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ELE PODE SER ÚTIL

16 / janeiro / 2022

por Rubens Lemos


Você confiaria em Daniel Alves – convocado quinta-feira à seleção aos 38 anos de idade? Eu sim. Quem escolheu tirá-lo do pijama devolvendo-lhe as chuteiras o conhece de dividir campo e espetáculos de toque de bola. Xavi Hernandez sabe que Daniel Alves pode ser útil!

Também seria um dos meus primeiros nomes. Tite não pode abrir mão dele. Daniel Alves, com sua experiência e a sua técnica, injetou ânimo ao time bicampeão olímpico. Daniel Alves, com 38 ou 46 anos de idade, é melhor até que todos os meio-campistas de Tite. Na lateral, é único. Pode lhe faltar gás. Compensa usando atalhos.

Com ele, a seleção olímpica tomou gosto e perdeu o medo de qualquer adversário. A Alemanha foi vencida como o antigo Rosita Sofia, amontoado de cabeças de bagre de subúrbio no Rio de Janeiro.

Alemanha não era a principal? Menos. A Alemanha só vale quando enfia 7×1 numa seleção de fundo de barraco? Não. Pronuncie Alemanha e verás a força da potência esportiva e em qualquer lugar da vida.

Com Daniel Alves, foram liberados os garotos. O melhor deles na teoria, Claudinho, meia-esquerda e também convocado, acabou vendido ao Zenit, da Rússia, por 15 milhões de euros ou R$ 92 milhões, quando o negócio foi anunciado pela internet e à mídia tradicional. Dinheiro demais como fantasia de Walt Disney.

Claudinho, o camisa 20, entrou na Olimpíada com pinta de supercraque, alguém que pudesse repetir o desempenho de Geovani do Vasco em 1988 (sinceramente, impossível), de Gilmar Popoca do Flamengo em 1984, de Juninho Paulista em 1996 ou de Alex do Palmeiras no ano 2000. O cara da meiúca, o homem capaz de resolver a partida num lançamento, drible ou sacanagem peladeira de efeito.

Com toda boa vontade, Claudinho rendeu em torno de 35,77% do que mostrou no Campeonato Brasileiro do ano passado, um Orós em meio ao deserto de qualidade no setor mais nobre de qualquer time que se dê a respeito: o meio-campo.

Insistindo em Daniel Alves, basta situá-lo à função correta. O Brasil joga com Casemiro, miniatura de Dunga, e com Fred. Cada vez que leio antes de um jogo da seleção o nome de Fred designando o camisa 8, jaqueta que foi de Zizinho, Didi, Gerson, Canhotinha de Ouro, Sócrates e Zico, que ela vestia quando a 10 era de Rivelino, me dá o prazer paradisíaco de uma unha encravada. Depois de levar o chute de um gordo de 129 quilos.

Tite adotou Fred. Não sabe marcar, desarma apenas com faltas, é incapaz de um passe de cinco metros. Não dribla a sombra (dele). Uma peça de abominável nulidade.

Casemiro até pode ficar no time, o ABC teve Arandir para deixar Alberi livre a fazer arte, mas os outros três do meio precisam de o mínimo de flerte com a redondinha.

Casemiro, Daniel Alves, Bruno Guimarães (começou ótimo, caiu) e Neymar soltinho da silva, formariam um bom quadrado. Com Gerson descansando Daniel Alves e Claudinho entrando com Gerson em situações emergenciais de necessidade de gols.

Richarlison relembrou, com a medalha de ouro, cada ano desperdiçado com Roberto Firmino ou o abominável Hulk, ideal para luta greco-romana.

Antes dos Jogos Olímpicos e com base apenas na desimportante Copa América, era difícil prever algo agradável para o Brasil, além da eliminação na primeira fase da Copa do Mundo.

Um time que joga feio, cheio de boçais incorrigíveis. Agora, é possível imaginar o trecho das quartas, limite brasileiro dos mundiais recentes. Com Daniel Alves, Gerson, Everton Ribeiro. Houve discreta guinada à criatividade. Gerson.

Em Tocantins, é possível achar laterais melhores do que Danilo e o pavoroso Renan Lodi. Daniel Alves é velho? Nilton Santos, numa passada maliciosa após cometer pênalti num espanhol, ajudou o Brasil a ser bicampeão em 1962. Tinha 37 anos.

Daniel Alves não é Nilton Santos, mas ninguém cola nele no futebol patropi. Xavi tem projetos especiais para ele no Barça. Só há um problema: a frescura de ser chamado de Dani. Jogador cascudo é apelido. Dani. “Fofo demais”..

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