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Johan Cruyff

JOHAN CRUYFF. O GÊNIO INDOMÁVEL

por Israel Cayo Campos


Não posso falar de um universo tão grande como o de jogadores que já jogaram e ainda atuam no futebol atual. Mas com certeza, posso afirmar que dentro do status futebolístico que alcançaram, os dois jogadores mais inteligentes que eu já vi na história desse esporte foram o Doutor Sócrates e o holandês Johan Cruyff.

Infelizmente, como todos os gênios, o excesso acabou por lhes ceifar a vida. Respectivamente o álcool e o cigarro. Por mais que ambos tivessem plena consciência do caminho arriscado que escolheram seguir…

No dia 25 de abril de 1947, nascia em Amsterdã, capital da Holanda aquele que seria o maior gênio da história do futebol de seu país e um dos maiores jogadores da história do futebol. Seu nome era Hendrik Johannes Cruijff. Mas “aportuguesamos” seu difícil nome para Johan Cruyff.

Segundo a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), o maior jogador europeu de futebol de todos os tempos e o segundo maior jogador do mundo só atrás de Pelé.

Ainda garoto, Jopie (apelido de Cruyff na infância), perdeu seu pai, Hermanus “Manus” Cruyff, vítima de um fulminante ataque cardíaco. Sua mãe, Petronella “Nel” Bernarda Draaijen, que já trabalhava de maneira voluntária no Ajax, passou a exigir do clube uma remuneração. Além de procurar outro emprego para que pudesse sustentar a família.

Tal atitude de “Nel” associada a perda do pai moldou o caráter de Cruyff, o tornando um ser humano contestador e revolucionário. Mesmo com a ajuda terapêutica paga por Rinus Michels com o objetivo de contribuir na superação do luto, nada funcionou. Anos mais tarde, Cruyff admitiu que “Nunca aceitou uma ordem”. Se isso foi verdade, está explicado porque ele se daria tão bem com o “Baixinho” Romário tempos depois…

Ainda alternando as peladas na rua e os treinos no Ajax, Cruyff teve um problema na formação dos pés que quase o impediu de jogar futebol. Todavia, para sorte dos amantes do esporte, houve um grande erro médico e Jopie continuou a treinar no time que anos a frente lhe permitiria alcançar a projeção que conseguiu.

Em 1964, estreou pelo seu clube do coração com apenas 17 anos marcando um gol. Mas o time, que não enfrentava uma sequência vitoriosa desde os anos 1930, não fizera uma boa temporada.

Cruyff, já aquela época, possuía um senso de liderança admirável dentro do campo, sendo capaz de reorganizar o time no meio da partida, dar instruções com a bola no pé e atuar em várias faixas do campo durante os 90 minutos.

Certa vez, emprestou a camisa 9 que costumava usar a um companheiro de clube e vestiu a 14. Se sentiu tão bem usando esse número que nunca mais o largou! Em um mundo onde todos os craques querem vestir a camisa 10, dar ao número 14 tamanha importância foi criar uma marca registrada que dura até hoje! Cruyff, já no final dos anos 1960, entendia de marketing pessoal!


No ano seguinte, Cruyff se uniu a um treinador de ginástica para crianças surdas chamado Rinus Michels. A forma de ambos enxergarem o futebol era comparável ao de um amor a primeira vista. A partir dessa união, surgia o conceito de “Futebol Total”, que Rinus e Cruyff jamais abandonariam.

Até hoje é difícil dizer qual era a posição do holandês dentro de campo. Horas estava marcando como um zagueiro ou lateral, horas armando o jogo como um volante, meia ou ponta, horas dentro da área definindo como um autentico camisa nove! O incrível era que nessa polivalência, o holandês conseguia ser um craque em todas as faixas do campo! O que dificultava ainda mais saber qual era sua principal zona de ocupação no gramado!

Particularmente, ficaria com a brilhante definição da Revista Placar. “Cruyff atuou em todas as posições, menos no gol”.

A partir daí, o Ajax passou por uma revolução. Foram oito campeonatos holandeses e cinco copas da Holanda em dez anos de duas passagens do craque pelo clube. O time voltara a ser a principal potência dos Países Baixos. Mas isso era pouco para Cruyff.

Michels fora contratado pelo Barcelona em 1971 e chamou Johan para o clube catalão, no entanto, Cruyff mesmo tentado decidiu ficar no clube de Amsterdã para conseguir três títulos seguidos da atual Liga dos Campeões da Europa: 1971, 1972 e 1973. Sendo essa última, com direito a eliminar o Bayern de Munique de Franz Beckenbauer.

Ainda vieram a Supercopa da UEFA e o Mundial Interclubes de 1972 (Só não vieram mais dois mundiais pois o Ajax declinou das disputas em favor dos vice campeões europeus).

Com as conquistas sendo o destaque da equipe, vieram também os títulos individuais. dentre eles, três Bolas de Ouro em 1971, 1973 e 1974. Cruyff assumia o bastão que antes fora de Puskas e Eusébio como o melhor jogador europeu.

Após ter mudado o Ajax de patamar, Cruyff se sentiu traído por seus companheiros que decidiram lhe tirar a braçadeira de capitão por sua forte personalidade. Com isso, migrou para o Barcelona, clube que já era treinado pelo seu grande amigo Rinus Michels.

Antes de chegar a Catalunha, o Real Madrid lhe fez uma boa oferta, mas Cruyff pediu um salário de 12 mil dólares anuais, o que foi considerado absurdo pelo clube merengue.

Com isso, o holandês seguiu para o Barcelona na metade de 1973 e na mesma temporada (73/74) já conquistou o campeonato espanhol. Um título que não vinha para o time catalão há 14 anos Aos dirigentes do Real Madrid, restou o arrependimento até hoje de não terem subido um pouco a oferta.
Tal atitude já denotava que Cruyff era um gênio indomável, e que sabia muito bem que o futebol por mais divertido que fosse era um trabalho, e que por isso mesmo deveria ser encarado de uma maneira profissional.

Apesar de um grau de entendimento de mundo superior a média da maioria dos futebolistas, um vício o seguia desde garoto no Ajax: Os cigarros! Em uma declaração de 1991, Cruyff disse que chegava a fumar 20 cigarros por dia!

Ainda no período entre Ajax e Barcelona, chegava mais uma eliminatória para a Copa do Mundo. Dessa vez a Holanda iria tentar uma vaga no mundial da Alemanha Ocidental, coisa que não conseguia ha 40 anos, quando foi ao mundial de 1934 disputado na Itália.

Apesar do forte time montado com base no Ajax e no Feyenoord, a Seleção holandesa só conseguiu a vaga no mundial pelo saldo de gols ser superior ao de seus arquirrivais belgas. Tendo empatado em número de pontos e em jogos diretos contra o país vizinho! Mesmo assim, Cruyff conseguia mais um feito, recuperar o futebol holandês de seleções para o mundo!

Chegava o mundial da Alemanha Ocidental de 1974, Michels havia pego uma espécie de licença do Barcelona para treinar a seleção holandesa (Dizem alguns que fora influência direta de Cruyff). Estava montada a espetacular “Laranja Mecânica”, um time que misturava o talento individual ao vigor físico e que revolucionaria o futebol mundial a partir de conceitos estabelecidos na ideia do futebol total de anos antes. Tais como o jogo em alta velocidade, marcação mais dura, toque de bola, dribles sempre em projeção do gol e posse de bola.

Mas antes da Copa, Cruyff teve que mostrar mais uma vez sua personalidade. A seleção holandesa era patrocinada pela Adidas, e para estampar seu patrocinador resolveu colocar as três listas características da marca nas mangas de suas camisas.

Porém Cruyff, que era patrocinado pela Puma se recusou a fazer propaganda gratuita do patrocinador rival! Sua camisa era a única que só tinha duas listas ao invés das três tradicionais!

Começa o mundial e o “Carrossel Holandês”, apelido dado pela tática em que os jogadores não guardavam posições fixas, em especial o próprio Cruyff, começou a “passar o trator” por todos os adversários.

O uruguaio Pedro Rocha, uma das vítimas de Cruyff, chegou a dizer que só pediu por sua mãe duas vezes na vida! Uma em sua estreia como profissional e a outra quando enfrentou a seleção holandesa de 1974! Os marcadores uruguaios que haviam “jurado” Cruyff antes da partida saíram dela reclamando que não conseguiam sequer chegar perto do camisa 14.

Além do Uruguai, a seleção laranja passou por Suécia, Bulgária, Argentina, Alemanha Oriental e Brasil. Com Cruyff atuando muito bem em todas as partidas!

Contra o Brasil em especial, mesmo em um primeiro tempo de muita pancadaria, Cruyff fez Leão fazer a mais bela defesa da Copa do Mundo!

Mas no segundo tempo debaixo de chuva, o camisa 14 cruzou para Neeskens marcar e em seguida, ele mesmo fechou o caixão brasileiro. Em sua segunda Copa na história, Cruyff, Neeskens, Krol, Rep, Resembrink e Michels conseguiram levar a Holanda a final do torneio com total favoritismo, mesmo que o adversário fosse a dona da casa, a Alemanha Ocidental.

Antes de prosseguir na história vale um adendo sobre a Seleção brasileira: Desde 1950, os brasileiros têm o costume de nunca reconhecerem o mérito adversário, mas sim erros próprios! Foi assim com Barbosa em 50, O complexo de vira-latas em 54, o goleiro Manga e pancadaria europeia em 66, o roubo argentino em 78, os erros individuais de Cerezo e Valdir Peres em 82, o pênalti perdido de Zico em 86, Lazaroni em 90, a convulsão de Ronaldo em 98, a falta de pulso de Parreira em 2006, Felipe Melo em 2010, Felipão em 2014, e Fernandinho em 2018.

A única Copa em que os jogadores e imprensa da época reconhecem que o Brasil não perdera por seus erros, mas sim pela total superioridade do adversário fora a derrota de 1974 para a Holanda e para Cruyff. Se tratando de Brasil, onde sempre nos consideramos superiores no futebol, isso é um mérito e tanto para Johan.


Voltando a final do mundial de 1974, mal o jogo havia começado e Cruyff recebeu a bola como um zagueiro. Foi avançando, driblou seu marcador individual Vogts, entrou na área e acabou derrubado, era pênalti para a Holanda sem sequer a seleção alemã ter tocado na bola! Neeskens bateu e abriu o placar.

No primeiro tempo, Cruyff ainda deixou Rep na cara do gol. Poderia ser o segundo e decisivo gol holandês. Mas o atacante foi parado pelo goleiro Sepp Maier, talvez na maior atuação de um goleiro em finais de Copas do Mundo.

Após o gol de empate e virada da Alemanha ainda no primeiro tempo, Cruyff parecia bastante irritado, o que acabou por desestabilizar o time como um todo. Ao fim da primeira jornada, tomou um cartão amarelo após áspera discussão com o árbitro. Tal instabilidade aliada a uma partida irreparável de Maier fizeram o jogo de Cruyff desaparecer e consequentemente a Alemanha segurar o jogo até o final, o que garantiu o bicampeonato mundial do país.

Para Cruyff, restava o vice campeonato e o prêmio de melhor jogador da Copa e do ano de 1974 como já citado antes!

Citando Israel Cayo Campos em outro texto: “Acho engraçado ler de alguns especialistas que Cruyff era um jogador tático, porém não talentoso como outros grandes gênios do futebol! Além da consciência tática que possuía, o holandês também tinha um talento absurdo! Passes precisos, dribles desconcertantes para ambos os lados sempre em direção ao gol, movimentos giratórios que deixavam zagueiros no chão, velocidade, arranque, ótimos cruzamentos e um faro de gol que faria inveja a qualquer camisa nove de ofício”.

Para os mais jovens, se pudéssemos comparar épocas, um jogador que lembra o estilo de jogo de Cruyff é o argentino Lionel Messi. A exceção é que Messi não volta para marcar, Cruyff fazia isso com primor!

Claro, o argentino é mais talentoso e vitorioso durante sua ainda não terminada carreira, mas Cruyff não fica tão atrás no jeito de jogar, além de ter um conhecimento tático como jogador bem superior ao do argentino.

Assim como no Ajax, Cruyff e Michels revolucionaram o estilo de jogo do Barcelona. Um clube que tinha a cara do holandês, Revolucionário! Mais um título da Copa do Rei veio em 1978 e chegava a hora da Copa do Mundo da Argentina.

A Holanda conseguira de novo a classificação, mas dessa vez, Cruyff anunciara que não disputaria o torneio! Aos 31 anos e ainda em seu auge, a ausência do melhor jogador do mundo a época não fora entendida e explicada por ninguém!
A Holanda foi novamente vice-campeã, mas já não lembrava o futebol maravilhoso do mundial anterior sob a capitânia de Johan.


Muito se especulou sobre a recusa de se jogar aquela Copa. Alguns disseram que Cruyff não teria ido como afronta a ditadura militar argentina da época! Outros alegaram que foi por motivos relacionados a patrocinadores como ocorrera em 1974. Mas anos depois o próprio Cruyff contou que fora um sequestro pelo qual ele e sua família passaram um ano antes do mundial da Argentina que acabou gerando o trauma que o fizera querer sair dos holofotes mundiais por um tempo.
A alegação apesar de demorada nunca foi contestada, e por isso ficou como a explicação oficial para a não ida do craque holandês a Copa de 1978.

Em 1978 resolveu se aposentar, mas acabou voltando atrás após problemas financeiros. Em 1979, acabou indo jogar na Liga dos Estados Unidos, onde segundo o próprio, teria mais sossego e anonimato! O que em partes comprova seu argumento sobre o sequestro!

Após o reestabelecimento financeiro, Cruyff voltou para o seu Ajax de coração aonde conquistou mais uma liga holandesa! Mas ao fim da temporada, o clube não quis pagar o que o craque achava merecer receber e o dispensou! A vingança de Cruyff foi assinar um contrato com o arquirrival Feyenoord, que em 1984, com Cruyff como principal jogador, ganhou o campeonato holandês em cima do Ajax!

Aos 37 anos, era o fim de sua carreira como futebolista em grande estilo!
Cruyff terminou a carreira de jogador com 660 jogos e 514 gols por clubes, além de 48 jogos e 33 gols pela seleção holandesa. Números excelentes para uma carreira de vinte anos de futebol profissional!

Mais uma prova de que Cruyff era um sujeito de personalidade forte se deu ainda anos 1980 quando a seleção holandesa não conseguira se classificar para as Copas de 1982 e 1986 mesmo sendo vice-campeã nas duas dos anos 1970.

Fora feito um congresso de treinadores holandeses para resolver o problema da Seleção em 1987. Entre os membros do debate estava Rinus Michels. Cruyff apareceu meio que de penetra e começou a dizer tudo que estava errado no futebol holandês dos anos 1980, inclusive para o seu mestre Michels. A partir dali, a Holanda se reestruturou e montou uma base forte que culminou no título da Eurocopa de 1988 com a nova versão da “Laranja Mecânica”.


Seleção holandesa que era novamente comandada por Rinus Michels, mas que se recuperara graças aos conselhos do antes aluno Johan Cruyff!

O conhecimento futebolístico do ex-camisa 14 o levou para a carreira de treinador. Em 1986 assumiu o Ajax, e conquistou duas Copas da Holanda em 1986 e 1987.

Logo foi chamado para dirigir o Barcelona, que não vinha mostrando um bom futebol desde a época em que o próprio Cruyff era jogador.

Em 1988, Cruyff voltava a Barcelona para fazer história, dessa vez como técnico. No time catalão ele passou a inserir um estilo de jogo que dura até hoje. Onde a posse de bola, o futebol bonito, a técnica e objetivo do gol são as principais características!

Se o Real Madrid foi, e continua a ser mais vencedor, o Barcelona graças ao estilo Cruyff se tornou um futebol mais belo de ser observado enquanto espectador! Mas um belo com resultados que fizeram a distância em conquistas para o clube da capital espanhola diminuir!

Só com Cruyff como treinador, foram quatro campeonatos espanhóis, uma Copa do Rei, quatro Supercopas, sendo três da Espanha e uma da UEFA. E a tão sonhada Liga dos Campeões de 1992, título que até então era inédito para o clube. Cruyff é um dos poucos que podem dizer que revolucionaram um clube como jogador e como técnico!

Ao contrário de quando era jogador, quando “cuspiu cobras e marimbondos” pela derrota na final da Copa de 1974 com a famosa frase “A Alemanha não ganhou a Copa do Mundo. Nós a perdemos”, Enquanto treinador, aprendeu a reconhecer quando uma equipe era superior a sua. Foi assim com o São Paulo de Telê Santana no Mundial de Clubes de 1992 e com o Milan de Fábio Capello na final da Champions de 1994.


A maturidade, o nome na história, e os títulos conquistados trouxeram mais tranquilidade ao gênio holandês! Mas não só isso. Sua saúde passou por um risco em 1991, quando por causa do tabagismo precisou fazer uma cirurgia cardíaca! A partir dali, largou o inveterado vício em cigarros e passou a cuidar mais da saúde. Fez até propagandas antitabagistas onde dizia que só teve dois vícios: O futebol, que lhe deu tudo que ele possuía, e os cigarros, que quase lhe tiraram a vida!

Mesmo assim, quase 25 anos depois de ter parado de fumar, Cruyff foi diagnosticado com câncer de pulmão. Que rapidamente se alastrou em seu corpo e o fez nos deixar, segundo seus familiares de maneira tranquila, no dia 24 de março de 2016 em Barcelona.

Chegava ao fim a vida de um dos cinco maiores jogadores de todos os tempos (Na opinião do escritor do texto), mas seu legado fica até hoje para jovens do mundo todo em vários projetos sociais promovidos pelo craque! Alguns inclusive no Brasil!

Em pesquisa popular de um programa inglês, Cruyff ainda fora eleito o sexto maior holandês de todos os tempos, atrás de nomes como Erasmo de Roterdã, Antonie van Leeuwenhoek (O verdadeiro inventor do telescópio, e não Galileu Galilei), Willian de Orange e Pim Fortuyn. Pra se ter uma ideia, nessa mesma pesquisa no Brasil, um país com bem menos tempo de história que a Holanda, Pelé, o maior jogador de todos os tempos, ficou apenas em décimo segundo!

O estádio do Ajax mudou de Amsterdã Arena para Johan Cruyff Arena. O Ajax aposentou a camisa 14! E só nos restou o “espírito” desse gênio do futebol aprisionado naqueles que puderam aprender com ele. A maioria saídos das “canteiras” do Barcelona…

No mais, nunca mais veremos outro gênio igual Johan Cruyff a desfilar seu talento nos gramados! Um gênio contestador, Um gênio com as palavras, Um gênio com a bola nos pés! Um gênio político! Um gênio indomável!

O ACORDO DOS GÊNIOS

por Luis Filipe Chateaubriand


Em 1994, o craque Romário jogava no Barcelona, onde tinha como técnico o ex jogador genial Johan Cruijff. Era um time fantástico, composto de grandes jogadores do futebol internacional, mas em que o Baixinho despontava como a estrela da companhia.

Certa vez, próximo do Carnaval chegar, o abusado Romário fez o pedido inusitado ao técnico Cruijff: ao invés de três dias de folga no Carnaval, queria a semana inteira no Brasil.

A boa e velha marra do Baixinho…

Se fosse um líder autoritário e sem sensibilidade, Cruijff simplesmente negaria o pedido e o assunto estaria encerrado.

Mas Cruijff não era um líder medíocre, e sim um inteligentíssimo motivador de grupo. Voltou-se para Romário e disse assim:

– Ah, você quer uma semana de folga no Brasil? Tudo bem! Mas faz um favor para mim: faz dois gols nesse jogo que vamos ter contra o Atlético de Madrid e, depois, pode ir sossegado!

Imaginam o que aconteceu? Vou lhes contar…

Ao final do primeiro tempo, o Barcelona vencia o Atlético de Madrid por 3 x 0, três gols do Baixola!!!

Missão cumprida, Romário rumou para o aeroporto… com destino ao Rio de Janeiro, onde ficou por uma semana.

Quando voltou a Barcelona, na semana seguinte, ainda fez dois gols no próximo jogo, para o qual tinha chegado poucas horas antes.

Pois é: a habilidade de Cruijff para ser um excelente gestor de grupo, tirando do craque do time o melhor que ele pode dar, é proporcional à habilidade do Gênio da Grande Área (como o próprio Cruijff o apelidou) para fazer gols.


Nunca esquecerei que, naquele sábado, caminhava à tarde pelas ruas do bucólico bairro da Urca, no Rio de Janeiro, ouvindo futebol pelo walkman (nossa, que coisa velha…), quando foi anunciado o terceiro gol de Romário no jogo. O comentarista Sérgio Noronha, o Seu Nonô, resumiu tudo:

– O Baixinho é enjoado!!!

Por incrível que pareça, depois do intervalo, o Atlético de Madrid virou o jogo, e ganhou do Barcelona por 4 x 3; mas, motivado pela atitude do líder Cruijff, o Baixinho jogou o fino até o fim da temporada, levando o Barcelona à conquista do título Espanhol.

Craques, e líderes, decidem títulos.

Esclarecimento:

Segundo a versão de um canal de streaming, esta seria uma estoria mentirosa, pois Romário diz que saiu no intervalo do jogo em direção ao aeroporto, para embarcar para o Rio de Janeiro, logo após fazer os três gols.

O que posso afirmar é que não é mentira que ele fez os três gols, não é mentira que o Atlético de Madrid virou o jogo, não é mentira que ele veio para o Carnaval e ficou uma semana. Lembro perfeitamente, e ainda não estou gagá… Por outro lado, não creio que alguém com a credibilidade de Johan Cruijff fosse inventar algo desse tipo. A moral da estoria é verdadeira: craques, como Romário, e líderes, como Kruijff, fazem a diferença no futebol.

Luis Filipe Chateaubriand acompanha o futebol há 40 anos e é autor da obra “O Calendário dos 256 Principais Clubes do Futebol Brasileiro”. Email: luisfilipechateaubriand@gmail.com.

QUANDO BATI BOLA COM JOHAN CRUYFF

por Claudio Lovato


A primeira Copa do Mundo que acompanhei de fio a pavio foi a de 1974, na então Alemanha Ocidental. Eu tinha 9 anos. Cruyff foi o grande destaque e imediatamente tornou-se um herói para mim. Herói, exemplo e lenda. A camisa 14 da Seleção da Holanda jamais me saiu da cabeça. 

Em 1977, eu tinha 12 anos e meu pai estava fazendo doutorado na Espanha. Morávamos em Madri, mas meu velho, querendo dar um presente ao filho, resolveu aproveitar um intervalo nas aulas na universidade para irmos a Barcelona. 

Foi no dia seguinte à nossa chegada a Barcelona, logo de manhã cedo, que meu pai, ciente de que não haveria como estender aquela espera, me disse:

– Vamos conhecer o Camp Nou!

Dentro do táxi, eu quase não conseguia ficar sentado.

Não havia treino naquele dia; eu teria que me conformar com uma visita guiada, mas já estava ótimo. Ou quase ótimo.

Terminada a visita fomos até a lojinha do estádio e meu pai me deu uma bola com o escudo do clube. Depois resolvemos dar uma volta pelas redondezas do estádio, por conta própria. Meu pai tinha uma espécie de curiosidade inerente à sua personalidade e isso ajudou para que um dos momentos mais inesquecíveis da minha vida se materializasse. 


Entra aqui, sai ali, aproveita aqui o descuido do cara na guarita de segurança, diz ali para um porteiro que somos brasileiros, e vai-se entrando e saindo e entrando de novo, até que chegamos a uma área de estacionamento, e foi então que vimos dois sujeitos saindo juntos por uma porta e se despedindo e se dirigindo a seus carros, e de repente tive a certeza de quem era o cara caminhando em direção ao carro verde escuro e não havia qualquer dúvida na minha cabeça.

Eu e meu pai caminhamos em direção a ele, devagar, mas com convicção, e foi então que ele, percebendo nossa aproximação, em vez de abrir a porta do carro voltou-se para nós, tirou os óculos escuros e falou em espanhol, com toda a calma do mundo, a voz grave, o sorriso cúmplice:

– Estão visitando o clube?

Diante do meu mutismo, meu pai respondeu:  

– Sim, somos do Brasil.

Ele caminhou em nossa direção até chegar à distância de um aperto de mãos. 

– Brasil… Tivemos um jogo duro contra vocês na última Copa! – ele disse, enfatizando cada sílaba.

Meu pai sorriu e, em seu espanhol fluente, disse:

– Vocês foram melhores.

– Jogamos do que jeito que vocês jogavam antes! – ele disse, e agora estava muito sério.

O gênio holandês, filho de uma faxineira do Ajax, clube que o lançou, então olhou para mim. 


– O que é que tem aí dentro? – perguntou, apontando para a sacola que eu carregava. 

Com as mãos trêmulas, tirei a bola de dentro da sacola.

– Vamos ver se é boa! – ele disse, enquanto caminhava de costas, até parar, dar meia volta e colocar as mãos na cintura.

Deixei a bola quicar duas vezes e a passei a ele, usando a parte interna do pé. Ele a recebeu, fez uma quantidade de embaixadas que poderia ser de dez, de cem ou de mil e passou de volta para mim. Tentei fazer alguma coisa, mas estava nervoso demais, então só mandei a bola de volta. Ele fez mais dez, cem ou mil embaixadas e meu passou a bola de novo. A sequência se repetiu mais uma vez, e então ele disse:

– Bom, preciso ir, porque se o nosso médico me vê aqui vou ter problemas.

Ele tirou os óculos escuros do bolso da camisa, fez um sinal de positivo com o polegar em nossa direção e disse:

– Tchau!

Depois entrou no carro e foi embora.

Quando meu pai conseguiu me tirar do transe em que eu me encontrava já era quase noite, e foi só no hotel, quando estávamos jantando e enquanto meu pai contava a história para minha mãe, que eu consegui voltar a falar. E tudo o que eu conseguia dizer naquela noite foi:

– Eu bati bola com o Cruyff!

E sigo repetindo isso até hoje, passado muito, muito tempo – às vezes enquanto conto para o meu filho quem foi Johan Cruyff. 

OS GRANDES PERDEDORES

por Serginho 5Bocas

ZIZINHO 


Quando menino, meu pai (tricolor) dizia que Pelé havia sido o maior jogador de futebol que tinha visto jogar, mas que não tinha toda a certeza disso porque houve um jogador chamado Zizinho, que por sinal era o ídolo do rei Pelé e de muita gente boa. Meu pai dizia que Zizinho, ou Mestre Ziza, era um eterno condenado e sem prescrição da pena, ele, ao lado do goleiro Barbosa, eram os líderes de toda uma geração de condenados, os “perdedores” da Copa de 50. 

Mestre Ziza foi um gênio de futebol, entretanto carregou o gosto amargo da derrota em casa na final da Copa de 1950. O pior é que depois disso, ainda teve que pagar um alto preço por liderar um protesto, que culminou com seu afastamento de novas convocações do escrete canarinho, mas talvez a seleção do Brasil tenha se saído pior nesta história, pois abrir mão de um talento como aquele tem muito a ver com a insensatez que reinava e ainda reina nos meandros do poder do futebol brasileiro.

Assim, fez falta demais na Copa de 1954, pois com ele certamente teríamos mais munição para enfrentar os temíveis húngaros, fazer o quê?

Já no final de carreira quando jogava no Bangu, foi contratado pelo São Paulo e aos 37 anos, liderou o time rumo ao título do Campeonato Paulista, um feito e tanto se considerarmos a idade e a qualidade dos jogadores da época.

Em entrevista anos depois, ele disse que após a convocação de todos os jogadores para a Copa de 1958, ligaram para ele e fizeram um convite para que ele fosse a Copa da Suécia comandar a seleção em campo, mas educadamente ele recusou, disse não achar justo tirar a vaga de alguém que já estava sonhando com a participação na Copa, o jovem Moacir.

Justo, ético e humano, só mesmo um gênio para praticar um gesto de nobreza e altruísmo como esse, algo raríssimo nos dias de hoje, coisas de uma época mais romântica do futebol.

Zizinho foi considerado o melhor jogador da Copa de 1950 e um dos maiores de todos os tempos.

PUSKAS 


O major galopante foi o grande líder do grande time do Honved e da seleção húngara, a inesquecível e quase invencível “magiar”.

Um time quase perfeito que tocava a bola com rapidez e objetividade impressionante. Muitos dizem que foram eles que inventaram o aquecimento antes das partidas, e que por isso entravam em campo a 1000 por hora e decidiam as partidas nos minutos iniciais, pois enquanto os adversários precisavam de um tempo para aquecer, eles já entravam em ponto de ebulição e isso fazia uma enorme diferença.

Ficaram por longos anos invictos e foram perder justamente na final da Copa do Mundo de 1954, ficando com o vice após derrota por 3×2 para os alemães ocidentais, num jogo que ficou conhecido como a “batalha de berna”, pela sua dramaticidade.

Puskas sofreu uma entrada violenta no segundo jogo da Copa, justamente contra os mesmos alemães ocidentais, ainda na primeira fase, quando venceram por 8×3. Essa contusão tirou-o de quase toda a Copa, só retornando na final, em que marcou o primeiro gol e “quase” fez o que seria o gol de empate (3×3) e que foi infelizmente anulado pelo árbitro.

Puskas ainda fez muito sucesso no futebol, desfilando sua enorme categoria e precisão, jogando pelo Real Madrid na Espanha, também deu ares de sua graça atuando pela fúria espanhola após ter se naturalizado, em razão de problemas políticos internos e gravíssimos no levante que ocorreu na Hungria que o obrigou a se asilar em outro país.

O canhotinha foi um dos maiores jogadores de todos os tempos e possui um recorde que nem Pelé tem, o de maior artilheiro de seleções nacionais em jogos oficiais com 84 gols em 85 jogos.

Puskas é o melhor jogador húngaro de todos os tempos e é considerado um dos maiores jogadores de futebol do mundo de todos os tempos.

CRUYFF  


Foi o revolucionário do futebol, o maestro da laranja mecânica, nome dado ao time holandês durante a Copa de 1974. Uma equipe que mudou conceitos futebolísticos e que nunca mais o mundo viu nada parecido.

Cruyff era jogador de todo o campo, buscava a bola lá atrás e a levava até a outra área com enorme facilidade. Era difícil definir em que posição Cruyff jogava, tal sua impressionante movimentação por todos os espaços e sua capacidade de executar funções distintas.

Corpo esguio e elegante, se destacava num grupo de virtuosos, no meio de várias feras ele era a “FERA” das feras.

Cruyff colocou, juntamente com seus companheiros, a Holanda no mapa do futebol, nunca antes nem depois se formou uma equipe nas terras baixas com tamanha qualidade e capacidade de enfeitiçar os torcedores.

Cruyff não venceu a única Copa em que participou, pois perdeu a final para a Alemanha ocidental, mas ninguém que presenciou aqueles sete jogos dos laranjas irá esquecê-lo. Uma pena que ele não quis participar da Copa de 1978, dizem que por motivos políticos, pois era totalmente avesso ao regime ditatorial do general Videla que presidia a Argentina na época.

Aquele início arrasador na final da Copa de 1974, em que a Holanda deu a saída de bola e ficou com ela por mais de um minuto, só parando no pênalti cometido por Volks em Cruyff, ficou na antologia do futebol, coisa de almanaque.

Ele ainda jogou e reinou no Barcelona e nos Estados Unidos, de volta para a Holanda encerrou a carreira passando pelo Ajax e Feyernood.

Cruyff foi o maior jogador holandês de todos os tempos e um dos melhores do mundo. 

ZICO  


Foi o craque da melhor seleção pós 70 (era Pelé), aquela que encantou o mundo na Copa da Espanha em 1982. Seleção que ficou conhecida pelo jogo bonito e envolvente, de movimentação constante, posse de bola e belíssimos gols, uma pequena amostra do que se convencionou chamar de futebol arte.

Zico era craque, arco e flecha, aquele que arma no meio de campo e corre até a área para concluir com perfeição.

Zico tinha a facilidade do drible, uma visão privilegiada do campo e do jogo, a capacidade de conclusão apurada e o passe como suas maiores qualidades. Apesar de ser um artilheiro mortal, ele não esquecia dos companheiros e não se cansava de dar passes milimétricos para que marcassem seus gols.

Zico foi cidadão do futebol no mundo, sendo rei na Itália e Deus no Japão, ídolo do esporte e pessoa admirada pelo futebol e pelo caráter fora das quatro linhas.

O futebol foi sua forma de se expressar, de mostrar ao mundo todo o seu talento e seu profissionalismo.

Zico foi o maior artilheiro do Flamengo e do Maracanã e para muitos o melhor jogador de futebol brasileiro pós Pelé e um dos maiores do mundo.

PLATINI 


Foi o comandante da maior geração de futebol francês de todos os tempos. Capitaneava um grupo que tinha ninguém menos do que Giresse e Tigana como companheiros e coadjuvantes.

Esse grupo apresentava um futebol refinado e de toques precisos e de alta categoria. Pareciam não fazer esforço para jogar bola. Apesar de não terem vencido uma Copa do Mundo, não há como esquecer as lindas apresentações que fizeram principalmente em 1982. Pena não termos presenciado uma final entre a França e o Brasil naquela Copa, a de 1982, seria uma ode ao futebol arte.

Platini tinha extrema classe e categoria que era demonstrada quando se relacionava com a bola. Simplificava o que aparentemente era dificílimo no jogo e o fazia com tal qualidade que fazia parecer a coisa mais simples e possível a qualquer mortal.

Jogou 3 Copas do Mundo e encantou nas de 82 e 86, apesar de ter sido eliminado pela mesma Alemanha nas duas ocasiões, mas nada disso foi capaz de apagar seu brilho.

Comandou a maior vitória de seu país até então, a Copa Europeia de Seleções de 1984, sendo também o artilheiro da competição.

Iluminou os gramados italianos quando comandou a Juventus e foi eleito o melhor jogador europeu por três vezes consecutivas.

Foi sem sombra de dúvidas o maior jogador da França de todos os tempos com sobras e um dos mais clássicos do mundo.  

O que todos estes supercraques tiveram em comum? 

Todos foram mestres da coletividade sem abandonar e exprimir suas potencialidades individuais.

Todos eles foram legítimos representantes do futebol arte; 

Todos eram os líderes incontestáveis de suas equipes.

O futebol bem jogado por eles está acima de qualquer suspeita e que nem mesmo o título de campeão do mundo que eles tanto desejaram e não conquistaram apagou todo o legado que eles deixaram para o futebol ao redor do mundo. 

O mais intrigante disto tudo é que todos eles são mais lembrados do que muitos vencedores de Copa e são respeitados em todo o mundo como grandes do futebol mesmo sem ter alcançado a sua maior glória.

Pena da Copa do Mundo! 

CRUYFF, O IMORTAL

por Serginho5bocas


Se há na linha do tempo uma equipe que podemos chamar de moderna sem medo de ser feliz, foi a seleção holandesa da Copa de 74, na Alemanha, comandada por Cruyff. Pode não ter sido campeã mundial, nem a melhor de todas as Copas, mas não tenho dúvidas de que foi a mais inovadora.

Cruyff era o senhor do jogo, aquele que comandava todo o balé, era “o cara”, sobrava na turma e talvez em qualquer turma de futebol neste planeta e em qualquer tempo, pois já nasceu técnico, era o elo com o treinador Rinus Michels, de dentro do campo.

Esse cara era Cruyff, o gênio holandês, o maior jogador de futebol nascido na Holanda em todos os tempos.


Cruyff pode não ter sido o maior de todos, mas com certeza foi o mais versátil, o cara que jogava no campo todo, com inteligência e domínio de todos os fundamentos, um peão que fazia o time girar.

Estava em todos os lugares do campo e fazia todo mundo jogar bem, acompanhando e comandando os movimentos da equipe de longe e, quando necessário, mais de perto, sempre se apresentando para dar opção e demonstrando através de seus passes para gols dos companheiros, um altruísmo acima da média.

Driblava muito bem, tinha uma visão de jogo acima da média e uma velocidade espantosa quando arrancava com a bola, partindo para cima dos adversários.

Foi com certeza o rei dos três dedos, o mestre da trivela, e tudo sem tomar conhecimento da bola, olhava para cima, altivo e elegante, dono de um estilo de jogo monárquico, um deus da bola.

Cruyff foi o rei de sua época, o melhor da década de 70, venceu inúmeros prêmios individuais, mas a sua marca registrada era o jogo coletivo, todos juntos lá atrás se ajudando para ninguém tomar drible ou levar gols e todos juntos lá na frente, para ter e dar opção de jogo a todo instante. Sem contar a linha de impedimento perfeita e as “blitz” que faziam amiúde, roubando a bola dos adversários totalmente perplexos.

Cruyff e a Holanda poderiam jogar hoje, mais de 40 anos após o apogeu, que seria moderno, pois ninguém conseguiu fazer aquilo de novo, em nenhuma época.

Eu não tive a felicidade de vê-lo em ação ao vivo na sua melhor fase, mas ainda pude me maravilhar com lances de DVDs e pela internet que felizmente possibilita a qualquer um rever os melhores lances deste grande jogador.


O confronto da Holanda contra o Uruguai na Copa de 1974 deu a sensação de que os caras de laranja eram de outro planeta. Pela TV dava a sensação de que aquilo tudo era armação, efeitos especiais, mas não era, era futebol puro, completo, coisa de quem sabe das coisas, e muito. Era o jogo que ficaria conhecido como FUTEBOL TOTAL. O que muita gente não sabe, é que aquela formação de time, uma mistura do Ajax com o Feyenoord, nunca havia jogado junto, entraram cinco novos jogadores na estreia da Copa de 1974. 

Quem viu aquele cara, o camisa 14 da laranja mecânica, comandando aquilo tudo dentro do campo, teve a noção exata do que ele era capaz.

Cruyff se despediu sem levar o título, mas no jogo final, apresentou ao mundo mais uma de suas jogadas fantásticas, uma amostra do seu imenso repertório. Arrancou do meio de campo em alta velocidade e foi se infiltrando pela zaga alemã, até ser parado com pênalti, que abriria o marcador do jogo. Para se ter uma ideia, a Holanda havia dado a saída de bola, trocou de pé em pé por quase dois minutos sem que a Alemanha tocasse na bola, até que o gênio holandês pintou sua tela, a tela mais bela e surpreendente das Copas, imortal.