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Antigos Craques

A PELADA PROIBIDA

por Wesley Machado, de Campos dos Goytacazes

Tinha dois bons motivos para não ir à pelada deste domingo. O primeiro que o jogo do meu Botafogo era pela manhã e deveria me concentrar para a partida que marcaria a volta do Fogão à Série A. O segundo motivo era que minha filha, que está fazendo catecismo, queria que eu a levasse na missa. Olhem como age a Igreja Católica. “Apreenderam” a bíblia que dei a ela, com a desculpa de que o padre iria benzer. E só devolveriam a bíblia se a criança fosse na missa. Absurdo. Mas tudo bem, não deixarei de ser católico por isto. Muito pior são as igrejas evangélicas.


Apesar da idade avançada, o craque continua brilhando nas peladas (Foto: Wesley Machado)

Dizem que política, futebol e religião não se discute. Ultimamente até que estamos debatendo bastante sobre política. Pelo menos para isto o processo de impedimento serviu. Já falei de religião. Agora é a vez do futebol. Porque a pelada deste domingo foi a mais falada até agora. Cheia de polêmicas, como pode e deve ser o futebol. O time verde vinha tirando onda de que ganhava todas. E resolvi contratar um reforço para o meu time. Tratava-se de Check, a Lenda, o artilheiro dos 5 mil gols! Check é gol certo. E o mais incrível é que ele tem 60 anos, completados no início de 2016.

Chamei Check como convidado da Pelada Antigos Craques. A galera, que disse que a pelada já estava fechada, não deu muita bola. Não deram nada pelo coroa. “Esse Wesley – devem ter pensado -, mais um coroa? Depois do setentão Amaro Furacão, agora o sessentão Jocelino Check”? Sim, o nome e o apelido dele são em homenagem ao ex-presidente do Brasil. E foi com uma camisa amarela, com o escudo do Americano, time para qual Check torce em Campos (RJ), que ele jogou. E valeu o investimento. Uma banana e meia e um gole de guaraná natural. Check marcou dois gols decisivos que ajudaram o meu time a vencer.

SÓ O RELAXANTE MUSCULAR SALVA!!!!

Por Wesley Machado

Mesmo no feriadão teve pelada. Os Antigos Craques não abrem mão de bater uma bolinha. Grupo no WathsApp bombando!!! Provocações durante a semana. Um dizendo que ia dar caneta. Outro dizendo que ia dar lençol. E a pelada, considerada top pelo estreante Elias, teve tudo isso, caneta, lençol. E ainda drible da vaca, gol a la Romário e golaço de cabeça! Time encaixado e invencível, vencido apenas pelo cansaço. Água foi artigo de luxo. Com jogadores acima dos 30 anos e alguns que já passaram dos 40, o que salva depois da resenha é o santo relaxante muscular.


Colete Verde - Wandinho, Elias, Thiagão e Wesley; Rodrigo e Juninho. Colete Amarelo - Ralph, Wagner e Jean; Marquinhos, Gegê e Robinho.

Colete Verde – Wandinho, Elias, Thiagão e Wesley; Rodrigo e Juninho. Colete Amarelo – Ralph, Wagner e Jean; Marquinhos, Gegê e Robinho.

A dor que para o profissional é departamento médico na certa, para o recreativo não significa muita coisa. O que vem com a idade, além do despreparo físico, é a constatação da assertiva do título do livro de Roberto Da Matta: “A bola corre mais do que os homens”. Daí a importância de pensar o jogo, controlar a querida bola e mantê-la mais nos pés. Enfim, gostar dela, como afirmou certa vez um goleiro, que disse que os jogadores desta posição são os que mais amam a pelota, afinal são os únicos que a abraçam, enquanto os outros só querem chutá-la.

Quando se está ganhando até jogar para trás vale. Vale catimba. Só não vale apelação. Quer coisa pior que apelação? Como pelada não tem juiz, vale o bom senso. Pediu a falta, tem que parar. Nem sempre dá para ser super sincero. Quem ganha passa a semana zoando. Ainda mais quando o time para o qual torce elimina o outro no campeonato. Imaginem se os flamenguistas estão sendo zoados…..

PELADA, CHURRASCO E RESENHA

Por Wesley Machado

Uma pelada que não aconteceu mudou meu destino

No dia 16 de fevereiro de 2005, decidi ir na rua onde eu morei por muitos anos para agitar uma pelada – sempre fui um grande agitador de peladas. Não conseguimos jogadores suficientes para tal. Mas o reencontro com os amigos de infância motivou uma saída para lanchar, num bairro mais distante onde tinha uma maionese famosa. Do lanche, marcamos de nos encontrar novamente no dia seguinte, aniversário de um dos amigos, para sairmos para farrear. Fomos num forró, onde me apaixonei à primeira vista pela minha esposa, Nilcea, com quem tenho duas filhas lindas, Luiza e Júlia.

Jogando de All Star

Contei esta história para justificar que 11 anos depois, neste sábado, voltei à mesma rua, onde encontrei com o amigo Juninho, o aniversariante do dia em que conheci a mulher da minha vida. Enfim conheci a filha dele, Amanda. E ele me falou que teria uma pelada neste domingo. Fiquei animado e agitado. Não estou mais em forma para jogar bola e sim em forma de bola. Enferrujado, quase um ano sem jogar, mas fui. Sem um tênis apropriado, o que eu tinha abriu e não comprei outro ainda, coloquei um All Star mesmo. Fui o primeiro a chegar ao grande campo público de gramado sintético na praça dos Ciganos, no bairro Nova Brasília, perto da minha casa, onde jogaria pela primeira vez. Logo chegou o Rodrigo. Depois chegaram Robinho, Juninho e o irmão dele, Ralph. E depois Zezé e o filho dele, Vinicius.

Quem fizer ganha

Éramos sete. Ainda faltavam três para completar dois times com quatro na linha e um no gol. Alguém teve a ideia de jogarmos meio campo, golzinho fechado, sem goleiro. Chega um garoto. Tirado o time, ficamos eu, Rodrigo, Juninho e Vinicius de um lado; e do outro Robinho, Ralph, Zezé e o garoto, que depois descobriríamos se chamar Caio. A partida terminou 6 a 5 de virada para eles no “Quem fizer ganha”, com direito a um gol meu e de canhota. Partimos para o local mais próximo onde poderíamos primeiro tomar uma água e depois… Pasmem, Coca Cola. Isto mesmo! Ninguém ali bebia álcool. Robinho disse que parou há três anos. E eu estou tentando parar pela enésima vez.

Sexo no Godofredo Cruz

Acompanhando as Cocas, porque foram mais de uma – Robinho é um viciado em Coca… (Cola) – um churrasco misto composto de carne de boi, linguiça de frango e costela com aipim. Sentamos na grama, esta de verdade, em frente ao campo, e como num piquenique petiscamos enquanto colocávamos a conversa em dia. A resenha, considerada o ponto alto de toda pelada, teve assuntos impublicáveis. Muita tiração de sarro. Boas lembranças, boas histórias. E uma grande causo de um dos Antigos Craques, como será chamada a partir de agora a pelada, que acontecerá todo domingo de manhã. Ele contou que transou com uma colega de trabalho em uma cabine de rádio do extinto estádio Godofredo Cruz, do Americano Futebol Clube. E viva a resenha!


Os peladeiros da Antigos Craques

Os peladeiros da Antigos Craques