOS

por Marcos Vinicius Cabral

O domingo tão aguardado, havia enfim chegado.

Na redação do jornal O São Gonçalo, estava eu fazendo charge (ou tentando fazer) naquele domingo, o que era uma tarefa não muito fácil.

Como de costume, em ocasiões especiais, eu sempre fazia duas charges, pois Flamengo e Vasco decidiam o Campeonato Carioca naquele ano de 2001.

Enquanto o Flamengo decidia pela terceira vez consecutiva contra o Vasco, para saber qual o melhor time do Rio de Janeiro (havia ganhado as últimas duas), o tricampeonato seria muito bem-vindo.

Com um super time, o Vasco era favorito e após vencer o primeiro jogo por 2 a 1, era (quase) certo que São Januário receberia mais um troféu de campeão carioca.

Com isso, o time rubro-negro, dirigido por Zagallo, precisaria vencer por dois gols de diferença.

Confesso que naquele 27 de maio de 2001, havia em mim um certo ceticismo, mesmo com meus 28 anos de idade e com tantos títulos já comemorados.

Mas aquele campeonato era muito difícil, convenhamos!

Após descer os nove andares – já que o elevador demorava muito – do prédio do relógio, tradicionalmente conhecido aqui em Alcântara, fui já pegando meu vale-transporte, que era ainda em papel e me encaminhei para o ponto de ônibus.

No trajeto, carros buzinavam fazendo um grande estardalhaço e a maioria deles, com bandeiras cruzmaltinas nos tetos dos veículos, que tremulavam.

Nas janelas dos prédios, os gritos de “é campeão, é campeão!”, me chamavam atenção e corroboravam com a certeza da vitória.

Nas esquinas das ruas que antecediam o lugar onde pegaria meu ônibus, o vento soprava os papéis para longe de mim, demonstrando com isso a pocilga deste tradicional bairro da cidade de mais de um milhão de habitantes.

Já dentro do ônibus, meu celular toca e do outro lado da linha era Wellington querendo saber se eu assistiria o jogo no bar de Paulo, lugar sagrado dos flamenguistas nas vezes em que o “Mais Querido” jogava.

Lembro que respondi sim, mas a verdade é que queria assistir em casa aquele Flamengo e Vasco.

Por tal motivo, passei celeremente em frente ao bar e fui beneficiado pela enorme bandeira do Flamengo, que escondia as pessoas no interior do estabelecimento e as que passavam em frente a ele.


 O time do Jovem Fla, marcou época em São Gonçalo

Graças a Deus, passei sem ser visto pela turma do Jovem Fla, um dos times mais respeitados da cidade, em que Wellington era o técnico, seu irmão Wallace, o presidente, e eu, o camisa 8, no qual me orgulho de ter envergado com maestria. 

Uma pena esse time ter existido tão pouco tempo, apesar do bicampeonato no campo do Gradim (2003 e 2005) e diversos títulos, entre campeonatos e festivais.

Mas ao chegar em casa, faltando poucos minutos para o início do jogo, tomei um banho, peguei minha camisa do Flamengo número 10 do Zico e por que não dizer, número 10 do Petković (escrito corretamente, com acento agudo no c, sem erro, pois ele foi a peça nevrálgica naquele jogo), e fui para a casa da minha sogra.

O Flamengo entrou em campo e contava com a minha confiança, sempre fui um torcedor fanático pelo Flamengo, apaixonado mesmo.

Tem certas paixões que não se pode explicar e o Flamengo é uma delas, algo assim inexplicável.

Não sei, mas alguma coisa parecia que ia acontecer de positivo naquela tarde para nós, flamenguistas.

O que sempre buscava, era sentir as emoções dos grandes tempos áureos do time da década de 80 de Zico e Cia. 

Apesar do Vasco ter na época um super time, muito bem treinado por Joel Santana, no primeiro jogo os dois gols vascaínos foram de bola parada. 

Um de pênalti, convertido pelo atacante Viola e outro de falta, em que Juninho Paulista contou com o desvio da barreira para enganar Júlio César.

No segundo jogo, o Flamengo entrou em campo de mãos dadas como a Seleção tetracampeã de 1994 e aquele simples gesto balançou minhas estruturas, pois havia percebido em se tratar de uma ideia do Zagallo, nosso técnico na ocasião.

Só aí, a emoção já ia à flor da pele, com o Maracanã lotado, torcida inflamada empurrando o time e fazendo uma linda festa como sempre.

O jogo estava muito tenso e aos 23 minutos do primeiro tempo, pênalti para o Flamengo e o “capetinha” Edilson fez 1 a 0.

Faltava mais um gol, mas ao 40 minutos, em grande bobeira da zaga rubro-negra, o talentoso Juninho Paulista empatou a partida.


(Foto: Eurico Dantas

Aquele gol não foi um balde de água fria e sim uma cachoeira, que de tão gelada me fez lembrar as águas da região serrana de Nova Friburgo, onde dei meu primeiro choro em vida ao nascer.

Sendo assim, voltávamos a depender de mais dois gols para levar a taça para a Gávea.

Aos oito minutos do segundo tempo, o nosso camisa 10 Petković, fez uma belíssima jogada pela esquerda e botou a bola na cabeça do “capetinha” Edilson.

Resultado: 2 a 1.

Entretanto, com um jogo bem aberto e com Euller, “o filho do vento” causando estrago no lado do nosso esforçado lateral Cássio, temi que, nos 37 minutos restantes, tomássemos mais um gol.

O tempo foi passando, passando, passando…


(Foto: Hipólito Pereira)

Com meus olhos atentos na TV, via o velho lobo Zagallo, que na beira do gramado, naquele espaço destinado aos técnicos, incentivava o time e com sua fé irrestrita, segurava uma imagem de Santo Antônio, beijando-a a todo instante.

Seria o presságio do terceiro gol?

Na hora, me veio à mente a Copa de 1998, quando nas semifinais, o supersticioso treinador do número 13, incentivava os jogadores brasileiros na decisão de pênaltis contra a Holanda.

Se há 19 anos, na Copa da França, deu certo, por que não daria agora, em 2001?

Ansiedade, ansiedade, ansiedade e aos 42 minutos, o árbitro Léo Feldman interrompeu o silêncio fúnebre e devastador na nação rubro-negra no estádio à espera do gol do título.

E assim, apitou a plenos pulmões uma falta de Fabiano Eller, cabeça de área vascaíno, no “capetinha” Edilson.

Apesar de ser muito distante, é verdade, a esperança estava ali, diante de olhos vermelhos e pretos.

Como sempre faço, em jogos que são testes para cardíacos, tirei o som da TV (nada contra os narradores esportivos e nem ao Luís Roberto, que narrava aquela partida pela Rede Globo), e liguei o rádio, para ouvir o Luiz Penido ou o José Carlos Araújo.

Até porque, as maiores emoções vividas no futebol, foram nas vozes dessas duas lendas do Radiojornalismo.

Enquanto Luiz Penido, o “Garotão da Galera”, me fez chorar de emoção com os Brasileiros de 1992 e 2009, com narrações memoráveis no microfone da Rádio Tupi, José Carlos Araújo, o “Garotinho”, expôs de forma direta, momentos inesquecíveis como o Brasileiro de 1987 e o tetra da seleção brasileira em 1994, nas ondas sonoras da Rádio Globo.

Lembro que ao sintonizar na AM 1220 kHz, um misto de nervosismo e adrenalina, tomavam conta de mim, ainda mais com o “Garotinho” narrando.


O sérvio da camisa 10 se apresentou, ajeitou a bola e com um carinho especial, esperou o árbitro autorizar a cobrança da falta.

Um suspense tomou conta de nós e lembro da vibração da torcida tremulando as mãos para passar enegria positiva, e eu, repeti aquele ato litúrgico, como se estivesse nas arquibancadas apinhadas de flamenguistas e não na sala da casa da minha sogra, que me olhou sem entender nada.

Por um instante, confesso que pelo pragmatismo daquele olhar, pensei em se tratar de uma vascaína e descobri, anos mais tarde, ser flamenguista.

Na cobrança daquela falta, a Rede Globo, que transmitia o jogo, mostrou por alguns segundos no banco de reservas, o lateral Alessandro – que havia sido substituído por Maurinho – que olhava intensamente sem piscar, com as mãos juntas, rezando, acreditando no último lance do jogo e Zagallo beijando o santinho nas mãos.

Aos 43 minutos, o árbitro autorizou, Petković caminhou para a bola e bateu… a bola fez uma curva incrível e ainda toca na ponta dos dedos do goleiro Hélton. 

Viagem insólita da bola, que foi no ângulo, indefensável, era o gol salvador com a inesquecível comemoração do Petković, se jogando no gramado e sendo tomado pelos outros jogadores.

Entrei em êxtase, era como se estivesse revivendo o que outros torcedores na década de 80 viveram. 

Desci as escadas e desembestado fui correndo comemorar o tricampeonato com meu amigos do Jovem Fla, no bar de Paulo.

Na TV, a torcida entoando o canto de “vice de novo”, a imagem do Zagallo aos prantos, a torcida… enfim, foi mágico! 

Entrou para a história esse gol do Petković, que passou a ser chamado carinhosamente, e diga-se de passagem, merecidamente, apenas de Pet.

Assim, três letras, de um tri, na falta sofrida a três minutos do fim do jogo.

Hoje, esse talentoso ex-jogador completa 45 anos.


Foi genial, foi exemplo, foi craque e foi decisivo nas passagens que teve pelo Flamengo.

Em 2009, solidificou de vez seu nome na galeria de ídolos imortais do clube, com a conquista do Brasileiro.

Portanto, a geração que não teve a oportunidade de ver Arthur Antunes Coimbra, ou melhor, Zico, teve a felicidade de ver este sérvio, que conquistou os 40 milhões de corações espalhados pelo país, com atuações, títulos e gols marcantes, como este contra o arquirrival Vasco da Gama.

Parabéns para você Pet e obrigado por tudo!

PARABÉNS, PET!

Hoje é aniversário de 44 anos do gringo Petkovic! Mágico nas cobranças de falta, o craque fez um dos gols mais bonitos da história do Maracanã!

GOLAÇO DE PET FAZ 15 ANOS!!

No dia 27 de maio de 2001, há exatos 15 anos, Petkovic cobrava uma falta com perfeição que ficaria marcada para sempre na memória dos rubro-negros!! Além de ter sido um golaço, a falta cobrada aos 43 minutos da segunda etapa rendeu o título do Campeonato Carioca em cima do maior rival!! A convite de Sergio Pugliese, o sérvio reviu seu épico gol de uma maneira curiosa!! Assine o canal do Museu da Pelada no Youtube e fique por dentro de todas as resenhas!!