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Marinho Chagas

MARINHO SETENTÃO

por Rubens Lemos


Nesta terça, dia 8, a maior glória esportiva do Rio Grande do Norte faria 70 anos. Da eternidade a fotografia de Marinho Chagas com a camisa do Cosmos de Nova York, o time mais badalado do mundo nos anos 1970, desde quando Pelé tirou as chuteiras detrás da porta para ensinar o Soccer aos norte-americanos e fazer sua merecida fortuna.

Marinho Chagas poucas vezes esteve tão pleno na junção espírito e estética. Sua risada é do moleque irreverente das Salgadeiras em Natal, indomável em pleno centro do planeta.

A imagem de Marinho Chagas no Cosmos é como uma resposta definitiva, sem direito a recurso, aos que ainda lhe torcem o nariz.

Marinho Chagas foi comprado ao Fluminense (RJ) e chegou chegando ao time-constelação. Convenceu Beckenbauer, a estrela principal, a lhe ceder a camisa 3 e a posição de meia-armador. Marinho Chagas encantou os States.

Foram 70 mil pessoas pagando ingresso para ver a magia subversiva do loiro irreverente e craque. Marinho Chagas estreou contra o Fort Lauderdale na vitória por 3×2 na primeira rodada da Liga dos EUA. Solto, passarinho voando pelos céus e chãos do meio-campo, levou incrédulos sardentos ao delírio. Marcou os três gols.

Marinho Chagas virava astro num time que, além do mitológico Beckenbauer da Alemanha, contava com o espetacular holandês Neeskens, o brasileiro Oscar, na defesa, o paraguaio Romerito, futuro campeão brasileiro pelo Fluminense e o italiano Chinaglia. A luz loira criava o refletor solar nas suas incursões missionárias ao ataque. A liberdade como filosofia de jogo e de vida.

Quando deixou o Fluminense (RJ) para seguir ao Cosmos, Marinho Chagas estava às turras com diretoria e torcida tricolores, inconformadas com seu desempenho bem abaixo do furor botafoguense que o fez melhor lateral-esquerdo do clube, com a Enciclopédia Nilton Santos deslocada para a quarta-zaga.

A ausência na Copa do Mundo da Argentina foi pior para o Brasil. Marinho Chagas, Paulo Cézar Caju e Paulo Roberto Falcão, os preteridos por Cláudio Coutinho, dividiriam por três a exuberância e a malandragem que faltaram a um time tosco e aquartelado em campo, sem inspiração, entregue à correria do bom e sem magia Dirceuzinho.

Natal, lembro bem pelos jornais, repercutiu a falta de Marinho Chagas na lista do capitão Cláudio Coutinho, que preferiu, primeiro, improvisar o beque Edinho na lateral-esquerda e, depois, entregar a camisa ao sóbrio Rodrigues Neto, envelhecido, mas de bom desempenho no mundial.

Marinho Chagas não agradava ao status quo, ao poder vigente, era acusado de indisciplinas, ele que traçava duas chacretes, bailarinas do Programa do Chacrinha, a cada três dias.

A contratação pelo Cosmos teve o devido aval de Pelé, que, em 1972, Marinho Chagas estreando pelo Botafogo contra o Santos, levou um lençol que gerou espanto e revolta diante da insolência do menino de 20 anos, abusado e confiante no seu brilho incandescente.


Marinho Chagas deixava o calor e a badalação do Rio de Janeiro, onde mandava do Baixo Gávea à barra-pesada da Lapa ou da Praça Mauá, pelos agitos de Manhattan, frequentando discotecas, dançando à John Travolta e colecionando beldades cintilantes que pareciam saídas da forma do paraíso.

Reparem bem no rosto de Marinho Chagas, maior expressão esportiva do Rio Grande do Norte em qualquer tempo. Há o olhar do menino de rua tramando presepadas, há a autoconfiança do gênio de personalidade firme. Há o solitário saindo do casulo no formigueiro do universo.

Sempre será dono do espaço que houve ou no mistério do pós-morte. Marinho Chagas é maior – bem superior – aos corvos que vibravam no seu final melancólico, driblado e dominado pelo álcool. Não é o meu caso.

A fotografia de Marinho Chagas no Cosmos, no Cosmos do planeta da bola, cobiçado por 11 entre 10 bons de molejo do tempo de beleza em quatro linhas, me joga na varanda do orgulho e na tristeza da saudade. Marinho Chagas, o do Cosmos, nunca vai combinar com morte. Anjo setentão.

Na seleção

A primeira partida oficial de Marinho Chagas na seleção brasileira aconteceu na derrota para a Suécia (0x1) durante excursão para a Europa em 1973.

Titular

Marinho Chagas ganhou em seguida a posição de Marco Antônio nos amistosos preparatórios para a Copa do Mundo de 1974, da qual foi o melhor lateral-esquerdo.

Números

Segundo o Almanaque da Seleção Brasileira, de Roberto Assaf e Antônio Carlos Napoleão, Marinho Chagas fez 36 jogos com a camisa do Brasil, ganhando 24, empatando nove, perdendo três e marcando quatro gols.

Títulos

Marinho Chagas ganhou dois títulos estaduais: pelo ABC em 1970 e pelo São Paulo em 1981. Na seleção brasileira, ganhou o Bicentenário dos Estados Unidos em 1976.

Melhor Botafogo

Na seleção do Botafogo(RJ) de todos os tempos, Marinho Chagas ocupa a lateral-esquerda com o deslocamento de Nilton Santos à quarta-zaga.

Time

É Manga ; Carlos Alberto Torres, Leônidas(ex-técnico do América de Natal), Nilton Santos e Marinho Chagas; Gerson e Didi; Garrincha, Jairzinho, Heleno de Freitas e Paulo Cézar Caju.

MARINHO, A BRUXA

por Elso Venâncio


Francisco das Chagas Marinho nasceu em Natal, passou pelo ABC e Náutico até chegar, aos 20 anos de idade, ao Botafogo. No ano de 1972.

Agnaldo Timóteo fazia uma turnê pelo Nordeste. Fã de futebol, resolveu ir ao Estádio dos Aflitos e se impressionou com Marinho. Botafoguense fanático, ligou de imediato para o clube fazendo uma exigência:

– Comprem Marinho! Vi esse garoto louro em campo, é um cracaço. Comprem Marinho!!!

O jogador foi apresentado em General Severiano e, no fim de semana, já estreou pelo Glorioso. Simplesmente, contra o Santos de Pelé.

Beto Gamarra, zagueiro do GPSO (Grupo de Pelada Seis de Outubro*), me contou: na véspera desse confronto faltou um para completar os times na areia da Praia de Botafogo. Alguém gritou para um cara que estava no calçadão:

– Ei, paraíba, quer entrar?

Sem pensar duas vezes, Marinho foi para a areia. Sequer tirou o tênis e, no primeiro toque na bola, deu um voleio do meio-campo que estufou as redes. Incrível! Praia boquiaberta. Esse era Marinho Chagas.

Na estreia, irreverente, habilidoso e ofensivo, Marinho deu um chapéu em Pelé, para surpresa de um Maracanã lotado. Na época, independentemente de seus clubes, torcedores de todas as bandeiras iam com gosto ao estádio só para ter o prazer de ver o Santos. Pelé, por sua vez, não gostou do afronte. Aos gritos, pediu respeito:

– Galego, me respeita!

Nesse jogo, Edu marcou para os paulistas e Marinho, de falta, chutando de longe, empatou. Pelé mais uma vez não aprovou:

– O que é isso? Tá pensando que é quem?

Marinho xingou o Rei de tudo quanto era nome. Houve quase uma briga generalizada.

O lateral se destacava pelo chute forte e pela quantidade de gols que marcava. Atacava sempre. Era mais um ponta, um armador, e logo se tornou ídolo da torcida alvinegra, chegando à Seleção. Na Copa de 1974, na Alemanha, inclusive, foi considerado pela FIFA o melhor lateral-esquerdo do mundo. Na disputa do terceiro lugar, contra a Polônia, após a surpreendente derrota para o ‘Carrossel Holandês’ de Johan Cruijff, Marinho avançou e, nas suas costas, Lato marcou. O comentarista João Saldanha não perdoou:

– É a ‘Avenida Marinho’…

No vestiário, pilha de nervos à flor da pele, o goleiro Leão parte para cima do lateral. Após tensa discussão, a turma do ‘deixa disso’ se juntou para separá-los.

Em 1977 o Fluminense, com sua inesquecível Máquina Tricolor, era a grande atração do país. O tri carioca era questão de tempo. Francisco Horta – “Vencer ou Vencer” – decide contratar Marinho de qualquer jeito, a qualquer custo. Se o Campeonato Brasileiro fosse por pontos corridos, o time das Laranjeiras teria sido, nos anos anteriores, bicampeão – e com rodadas de antecedência. Contudo, foi surpreendido nas semifinais de 1975 e 1976, respectivamente, pelo Internacional e pelo Corinthians.

Para ter Marinho, Horta oferece Paulo Cezar Caju, Gil e Rodrigues Neto. Vieram, de contrapeso, Wendel e Miranda. Mas na verdade o que houve foi um três por um. O dirigente mandou para o Botafogo três jogadores de Seleção: Gil, titular no Mundial do ano seguinte; Rodrigues Neto, outro craque que vestiu a ‘amarelinha’; e um gênio da bola que estava no auge: Paulo Cezar. Resumindo: Horta contratou Marinho mas desmontou a Máquina, que saiu dos trilhos. O Fluminense deixou de ser tricampeão carioca única e exclusivamente devido à obsessão de seu presidente por Marinho.

Depois que deixou o tricolor, Marinho ainda brilhou no Cosmos, de Nova York, ao lado do Pelé, Beckenbauer e Romerito. Também vestiu a camisa do São Paulo Futebol Clube.

Há cerca de três anos, fui de férias a Natal e resolvi ir à tal Praia da Redinha que Marinho tanto falava. De frente para o mar, pergunto em um quiosque onde ficava a casa em que ele nasceu e morou. Disseram que a 200 metros dali, apontaram-me o local.

Bato na porta, sou bem atendido, me convidam a entrar e o irmão dele, curiosamente, se apresenta como Bomba. Ele lembra Marinho, exceto pela proeminente barriga. Diz que era difícil para ‘A Bruxa’ viver com fama e dinheiro em cidades grandes.

Pergunto o porquê de seu apelido ‘bombástico’.

– Você não sabe? Eu que ensinei Marinho a soltar a bomba. Desde o início, no Riachuelo. Eu era um peladeiro limitado, mas tinha um canhão na perna e passei isso a ele. A maneira de bater forte e fazer gols.

Para muita gente, Marinho foi o melhor lateral-esquerdo do futebol depois de Nilton Santos. E tinha um foguete na perna. Curiosamente, em razão dos ensinamentos que teve do irmão de sangue.

*Essa pelada, sempre às tardes nos sábados, completou 48 anos de fundação. Era em Botafogo e há 10 anos está na Sede da ASBAC, na Praça Onze, Cidade Nova. Passa de pai para filho. Marinho, quando parou de jogar, sempre esteve presente. Não jogava porque o joelho já não mais lhe permitia, mas participava apitando os jogos e, claro, continuava ao fim junto com a galera na resenha.

CINCO ANOS SEM MARINHO CHAGAS

por Rubens Lemos


Marinho Chagas nasceu para o futebol em 1970. Ajudou, com o Rei Alberi, o ABC de Natal a quebrar um jejum de três anos para iniciar a jornada do grande tetracampeonato. Marinho nasceu para ser cometa da bola e no ano seguinte, no Náutico, tornou-se o melhor de sua posição para sempre em Pernambuco.

Surgia a nova e definitiva versão de Nilton Santos, o lateral jogando para o ataque, subvertendo as ordens táticas, reescrevendo a história no campo, que transformou em floresta para as suas elegantes passadas de gazela.

Do Náutico ao Botafogo em 1972. Primeiro ano, primeira Bola de Prata da Revista Placar, menino de sorriso remanescente das peladas de terra batida, ao lado de craques consagrados como Figueroa, Piazza, Ademir da Guia, Paulo Cézar Caju e Alberi, o seu igual em grandeza e exclusividade dos vesperais potiguares.

Francisco das Chagas Marinho foi para a Copa do Mundo em 1974 e brilhou feito um holandês de carrossel vestindo a camisa da retrancada e fracassada seleção do quarto lugar na Alemanha. O mundo o considerou o melhor, em sua posição. Júnior, do Flamengo, declarou e declara que gostava de imitá-lo.

O esporte em Natal é dividido em antes e depois de Marinho. Sempre afirmei com ele vivo, confirmo agora e não discuto mais. Do Botafogo, a estrela loira do Ex-Maracanã, a “bruxa” alegre, tornou-se obsessão do cartola tricolor Francisco Horta, da famosa Máquina do Fluminense que deu ao alvinegro três craques de seleção só pra ficar com Marinho: Rodrigues Neto, Gil e Paulo Cézar Caju.


Quando Pelé seguiu para o Cosmos de Nova Iorque, para ensinar futebol a ianque apaixonado por basquete e beisebol, 150 entre 100 boleiros sonhavam vestir a camisa branca do clube mais rico do planeta. Depois de Pelé, por lá desfilaram Cruijff, Carlos Alberto Torres,Beckenbauer, Chinaglia e Marinho.

Entre 1981 e 1982, Marinho conquistou sua terceira Bola de Prata e o Campeonato Paulista pelo São Paulo de Oscar, Dario Pereyra, Everton, Renato, Mário Sérgio, Serginho e Zé Sergio.

Já estava na fase do prazer. Suas incursões pelo meio-campo rendiam passes precisos, arrancadas em direção ao gol e patadas que sacudiam o Morumbi inteiro. A biografia de Marinho é universal. Ele é adorado pelo mundo afora.

Nos dias finais, estava ainda mais criança e feliz, pelas proximidades da Copa do Mundo de 2014. Se dizia embaixador de uma função que não lhe rendia um mísero centavo.

Natal, péssima mãe, adorável madrasta. Marinho participava de eventos bem menos condizentes com sua história. Lançava camisas, frequentava troca de figurinhas onde era o centro das discussões e apresentava uma lucidez luminosa.

O destino, meia-armador malandro, levou Marinho para João Pessoa. Cercado de carinho paraibano, teve uma crise, sangrou e morreu. Seu organismo de touro já não resistia. Enquanto agonizava, abutres da internet bizarra enviavam comentários desclassificantes contra sua honra.

Há pessoas incompatíveis com caixões. Marinho é desse time. Não fui vê-lo morto. Nem ouvir os discursos compungidos e hipócritas de quem se aproveitou do luto.

Marinho, incorporou Clara Nunes e Paulo Gracindo em Brasileiro, Profissão, Esperança, espetáculo baseado em crônicas de Antônio Maria e canções compostas com Dolores Duran. Marinho, brasileiro, profissão e esperança(perdida). “Dorme, Menino Grande”, é o poema de Antônio Maria ao descanso e paz de Marinho Chagas.

*08/02/1952

+01/06/2014

MARINHO CHAGAS, MENINO GRANDE

por Rubens Lemos


Marinho nasceu para o futebol quando cheguei ao berçário, em 1970. Formou, com o Rei provincial Alberi, o duo de extraclasses cintilantes no ABC a quebrar um jejum de três anos para iniciar a jornada do inesquecível tetracampeonato. O ABC de Marinho com Caiçara de técnico: Erivan; Preta, Edson Capitão, Josemar e Marinho Chagas; William e Correia; Zezé, Alberi, Petinha e Burunga. Era o time de 1970, o time da redenção.

Marinho, o meteoro radioso, iluminou a Frasqueira (torcida do ABC) com seu jogo liberto e ofensivo, moderno e revolucionário em tempos de chumbo. Marinho nasceu para ser cometa da bola e no ano seguinte, no Náutico, tornou-se o melhor de sua posição para sempre em Pernambuco.

Nascia a nova e definitiva versão de Nilton Santos, o lateral jogando para o ataque, subvertendo as ordens táticas, reescrevendo a história no campo, que transformou em floresta para as suas elegantes passadas de gazela.


Do Náutico ao Botafogo em 1972. Primeiro ano, primeira Bola de Prata da Revista Placar, menino de sorriso remanescente das peladas de terra batida, ao lado de craques consagrados como Figueroa, Piazza, Ademir da Guia, Paulo Cézar Caju e Alberi, o seu igual em grandeza e exclusividade dos vesperais potiguares.

Marinho foi para a Copa do Mundo em 1974 e brilhou tal holandês de carrossel vestindo a camisa da retrancada e fracassada seleção do quarto lugar na Alemanha. O mundo o considerou o melhor, em sua posição. Júnior, do Flamengo, declarou e declara que gostava de imitá-lo.

O esporte em Natal é dividido em antes e depois de Marinho. Sempre afirmei com ele vivo, confirmo agora e não discuto mais. Do Botafogo, a estrela loira do ex-Maracanã, a “bruxa” alegre, tornou-se obsessão do cartola tricolor Francisco Horta, da famosa Máquina do Fluminense que deu ao alvinegro três craques de seleção só para ficar com Marinho: Rodrigues Neto, Gil e Paulo Cézar Caju.


Quando Pelé seguiu para o Cosmos de Nova Iorque, para ensinar futebol a ianque apaixonado por basquete e beisebol, 150 entre 100 boleiros sonhavam vestir a camisa branca do clube mais rico do planeta. Depois de Pelé, por lá desfilaram Cruyff, Beckenbauer, Chinaglia e Marinho.

Entre 1981 e 1982, Marinho conquistou sua terceira Bola de Prata e o Campeonato Paulista pelo São Paulo de Oscar, Dario Pereyra, Everton, Renato, Mário Sérgio, Serginho e Zé Sergio.

Já estava na fase do prazer. Suas incursões pelo meio-campo rendiam passes precisos, arrancadas em direção ao gol e patadas que sacudiam o Morumbi inteiro. A biografia de Marinho é universal. Ele, adorado pelo mundo afora.

Nos últimos dias de vida, em julho de 2014, estava mais criança e feliz, pelas proximidades da Copa do Mundo em sua terra. Se dizia embaixador de uma função que não lhe rendia um mísero centavo.

Marinho participava de eventos bem menos condizentes com sua história. Lançava camisas, frequentava troca de figurinhas onde era o centro das discussões e apresentava uma lucidez luminosa.

O destino, meia-armador malandro, levou Marinho para João Pessoa. Cercado de carinho paraibano, teve uma crise, sangrou e morreu. Seu organismo de touro já não resistia.


Marinho faz parte de um escrete incompatível com caixões. Marinho é desse time. Não quis vê-lo morto. Ele está vivo em fotos, gols memoriais e no sorriso triste e maroto de quando nos víamos.

Marinho Chagas, anarquista das nuvens é embalado por Clara Nunes e Paulo Gracindo em Brasileiro, Profissão, Esperança, espetáculo baseado em crônicas de Antônio Maria e canções compostas com Dolores Duran Marinho, brasileiro, profissão e esperança (perdida). “Dorme, Menino Grande”, é o poema de Antônio Maria ao descanso e paz de Marinho Chagas. É  epitáfio no seu túmulo, chão do esquecimento. Marinho Chagas, 66 anos faria neste 8 de fevereiro. Para mim, ele sempre será festa.