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Omar Franco

O ADEUS AO ÚLTIMO GUERREIRO PALESTRINO

por Omar Franco


 No inicio da madrugada dessa última quinta feira, em meio às turbulências de noticias de bastidores do futebol mineiro, mais uma estrela se apaga entre nós, indo morar onde brilhará ainda mais, ao lado do símbolo que mais lhe emocionava em vida: a constelação do Cruzeiro do Sul, nome a qual se inspirou o clube do coração do Sr. Nogueirinha.  

João Nogueira Júnior, ex lateral-direito e dono de uma habilidade ímpar, era o único (e último) sobrevivente de duas gerações de campeões. Jogou pela Sociedade Esportiva Palestra Italia, – nome de fundação do Cruzeiro Esporte Clube, que posteriormente foi alterado por questões políticas em decorrência da Segunda Guerra Mundial; e continuou atuando pelo clube, já com a nova denominação.

Nogueirinha, que era chamado de o “craque ermitão” (quando não estava treinando ou jogando, se trancava no quarto e só tinha atenção para os seus livros acadêmicos), nasceu na famosa cidade de Três Corações, que também tem outro filho ilustre – o rei Pelé. Jogou pelo time estrelado no período de 1939 (então Palestra Itália) a 1947 (já com a nova denominação de Cruzeiro Esporte Clube), tendo sido tricampeão mineiro de 1943/44/45. Também atuou pela seleção mineira dos anos 40.


Uma das histórias mais emocionantes desse guerreiro palestrino é justamente o incrível encontro entre ídolo e fã, onde uma mera frase de efeito acaba se servindo de combustível incentivador de busca de um sonho. O Nogueirinha era fã do craque Niginho, da família Fantoni, um dos maiores expoentes da história do Cruzeiro Esporte Clube e da Italia, e quando soube que seu ídolo, então jogador do Vasco da Gama, iria jogar amistoso pela seleção brasileira em 1938, logo foi ao seu encontro. Quando a delegação passou por São Lourenço, a caminho de Caxambu, o Nogueirinha, com sua turma de fãs, já estava na estação à espera dos seus ídolos.  O garoto se aproximou da janela do trem, onde se encontrava o Niginho, e assim vaticinou:

– Ainda vou jogar com você!

O craque com todo sua humildade e gentileza, respondeu:

– Então, vá treinando, que um dia a gente acaba no mesmo time, meu jovem!

Cumprindo a profecia, um ano depois, estavam os dois jogando pelo mesmo clube  – o Palestra Itália.

Nogueirinha não foi só um profissional exemplar em sua carreira futebolistica, mas acima de tudo, um ser humano incrível, além de um apaixonado pelas cores e símbolo do Palestra Itália mineiro e pelo Cruzeiro Esporte Clube. Um exemplo eternizado nos corações de toda uma nação azul e branca!

Descanse em paz, guerreiro palestrino e cruzeirense!!!