MALANDRO É MALANDRO

entrevista: Sergio Pugliese | texto: André Mendonça | foto: Marcelo Tabach | edição de vídeo: Daniel Planel

 

Há muito tempo estávamos atrás de uma resenha com Dé Aranha e, na mesma proporção, a rapaziada vivia sugerindo uma matéria com um dos pontas mais endiabrados que o futebol brasileiro já produziu. O dia finalmente chegou e, para justificar a demora, promovemos um encontro do craque com Edson Mauro, o "Bom de Bola", uma dupla afinadíssima que proporcionou boas risadas à equipe do Museu!

Muitos não sabem, mas foi Edson Mauro quem abriu as portas do mundo do rádio para Dé. A amizade entre os dois vem de longa data.

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- Eu era narrador esportivo e o Dé jogador do Vasco quando nos conhecemos. Começamos a ter uma relação legal porque a Rádio Globo me colocava no mesmo voo e hotal da delegação durante as muitas viagens que fazíamos! - lembrou Edson Mauro.

Aproveitando o contexto, Dé não poupou críticas ao comportamento atual dos jogadores em relação às emissoras:

- Hoje há uma barreira e não se chega aos jogadores como se chegava antigamente. Eles estão cada vez mais marrentos. Na minha época, eu ficava doido para dar uma entrevista para a Globo e sempre procurava os microfones!  

Figura muito bem-humorada, Dé é a personificação daquele jogador que muitos sentem falta hoje em dia. Não só por sua personalidade, mas também por tudo que fazia dentro de campo, atormentando os marcadores nas pontas, função que está em extinção no "futebol moderno". 

Durante o papo, o craque revelou seu nome de batismo e lamentou o fato de não ter nascido na Inglaterra ou nos Estados Unidos. O motivo é surreal:

- Meu nome é Domingos Pedra. Se eu fosse inglês ou americano meu nome seria muito bacana: Sunday Stone! - disse com pronúncia e tudo.

Engana-se, no entanto, quem pensa que o jeitão malandro se limita às resenhas fora das quatro linhas. Dentro de campo, o ponta vivia aprontando contra os rivais, usando todas as artimanhas possíveis e impossíveis para sair com a vitória.

Dentre elas, destacam-se a utilização de uma pedra de gelo arremessada para roubar a bola do zagueiro Reyes, do Flamengo, e um punhado de areia no rosto de Andrada, atrapalhando a visão do goleiro do Vasco na hora da cobrança de falta.

As malandragens, no entanto, tinham uma justificativa convincente:

- Eu vejo um campeonato como se fosse uma guerra. Cada jogo é uma batalha. Na nossa época a vitória era necessária para garantir o bicho, que era muito maior que o salário! Hoje em dia os jogadores não precisam se preocupar em vencer porque os salários são exorbitantes!

Se já não fosse o bastante, Dé ainda revelou que era o rei dos pênaltis arranjados. Segundo ele, se ralava todo durante os treinamentos ensaiando para se jogar na grande área.

 Daniel Planel, Sergio Pugliese, Dé Aranha, Edson Mauro, André Mendonça e Marcelo Tabach

Daniel Planel, Sergio Pugliese, Dé Aranha, Edson Mauro, André Mendonça e Marcelo Tabach

- Eu treinava meter o meu pé direito na frente do esquerdo e dava a impressão de que eu era calçado, pois eu era muito veloz!

No fim da resenha, a pedido de Sergio Pugliese, após muitas histórias divertidas, Edson Mauro simulou a narração de um gol marcado por Dé e o craque não poupou os elogios.

- Sendo narrado pelo Edson Mauro do meu lado me dá uma satisfação muito maior, porque minha admiração por ele é não é só como narrador esportivo, mas como ser humano. Mora no meu coração.