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Criciúma

PERCALÇOS DE UM TIGRE

por Rodrigo Ferreira


Certa vez, os amantes do futebol soltaram a perola: “Time Grande Não Cai” para tirar um sarro do seu rival e ficar rodeando os torcedores por aí a fora quando algum time adversário está à beira de ser rebaixado de divisão. Contudo, não deixa de ser uma forma de reduzir ou negar a história do seu antagonista, sendo que os clubes, mesmo de forma indireta, cresceram juntos na rivalidade de um querer ser melhor do que o outro ou no momento do confronto o que está em baixa se recuperar diante de quem está em melhor situação.

A noite de 21 de abril de 2021 vai ficar na história, não somente pelos 229 anos do falecimento do líder da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, mas para os torcedores do Criciúma Esporte Clube vai ser uma noite de tristeza: o tricolor catarinense foi rebaixado pela primeira vez para a segunda divisão do campeonato catarinense.

Na última rodada do estadual, o Tigre precisava vencer o clássico contra o Avaí em casa e contar com uma combinação de resultados. No entanto, os concorrentes diretos estavam pressionados: no estádio Aníbal Costa, em Tubarão, o Hercílio Luz fez a sua parte venceu o Joinville por 4 x 3 e mesmo com a derrota do Concórdia por 2 x 1 diante do Juventus no estádio João Marcatto, em Jaraguá do Sul, o Criciúma não fez a parte dele e foi derrotado por um a zero. O gol foi do lateral-esquerdo Diego Renan que em 2012/2013 atuou no Criciúma e nesta noite decretou o rebaixamento de um dos gigantes do futebol catarinense.

O único clube de Santa Catarina campeão da Copa do Brasil em 1991; Campeão brasileiro da Série B em 2002 e Série C em 2006; Dez vezes campeão catarinense; Ídolos dentro das quatro linhas como Jairo Lenzi, Paulo Baier, Zé Carlos e entre tantos outros craques que vestiram a camisa do Tigre. Além disso, no banco de reservas do estádio Heriberto Hülse, o treinador Luiz Felipe Scolari, pentacampeão mundial com a seleção brasileira, já esteve posicionado no comando da equipe nos anos 90. Não, jamais a atual situação representa de forma alguma a história construída pelo tricolor do sul catarinense para o futebol de Santa Catarina.

Torcedor do Criciúma, momento de caça às bruxas para achar os culpados: diretoria, comissão técnica, jogadores ou foi o conjunto da obra. Difícil saber quem foi o(s) culpado(s) pela situação da equipe, mas a instituição Criciúma Esporte Clube vai ficar e precisar de vocês, os fiéis torcedores carvoeiros e lembrem-se da estrofe do samba que foi eternizado pela voz da madrinha Beth Carvalho: “Levanta sacode a poeira, dá a volta por cima / Levanta sacode a poeira, dá volta por cima”.

CRICIÚMA 1991

por Marcelo Mendez


Era uma época confusa no Brasil.

Chegada nos anos 90, Plano Collor, economia no chão, salário mínimo sem nenhum valor, inflação a galope, desemprego nas picas, a gente sem perspectiva de porra nenhuma. Pior:

Antes havia o futebol, mas na época, nem isso.

O futebol Brasileiro amargava um jejum de títulos internacionais que aumentava ainda mais, por conta de uma campanha vexatória na Itália, com a Seleção saindo nas oitavas de final após perder pra uma perna do Maradona. Já ia nisso, mais de 20 anos sem um caneco.

Dentro desse panorama, nossas alegrias ludopédicas eram poucas. Mas eis que, no sul do Brasil, surge uma gauchão bigodudo que se juntou com uns catarinenses para formar um grande time de futebol. Falaremos deles aqui.

Senhoras e Senhores, o ESQUADRÕES DO FUTEBOL BRASILEIRO tem a honra de trazer o Criciuma de 1991 para a resenha.

O Tigre era campeão local com sobras. Havia vindo de um tri (1986, 87, 88), tinha feito boa campanha na segundona, mas a coisa em questão ia além disso em 1991. Sob o comando de Lori Sandro, o time havia conquistado o Campeonato Catarinense e agora surgia uma oportunidade única para o time se firmar no cenário nacional:

A Copa do Brasil.


Para isso, era necessário um técnico copeiro. O Tigre num pensou duas vezes e trouxe da Arábia, Luis Felipe Scolari, o Felipão. Com ele, o time fecha-se tendo o ótimo goleiro Alexandre, o zagueirão firme, Sarandi, um lateral muito rápido de nome Itá, um meio campo vigoroso com Gelson, Grizzo e cerebral Roberto Cavalo e no ataque, além do matador Soares, o craque do time, o ponta Jairo Lenzi.

Com esses caras, Felipão convenceu a todo mundo que era possível vencer a Copa do Brasil e assim se enfiou na competição. Nela passou por cima de todo mundo e na semifinal, com um 3×0 no Goiás, credenciou-se para o maior momento da história do clube…

O Brasil em Criciúma

São corriqueiras as nuances envolvidas na final da Copa do Brasil e 1991, quando o contexto é esse que era apresentado, então. O todo poderoso Grêmio, voltaria a decidir a Copa contra o Tigre. E como de costume as falácias se repetiram.

A imprensa gaúcha em uníssono já considerava o tricolor gaúcho campeão. Afirmaram que o Criciúma ao entrar no Olímpico se assustaria com a frase ali escrita “Campeão Mundial de 1983”. Tá, mas num foi isso que aconteceu não.

Em um jogo duríssimo, o Criciúma conseguiu sair na frente do placar com gol de Vilmar. Se segurou bem e mesmo com o empate sofrido, o 1×1 foi muito comemorado e isso era compreensível; O Criciúma era imbatível no seu estádio o Heriberto Hulsse. E assim foi.


Em casa, com o regulamento debaixo do braço, o Tigre segurou o Grêmio e um 0x0 sem sustos. Com o gol marcado fora de casa, e com essa vantagem assegurada, o Criciúma sagra-se Campeão da Copa do Brasil de 1991. O título capacitou o time para jogar a Libertadores de 1992, onde conseguiu um honradíssimo quinto lugar. Mas isso é outra história…

Alexandre, Sarandi, Vilmar, Altair, Ita, Gelson Roberto Cavalo, Zé Roberto, Grizzo, Soares e Jairo Lenzi formam o time que hoje figura aqui, no Esquadrões do Futebol Brasileiro