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ÍNDIO, TUA ÁREA, SUA CASA

por Wendell Pivetta


O zagueiro multi-campeão pelo Inter, completou neste mês 45 anos e, junto de seu aniversário, um legado vive no clube colorado dos pampas. Começou a jogar futebol nos times de várzea de Maracaí, no interior de São Paulo, quando ainda era um cortador de cana de açúcar. O apelido ‘Índio’ foi ganho em virtude dos seus cabelos compridos, que lembravam uma figura indígena. Contratado junto ao Juventude em 2005, Índio logo assumiu a titularidade.  

Aos 39 anos, se aposentou do futebol, deixando um legado inesquecível pelo clube do povo. Completou 10 temporadas, com 391 partidas e 33 gols. Superou nos gols, a marca que antes pertencia ao lendário zagueiro Figueroa, ídolo da década de 70, autor de 26 gols. É o defensor que mais gols marcou na história do Colorado.

Deixou marcas inesquecíveis para a torcida, como a de ser carrasco em clássicos gre-nais, sempre deixando sua marca no placar. Era só pintar o clássico que a torcida já sabia que teria gol do zagueiro. Em 2006 foi de seu sangue derramado no gramado de Yokohama que começaram a pintar o mundo de vermelho. Mesmo com o nariz quebrado após uma dividida, o zagueiro se levantou, estancou o sangue e ajudou com toda sua raça o clube gaúcho conquistar o mundo.

Nos 13 títulos conquistados (contando com o mundial), estão duas Libertadores, duas Recopas e uma Sul-Americana. Hoje, nosso aniversariante segue a vida, ajudando a espalhar o nome do clube pelo Brasil com ações consulares, cuja qual, conheci o zagueiro, sempre sorridente e humilde.

CHAPA QUENTE

Por Sergio Pugliese


Na foto, Tico, Álvaro e Bacana tentando intimidar o experiente Índio.

Na foto, Tico, Álvaro e Bacana tentando intimidar o experiente Índio.

O árbitro Luiz Antônio Silva, o Índio, é figura tradicional dos estádios e volta e meia é escalado para apitar um clássico. Ontem, no Flamengo x Vasco, em Brasília, protagonizou um lance curioso ao expulsar Luis Fabiano e ainda marcou um pênalti inexistente para o Vasco nos acréscimos da partida, mas não perdeu a pose. Quem se lembra da Taça Rio, de 2009, quando ele distribuiu 11 cartões no Vasco 2 x 0 Flamengo? Expulsou Carlos Alberto, Tite e Ramon, do esquadrão cruzmaltino, e Willians, Léo Moura e o técnico Cuca, do Mengão, na época chamado de “Bonde sem Freio”. Na partida final do Carioca, entre os mesmos times, estava lá novamente e vermelhou um de cada lado, Alan e Willians.

 – Sem qualquer exagero, isso eu tiro de letra, difícil mesmo é encarar Bacana, Tico e Álvaro – admitiu.

 O trio em questão é objeto de estudo psicanalítico, incendeia qualquer pelada e já aposentou mais cedo muitos árbitros. Atualmente podem ser encontrados, nas noites de terça, no campo da ASBAC (Associação dos Servidores do Banco Central), e nas de quinta, no Caldeirão do Albertão, no Grajaú. Os três, craques de bola, odeiam perder, jogam com extremo vigor, em hipótese alguma concordam com a arbitragem, simulam faltas e ameaçam adversários.

 – Muitos árbitros de nossa empresa se negam a apitar para eles e já chegaram a cobrar adicional de periculosidade – afirmou Marino Najaine, o Ted, um dos profissionais mais requisitados da cidade.

Álvaro, Tico e Bacana são cidadãos de bem, têm famílias, trabalham, pagam impostos, colaboram com ongs e acariciam bichanos nas ruas. No Caldeirão, Tico sempre alimenta os cães de Sandrinho, o caseiro, e emociona a rapaziada.

 – Quem diria que esse doce de pessoa vira um monstro quando entra em campo – comentou Celso Ladrão, outro árbitro que tem taquicardia quando apita seus jogos.

E quando os três caem no mesmo time? Aí, é o inferno! Nitroglicerina pura!!!! Os decibéis atingem níveis insuportáveis e o rico vocabulário atormenta a vizinhança. Dá-lhe 190!!! Jamais seriam convidados para a pelada do cracaço Pedro Porfírio, no Condomínio Península, na Barra, onde palavrões são proibidos. Na ASBAC, a pelada já virou atração e alguns vizinhos desistiram de reclamar e juntaram-se aos inimigos. Chicão, do segundo andar, é um desses. Basta a partida começar para ele, da janela, começar a berrar os apelidos que cria para cada um, vaiar as “pernadepauzices” e os gols perdidos.

– A pelada sem o Chicão xingando não tem graça – disse Porquinho, o Mamute Dourado, lateral ofensivo.

– Encarar essa turma é para quem tem nervos de aço – emendou Índio.


Para não estressar os árbitros de sua empresa, Marino criou um rodízio, mas quem vai uma vez não quer mais voltar. Há alguns meses, após áspero bate boca entre o destemperado Álvaro e a traumatizada Daniele, a história quase foi parar na delegacia. O motivo: um gol anulado. Depois disso, Marino convocou árbitros monges, Márcio Vieira, Marcelo Borges e Júlio César, mas os três quuase foram parar numa clínica de combate ao estresse.

– Eles não deveriam jogar de colete, mas com camisa de força – sugeriu Marino.

Os três defendem-se, dizem-se incompreendidos. O gigante Tico, também conhecido por Herculano Quintanilha, atendendo a conselho de amigos, chegou a entrar em campo, por dois meses, com um esparadrapo na boca, mas quando foi arremessado no alambrado pelo “trator” Limão e o pênalti não foi marcado, arrancou o curativo e partiu para cima de Marino gritando “corre, seu filho da p….”. Claro, Marino correu e só reapareceu meses depois. Na última vez em que “enfrentou” os “monstrinhos”, Índio também se aborreceu e expulsou Bacana. Foi preciso a intervenção de PC, o Jorge Mendonça, policial civil e meio-campo habilidoso. A equipe do Museu da Pelada acompanhou esse jogo e se impressionou com o descontrole do trio. O experiente Índio safou-se, mas avisou que não voltaria mais ali. Tchau!!!

– Aqui quem manda somos nós – avisou Bacana.

Pena Índio ter ido embora sem participar da resenha. Até Marino apareceu. Tico servia batata frita para Álvaro, que abraçava Bacana, que gragalhava com Limão, que brindava com Porquinho, que pediu um minuto de atenção para celebrar aquela amizade de tantos anos, prontamente aceito pelo trio bipolar, demônios em campo, anjos na mesa do bar.