DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

por Mateus Ribeiro

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O ano está chegando ao fim, e junto de 2017, acabarão as principais competições futebolísticas do Brasil e da América do Sul. É bem verdade que o Campeonato Brasileiro praticamente acabou com o sétimo título do Corinthians. Restam a Libertadores e a Sul-Americana, que contam com clubes brasileiros na disputa.

O Grêmio conquistou a vantagem do empate, e está perto do tricampeonato da Libertadores. Já o Flamengo precisa segurar a vantagem que conseguiu na primeira partida, ao vencer o Junior Barranquilla por 2 a 1, e dessa maneira, ir para a final da Copa Sul-Americana. E é sobre o Flamengo que irei falar um pouco.

O rubro negro carioca foi um dos times que mais gastou dinheiro tentando se reforçar. Trouxe, a peso de ouro, nomes badalados, como Diego e Everton Ribeiro, para que o não menos midiático Guerrero tivesse melhor companhia para brilhar. Bom, e parece que o plano não deu muito certo. A não ser que a torcida considere satisfatório torrar zilhões de reais para ganhar Campeonato Estadual, e eu imagino que esse não seja o caso.

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Fato é que apesar de todo o investimento, o Flamengo decepcionou sua torcida, e parte da crônica esportiva também. E o que acontece quando algo dá errado? Procura-se um culpado. E sim, foi isso que torcida e imprensa fizeram durante o ano todo.

Começou com Márcio Araújo. Márcio Araújo não tem culpa de ser ruim de bola. Nenhuma mesmo. Errado está quem o contrata sabendo que o resultado dificilmente será algo satisfatório. Ninguém quis saber, e a torcida fez o possível e o impossível para que o contestado Zé Ricardo retirasse o volante do time. Conseguiram, e o contestável, porém blindado, Arão virou titular absoluto, mesmo cometendo erros absurdos.

Depois da blitz contra Márcio Araújo, chegou a vez de fritar Zé Ricardo. Atendendo a um dos principais apelos da mimada torcida brasileira, a diretoria do Flamengo contratou Reinaldo Rueda, que chegou na Gávea como se fosse uma divindade.

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Nem com a chegada de Rueda, e com os holofotes em cima do Flamengo, o ano de 2017 foi bom. Apesar de chegar na final da Copa do Brasil e poder ser finalista da Copa Sul-Americana, ficar de fora do G4 do Campeonato Brasileiro e ser eliminado na primeira fase da Libertadores representaram duas tragédias. E todo esse cenário, que já era ruim, piorou com as seguidas falhas do goleiro Alex Muralha.

O torcedor não atura mais as péssimas atuações de Muralha, isso é fato. Agora, o que ficou claro depois disso é que a imprensa, que se diz imparcial, transparente e responsável, está agindo de uma forma totalmente parcial, suja e irresponsável. É claro que o goleiro anda falhando além da conta. Já passou dos limites.

Agora, o achincalhamento moral está passando dos limites também. Se esqueceram do lado humano. Se esqueceram que eles mesmos criaram a imagem de um bom goleiro (coisa que Muralha nunca foi). Se esqueceram que existe um ser humano atrás do goleiro que falhou feio na última rodada. Se esqueceram que na tentativa de pagar de engraçadinhos, pegaram um cidadão pra Cristo, e abalaram totalmente o lado pessoal de Alex. E como consequência, conseguiram tornar a cabeça do rapaz um inferno. Alex é humano. É ÓBVIO que ele sente a pressão. Talvez não demonstre, mas sente.

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Hoje, além de capa de jornal, virou assunto em todos os insuportáveis debates esportivos. Virou tema de debates acalorados sobre o que o treinador do time deve fazer. Seu dia tem tudo para ser, talvez, o pior dia da vida. Mas e a nossa imprensa? Ela está pouco ligando. Quer vender. Quer ganhar cliques e likes. Que seja nas costas de um ser humano, não há problema algum nisso.

O que é engraçado é notar que esses mesmos veículos fizeram uma operação gigantesca para preservar a imagem dos responsáveis pelo 7 a 1. São os mesmos veículos que tiram das costas de estrelas que se omitiram o ano todo a responsabilidade de um possível fracasso. Enfim, se esqueceram da responsabilidade que possuem como formadores de opinião.

E não estou defendendo Muralha, Márcio Araújo ou Zé Ricardo. Mas já que o pau vai bater no Zé, José não pode ficar de fora.

Fritaram Márcio Araújo, fritaram Zé Ricardo, e estão tentando derrubar a Muralha. A saga continua. E em 2018 veremos, não só no Flamengo, muitos personagens sendo fuzilados, enquanto outros seguirão sendo blindados.

A passos largos, o jornalismo esportivo vai perdendo a vergonha na cara, a responsabilidade e a credibilidade. Estamos apenas esperando perder a respiração e os batimentos cardíacos, para que morra de vez.