O FIM DO FUTEBOL

por Marcelo Migliaccio

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Da renda de mais de R$ 1,2 milhão no jogo de domingo, coube ao Flamengo cerca de R$ 100 mil. Para abrir seus portões, o Maracanã, elitizado e privatizado por Ali Babá Cabral, cobra quase R$ 500 mil. Onde cabiam 160 mil pessoas, agora cabem 60 mil.

Ninguém se importa porque a TV paga a diferença e mantém os clubes no cabresto. A consequência é que mais de 60% da população brasileira não liga mais para futebol. Preferem o basquete da NBA ou o a selvageria do MMA. Quando muito, torcem pelo Barcelona, pelo Manchester United, pelo Bayern de Munique.

No campeonato patrocinado pela TV, a previsibilidade é a regra. Quem subiu da série B no ano passado deve cair de novo este ano. O campeão fica entre Flamengo ou Corinthians, aos quais a detentora dos direitos de transmissão paga muito mais do que aos outros.

A suprema consagração deste modelo foram os 7 a 1 da Alemanha.

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A continuação vem agora:

Não, nenhum debatedor de mesa redonda vai admitir que a derrocada do futebol brasileiro começou em 1987, quando um fabricante de refrigerantes e a emissora de TV hegemônica compraram o campeonato nacional e ordenaram uma virada de mesa. Só os 20 clubes de maior torcida disputariam a Copa União.

O America, terceiro colocado no Brasileirão de 86, e o Guarani, vice-campeão, foram rebaixados para o módulo amarelo, que nada mais era do que a segunda divisão. Esses dois times, tradicionais, nunca mais se recuperaram do baque.

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Mas isso nenhum jornalista vai admitir na TV. Preferem colocar a culpa pelo afastamento do público dos estádios na violência urbana, nas torcidas organizadas, na crise econômica etc.

É só mais um capítulo do fim do futebol.