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Wesley Machado

UMA VEZ POR ANO

texto: Wesley Machado | fotos: Maria Clara Menezes


Dia dos Pais também foi dia da pelada anual da Associação de Imprensa Campista (AIC), instituição histórica da cidade de Campos dos Goytacazes, fundada em 1929. E a pelada que reúne os profissionais da Imprensa Campista e acontece apenas uma vez por ano – é isto mesmo – já se tornou tradicional. Há quem jogue apenas esta pelada durante todo ano. É o caso de Rafael Vargas, flamenguista que, por ter jogado basquete no America, foi para a pelada vestido com o manto rubro. 

Na pelada anual da AIC, os jogadores não usam coletes. Cada qual joga com a camisa que quiser. Eu fui com a camisa do Museu da Pelada. O repórter e blogueiro de Política, Alexandre Bastos, com a camisa do Botafogo. E o experiente fotógrafo Jocelino Check, com a camisa do Brasil com o escudo do Americano. Por conta do Flamengo ter perdido no dia anterior, ninguém apareceu com a camisa rubro-negra. Outros jogaram com camisas sem ser de times. Houve quem jogasse sem camisa e descalço para honrar o nome pelada, caso de Antônio Leudo, fotógrafo veterano.


No Dia dos Pais, muitos tiveram a oportunidade de jogar ao lado dos filhos, como Leudo e o filho Leno e Alexandre Paiva, o repórter mais bem informado de Campos e região, e o filho também chamado Alexandre. O jornalista das antigas, Cilênio Tavares, ficou de fora apitando, mas o filho dele, Bernardo, no auge de seus 19 anos, foi o que mostrou mais disposição. Mas o craque foi Alexandre Paiva, que aplicou um lindo lençol em Check e ainda deu vários dribles no artilheiro da pelada, que gosta de zombar dos adversários mas desta vez vai ter de aturar a gozação, mesmo que tenha feito sete gols, segundo ele, e comprovado sua fama de matador.

Quem também fez muitos gols desta vez foi o repórter de Esportes Raphael Petersen, o Tijolo, que mesmo acima do peso, assim, como eu, mostrou faro de gol. Quem não gostou muito foi Alexandre Bastos, que apesar de ter deixado duas vezes a bola no fundo das redes não ficou satisfeito em perder a pelada. Reclamou muito comigo pois quando eu subia para apoiar e não recebia a bola (“Quem desloca, recebe”), não voltava para marcar. Mas tenho a desculpa de ter jogado praticamente sozinho lá atrás, por mais que Bastos voltasse de vez em quando para ajudar na defesa. Mas é que ninguém aguenta a solina que estava. 

A pelada estava marcada para às 11 horas de domingo, horário que passou a ser utilizado em campeonato profissional da 1ª divisão desde o ano passado, só começou quase meio-dia. E só o fato de eu estar pesado demais para jogar bola, aliado ao fato de estar há um mês parado, já seria suficiente para um má atuação. Ainda bem que deixei meu golzinho como de praxe. E fiz um esforço para tirar algumas bolas, o que fez com que Bastos diminuísse as críticas. Ao fim da peleja, o que valeu foi a confraternização dos colegas de profissão e os momentos vividos pelos pais com os filhos e vice-versa.


A CAMISA DA SORTE

por Wesley Machado

Domingo, de manhã. Era mais uma volta minha à Pelada Antigos Craques, depois de um tratamento mal feito de um estiramento na coxa direita. Da última vez que tinha voltado, ainda não estava totalmente recuperado e joguei mancando. Desta vez, me sentia mais à vontade.

No aquecimento antes de começar a pelada, fui tentado a chutar uma bola de longe, mas resolvi não forçar. Fui escolhido por Rodrigo, dono do Time Verde, o mais badalado da pelada.

O Time Verde ficou bem escolhido. Ainda tinha Zezé, o armador das jogadas; e Davi, um motorzinho, que apóia e volta para ajudar na defesa. Mas perdemos a primeira pelada para um time inferior no papel. Talvez pelo excesso de confiança. Ficamos na cerca. E quando voltamos, foi a minha vez de resolver.

Eu já tinha reparado que toda vez que visto uma camisa do Botafogo não faço gol. Desta vez, relutei em colocar uma camisa do Botafogo. Mas estava frio. E escolhi a de manga comprida. E tive uma ideia. Estrear a camisa do Museu da Pelada, que havia ganhado do Sergio Pugliese.


Coloquei a camisa do Museu da Pelada por cima da camisa de manga comprida do Botafogo. E decidi jogar na frente. Em dois lances decidi a pelada a favor do Time Verde. Dois gols que definiram a partida. Um deles driblando o goleiro. Todos os dois com assistência do garçom Zezé.

Estou até agora curtindo aquela manhã de artilheiro. Não chego nem perto do artilheiro da Pelada Antigos Craques, Juninho, que tem algumas dezenas; mas estou no mesmo ritmo de Thiagão, o rei dos gols de cobertura. 

Coincidência ou não, nesta pelada em que marquei dois gols, Jean, que foi pai pela primeira vez recentemente; e Paulinho marcaram seus primeiros gols. Eles que tentavam desencantar há tempo.

Agora dá-lhe gelo, arnica, diclofenaco e até injeção para tratar a coxa inflamada que chegou a ficar com um hematoma. Não sei quando vou voltar a jogar, mas bem que esta seria uma boa oportunidade para eu pendurar as chuteiras. No alto dos meus 35 anos e de bem com a bola.

O SUPER-ATLETA

por Wesley Machado


Gamelão mostra controle de bola

Ele não é só um atleta de final de semana. Ele é um super-atleta de final de semana. Aos 42 anos, Sandro “Gamelão” joga três vezes num só final de semana. No sábado pela manhã, ele participa da “PeLeiJa”, a pelada dos funcionários da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes-RJ. No sábado à tarde, Gamelão agarra no time do Victor Sence no campeonato Cinquentão. E no domingo, ele atua como centroavante do Leopoldinense no Quarentão.

Para aguentar tamanho esforço num só final de semana, Gamelão joga à base de aplicações de injeções. Vale destacae que ele que foi jogador profissional, jogou no Goytacaz com o técnico Waldemar Lemos, irmão de Oswaldo de Oliveira. Jogou também no Cardoso Moreira, onde foi campeão da Terceirona em 1994. Mas fez sucesso mesmo nas disputadas competições da Baixada Campista, onde jogou pelo Cruzeiro de Poço Gordo e foi tri-campeão e artilheiro três vezes.

Recentemente, Gamelão perdeu a mãe Ceinha. Ele já havia perdido o pai há poucos anos. Sem a presença dos pais, Gamelão encontra nos amigos o apoio para suportar a vida dura que leva. Para ele,  vigilante patrimonial do legislativo municipal campista e pai de sete filhos, o futebol é puro lazer, uma coisa que gosta e uma oportunidade de reunir os amigos. Uma vez por mês, ele também atua no master do Goytacaz, clube que já esteve na 1ª divisão do Campeonato Brasileiro e atualmente está ameaçado de cair para a Série C do Carioca.

Numa pelada que tem até pré-candidato a prefeito da cidade, Rafael Diniz, neto do ex-prefeito de Campos, Zezé Barbosa; Gamelão é quem se destaca. É só começar a ganhar uma pelada em cima da outra, que ele começa a brincar. Os adversários ficam loucos. Mas Gamelão demonstra que leva a coisa na brincadeira. Tudo para mostrar que na pelada o que vale é se divertir. Mas vai dizer isto para o Júnior. Este não aceita perder de jeito algum. No final todos saem satisfeitos. Ainda mais com o churrasco, quando cada um recupera as calorias que perdeu.

MÃO DE ONÇA

por Wesley Machado, de Campos dos Goytacazes

O número 12 na camisa remete ao ano de fundação de um dos clubes mais tradicionais do Rio de Janeiro, o Goytacaz, de 1912 e que há mais de 20 anos não consegue voltar à elite do futebol carioca. Goytacaz que chegou a disputar a 1ª divisão do Nacional na década de 70. Para Moisés Lima, de 53 anos, o clube sempre estará no coração, pois o ex-goleiro profissional guarda boas lembranças de uma modesta participação com a camisa azul na história que marcou para sempre a sua vida. Afinal, quem nunca teve o sonho de ser um jogador de futebol, de ser saudado pela torcida, de virar figurinha? Mão de Onça, como era chamado, por causa das mãos grandes, começou no futebol profissional quando já tinha 21 anos.


Mão de Onça ainda marca presença nas peladas (Foto: Wesley Machado)

Depois de agarrar em times amadores de bairros da cidade de Campos dos Goytacazes, como o Atlântida e o Rui Barbosa; e no Municipal, este último que chegou a disputar o antigo Campeonato Campista de Profissionais, que fez muito sucesso na época; Mão de Onça foi tentar a sorte no Americano. Mas não gostou do tratamento dado no Alvinegro, o qual muitos consideram como um clube de elite. Sem chances no Americano, foi fazer um teste no Goytacaz, conhecido como o time do povo, e foi acolhido pelo técnico Amadeu Crespo, descobridor de jogadores como Jussiê, revelado pelo Goytacaz, com passagem pelo Cruzeiro e vendido para a França; e Elias, que atuou pelo Botafogo em 2013 e atualmente está no Figueirense.

Mão de Onça ficou no Goytacaz e logo subiu para os profissionais devido à idade estourada. Ficou na reserva do goleiro Claudio. Daí também o significado do 12. No banco durante todo o Campeonato Carioca de 1985, teve a oportunidade de jogar os dez minutos finais da partida contra o Serrano, outro clube que fez história quando Anapolina fez o gol da vitória contra o Flamengo e que ensaia uma volta na Série C do Carioca. Neste jogo que atrapalhou os planos do Flamengo no campeonato, quem fechou o gol foi Acácio, campista que depois seria contratado pelo Vasco e chegaria à seleção brasileira, tendo sido convocado para a Copa de 1990 na Itália.

Acácio se tornou o ídolo de Mão de Onça, que comparado ao goleiro reserva da seleção na Copa de 90, não foi tão expressivo assim. Mas cada qual tem sua história particular, que pode não ser tão importante para a história em geral, mas para a pessoa envolvida fica marcada na memória. Mão de Onça conta que: “reserva não aparece muito”. Realmente, Mão de Onça não aparecia. Apareceu agora. Depois do Goytacaz, jogou ainda pela Desportiva Ferroviária, do estado do Espírito Santo; e pelo Iguaçuense, que disputou a Terceirona do Rio no final da década de 80, início da década de 90. Disputou o Campeonato das Indústrias do Rio de Janeiro pela Perdigão, de Guadalupe; e voltou para Campos para ser campeão de bairros pelo Social. Atualmente disputa aos sábados pela manhã a PeLeiJa, a pelada dos funcionários da Câmara de Vereadores de Campos, na qual trabalha como guarda municipal, concursado em 1997 e cedido ao gabinete da presidência do legislativo municipal.


MÃO DE ONÇA

por Wesley Machado, de Campos dos Goytacazes

O número 12 na camisa remete ao ano de fundação de um dos clubes mais tradicionais do Rio de Janeiro, o Goytacaz, de 1912 e que há mais de 20 anos não consegue voltar à elite do futebol carioca. Goytacaz que chegou a disputar a 1ª divisão do Nacional na década de 70. Para Moisés Lima, de 53 anos, o clube sempre estará no coração, pois o ex-goleiro profissional guarda boas lembranças de uma modesta participação com a camisa azul na história que marcou para sempre a sua vida. Afinal, quem nunca teve o sonho de ser um jogador de futebol, de ser saudado pela torcida, de virar figurinha? Mão de Onça, como era chamado, por causa das mãos grandes, começou no futebol profissional quando já tinha 21 anos.


Mão de Onça ainda marca presença nas peladas (Foto: Wesley Machado)

Depois de agarrar em times amadores de bairros da cidade de Campos dos Goytacazes, como o Atlântida e o Rui Barbosa; e no Municipal, este último que chegou a disputar o antigo Campeonato Campista de Profissionais, que fez muito sucesso na época; Mão de Onça foi tentar a sorte no Americano. Mas não gostou do tratamento dado no Alvinegro, o qual muitos consideram como um clube de elite. Sem chances no Americano, foi fazer um teste no Goytacaz, conhecido como o time do povo, e foi acolhido pelo técnico Amadeu Crespo, descobridor de jogadores como Jussiê, revelado pelo Goytacaz, com passagem pelo Cruzeiro e vendido para a França; e Elias, que atuou pelo Botafogo em 2013 e atualmente está no Figueirense.

Mão de Onça ficou no Goytacaz e logo subiu para os profissionais devido à idade estourada. Ficou na reserva do goleiro Claudio. Daí também o significado do 12. No banco durante todo o Campeonato Carioca de 1985, teve a oportunidade de jogar os dez minutos finais da partida contra o Serrano, outro clube que fez história quando Anapolina fez o gol da vitória contra o Flamengo e que ensaia uma volta na Série C do Carioca. Neste jogo que atrapalhou os planos do Flamengo no campeonato, quem fechou o gol foi Acácio, campista que depois seria contratado pelo Vasco e chegaria à seleção brasileira, tendo sido convocado para a Copa de 1990 na Itália.

Acácio se tornou o ídolo de Mão de Onça, que comparado ao goleiro reserva da seleção na Copa de 90, não foi tão expressivo assim. Mas cada qual tem sua história particular, que pode não ser tão importante para a história em geral, mas para a pessoa envolvida fica marcada na memória. Mão de Onça conta que: “reserva não aparece muito”. Realmente, Mão de Onça não aparecia. Apareceu agora. Depois do Goytacaz, jogou ainda pela Desportiva Ferroviária, do estado do Espírito Santo; e pelo Iguaçuense, que disputou a Terceirona do Rio no final da década de 80, início da década de 90. Disputou o Campeonato das Indústrias do Rio de Janeiro pela Perdigão, de Guadalupe; e voltou para Campos para ser campeão de bairros pelo Social. Atualmente disputa aos sábados pela manhã a PeLeiJa, a pelada dos funcionários da Câmara de Vereadores de Campos, na qual trabalha como guarda municipal, concursado em 1997 e cedido ao gabinete da presidência do legislativo municipal.