Escolha uma Página

A HONRA MAIOR CONCEDIDA

26 / abril / 2022

por Zé Roberto Padilha


O ano de 1975 deveria ser o meu como titular da ponta esquerda do Fluminense. No clube desde 68, passando por todas as divisões de base, com a venda de Lula, para o Internacional, o caminho estava aberto para a titularidade.

Joguei toda a pré temporada e quando estava prestes a começar o estadual, Francisco Horta contratou o melhor ponta esquerda do Brasil: Mário Sergio.

Horta queria um Dream Team e trouxe Rivelino e Paulo César. Que se juntaram a Edinho, Marco Antonio, Gil e Félix. Mario Sergio era um gênio e deu vontade de arrumar as malas. E voltar para Três Rios.

Para minha sorte, além do futebol ser um esporte coletivo, ele tem duas regrinhas básicas, porém fundamentais: com a bola você joga, sem ela você marca.

E com Toninho, Edinho e Marco Antonio se lançando ao ataque para ajudar Gil, PC, Rivelino, Gil, Manfrini e Mario Sergio, apenas Silveira e Zé Mário protegiam o Félix. A equipe fazia três, tomava três.

E o inesperado aconteceu (foto, ao lado do Cleber e do Herivelto) : Mário Sergio foi para o banco de reservas. E justifiquei minha escalação me tornando o torcedor que foi a campo defender o seu time de coração.

Para Mário Sergio, ficar na reserva era um fato inusitado, nunca acontecera durante o seu reinado no Vitoria-BA. E, muito menos, aconteceria na sua vitoriosa carreira que deu sequência no Grêmio, Inter, Botafogo e São Paulo, além da seleção brasileira.

Dizem que voltou.mais competitivo. Todo jogador deveria sentar nesse divã do futebol para rever conceitos e posturas.

Cada jogador carrega, como recordação da sua carreira, entre conquistas e frustrações, uma honra maior. A minha, foi vestir a 11 reservada, pela técnica e habilidade, a um dos mais completos ponta esquerda que o Brasil conheceu.

E ele, dentro da sua generosidade e elegância, não só respeitou minha escalação, como nos concedeu conselhos e orientações.

A genialidade, e Mário Sergio provou isso, tem uma relação muito próxima da nobreza. E, desse jeito, ao nos deixar precocemente, o “vesgo” deixou muitas saudades dentro e fora das quatro linhas.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.