Escolha uma Página
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Romário

CRAQUES INESQUECÍVEIS

#01- Romário

por Mateus Ribeiro

Romário de Souza Faria, mas pode chamar apenas de Romário. Um dos maiores atacantes de todos os tempos.

O Baixinho fez (muitos) gols por onde passou. E olha que ele passou em muitos lugares mundo afora. E nem foram só os gols que chamaram a atenção durante sua vitoriosa carreira. Romário era autêntico, não fazia média para agradar ninguém, tampouco vivia um personagem, algo tão comum para jogador de futebol atualmente.

Romário não tinha medo de nada, não tinha medo de ninguém.

Romário era um carrasco da grande área. Talvez, o jogador mais letal que eu já tenha visto na vida. Imagino que também tenha sido o motivo da insônia de muitos zagueiros que o marcaram (foram muitos, e dos bons).


Não contente em ser marcante nos clubes por onde passou, Romário marcou seu lugar na Seleção Brasileira. A camisa amarela com o número 11 foi, é, e será eternamente sinônimo de Romário. A azul também. Afinal, alguém se esquece daquele domingo que o baixinho, depois de muita birra de Parreira, voltou em cima da hora e simplesmente DESTRUIU o Uruguai? Talvez essa tenha sido a primeira grande exibição individual que eu tenha visto na vida.

Depois daquele dia, Romário poderia se aposentar da Seleção, que todos lembrariam da sua exibição de gala no Maracanã. Mas faltava completar a obra. E ele, na companhia de muita gente boa (e muita gente contestada também), terminou o quadro nos Estados Unidos. Alguns consideram essa obra, denominada Copa de 1994, um tanto pragmática. Outros, se pudessem, a deixariam para ser contemplada nos maiores museus do planeta.


Não importa, obras são obras, e Romário pintou cada detalhe ali da melhor forma possível: com o bico da chuteira, crescendo no meio dos gigantes suecos, saltando contra a Holanda, recebendo declaração de amor de Bebeto (e do resto do Brasil), batendo pênalti chorado, ajudando seu fiel parceiro de ataque a embalar Mattheus .E tudo isso sob um sol escaldante.

Romário jogava pela sombra. Não era muito chegado aos treinamentos. Talvez fosse pra mostrar que era humano, afinal, sem treinar como os demais, era um monstro, imagina se treinasse?

Romário foi vencedor. Ganhou taças por onde passou. Desde Teresa Herrera até Copa do Mundo, passando por Campeonato Carioca e Copa da Holanda. Sempre fazendo gols.

Romário é rei. Seja no Rio, na Catalunha, em Eindhoven.

Romário é inesquecível. Inesquecível para amantes do futebol. Inesquecível para torcedores de vários clubes do Brasil e do mundo. Ah, é inesquecível para o Amaral também. E para muitos outros que já tiveram o (des)prazer de ter que marcar um dos maiores atacantes da historia do futebol mundial.

Por ser tudo isso, e muito mais, Romário abre a mais nova série do Museu da Pelada: Craques Inesquecíveis!

Divirtam se com os lances dessa lenda!

LEMBRANÇAS DE ROMÁRIO

por Rubens Lemos 

É passar em frente ao prédio e a angústia é instantânea. Volta como em reprise a agonia das caminhadas noturnas na calçada do Hospital Infantil Varela Santiago em Natal.

Chorava na rua para não assistir ao meu filho, com um ano e um mês de idade, ser picado por agulhas, amarrado ao berço em intenso tratamento contra uma pneumonia surgida do nada.

Descobri naqueles dias o que é ser pai. Eu, Isabel e Caio só tínhamos a nós mesmos. Quando o pediatra, Doutor Edmilson Freire – médico sereno e eficiente que se tornou amigo -, deu o diagnóstico e determinou a internação, caímos no pranto, pai e mãe inexperientes e abraçados. O meu filho estava naquela fase em que todo cuidado é pouco e tudo o que faz é encantador.

Dormíamos os três no pequeno apartamento do hospital. Ele teve que ser amarrado porque não agüentava de impaciência. E se doía nele, mais ainda em mim. Pai sofre em dose tripla. Caio já demonstrava a valentia sertaneja lá do Oeste potiguar. Soluçava baixinho. Quase 20 dias de tormenta. Quando o libertaram do soro, Caio quase voou do berço e foi pouco para os milhares de abraços chorões.


É, 1994 havia começado mal. Toda a família já tinha sido castigada por uma catapora. Como sempre ocorre desde que me entendo trabalhador, férias, só por doença. Fiquei lindo, todo pipocado. No esporte, golpe traiçoeiro. O moleque Dener, que eu tenho certeza faria história bem mais que os Neymares e Robinhos, morria enforcado pelo cinto de segurança do seu carro nas imediações da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Dener, do Vasco, achava o drible mais belo que o gol. Demais eu chorei por Dener.

Desabafar também é arma de pobre. Lembro que usei uma tarjinha preta na camisa para ir trabalhar, igual ao luto estampado nos homens interioranos.

Eu nunca fui fã de Ayrton Senna, falecido também por aqueles dias. Talvez pela chatice de Galvão Bueno e depois pelo alpinismo de uma namorada galisteia, feminino de papa-defunto em ascensão social e fulanização.

Confesso que não me integrei à comoção pela morte de Ayrton Senna. Se vivo fosse, duvido que Schumacher ganhasse tanto depois. O problema, como nos sonhos delirantes, é um pequenino se.

Caio já estava robusto e nós, felizes em nossa vida simples e assim boa além da conta. Tínhamos o suficiente e ninguém ligava pra gente, o que era melhor, o melhor da história.


Veio a Copa do Mundo. E eu com 100% de fé naquele que jamais me decepcionou em minhas preces: Romário.

Eu gostava mais de Romário do que da própria seleção. Ele levava sem saber a revolta que eu precisava extravasar. Eu tinha de ganhar alguma coisa. Ele correspondeu.Ganhou o tetra pra mim.  

O jogo contra a Holanda pôs meu pulmão de tísico à prova. Na falta cobrada por Branco, a que decidiu a partida (3×2), berrei como um Pavarotti com 50 quilos. Caio assustou-se e chorou o que não pudera quando em seu leito de hospital.

Contra a Suécia, na semifinal, o goleiro deles era um chato, Ravelli, que ficava zombando a cada chute pra fora de Mazinho, Bebeto, Zinho, até Mauro Silva arriscou de longe. Aí Romário subiu como um senador romano à tribuna, mandando a empáfia do goleiro direto pra Estocolmo.


Contra a Itália, nos pênaltis, petrificado eu fiquei quando Baggio mandou a bola pelos ares. E, sem o vozeirão de Cauby, gritei, gritei até ter dó da garganta.

Editava o Bom Dia RN na afiliada Globo em Natal. Encerrei o telejornal com um clip com a música Brasileirinho na voz de Baby Consuelo. Aquele era o hino. De todos os nós desatados.

Faz 24 anos.Isabel me confessa até hoje ter pena do pobre Baggio e a sua solidão após o fracasso e a nossa vitória. E fica indignada quando eu digo que ele fuck!. Minha mulher esquece da tragédia de Zico em 1986.

Feliz 1994. Caio hoje, 25 anos, casado, é torcedor de Copa do Mundo. Nada é perfeito. E acha exagero quando eu digo que Romário foi tudo.Ele alcançou os meus milagres.Cometeu minhas vinganças.

CONFLITO DE GERAÇÕES

por Leandro Ginane

No final da Copa do Mundo de 94, quando Brasil e Itália estavam enfileirados prestes a entrar em campo, há uma cena em que o camisa onze da seleção brasileira, o baixinho Romário, é filmado em primeiro plano com a fisionomia séria e determinada de quem seria tetra campeão mundial, enquanto era observado ao fundo por um Roberto Baggio agitado e que em certo momento cruza os braços como se estivesse intimidado com a presença daquele gigante da pequena área.

Foi uma cena marcante, daquela que seria uma das Copas mais emocionantes para o povo brasileiro, pois há apenas dois meses o Brasil havia perdido um dos maiores ídolos da sua história, o lendário Ayrton Senna. A perda deste grande ídolo e o fato de estar vinte e quatro anos sem vencer uma Copa do Mundo, trouxe um clima ainda mais especial para aquela final. Mas nada parecia abalar o marrento camisa onze brasileiro, que mantinha seu olhar no horizonte sob a atenção do adversário, que parecia pressentir o destino final daquele jogo.


Vinte e quatro anos depois, na Copa do Mundo da Russia, a grande esperança brasileira é o camisa dez Neymar. Apenas dois anos a menos do que o Romário em 1994, Neymar carrega a responsabilidade de ser o craque que levará a seleção brasileira ao seu sexto título.
No entanto, ao soar o apito final do segundo jogo da Copa do Mundo da Rússia, selando a vitória brasileira sobre a fraca Costa Rica por dois a zero, a principal aposta da seleção brasileira desabou. Inconsolável, sentou no gramado e aos prantos foi abraçado por companheiros e adversários. Uma cena até certo ponto triste, de quem ainda parece despreparado e imaturo, e sente o peso de carregar a responsabilidade de ser a grande estrela da seleção.


Não é a primeira vez que um jogador brasileiro tem este comportamento. Em 2014, foi a vez do zagueiro capitão do time ter a mesma reação ao final de uma disputa de pênaltis nas oitavas de final da Copa do Mundo, onde o Brasil saiu vencedor. Estes episódios mostram o quanto é necessário uma reflexão mais profunda sobre o que mudou entre essas gerações de craques.

Naturalmente, há entre elas diferenças que vão além das quatro linhas. Mas há uma questão central que certamente aumenta as nuances dessas diferenças, trata-se da elitização do futebol brasileiro e como consequência o afastamento do povo dos estádios de futebol. Neymar é um astro do entretenimento e Romário, era um jogador de futebol.


Todas as ações do atual camisa dez da seleção possuem interesses financeiros intrínsecos e parece que não há mais improviso, a fuga da concentração, o futevôlei na praia.

A nova geração de jogadores é blindada por assessores e quando a vida real cobra seu preço, eles não suportam a realidade e desabam. Romário era real e Neymar pode se tornar uma vítima vulnerável de um show midiático. Não surpreenderá se o craque da camisa 10 tomar o segundo cartão amarelo no próximo jogo e não participar das oitavas de final da Copa da Rússia, como fez o zagueiro capitão há quatro anos atrás.

 

OS MEXICANOS

por Sergio Pugliese

Brasileiros infiltrados na seleção mexicana desafiam Romário, Edmundo e Djalminha


O verbo inteirar é um velho conhecido dos peladeiros. E para a bola rolar, vale tudo! Quem nunca inteirou uma pelada com o cara do bar, com o churrasqueiro e até mesmo com o árbitro? Tudo bem, está valendo, mas o preparador físico Luiz Otávio abusou na ousadia. Em 2010, a seleção mexicana de Showbol foi convidada para um amistoso, no Maracanãzinho, contra o esquadrão brasileiro, com Romário, Edmundo, Djalminha & Cia. Casa cheia, transmissão de tevês, patrocinadores, imprensa em peso. Imperdível! Mas em cima da hora, dois jogadores mexicanos, Morales e Sol, tiveram problemas com o visto e apenas seis atletas viajaram. Como no Showbol são cinco na linha e alguns craques já tinham a idade avançada convinha ter pelo menos dois reservas.

— Foi aí que o Luiz Otávio teve a sacada de mestre e convocou dois brasileiros, eu e o Bacana — brincou Sergio Amato, o Morales.

O preparador físico Luiz Otávio há anos trabalha no México, mas tem uma legião de amigos no Brasil. Dois dias antes da partida precisava de dois “quebra-galhos”, desconhecidos e bons de bola, então ligou para Sergio Amato e Ricardo Baptista, o Bacana, dois cracaços. De cara, perguntou se a dupla admirava o futebol de Romário, Edmundo e Djalminha. Claro, a resposta foi sim. Depois, quis saber se já haviam jogado no Maracanãzinho. Não, de resposta. E por fim, largou a isca.

— Ele escalou o time comigo, Romário e outras estrelas. Não pensei duas vezes — lembrou o modelo Bacana.

À noite, na véspera, tudo acertado, Luiz Otávio abriu o jogo e determinou as regras. A primeira, os dois estavam proibidos de abrir a boca, pois a imprensa e os adversários não podiam saber da existência dos infiltrados. Segunda, eles só entrariam em casos extremos, pois a Fox mexicana transmitiria o amistoso e os torcedores não entenderiam nada, sem falar nos verdadeiros Morales e Sol. Tudo acertado, Bacana e Sergio “Fenômeno”, como é conhecido no futsal do Fluminense, acordaram cedo e foram para o hotel em Copacabana, onde a delegação estava concentrada.

— No vestiário, recebi a 10, de Sol. Que responsabilidade! — divertiu-se bacana.

O zagueiro Ricardo Rocha, um dos organizadores do Showbol, cumprimentou um por um e os dois apenas balançaram a cabeça. Num cantinho, Sergio “Fenômeno” ligou para a mulher Regina e os filhos Serginho e Hugo avisando sobre a transmissão. Também não esqueceu dos amigos da pelada, entre eles um repórter do Sportv, que na mesma hora ligou para o cinegrafista escalado pedindo “uma moral” nas imagens da dupla.

— Aparecemos mais do que os mexicanos — gabou-se Sergio “Fenômeno”.

No momento da apresentação dos jogadores, um mico. Quando o locutor chamou Morales, Sergio “Fenômeno” continuou imóvel e precisou Bacana falar “vaiiii, é você!!!”. Tudo discretamente. Depois, do banco de reservas, os dois babavam com o show do baixinho Romário, que distribuía ovinhos e dribles variados. No finzinho do primeiro tempo, Cabreras e Terrazas estavam exaustos e “Sol” e “Morales” foram acionados. O coração disparou e Luiz Otávio reforçou: “calados!!!”. Mas não deu. “Morales” discordou da marcação de um pênalti e partiu para cima do árbitro Oscar Roberto Godói falando cobras e lagartos em português.

— Ele não entendeu nada e me distanciei quando percebi a bobagem que havia feito — contou ele, que trabalha com tecnologia da informação, na UERJ.

Para piorar, na hora de bater o pênalti, “Sol” aproximou-se de Romário, rogou uma praga em português e entregou a nacionalidade, mas pediu: “não espalha…” . O baixinho riu, marcou mais um gol e a partida terminou em 9 x 6 para o Brasil. Na saída, crianças cercaram os craques e pediram as camisas autografadas. “La camisa no se puede, mas fotita, si”, dizia “Morales”. “Sol” distribuía autógrafos e Luiz Otávio empurrava os dois deslumbrados para longe do tumulto, principalmente dos jornalistas mexicanos.

— O mundo nos viu! — exagerou Bacana.

No fim de semana seguinte, Morales, que dizer Sergio “Fenômeno”, foi a Praia do Leme com a mulher. Na Barraca da Axé, alugou barraca, cadeiras e recebeu o número 171. Regina riu, imaginou a fama do maridão rompendo fronteiras. O infiltrado argumentou, blá, blá, blá, sugeriu a troca do número, mas a amada o arrastou pelo braço e disparou: “vem logo, Morales!”.

 

ROMÁRIO E A FELICIDADE IMPUNE

por Rubens Lemos


O som que emiti quando Romário fez 4×3 no gol da virada matando o Palmeiras no Palestra Itália e garantindo a Mercosul de 2000 até hoje não consigo descrever. Foi um berro assustador que acordou meu filho de sete anos. Minha mulher pensou que fosse ficar viúva de um homem vítima de enfarte.

O grito foi o mais alto e assombroso da minha vida. Quando a bola bateu na rede do goleiro Sérgio, não gritei gol. Expulsei tudo o que havia dentro de mim que não fossem as entranhas. Foi um transe de alegria e desabafo. Corri até a janela e por longos minutos, para mim foram décadas, uivei e chamei os piores palavrões do vocabulário pornográfico.

Depois, cervejas na cabeça, bati fortemente no peito magro. Me esmurrei, dei cambalhotas no pequeno corredor do apartamento, beijei a mulher, o menino, ambos envergonhados e irritados pela interrupção do sono.

Lembro apenas da frase que inventei na hora e repeti por 22 minutos, salvo engano: “Quem não for Romário, vá pra casa do…….baralho” O Vasco, em 2000, formara um timaço e sofria tanto ou mais do que hoje a sina de vice. Havíamos trazido Romário de volta do Flamengo, no comecinho do ano, para tentar ganhar todos os campeonatos. Perdemos logo o Mundial de Clubes da Fifa, aquele pênalti que Edmundo bateu longe, já enciumado pela presença do baixinho. Ex-Maracanã lotado e os corintianos em festa.

Fomos em frente. O troco seria no Campeonato Carioca, vingaríamos a derrota de 1999, gol de falta cruel de Rodrigo Mendes, bem no cantinho de Carlos Germano, quando o empate nos bastava.


Começamos bem o Carioca, enfiamos 5×1 nos rubro-negros, quatro gols de Romário, num domingo de páscoa, chocolate para tudo o quanto foi gosto. Edmundo e Romário começaram um duelo de máscaras terrível e o Vasco pagou. O Flamengo foi bicampeão como seria tri em 2001 no gol de Pet que maltrata o cruzmaltino de fé e coronárias de aço.

Ainda em 2000, o ano em que muito idiota pregou o bug do milênio, previsão de uma pane geral dos computadores na virada do Século, programados para começar com 19 do ciclo que terminava e fadados, segundo os entendidos e os verdadeiros sabidos, os picaretas, a gerar um colapso mundial. Deu tudo bem, o bug virou farofa e depois de 2000 um cidadão de nome Steve Jobs seduziu o planeta com suas invenções de tecnologia artística.

Ao Vasco, restava o Campeonato Brasileiro, a quem deram o nome de João Havelange para justificar a participação do Fluminense(que deveria ter disputado a Série e premiar todos os rebaixados no ano anterior. Foi o que livrou outros tantos clubes da Série C. E ao Vasco também sobrava a Copa Mescosul.


Grande dosagem do meu ceticismo em futebol foi injetada em 2000. O Brasileiro só viria a ser ganho em janeiro do ano seguinte, contra o São Caetano, depois que o alambrado de São Januário cedeu e houve o conflito de dois notáveis exemplares do sem-caratismo: Anthony Garotinho, governador do Rio de Janeiro e Eurico Miranda, presidente do Vasco.

Pouco antes do Natal, enfim, o Vasco assegurou sua vaga na final da Mercosul e contra o Palmeiras. Houve equilíbrio, cada qual venceu uma das finais e foi necessária a extra. Lembro-me do convidativo miolo de zaga do Vasco, com Odvan e Júnior Baiano. Romário, ainda bem, estava do lado certo.

O Palmeiras abriu 3×0 faceiro como quem vai a uma trattoria, pede um raviolli branco com bacon, acompanhado de um bom tinto da Sicília. Levamos gol de Tuta, Tuta, um centroavante bem abaixo do tosco. Decidi desligar. Tinha trabalho no dia seguinte, cedo.

Lembro bem, estava de pijamas, parei de tomar cerveja, por acaso, fui à cozinha e não desliguei a televisão do quarto. Pênalti a favor do Vasco. Romário diminui. É, 3×1 estava folgado para eles. Outro pênalti. Romário bate de novo, 3×2.


Resolvi ver no que dava, se aquela coro do casaca, saca,saca, a turma é mesmo boa, é mesmo da fuzarca, Vasco, ainda estava tocando no meu sofrido CD de esperança. Expulso Junior Baiano. Ficamos com mais um . Repito: O Palmeiras ficou com menos um a seu favor. Junior Baiano foi menos grotesco do que quem disse que ele era jogador de futebol.

Passei a acreditar e a tamborilar no copo. Uma nova cerveja gingava no peritônio. Aos 41 minutos do segundo tempo, o serelepe Juninho Paulista, nosso nanico do meio-campo, chuta mal, a bola entra: Um grito contido, abafado ao travesseiro.


Aos 48 minutos, jogada esquisita, que começa com Viola pelo lado esquerdo, bate-rebate, chute errado, goleiro espalma, bola encontra Romário no altar dos grandes finalizadores. Colocado onde deveria. Por Deus. Toque para as redes. O Vasco faz 4×3, meu espetáculo é o descrito inicialmente.

No dia seguinte, recebo um documento encaminhado pelo síndico, feitor moderno, entregue pelo humilde zelador. Abri. Uma advertência pelo tumulto que havia causado. Por atrapalhar a madrugada dos condôminos. A ideia fora só do síndico, ninguém reclamara e havia outros vascaínos pelo prédio. O último esporro por escrito eu recebera no primário. De um professor de Educação, Moral e Cívica, a disciplina-máter da Ditadura.

Peguei uma caneta e escrevi no papel de carta: “Não assino. Felicidade não se pune”. E saí cantando: “Tu tens o nome do heróico português, Vasco da Gama, tua fama assim se fez…”

PS. 20/12/2011 – Palmeiras 3 x 4 Vasco Local: Parque Antártica(Palestra Itália) – São Paulo – SP. Palmeiras: Sérgio; Arce, Galeano, Gilmar e Thiago Silva; Magrão, Fernando, Flávio e Taddei; Juninho e Tuta(Basílio); Vasco: Helton; Clébson, Odvan, Júnior Baiano e Jorginho Paulista; Nasa(Viola),