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Adilson Heleno

ADILSON HELENO

por Eduardo Lamas

A primeira vez que vi Adilson Heleno na minha vida foi no dia 29 de agosto de 1982. Eu e boa parte dos mais de 122 mil torcedores que resolveram chegar mais cedo ao Maracanã para assistir a mais um Fla-Flu, fomos privilegiados na preliminar do clássico com um gol que provavelmente nenhum profissional conseguiu fazer em mais de 70 anos de existência do mítico estádio do Rio de Janeiro. Adilson, ainda sem o sobrenome, vestia a camisa 10 rubro-negra e arriscou um chute do meio do campo ao perceber adiantado o goleiro, que ele acha que era Ricardo Cruz, e marcou um gol antológico. Nunca mais me esqueci daquele lance, mesmo com o show do meu time no clássico principal, com o placar de 3 a 0, gols de Vitor, Andrade e Marinho, construído num primoroso primeiro tempo que fez um torcedor tricolor invadir o campo e pedir para os craques rubro-negros pararem com o baile.

Mas o papo aqui é com o canhota que nasceu na Baixada Fluminense e surgiu como grande promessa na Gávea, num momento em que Gilmar Popoca, outro canhota habilidoso e ótimo cobrador de faltas de uma geração anterior de craques feitos em casa, já despontava no time principal. Para complicar mais, logo depois, Zico retornaria da Itália. Adilson não pôde ficar no seu time do coração, mas foi brilhar no Fortaleza, tornando-se campeão cearense de 85; Avaí, onde se tornou um dos grandes ídolos da história do clube catarinense; Criciúma, quando superou o ídolo maior do Flamengo, ao vencer a Bola de Prata do Brasileiro de 88; Grêmio, onde se sagrou campeão da primeira Copa do Brasil, em 89; entre muitos outros.

Adilson era um entrevistado que buscava desde o início da nossa jornada aqui em Floripa, em outubro de 2019. Com a pandemia, a partir de março de 2020, eu e o cinegrafista Fernando Gustav só retornamos em outubro de 2021 e, finalmente, pudemos nos encontrar com o ex-camisa 10 num dia de reunião de amigos na escolinha do Barcelona que fica bem próximo do estádio Orlando Scarpelli, do Figueirense, onde ele cuida do bar local e joga suas peladas. Lá, após o papo que você vai curtir, entre tantos peladeiros muito bons de papo, estavam os ex-atacantes Aldrovani, um cigano do futebol que atuou por diversos clubes do Brasil, além de ter jogado na França e no Japão, e Jorge Luís, ex-Bangu. E a resenha, que começou após a entrevista, por volta das 17h, não queria acabar.