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Gabriel Jesus

O CRAQUE DO BRASIL EM 2016

por Luis Filipe Chateaubriand

No ano de 2016, o Palmeiras se destacou, vencendo o Campeonato Brasileiro.

O destaque do time foi o jovem Gabriel Jesus, que exibiu futebol de qualidade – o que o levou, posteriormente, para o Manchester City.

O garoto era especialista em fazer gols, com posicionamento na área bastante pertinente.

Além disso, Jesus fazia bem o pivô, preparando chances para companheiros de clubes.

Jogador, também, de saúde e força física, não desfalcava o “Verdão” em seus jogos.

O conjunto de virtudes levou o jogador a vencer a Bola de Ouro da revista Placar, em 2016.

Merecidamente. 

NOVO FENÔMENO CHAMADO JESUS

por Pedro Redig, de Londres


Nos estádios, nos bares e pubs todo mundo só fala do novo craque do Campeonato Inglês: Gabriel Jesus! O menino brasileiro já está fazendo tanto successo no Manchester City que começa a ser comparado com Ronaldo ‘Fenômeno’ quando jovem.

O começo avassalador na poderosa Premier League, inclusive, derruba dogmas sobre os jogadores do país pentacampeão mundial. 

– É um mito achar que os brasileiros não são fortes fisicamente – diz o ex-lateral do Manchester United Gary Neville.

Neville e outos comentaristas estão impressionados com a valentia, a determinação e a energia do jovem de 19 anos que lembra o vigor de Ronaldo na mesma idade.

Até agora, tudo parece um grande sonho para o atacante da seleção comandada por Tite. Depois de três gols em dois jogos na Premier League pelo Manchester City, a adoração dos torcedores não para de aumentar.

– Jesus está sempre no momento certo. Exuberante! É um prazer vê-lo jogando com aquele grande sorriso – emenda o ex-centroavante irlandês Niall Quinn, que vestiu a camisa dos ‘Citizens’ na década de 90.


O novo “Brazilian Boy” da Premier League acaba de dar sua primeira entrevista exclusiva desde que chegou à Inglaterra. Ele contou que está realizando um sonho e que escolheu o Manchester City porque recebeu uma atenção especial do novo chefe.

– O Guardiola telefonou para mim. Foi o único técnico que ligou para falar comigo – disse Jesus à ‘Sky’ britânica.


A gentileza do catalão encheu o brasileiro de moral, e Jesus tem deixado o ex-genro de Maradona Sergio Aguero no banco, com cara de poucos amigos, aliás. O técnico que contratou a chamada “jóia brasileira” está mais do que satisfeito.

– Estou muito contente com o que ele vem fazendo – disse Guardiola. “É um lutador e tem faro de gol. Perguntado se Jesus fica no time se continuar marcando, o comandante do City ironizou: “O que você acha?”

Dentro de campo ele esquenta correndo muito, mas Jesus admite estar sofrendo para se adaptar ao temido mau tempo de Manchester. 

– Tô tentando me acostumar, mas é frio, muito frio.

Ele lembrou aos ingleses que veio de uma família ligada ao futebol e que jogava bola na rua de manhã, de tarde e de noite.

– Às vezes eu ficava o dia todo sem comer – brinca o atacante. 

Jesus admite que chega a se surpreender com a trajetória fulminante, já que, há um ano, ainda estava despontando no Brasil.


– Há quatro anos eu estava jogando na várzea, depois veio o Palmeiras, o ouro olímpico e agora o Manchester City.

Jesus impressiona pela confiança, pelo futebol direto, por correr atrás e estar sempre alerta. No City, ele tem jogado de centroavante, enfiado na área. Os dois gols na vitória de 2 a 1 sobre o Swansea foram marcados quase debaixo da trave.


Fora das quatro linhas, o companheiro Fernandinho tem ajudado na adaptação de Jesus e funcionado como tradutor para a nova atração brasileira da Premier League.

– Até agora tudo tem sido melhor do que eu esperava. Todo mundo tem me apoiado e essa boa vinda é importante – finaliza o brasileiro, sorridente com o primeiro de muitos troféus de ‘Craque do Jogo.’ 

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Pedro Redig cresceu driblando paralelepípedos na rua da concentração dos aspirantes do Botafogo. Foi da Globo, Reuters e continua levando fintas da alegria que só o futebol traz. É correspondente do Museu, em Londres
 

A BASE REALMENTE É O FUTURO?

Mateus Ribeiro


Imagine que hoje Pelé fizesse sucesso (e muitos gols) na base de qualquer clube, e conseguisse o sonho de subir para o profissional. Feito tal exercício de imaginação, agora mentalize que o garoto mineiro fez duas boas partidas no time profissional contra times inferiores. Pronto, o coquetel do deslumbre está preparado: dezenas de entrevistas mostrando a vida do jovem rapaz, matérias em jornais, sites e revistas. Aliado a isso, um enorme número de contratos surgem, e viram do avesso a cabeça do então talento a ser lapidado.

Se isso acontecesse apenas com Pelé, estaríamos bem. O problema é que analisando fria e profundamente, esse triste fenômeno acontece praticamente todo dia no futebol brasileiro. Basta um lance mais rebuscado, e pronto, temos uma nova JÓIA! Normalmente esse processo de supervalorização não costuma trazer bons frutos, a não ser que se trate de um talento diferenciado, caso de Neymar (em que pese o fato de que a blindagem da imprensa é um ponto que favorece muito o jogador do Barcelona).


As coisas ficam mais tristes quando analisamos que isso tudo acontece desde a base. Quantos jogadores com quinze, dezesseis anos já estão com a cabeça na lua, seguindo os ensinamentos de uma mídia que só quer vender? Nunca fizeram tabela com um profissional, não sabem nem o nome do maior artilheiro do time que defendem e já querem ir para o Barcelona, para o Real Madrid, ou encher o bolso em qualquer canto do mundo. Quando chegam ao profissional, já chegam seguindo o modelo do jogador da atualidade: comportamento de integrante de boyband, o rei na barriga, tatuagens até nos lábios, e uma prepotência de dar inveja. Sem contar os nomes de Deputado Estadual que os jogadores recebem hoje. Esqueça Pelé. Ele seria Edson Arantes.


Quando Renê Simões disse que estavam criando um monstro ao falar de Neymar, ele não estava mentindo. Criaram. Só que ele é um monstro que conseguiu cativar uns e outros, e sua arrogância virou personalidade na boca da imprensa e no ouvido do pobre público. Gabriel Jesus, jogador extremamente talentoso, segue o mesmo caminho.

O caminho não é dos mais claros. Jogadores mimados, com o nariz empinado, sempre dispostos a estar no centro do mundo, mesmo sem motivo. As conquistas podem até aparecer dentro de campo. Porém, tão legal quanto ter conquistas, é ter ídolos. E esses moleques metidos a ídolos não me representam. E nunca me representarão.

CRAQUE DA SEMANA

De lavada!! No duelo de laterais, Roberto Carlos superou Marcelo com facilidade e foi eleito o craque da semana!! Além da força física e a facilidade para cobrar faltas, pesou o fato do ex-jogador ter disputado três Copas do Mundo, tendo vencido uma!