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N’GOLO KANTÉ CONTRA OS BOLEIROS DE PLÁSTICO

30 / maio / 2021

por Marcelo Mendez


Sou de um tempo que o Brasil produzia jogadores de futebol.

Eu bem sei da mudança dos tempos, das benesses, ônus e bônus disso, entendo como necessária essas mudanças de ventos, mas no caso que trato aqui, preciso afirmar que, sou de um tempo que o Brasil produzia jogadores de futebol.

Nesses tempos de agora, porém, não sei o que se produz.

O Brasil não quis mais o futebol de suas periferias. Os campos de terra da várzea, as crias dos arrabaldes, as idiossincrasias de um esporte que se fez Brasileiro em sua essência, tudo isso foi sumariamente excluído para dar vez a coisas bem estranhas.

High School Training, Campus Party, Escolinhas de futebol tocadas por coaching’s (?!) e mais outras pataquadas mudaram completamente a formação do jogador de futebol no Brasil.

Nesse contexto jamais se acharia um jogador como N’Golo Kanté.

O camisa 7 do Chelsea, Campeão do Mundo pela França, Campeão da Premier pelo Leicester, dono da final da Champions desse 2021 pelo Chelsea não é um jogador desse tempo. Ele não usa chuteira de 8 cores. Não enche o saco do árbitro, não fica falando besteira no Twitter, está pouco se importando em ter milhões de seguidores no Instagram porque não trata o público como peça de mercado.

Kanté é real.

Num universo empesteado por canais de besteragens, campeonatos de chutar bola na trave, resenhas furadas e forçadas, negociatas que tornam o jogo em si o último plano, Kanté ousa ser de verdade.

De verdade, contra o Bolerismo babaca, Kanté acabou com o jogo na final da Champions. Que bom que ele existe.

Tenho certeza absoluta que jamais o verei tentando acertar um chute num balde…

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